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Oppsummering og konklusjon

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8. F OKUS PÅ RESSURSBASERTE VERDIKJEDER : LANDBRUKSBASERTE

8.4 Oppsummering og konklusjon

No caso do território indígena Xerente, além dessas particularidades comentadas acima, há outras que dão contorno ao local e o diferenciam do território não indígena. Merece ser mencionada a manutenção da língua nativa, o Akw -Xerente. A língua possui um caráter político de fortalecimento da cultura e da identidade. Negar-se a falar a língua é, para esse povo, deixar de ser índio, deixar de ser Akw . A língua é também um sinal de poder demonstrado no fato de que, entre esses indígenas, mesmo diante de alguém externo ao grupo, a comunicação sempre é feita na primeira língua.

Os Xerente e os Xavante falam dialetos de uma mesma língua, que pertence à família Jê, mantida com vitalidade pelos Xerente. São quatro os grandes grupos de línguas indígenas no Brasil, com distribuição geográfica extensa e com vários membros: tupi, macro- jê, aruak e karib. Há várias famílias menores, com menor número de línguas isoladas, que não revelam parentesco com nenhuma das outras e que poderiam ser consideradas famílias de um

100 Outro costume que vem se modificando gradativamente é o uso de utensílios domésticos feitos em palhas e

seda de buriti. No passado, eram utilizados, nas atividades domésticas, os seguintes utensílios, entre outros: cofo, tapiti, quibane, sandália, cestinha, chapéu, rede, esteira, bolsa, cordinha, sutiã, saia e toras. Os cestos, em tamanhos diversos, eram usados nas roças, na pesca e em trabalhos da aldeia. As bolsas masculinas eram utilizadas pelos homens para a guarda de alguns pertences. Algumas dessas peças são ainda utilizadas em pequena escala; outras foram substituídas pelas peças industrializadas compradas nas cidades.

só membro. No tronco linguístico macro-jê, o grupo mais importante e coeso é a família jê, que inclui línguas faladas desde o sul do Maranhão e do Pará, passando pelos estados de Goiás (atual Tocantins) e Mato Grosso, até o Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa família é subdividida em quatro grupos, cada um com várias línguas. Os grupos são estes: timbira, kayapó, Akwē e kaingang. Nesse sentido, caberia questionar a importância da língua para um povo, ou seja, que lugar tem a língua na conformação de seus territórios?

Em relação aos Xerente, a língua se constitui como a matriz de seus costumes, de sua cosmovisão, já que é por meio dela que se propaga tudo o que é ligado à tradição – os mitos, os rituais, os cânticos, os discursos, as práticas e os plantios. É necessário mencionar aqui a forma tradicional como são feitos os plantios, as roças, cujas origens míticas são embasadas na língua Akw -Xerente e fazem parte do que se costuma chamar, no senso comum, de ―ciência própria‖, uma espécie de conhecimento que leva em consideração aspectos como o tipo de solo, a vegetação do local, o tempo, o vento, a chuva, o sol e alguns segredos que nem sempre são de domínio público.

A língua é, portanto, determinante para a manutenção da tradição, sendo uma espécie de coluna dorsal que dá origem ao modo de vida desse povo. Numa fala de VSXERENTE, da aldeia Salto Kripé, foi dito que ―[...] a língua é muito importante. Para mim [sic] expressar a minha cultura, tem que ser através da minha língua, porque ela tem sentido e sentimento. E através dela posso expressar de maneira real a tradição, reviver a tradição através da língua‖. Se a língua expressa a tradição, a forma de viver, então ela se relaciona estreitamente com o território, ela dá sustentação à cosmologia e aos modos de vida que se expressam na configuração do território, isso lhes confere identidade que tem a ver ainda com a forma como esse povo concebe e vive no mundo

Sobre costume, cabe aqui uma observação de Eric Hobsbawm (1997, p. 10), que procura estabelecer uma distinção entre costume e tradição:

A ―tradição‖ neste sentido deve ser nitidamente diferenciada do ―costume‖, vigente nas sociedades ditas ―tradicionais‖. O objetivo e a característica das ―tradições‖, inclusive das inventadas, é a invariabilidade. O passado real ou forjado a que elas se referem impõe práticas fixas (normalmente formalizadas), tais como a repetição. O ―costume‖, nas sociedades tradicionais, tem a dupla função de motor e volante. Não impede as inovações e pode mudar até certo ponto, embora evidentemente seja tolhido pela exigência de que deve parecer compatível ou idêntico ao precedente. Sua função é dar a qualquer mudança desejada (ou resistência à inovação) a sanção do precedente, continuidade histórica e direitos naturais conforme o expresso na história.

Entre os Xerente, a maioria da população é bilíngue, mas predomina a língua materna, persistindo entre eles elementos culturais tradicionais.

[...] um dos elementos mais persistentes da cultura; todavia, também ela reflete forçosamente as experiências vividas pelo grupo. Assim, concomitantemente com os processos de integração e aculturação, opera uma diversificação da língua, quando menos para exprimir o novo mundo que o grupo vai se integrando. Com o avanço daqueles processos, a língua nativa passa a sofrer mudanças decorrentes da circunstância de ser falada por indivíduos bilíngues e, em certos casos, pode entrar em competição com um novo idioma indígena ou com o português, acabando por ser abandonada. (RIBEIRO, 1996, p. 282)101.

Por ser esse elemento persistente e refletir as vivências experimentadas pelo grupo, a língua entre os Xerente é falada pelos mais velhos com muita perseverança. Estes cobram os mais jovens quando estes mesclam sua língua nativa com o português, algo natural em todas as línguas102. Pois a língua de determinado povo está ligada a sua cultura e história e se constitui em um meio de organização da experiência e do conhecimento de cada povo.

O Akw -Xerente103 é uma língua indígena que, como tantas outras, encontra-se ameaçada de extinção, pois vive sob um processo de forte pressão da língua portuguesa, aprendida como segunda língua devido ao contato com a população não indígena da região e à necessidade de comunicação em português, provavelmente em diferentes graus de aproximação do sistema-alvo.

Entre os Xerente, a língua, mesmo sob risco de desaparecimento, ainda tem sido fator de resistência, mesmo diante de várias questões desagregadoras da forma de viver de um povo, entre elas as intervenções desenvolvimentistas, como a hidrelétrica de Lajeado, que traz para esse cenário outros atores. Mas, assim como a língua, o território também está ameaçado de diversas formas. Embora a língua portuguesa tenha ocupado espaço entre os Xerente após

101 Embora a língua falada no convívio familiar seja sempre o akw , a maior parte dos Xerente fala o português,

além da língua nativa; são, pois, um povo bilíngue, exceto as crianças em idade pré-escolar e algumas mulheres mais idosas, que encontram dificuldades de se expressarem em português (MATTOS, 2005).

102 De acordo com o IBGE, em 2010, no Brasil, 393,9 mil índios falavam 274 idiomas, excluindo as originárias

dos outros países, denominações genéricas de troncos e famílias linguísticas, entre outras, sendo a tikúna a mais falada (34,1 mil pessoas). Nas terras indígenas do Brasil, foram declaradas 214 línguas, e 249 foram contabilizadas tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais. Disponível em: <http://censo2010.ibge.gov.br/noticias- censo?busca=1&id=3&idnoticia=2194&t=censo-2010-poblacao-indigena-896-9-mil-tem-305-etnias-fala- 274&view=noticia>. Acesso em: 1 out. 2014.

103 Em abril de 2012, foi aprovada, na Câmara de Vereadores de Tocantínia, a oficialização da língua indígena

akwê-xerente como a segunda língua oficial no município. Com a aprovação, o município passa a ser o quarto do Brasil a adotar essa iniciativa. Na justificativa do projeto, os vereadores alegam que, na prática, significa que a prestação de serviços públicos básicos na área de saúde e as campanhas de prevenção de doenças e tratamentos passam a ser realizadas em akwê e em português. Disponível em: <http://conexaoto.com.br/2012/04/25/tocantinia-passa-a-ter-akwe-xerente-como-lingua-co-oficial-e-recebe- centro-de-educacao-indigena>. Acesso em: 20 set. 2014.

o contato com os não indígenas há mais de dois séculos, torna-se sistemático o uso da língua nativa, tornando bilíngue a maioria dessa população.

Assim, os Xerente vêm passando, ao longo do tempo, tal como os demais indígenas brasileiros, por um processo de perda de suas línguas maternas; em alguns casos, pela necessidade de comunicação com a sociedade nacional, o que leva rapidamente esses indivíduos a se esforçarem para dominar o português. À medida que o contato se intensifica, cresce continuamente o número de bilíngues, de modo que, ao alcançar a etapa de convívio permanente, via de regra, todos os homens adultos já são capazes de se exprimir em português, percebendo-se verdadeira competição entre as duas línguas e com tendência ao abandono da língua materna, quando interferem certos fatores desfavoráveis (RIBEIRO, 2009, p. 282-283).104

Em observação feita pela linguista Suzana Martelletti G. Guimarães105 sobre os Xerente e sua língua – o Akw (Xerente) –, a estudiosa comentou sobre sua surpresa ao ver, após cerca de três décadas de distância desse povo, uma professora Xerente se expressar na língua nativa durante um evento. A estudiosa afirmou ter constatado ―[...] marcas de orgulho, altivez e pertencimento contidas em seu discurso‖ (GUIMARÃES, 2014). A linguista rememorou que, há cerca de três décadas, quando chegou à cidade de Tocantínia para trabalhar na área indígena, os Xerente ficavam envergonhados, falando baixinho. O que a estudiosa quis mostrar foi que, apesar de a sobrevivência da língua nativa estar comprometida, havia essa força entre eles em relação à língua e à cultura.

Muitas línguas indígenas já não existem mais. O contato com a sociedade nacional envolvente provocou muitas perdas, considerando-se que, quando da chegada dos portugueses ao Brasil, já viviam mais de cinco milhões de índios distribuídos entre povos espalhados pelo Brasil afora, falantes de línguas indígenas; um verdadeiro continente, se pensarmos em termos de população e diversidade linguística. Sobre essas populações e as que sobreviveram, esses contingentes populacionais não têm clareza de quem são, que língua falam, a quais etnias pertencem e onde moram, assim como fazem suas análises a partir da concepção já cristalizada de que o índio é apenas aquele que está na floresta; por esse motivo, os que estão em contato com a sociedade envolvente são índios ―aculturados‖ ou ―caboclos‖.

As populações que restaram vêm se perdendo ao longo da história. Darcy Ribeiro

104 Darcy Ribeiro disse, ainda, ter se deparado com essa situação desfavorável entre os Guaikuru e Terena de

Lalina, no sul de Mato Grosso, e os Umutina, recolhidos no Posto Fraternidade Indígena. Levados a viver juntos e diante da dificuldade de comunicação, por falarem línguas diversas, todos tiveram que adotar o português, e as gerações mais novas, constituídas em parte por filhos de casais mistos, nem chegaram a aprender a língua.

(2009, p. 283-284) diz que, desde sempre, tribos vêm perdendo suas línguas pela adoção dos idiomas de grupos que as dominaram. De acordo com Braggio (2000), a língua xerente pode ser subclassificada em xerente falada pelos indígenas mais jovens, xerente falada entre os menos jovens e xerente falada pelos índios mais velhos. Braggio (2000) diz ser notável a diferença entre essas línguas xerente, principalmente entre a língua falada pelos índios mais jovens e a falada pelos índios mais velhos.106

Uma língua natural pertence à cultura e é um instrumento que preenche funções. Como tal, a língua é um recurso, um trunfo, e por consequência está no centro das relações que são, ipso facto, marcadas pelo poder. Se a língua é um trunfo, do mesmo modo que um outro recurso qualquer, é preciso analisá-la nessa perspectiva. (RAFFESTIN, 1993, p. 97-98).

O povo Xerente também pode ser classificado, do ponto de vista sociolinguístico, como bilíngue, como já dissemos, já que a maioria de seus membros domina e usa a língua nativa e a língua portuguesa (BRAGGIO, 2010), com exceção de algumas mulheres idosas e de crianças com idade inferior a sete anos107.

Conforme Raffestin (1993),

Cada língua é um instrumento de ação social e, nesse sentido, ela ocupa um lugar especial no campo do poder. Uma opressão linguística, uma opressão por meio da língua é, portanto, possível. Essa opressão surge cada vez que uma língua diferente da materna é imposta a um grupo. Nesse caso, pode-se pensar em dois modelos de opressão: um ligado à interioridade de uma unidade nacional, e outro à exterioridade. (p. 108).

Sendo a língua, sem dúvida, um dos poderosos meios de identidade de que dispõe um povo, esta ocupa lugar fundamental na cultura. Por esse motivo, para se compreender sua significação, esta deve ser recolocada no contexto das relações de poder, considerando que cada língua é um instrumento de ação social; no entanto, na medida em que ocupa um lugar especial no campo de poder, cada vez que uma língua diferente da materna é imposta a um grupo, esta é passível de sofrer uma opressão linguística (RAFFESTIN, 1993).

A língua é parte da construção da visão de mundo de um povo, na maneira como este nomeia e classifica sua realidade. Por isso, é este povo que deve decidir como a língua deve aparecer na trajetória escolar da comunidade. Importa destacar que não somente a língua, mas também outros traços culturais que compõem a cosmologia do povo indígena Akw -Xerente vêm sofrendo consequências decorrentes do avanço desenfreado do desenvolvimentismo. Com isso, o território é ameaçado cotidianamente.

106 Disponível em: <http://unb.revistaintercambio.net.br/24h/pessoa/temp/anexo/1/189/162.pdf>. 107 Disponível em: <http://www.uft.edu.br/pgletras/revista/capitulos/7_dicionário_escolar_xerente.pdf>.

Considerando, mais uma vez, que a língua é demarcadora de aspectos culturais dos Xerente, assim como outros traços culturais, neste capítulo procurei descrever como o povo Akw -Xerente, em sua relação com o cosmo,convive com o desenvolvimento capitalista, que se expressa através da construção de grandes empreendimentos no entorno das duas áreas indígenas em que vivem, sendo uma delas a hidrelétrica de Lajeado, sobre a qual discorreremos nos capítulos posteriores.

O território indígena difere do território capitalista, embora os dois se relacionem constantemente entre si. Convém lembrar, porém, que há entrelaçamentos e relações entre eles.

Conforme Ariovaldo Oliveira (1997), no Brasil, o território das sociedades não indígenas, território capitalista, é produto da conquista e destruição do território indígena. Deve-se considerar que o espaço e o tempo do universo cultural indígena foram sendo moldados ao espaço e tempo do capital (OLIVEIRA, 1997, p. 154).

Conforme ocorreu no antigo norte goiano, grupos indígenas, dentre eles os Xerente, foram obrigados a viver na condição de conquistados desde o século XVIII. Por meio das frentes de expansão, esses indígenas foram expulsos de seu habitat, que era anteriormente a região entre os rios Araguaia e Tocantins.

Com isso, os Xerente territorializaram outros espaços. Como outros povos indígenas, o território indígena Xerente se diferencia do território capitalista, uma vez que

Território indígena é, portanto, um espaço da sobrevivência e reprodução de um povo, onde se realiza a cultura, onde se criou o mundo, onde descansam os antepassados. Além de ser um local onde os índios se apropriam dos recursos naturais e garantem sua subsistência física e, sobretudo, um espaço simbólico em que as pessoas travam relações entre si e com seus deuses. [...] O território indígena tem uma particularidade, o de ser coletivo e pertencer igualmente a todo o grupo. Não existe a propriedade privada entre os índios. Todos têm acesso a terra, e esse acesso é efetivado através do trabalho e da ocupação de fato de uma determinada porção do território tribal. Os grupos indígenas têm diferentes formas de concepção de seu território. Alguns, fundamentalmente sedentários, estabelecem fronteiras definidas. Outros, como é o caso dos povos Jê do Brasil Central têm (ou tiveram) suas fronteiras em constante expansão em função de atividades guerreiras, ou da caça e da coleta. (OLIVEIRA, 1997, p. 160).

Nesse sentido, o território Xerente é o espaço de sobrevivência, mas é também onde as relações ocorrem de forma diferente do território capitalista; é onde a cultura é construída, os modos de vida dialogam com a cultura e com a cosmologia e se entrelaçam. Nele o acesso a terra é diferente do território capitalista. Por ela ser comum, os locais de construção das moradias são de livre escolha de cada um, os poucos campos de caça são

também compartilhados.

Os Akwē-Xerente são (ou eram), por natureza, nômades, movimentam-se ainda constantemente, fora e dentro do território, de aldeia em aldeia. Estas atualmente são muitas, 81 aldeias, somando-se a algumas recém-criadas, que possuem apenas uma ou duas famílias, conforme podemos visualizar no mapa abaixo.

Com essa nova espacialização, o surgimento de novos territórios indígenas mostra ainda a força do povo Xerente, mesmo diante das tentativas de tomada da terra. Por outro lado, indica um descompasso entre esse processo de ampliação das aldeias e a capacidade de o Estado atender às necessidades básicas, como energia, água encanada e outros serviços.

Dessa forma, o que ocorre, na verdade, é uma espacialização, que exige aplicação das políticas do Estado, do ponto de vista das políticas públicas.

5. NARRATIVAS SOBRE OS MODOS DE VIDA NO TERRITÓRIO AKW APÓS LAJEADO

5.1 Breves impressões sobre o dia a dia nas duas aldeias: Porteira Nrõzawi e Funil

Neste capítulo, apresento algumas das muitas narrativas contadas pelos Xerente, a partir de suas impressões sobre o dia a dia nas aldeias Porteira e Funil. O foco principal será a concepção desse povo sobre o território indígena após Lajeado. Com isso, estarão presentes suas relações com o rio, com o plantio de roças, com a cultura, enfim, com seus modos de vida, após a implantação da UHE.

Na aldeia Porteira, bem cedinho, é possível ver algumas fogueiras acesas nas casas e pessoas ao seu redor geralmente conversando e tomando café. Assim ocorre na casa de Dona Clotilde Xerente. Filhos, genros e noras, netos e netas se aglomeram ao redor do fogo, e a conversa na língua indígena flui, enquanto a matriarca tece esteiras, cofos, abanos e outras peças em buriti. Na conversa os mais jovens intercalam palavras na língua portuguesa com a língua Akwē, dialeto Xerente.

Bem cedo, também, começa o movimento de saída e chegada do ônibus coletivo que conduz estudantes para as escolas de Tocantínia e para o Centro de Ensino Médio Xerente – Warã, fazendo mais de uma viagem. Depois das sete horas, há um intenso movimento de estudantes em direção à Escola Indígena Srêmtôwe, situada na própria aldeia. São crianças em idade escolar, algumas levam cadernos e livros em mochilas, andam despreocupadamente até o prédio da escola estadual, onde também funciona uma creche, uma extensão da rede municipal de Tocantínia.

No horário da manhã e da tarde, as diversas estradas do território deixadas pelos fazendeiros quando ocuparam e viveram nessas terras são cortadas várias vezes por ônibus escolares que transitam com estudantes para nove escolas. Em toda a área indígena Xerente, existem 31 escolas em funcionamento. O trajeto dos ônibus pode ser observado no mapa abaixo. O ônibus transita deixando alunos em nove escolas. Dentre essas nove escolas, há o Centro de Ensino Médio Xerente – CEMIX Warã, que fica dentro da área indígena Xerente, próximo à aldeia Coqueiro. Há ainda o Colégio Frei Antônio e o Colégio Batista, em Tocantínia, ambos recebem alunos indígenas.

Os transportes escolares108 indígenas direcionados aos Xerente contam hoje com

uma frota de cerca de 23 a 25 ônibus. Mesmo assim, há reclamações por parte de estudantes de que este serviço não atende à reais necessidades deles. Um dos agravantes são as condições precárias das estradas, havendo situações de passarem a noite com o ônibus quebrado e ficarem à mercê do frio, fome e sede. Tudo isso para conquistarem a educação escolar.

Os indígenas contam que obtiveram os ônibus (financiados pelos recursos do governo federal que repassa aos estados), através de uma ação conjunta liderada por algumas de suas

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