• No results found

Outlook based on collaboration of clusters

In document Future skill and competence needs (sider 15-20)

2. Outlook based on global trends

2.2 Outlook based on collaboration of clusters

Optou-se, nesta pesquisa, pela constituição de grupos naturais e heterogêneos, por entender que poderia ser mais rico, perceber como as opiniões coletivas emergem em contraposição ao “outro”. Não é possível compreender a construção da percepção dos/as

jovens sobre o sistema de cotas da UnB sem entender a construção dinâmica da identidade dos/as participantes dos grupos. E essa interação só é possível se houver o “outro” no grupo.

Ao longo da pesquisa foram realizados nove grupos de discussão, no entanto, em função de problemas ocorridos com a gravação do grupo realizado com a turma 3º G, do Centro de Ensino B, de Ceilândia, esse material foi desconsiderado para o conjunto da descrição do trabalho de campo. Ao final de cada grupo foram aplicados questionários (cf. Apêndice E) com vistas a realizar uma caracterização dos/as jovens participantes. Os dados a seguir referem-se às informações coletadas nesse instrumento.

Ao todo, participaram dos grupos de discussão 51 jovens estudantes das quatro escolas pesquisadas71. Entre os/as jovens pesquisados/as, 26 são do sexo feminino, 24 do sexo masculino e um deles não marcou nenhuma das duas alternativas.

Em relação à cor ou raça 18 deles se identificaram como brancos/as, 24 se auto- identificaram pardos/as, 4 se identificaram como pretos/as, e apenas um se auto-identificou amarelo, não houve a participação de indígenas na pesquisa. Chama a atenção que três meninas não responderam a essa questão, o que pode demonstrar resistência às categorias apresentadas no questionário. Há, ainda, uma jovem que se auto-identificou simultaneamente como “preta” e “parda”, o que pode demonstrar alguma dúvida em relação ao seu “contínuo de cor” (Hasenbalg, 2005), mas não em relação a sua identidade negra, já que ambas as categorias, segundo os critérios do IBGE, são recodificadas como “negro”.

O convite para os/as jovens participarem do grupo de discussão foi feito no momento, imediatamente, posterior à aplicação dos questionários. Primeiramente explicávamos que a pesquisa previa além do questionário outra atividade e que gostaríamos de contar com voluntários. Preparamos cartas-convites (cf. Apêndice B) para que eles/as preenchessem com o nome e outros dados pessoais, de modo que posteriormente pudéssemos proceder ao agendamento da atividade.

A seguir, apresenta-se o número de jovens que se candidataram para participar da atividade e o montante daqueles que participaram por escola e turma.

Nome da escola Turma

Número de voluntários

Número de

participantes Data de realização

3o A 2 3o B 2 3o C 5 4 26/6/2007 3º D 5 3º E 12 8 28/6/2007 Centro de Ensino A (escola pública - Brasília

3º F 11 6 03/8/2007

3o D 9 7 17/5/2007

3o F 4

Centro de Ensino B

(escola pública - Ceilândia) 3o H 3

301 9 7 14/6/2007 302 5 7 25/6/2007 Centro de Ensino C (escola particular - Brasília) 303 9 3 5/6/2007 5º sem A 3 Centro de Ensino D (escola particular - Ceilândia 5º sem B 7 9 2/8/2007 TOTAL 92 56

QUADRO 3 – Voluntários e participantes dos grupos de discussão por escola, turma e data de realização. Fonte: Pesquisa “Para além do ensino médio: a política de cotas da universidade de Brasília e o lugar do/a jovem negro/a na educação, 2007-2008.

Em função da impossibilidade de realizar grupos de discussão com todas as turmas de ensino médio, e conforme desenho da pesquisa, o convite foi feito aos/as jovens de algumas turmas em cada uma das escolas. Essa foi a forma encontrada para se ter uma reserva de voluntários, caso necessitássemos realizar outros grupos e, também, de não criarmos expectativas nas demais turmas quanto à participação na atividade uma vez que não seria possível realizar grupos com todas as turmas.

O procedimento acordado para a realização dos grupos de discussão compreendeu a realização do convite e de posse dos dados dos/as voluntários/as o agendamento foi realizado via telefone e/ou e-mail. Porém, ao entrarmos em campo percebemos que cada escola tinha a sua dinâmica de funcionamento o que nos levou a ser flexíveis e respeitar o sistema normativo de cada estabelecimento de ensino pesquisado.

Faz-se necessário enfatizar que todos os grupos de discussão e todas as entrevistas foram realizados na própria escola, de modo a evitar qualquer tipo de constrangimento no que diz respeito ao recrutamento dos/as jovens para outros espaços. Os/as coordenadores/as das escolas disponibilizaram salas para que as atividades pudessem ser executadas com qualidade. No Centro de Ensino A, na reunião realizada com os professores para comunicar a pesquisa e seus objetivos, acordamos com uma das professoras de laboratório que

utilizariamos o horário vago da aula de laboratório de biologia, para organizar os grupos de discussão. A escola não tinha professor de laboratório de biologia e, portanto, todas as turmas tinham um horário vago durante a semana. Assim, agendávamos o dia de aula das turmas que seriam pesquisadas e chegávamos à escola com alguma antecedência.

Assim, nessa escola não foi realizado um contato virtual ou telefônico com os jovens. O recrutamento dos/as jovens ocorreu no próprio horário de aula. Organizamos uma lista com os nomes dos voluntários e fomos à sala chamá-los para participar da atividade. Na turma C, no dia da atividade um dos voluntários faltou, por isso realizamos o grupo com apenas quatro jovens, um rapaz e três mulheres, todos auto-indentificados/as brancos/as. A todo o momento os professores enfatizaram que essa turma era “muito boa”.

Com a turma 3º E, adotamos o mesmo procedimento, mas em função do grande número de voluntários decidimos chamar, aleatoriamente, apenas seis deles. Entretanto, no momento que entrei em sala e expliquei a atividade que seria realizada, outros/as jovens que não estavam na lista reduzida enfatizaram que também foram voluntários/as e gostariam de participar. Assim, aceitamos incluir no grupo dois outros/as jovens. Esse grupo foi composto por três mulheres e cinco homens. Entre eles encontramos quatro jovens pardos, um preto e dois brancos e uma jovem que não se auto-identificou.

No decorrer do grupo, percebemos que restaram algumas lacunas nos discursos de três jovens – Maitê, Orpheu e Cristiane – assim consultá-los para saber da disponibilidade de cada um para a participarem de uma entrevista. Assim, agendamos as entrevistas foram agendadas e nos encontramos na própria escola, no turno contrário ao de aulas.

Na turma 3º F adotamos critério similar ao do 3º E, mas para a nossa surpresa a professora nos informou que boa parte dos jovens tinham sido remanejados para outras turmas. Então, nesse caso o grupo foi realizado com os jovens que se encontravam naquela turma. No grupo havia duas mulheres e quatro homens. Entre os quais temos duas jovens negras, quatro pardos e um branco.

No Centro de Ensino B, no dia seguinte à aplicação dos questionários seria realizado o Conselho de Classe da Escola, o que implicaria na liberação de todas as turmas no horário do intervalo. Aproveitamos, então, essa oportunidade e de posse das listas de duas turmas recrutamos os jovens para participar da atividade.

Na turma 3º D, dos nove voluntários, sete participaram da atividade. Aproveitando que a escola encontrava-se vazia fizemos o grupo de discussão em uma sala bastante silenciosa e afastada dos olhares dos dirigentes da escola. Participaram deste grupo cinco mulheres e dois homens, dos quais uma jovem negra, cinco pardos e uma jovem branca.

Na turma 3º G participaram cinco jovens, sendo quatro homens e uma mulher. Entre os quais, dois jovens se auto-identificaram como pretos, dois como pardos e uma jovem que se auto-identificou como amarela. Este grupo foi realizado simultaneamente ao grupo do 3º D, em virtude do auxílio prestado da pesquisadora Ana Paula Meira. No entanto, em função de problemas técnicos com o gravador, a gravação ficou comprometida, tendo sido cortada à metade, o que nos levou a suprimir esse grupo da pesquisa.

No Centro de Ensino C, o agendamento dos grupos transcorreu de outra forma. Foi- nos demandado, pela coordenadora da escola, um pedido de autorização direcionado aos pais. Esta era uma escola particular e houve muita cautela da coordenadora quanto ao recrutamento dos jovens para a atividade. Elaboramos uma carta aos pais (cf. Apêndice C), a qual seria entregue aos jovens voluntários pela própria coordenadora, os quais se encarregariam de recolher a assinatura dos pais e devolvê-las à escola.

Diante dessa exigência realizamos um contato prévio – e-mail e telefone - com os/as jovens interessados/as em participar do grupo de discussão sugerindo uma data e horário para a realização da atividade. A data foi escolhida em função de conversas com a coordenadora escolar que nos forneceu datas de provas e atividades extras para que pudéssemos acordar um dia que não coincidisse com a realização de atividades escolares. A partir da concordância dos/as jovens, procedemos à entrega das cartas que foram enviadas aos pais, comunicando o dia e horário da atividade, que seria realizada em horário contrário ao de aulas.

Na turma 301 dos nove voluntários, sete participaram da atividade, totalizando cinco homens e duas mulheres. O agendamento foi realizado por e-mail e confirmado por meio de ligação telefônica. A escola reservou uma sala para que pudéssemos realizar a atividade no turno da tarde.

A turma 302 chamou a atenção pela dificuldade que encontrei em agendar a atividade. Fiz muitos contatos por e-mail, tendo apenas duas respostas positivas. Por telefone consegui confirmar apenas mais uma participação. De todo modo, decidi realizar o grupo com três jovens. Porém, para a minha surpresa no dia e horário combinados apareceram jovens de outras turmas (301, 303 e 304), os quais demonstram interesse em participar da atividade. Concordei com a participação deles e acabamos formando um grupo com sete jovens, cinco mulheres e dois homens. Os jovens das outras turmas foram convidados pelos colegas da turma 302 para, também, participarem da atividade.

O grupo de discussão com a turma 303 foi o primeiro a ser realizado no Centro de Ensino C, e foi um grupo atípico porque era formado por quatro homens e éramos duas entrevistadoras (estagiária Nora Hoffman e eu). Esse grupo não transcorreu como esperado.

Durante toda a dinâmica, os jovens falaram muito baixo, mesmo sendo incitados a se expressarem mais alto. Foram demasiadamente objetivos e a interação entre eles não se realizou como nos demais grupos. Percebemos que embora se conhecessem, não pareciam estabelecer uma interação fora do mundo da sala de aula. Esse foi o grupo de menor duração, com cerca de 30 minutos. Talvez este grupo mereça uma análise mais detalhada, percebendo as nuances de gênero e de raça.

No Centro de Ensino D, foi adotado o mesmo procedimento da escola anterior. Entretanto, o agendamento do grupo nesta escola foi realizado depois do período de recesso do mês de julho. Assim, logo que as aulas retornaram entrei em contato com os/as jovens das duas turmas. Nessa escola, as turmas recebem a designação por semestre, então o terceiro ano compreende os 5º e 6º semestres.

No 5º semestre “A”, entrei em contato, por e-mail e por telefone, com três jovens mulheres que haviam demonstrado interesse em participar dessa fase da pesquisa. Porém, no contato telefônico soube que ambas haviam mudado de escola. Mas mesmo assim decidi tentar realizar um grupo com elas. Mas duas delas não quiseram participar da dinâmica por falta de tempo. A outra jovem convidada para participar da atividade foi transferida para outra escola desta pesquisa, o Centro de Ensino A, que é uma escola pública de Brasília. Tentei por três vezes agendar uma entrevista com esta jovem, mas ela não compareceu em nenhum dos três dias combinados. Por esse motivo, decidi não insistir.

No 5º semestre “B”, entrei em contato com alguns jovens e me deparei com o fato de que alguns deles haviam informado telefones e e-mails que não conferiam. Assim, tentei agendar a atividade para uma tarde, mas apenas duas jovens manifestaram interesse em participar, e outros três afirmaram que não poderiam porque trabalhavam no período da tarde, que foi o horário sugerido já que no período da manhã eles tinham aula. Em função disso, recorri à coordenação da escola e tentei negociar para realizar o grupo de discussão no horário de aula. Depois de alguma argumentação consegui agendar o grupo para o horário de 11h00 da manhã.

Quando avisados de que a atividade seria realizada no horário de aula, vários jovens quiseram participar e o professor liberou toda a turma para participar do grupo de discussão. Em hipótese alguma o método permite a realização de um grupo tão grande, por isso imediatamente conversei com o professor informando de que não se tratava de uma palestra, mas de uma dinâmica com um grupo com, no máximo, oito jovens. O professor compreendeu a situação e voltou com os demais alunos para a sala. Participaram deste grupo sete mulheres

e dois homens, sendo que quatro se identificaram como “pardos”, dois jovens se identificaram brancas e outras duas não responderam a essa questão.

Cabe ressaltar que assim como fizemos no Centro de Ensino A e sob a mesma justificativa, convidamos um jovem deste grupo para participar de uma entrevista. José não se opôs à entrevista e nos encontramos na própria escola no turno contrário ao de sua aula para a realização da atividade. No primeiro convite feito aos jovens dessa turma, esse jovem não demonstrou interesse em ser voluntário para participar do grupo, mas estava presente no dia da realização da atividade.

Nesta turma, o voluntarismo dos/as jovens em querer participar do grupo de discussão pode ser explicado pelo fato de este ter sido realizado no horário de aula, uma vez que no contato telefônico apenas duas jovens tinham demonstrado interesse em participar da dinâmica.

4 Juventudes e meio social

Apresenta-se neste capítulo uma análise sobre o meio social ao qual pertencem esses jovens. Abordam-se neste capítulo aspectos sobre a vida cotidiana dos jovens participantes dos grupos Contrastes e Arte por toda parte realizados em duas escolas públicas, respectivamente, de Brasília e de Ceilândia.

Os/as jovens referem-se a sua percepção sobre as cidades onde moram, bem como elucidam como se dá a sua inserção no cotidiano e na dinâmica desses espaços urbanos. Alguns temas aparecem com naturalidade no discurso, tais como a violência, o envolvimento com atividades extra-escolares – cursos de línguas, informática e outros - e a discriminação sócio-espacial.

Foram selecionadas, ainda, passagens que surgiram da interação espontânea dos participantes, sem a interferência imanente ou ex-manente da pesquisadora. Essas passagens as quais denominamos metáfora de foco (Weller, 2005c) nos remetem à discussão a respeito das desigualdades sociais, no nível mais micro no caso do grupo Constrastes e no nível mais macro no caso do grupo Arte por toda parte.

O encadeamento dos temas traz reflexões sobre escola e juventude de forma mais abrangente. É possível perceber em que medida o local de moradia e a trajetória escolar, envoltas nessas experiências coletivas e individuais, têm influenciado a escolha dos/as jovens quanto a continuar ou não sua trajetória educacional no ensino superior.

Entrentato, antes da análise dos temas será apresentada uma breve contextualização e caracterização dos participantes do grupo, oferecendo ao/a leitor/a informações que foram de grande relevância para a análise. Primeiramente, será apresentada a contextualização e caracterização dos participantes do Grupo Contrastes, juntamente com a análise das passagens sobre o meio social e da metáfora de foco. Posteriormente, será adotado o mesmo para o Grupo Arte por toda parte e, para finalizar, apresenta-se uma breve comparação entre os resultados obtidos nos dois grupos. Cabe ressaltar que essa organização será mantida para o conjunto dos três capítulos que se referem à compreensão dos dados empíricos da pesquisa.

In document Future skill and competence needs (sider 15-20)