Følsomhetsanalyse 1 – 2-gradersscenariet
12. Oppsummering og anbefaling
“Segundo o modelo de Hubbert (1956) e tomando como base os actuais níveis de consumo de petróleo a nível mundial, que são quase 27 mil milhões de barris* por ano (e sem contar com o aumento que continua a registar-se na população mundial nem com a rápida industrialização da China), o mundo terá apenas mais 37 anos de petróleo, e isto na
situação ideal de ele ser extraído até à ultima gota.” (Kunstler, 2006 – p. 72)*1Barril ≈ 159L
3.3.2.1. OFIM DO PETRÓLEO
O petróleo é um recurso há muito conhecido e explorado pela humanidade, pois desde a Antiguidade (entre 3500 a.C. e 400 d.C.) ocorriam fugas naturais à superfície do solo e que serviam para pavimentar ruas com alcatrão, construir casas com argamassa de betume, ou até para as batalhas com o atear de fogo em panos embebidos com alcatrão. No entanto, tudo o que caracterizou a vida exponencial do séc. XX resultou exclusivamente do acesso (facilitado pela máquina) à então reserva “abundante” de petróleo. O seu potencial energético, versatilidade e de fácil transporte e armazenamento, suscitou no Homem uma capacidade “divina” de transformar o mundo (Kunstler, 2006).
A era do petróleo barato durou cerca de um século (desde a sua industrialização a partir de 1859) e originou um sistema artificial de desenvolvimento assente numa economia de escala. Também os seus efeitos adversos tomaram uma dimensão global devido ao excesso de crescimento populacional que ultrapassa a capacidade de carga do ciclo natural do planeta. Kunstler (2006) explica que a produção petrolífera teve um pico, isto é, um momento em que se extraiu metade de toda a sua reserva. Foi nessa altura que surgiu um primeiro choque petrolífero, quando a 16 de Outubro de 1973 os países da região do golfo Pérsico, pertencentes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), romperam as negociações com as companhias petrolíferas ocidentais, ao aperceberem-se que os Estados Unidos da América (EUA) tinham ultrapassado o seu pico e por isso estavam dependentes da importação. Anunciado o embargo aos EUA e o aumento dos preços à Europa, a economia mundial sofreu consequências graves na distribuição de alimentos e em todo o mercado financeiro dependente do petróleo. Um segundo choque voltou a ocorrer quando, em Janeiro de 1979, o Irão (então segundo maior exportador mundial) sofre uma revolução governamental, reduzindo 5% da sua produção, provocando uma subida de 150% no preço e um novo desequilíbrio na balança económica mundial.
Com base num conjunto de especialistas investigadores, a provável ocorrência de um pico a nível mundial, já se sucedeu entre 2000 e 2008. Todavia, o grande problema está no facto da restante reserva ainda disponível ser de difícil acesso e extracção inviável, devido ao seu elevado custo energético. Por outro lado, esse pico apresentar-se-á de uma
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forma gradual, assumindo uma curva com um aspecto de planalto, o que se torna alarmante pela sua aparente estabilidade com carácter ilusório – a longa emergência (Kunstler, 2006).
Portanto, a actual dependência do petróleo vai para além de um mero recurso energético, é o elemento decisor para o desenvolvimento contemporâneo à escala mundial. Assim, durante a longa emergência (antes do seu inviável recurso), surgirá um novo paradigma com o consecutivo aumento de preços e que exigirá alterações no modo de vida das populações ao recorrer a um novo modelo de desenvolvimento.
3.3.2.2. ENERGIA E EFICIÊNCIA
Com a consciência do efectivo limite das reservas petrolíferas e do seu efeito drástico para o ambiente (nomeadamente pela excessiva emissão de gases com efeito de
estufa), surgiram índices de quantificação que permitem antever e planear o futuro da
utilização deste recurso nas cidades. No entanto, os actuais modelos apresentam-se de forma tão simplificada que não consideram os limites assimptóticos da ciência e da tecnologia, como também não esclarecem a origem do problema. Neste sentido, Domingos
(2009) defende que o desenvolvimento sustentável deve ter em conta uma abordagem
realista do futuro, assente num entendimento consciente dos princípios fundamentais da Ciência em termos de energia, tendo em conta as leis de Newton e da Termodinâmica. Assim, é preciso ter em conta o seguinte: a 1ª Lei da Termodinâmica declara o princípio da conservação da energia, em que qualquer acção exercida exige um fluxo, ou seja, a variação de energia interna de um sistema é igual ao total de energia transferida, não podendo esta ser destruída nem criada, apenas modificada; por outro lado, a 2ª Lei explica que esse fluxo faz-se num único sentido e que parte dessa energia (que não pôde ser transformada em trabalho) é libertada sob a forma de calor – Entropia (Sears et al., 1973).
Por outro lado, a eficiência por definição, é o quociente do produto obtido pelo gasto resultante. Como eficiência energética, entenda-se a energia gasta para se obter uma finalidade útil pré-determinada. Para a sua quantificação, tendo em conta as leis acima referidas e assumindo o seu valor máximo de 100%, a Intensidade Energética de Economia (IEE), que exprime o quociente da energia primária (Tep) pelo produto resultante (PIB), é o termo mais utilizado para representar o Índice de Eficiência Energética. Seguindo a prática corrente (IEE=Tep/PIB), o Tep corresponde à Tonelada de Petróleo Equivalente e o PIB relativo ao Produto Interno Bruto, isto é, o valor economicamente acrescentado. Portanto, o máximo de eficiência corresponde ao mínimo de intensidade, através da diminuição do gasto de energia primária e o aumento do valor acrescentado. Para tal, é necessário ter-se um raciocínio integrado do processo energético para perceber a viabilidade do sistema
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(Domingos, 2009). Compreende-se assim que as reservas de combustíveis fósseis serão
inacessíveis quando a energia obtida for inferior à gasta para a obter.
É neste sentido que Domingos (2009) e Kunstler (2006) defendem uma política energética baseada num processo colectivo e numa economia de valor acrescentado, através da incorporação de conhecimento ou de elementos valorativos. Portanto, assumindo que a tecnologia tem os seus limites no crescimento quantitativo (entropia positiva), a aposta centra-se no desenvolvimento qualitativo e por isso renovável e transmissível (entropia
negativa). Domingos (2009) dá o exemplo da valorização trazida pelo design com a sua
distinção qualitativa relativamente à produção standard.
3.3.2.3. ENERGIAS ALTERNATIVAS
Com base neste conhecimento e de acordo com o livro O Fim do Petróleo – o grande
desafio do séc. XXI, Kunstler (2006) descreve a inviabilidade de um conjunto de energias
renováveis, justificando que a maior parte da actual tecnologia não é mais do que um
processo de gestão com origem fóssil, exigindo sempre gastos de produção e manutenção dependentes do petróleo (alta entropia) e, portanto insustentáveis: “Na verdade, todas as
fontes energéticas que se baseiam em combustíveis não fósseis dependem, em certa
medida, da economia subjacente dos combustíveis fósseis.” (Kunstler, 2006 – p. 132).
O gás natural, nomeadamente o metano (CH4), é considerado alternativo ao
petróleo por ter idêntico potencial energético, ser de fácil extracção (liberta-se por efeito da sua própria pressão) e transportável, embora exija custos de manutenção associados. Considera-se portanto que este também é um recurso de origem fóssil não renovável e limitado. O mesmo se passa com a proposta de retorno ao carvão, com o método de sintetização do petróleo ou o de aproveitamento de hidratos de metano presentes nos sedimentos oceânicos. Contudo, qualquer um deles, apesar da maior abundância, apresenta dependência directa ou indirecta do petróleo e são altamente poluentes.
Desde o inicio do séc. XXI têm surgido outros modelos assentes na chamada
despolimerização termal, que procura reproduzir matéria a partir de resíduos orgânicos de
origem fóssil. Assumindo a 2ª lei da termodinâmica, esta estratégia passa por reduzir o gasto energético na sua produção através da reciclagem de pneus, plásticos, computadores, etc. Este é um processo de reciclagem que, para as actuais circunstâncias em que existe uma grande quantidade de resíduos de origem fóssil, torna-se uma solução acertada. No entanto, esta não corresponde às necessidades a longo prazo. Também a biomassa, que apesar de não recorrer a materiais de origem fóssil, resulta da mesma dependência no processo de reconversão e cuja subexploração poderá constituir um risco ecológico.
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Por outro lado, o hidrogénio é por alguns invocado como a mais recente aposta tecnológica para “salvar” o planeta do fim do petróleo. Apesar de ser um recurso abundante (constituinte da água – H2O) e não poluente, este requer mais energia para sua
decomposição do que aquela que dele resulta. Por outro lado, a baixa densidade do hidrogénio, devido ao seu baixo peso atómico, exige infra-estruturas de grandes dimensões para o seu armazenamento. É extremamente corrosivo e inflamável quando em contacto com o ar, tornando-se perigoso no uso quotidiano e exigindo constante manutenção para o seu recurso. Com isto, e embora já seja utilizado por algumas indústrias, este nunca irá substituir o petróleo no domínio da actual produção económica.
Todavia, a electricidade é apontada pelos especialistas como a fonte energética alternativa mais viável. Contudo, tem sido discutível o seu modo de produção. Entre eles existe a energia hidroeléctrica, seja ela produzida em rios, barragens ou através da força das ondas, que fazem mover turbinas e por sua vez activam geradores eléctricos. Além de não produzirem poluentes directos para a atmosfera (e apesar da sua fabricação ainda depender de matérias e fontes de energia com origem fóssil), a ultima geração de turbinas possui uma eficiência energética superior a 90%. O problema surge na relativa vida útil dos reservatórios com os problemas de sedimentação, da mesma forma que estas estruturas afectam o ciclo hidrológico natural. Também a distribuição e a disponibilidade da energia produzida para as cidades exige um complexo sistema de infra-estruturas (barragens, torres, linhas de alta tensão e subestações) que alteram o uso do solo e igualmente a Paisagem. Também a energia solar activa, que produz electricidade através de painéis fotovoltaicos, é outra alternativa, embora continue a apresentar a mesma dependência do petróleo para a fabricação das suas componentes base, assim como o problema do armazenamento e conservação da energia obtida, traduz-se na necessária utilização de baterias com alguma dimensão e peso. Já a energia eólica não apresenta tal problema pois, enquanto não é utilizada pelos consumidores e introduzida água nos seus reservatórios, tem a possibilidade de mover as hidroturbinas em períodos de funcionamento autónomo. Porém, à semelhança da solar, mantêm-se os problemas de fornecimento em grande escala, mas podem ter menor impacto quando aplicadas a uma escala local, próximas da cidade.
Por fim, Kunstler (2009) descreve ainda que única alternativa plausível de produzir electricidade a longo prazo e sem a dependência do petróleo é a energia nuclear. Contudo, esta opção tem uma “carga política” muito pesada, devido ao tremendo potencial atómico do urânio: “um único átomo de urânio físsil produzirá uma quantidade de energia dez milhões
de vezes superior à da combustão de um único átomo de carbono” (Kunstler, 2009 - p. 181),
assim como pela sua elevada perigosidade radioactiva. Com a quantidade de urânio que existe convencionalmente na natureza será possível gerar electricidade durante os próximos
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100 anos. No entanto, o seu modo de produção exige grandes quantidades de calor através de reactores de fissão nuclear controlada. Este processo aparentemente não origina quaisquer gases de poluição atmosférica e a sua construção/manutenção produz um elevado risco radioactioactivo, podendo vir a desencadear um desastre ambiental com efeitos irreversíveis. O autor explica que esta é a alternativa mais realista nos moldes da actual economia, mas apenas um auxílio para a alteração nos hábitos de vida e na procura de novas soluções durante a longa emergência.
Contra esta opinião, Domingos (2009) afirma que o Sol é a fonte energética mais viável a longo prazo, devendo-se tirar o máximo partido do seu potencial através de mecanismo de produção eléctrica local. Kunstler (2006) descreve a importância da construção passiva com a utilização de técnicas tradicionais e o planeamento urbano de acordo com a aptidão do meio: o aproveitamento da luz solar para aquecimento e iluminação, o recurso a materiais reutilizáveis e de mínima manutenção, assim como a disponibilidade de alimentos em hortas existentes na proximidade da habitação. Concluindo,
Domingos (2009) justifica que tal estratégia reflectir-se-á na redução das emissões de CO2 e
numa consequente melhoria da qualidade do ar, para além de contribuir para a criação de postos de trabalho qualificado.
3.3.2.4. ESTRATÉGIA ENERGÉTICO-AMBIENTAL
Perante tal dependência e tendo em conta os efeitos drásticos na degradação do ambiente devido à ineficiência energética que, por sua vez, resultam de uma economia baseada nos combustíveis fósseis, é importante estabelecer uma estratégia energético- ambiental assente no conhecimento anteriormente descrito.
A título de exemplo, em Portugal, cerca de 70% da energia total consumida tem origem no petróleo (Magalhães et al., 2007), sendo que 85% dessa energia em 2006 foi importada, com apenas 30% de efeito útil e a restante libertada sob a forma de calor, com consequente degradação ambiental (Domingos, 2009). À escala local, as cidades europeias são responsáveis por esse efeito, com cerca de 80% das emissões globais de CO2e 30% do
consumo total de energia (CEE, 2007). Estas considerações são importantes quando se afirma que as cidades representam 85% do PIB da União Europeia e por isso serem motores da economia (Domingos, 2009).
O problema dos actuais modelos de funcionamento da cidade (como sistema físico e complexo de processos de transferência, mudança e desenvolvimento de energia) resulta de um mecanismo linear de fluxos assente num sistema aberto, independente dos restantes sistemas - metabolismo linear. Como mostra o modelo A) da figura 15 (p. 42), a
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importação de grandes quantidades de recursos, nomeadamente água, alimentos e combustíveis não renováveis para produzir bens e serviços, geram a exportação de resíduos poluentes que inviabilizam o equilíbrio do ciclo e comprometem a qualidade de vida das populações
(Monteiro, 2003).
Neste sentido, Girardet (1993)
in Monteiro (2003) entende que é
preciso transformar tal situação num sistema fechado, de baixo consumo
energético, com a utilização de recursos renováveis e de gestão da matéria, tendo em conta a interdependência de sistemas, nomeadamente ecológicos – B) metabolismo circular. Deste modo, é possível reduzir o seu impacto energético sobre o ambiente e melhorar o rendimento dos processos, dentro e fora das cidades.