Følsomhetsanalyse 1 – 2-gradersscenariet
11. Finansieringsplan og budsjettmessige konsekvenser
De acordo com o que se tem verificado ao longo da história do planeta, as alterações climáticas são fenómenos naturais e recorrentes, mas instáveis do ponto de vista antropogénico. Trata-se de oscilações entre o clima temperado e o glacial, podendo variar no seu período de transição com momentos de clímax, constituindo no seu conjunto ciclos regulares. No entanto, por mínimas que sejam essas alterações, são determinantes no comportamento humano perante o seu processo de adaptação (Domingos, 2009).
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) in Kunstler
(2006), desde que se iniciaram as primeiras medições no séc. XIX, a temperatura média
global aumentou 1,3ºC, na altura com 8,27ºC e em 2003 com 9,5ºC, prevendo vir a subir 11,7ºC a 16,1ºC entre 2000 e 2100, com implicações tremendas no ecossistema terrestre.
Kunstler (2006) refere que, embora o aquecimento global possa (ou não) ser um subproduto
da actividade humana, a verdade é que este fenómeno coincide com o período de aumento do consumo de combustíveis fósseis.
3.3.1.1. ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E AQUECIMENTO GLOBAL
A possibilidade da actividade humana influenciar o aumento da velocidade de oscilação do clima, poderá estar relacionado com o facto do excesso de emissões de gases
com efeito de estufa (nomeadamente o CO2 em maior quantidade, embora o vapor de água
e o metano tenham maiores efeitos) provocarem um aumento da absorção da radiação infra-vermelha emitida pela terra. Por outro lado, parte desses gases ao reagirem com os constituintes naturais da atmosfera levam à sua degradação – buraco do ozono, deixando passar parte da radiação solar ultra-violeta na atmosfera até atingir o solo, que por sua vez, é novamente reflectida pela superfície terrestre (em maior ou menor intensidade, dependendo do tipo de uso) até atingir as nuvens (formadas pelo aumento da temperatura), e onde novamente é reflectida para a Terra. Deste fenómeno resulta um aumento de calor acumulado ao qual se denomina de Aquecimento Global (Miranda, 2001).
O conhecimento científico do séc. XXI tem permitido prever, até determinado ponto, a dimensão dos efeitos desta variabilidade climática. Kunstler (2006) dá o exemplo do efeito na corrente do golfo México: com o degelo dos glaciares do norte, a temperatura das águas desce e a salinidade também, impedindo a corrente marítima de retornar o ciclo que mantém a temperatura equilibrada, podendo este ser um sinal para uma nova era glacial após um período de aquecimento. Por outro lado, descreve o número de inundações e derrocadas que ocorreram em todo o Mundo durante o ano de 2002, enquanto em 2003 uma grande onda de calor causou cerca de 30 mil mortos na Europa. Com isto, é cada vez mais incerto o comportamento do clima nos próximos tempos (Kunstler, 2006).
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Para Domingos (2009), as alterações climáticas a uma escala global não são uma consequência directa das acções do Homem, sendo que o comportamento “irregular” do clima sempre existiu. Explica então que, perante os actuais modelos de previsão, o ciclo de ocorrências parece ter vindo a sofrer alterações. Contudo, trata-se de modelos complexos, assentes num conjunto de equações não lineares com soluções matemáticas apenas aproximadas (parametrização), cuja qualidade dos parâmetros depende dos dados fornecidos. Por outro lado, descreve as incongruências apresentadas pelos vários relatórios do IPCC (1990 – 2007) na avaliação do clima ao longo do tempo: em vez de factos científicos baseados nas leis fundamentais da física, existiram influências parciais com o intuito de enfatizar a ideia de que, as alterações climáticas no séc. XX, ocorreram por influência das emissões de gases com efeito de estufa. Contudo, confrontados os dados utilizados no caso Hockey Stick em 2001, acabou por se identificar no 4º relatório do IPCC (2007) que existiu uma ocorrência de aquecimento no período da Idade Média (séc. XI), seguindo-se de um arrefecimento glacial, justificando o actual fenómeno como uma ocorrência natural (figura 11). É
com esta atitude política alarmista que surge o termo de Aquecimento Global e que no entender de Domingos (2009)
torna-se enganadora e incorrecta, sugerindo antes uma estratégia com base no conhecimento da origem do problema, devendo-se usar o termo de Alterações Climáticas (ou de Variabilidade Climática).
Com base no artigo publicado em 2008 por Ann Henderson-Sellers (directora responsável pelo Programa Mundial de Alterações Climáticas), Domingos (2009) descreve
que “não há nada que possamos fazer para reduzir os efeitos das emissões antropogénicas
nos próximos 20 ou 30 anos” e conclui que “o mais urgente é a adaptação às alterações
climáticas.” (Domingos, 2009 - p. 38).
Posto isto, conclui-se queo fenómeno de Alterações Climáticas não é um problema com uma solução directa (tal como se depreende da questão energética dependente do petróleo), mas sobretudo de uma situação sem remédio. Portanto, a espécie humana terá de adaptar-se ao clima, reajustando o seu modo de vida às condições locais e momentâneas Kunstler (2006). Domingos (2009) explica que este Processo de Adaptação,
Figura 11 – Gráfico do Modelo Climático que mostra um
igual aquecimento global no período medieval do séc. XI (IPCC, 2007 in Domingos, 2009 – p. 33)
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Figura 12 – Estratificação vertical da atmosfera urbana
e respectivas escalas de análise (Andrade, 2005 – p. 71)
ao invés dos modelos globais que figuram no IPCC, deve ter em conta os modelos de Variabilidade Climática com uma previsão meteorológica regional, utilizando as condições iniciais e de fronteira da previsão global, a par dos fenómenos atmosféricos a nível local.
3.3.1.2. CLIMATOLOGIA URBANA
A Climatologia Urbana é a área interdisciplinar que estuda os estados atmosféricos a ocorrerem com maior frequência nas cidades – Clima Urbano. Por sua vez, o Clima Urbano resulta dos balanços de energia, massa e movimento que a dinâmica urbana (alterações de superfícies, materiais e actividades) provoca no estado da atmosfera. De acordo com a equação de Lowry (1977) M,i,t,x = C,i,t,x + L,i,t,x + U,i,t,x, este balanço resulta da interacção dos factores urbanos (U) com o clima regional (C) e com o meio físico pré-existente (L). A categorização do clima urbano é feita segundo uma escala temporal e espacial, que por ser dinâmica e contínua, deve considerar-se arbitrária e artificial (Andrade, 2005).
Waner e Filliger (1989) in Andrade (2005) explicam que a nível espacial, os fenómenos urbanos ocorrem numa extensão horizontal entre a microescala (até 2 km), para elementos individuais com influência directa e numa extensão vertical abaixo da superfície
activa (ao nível do telhado dos edifícios) – microclima, e a mesoescala (entre 2 e 2000 km
de extensão) para grandes áreas metropolitanas com influência acima da superfície activa – mesoclima. Segundo Matzarakis (2001) in Andrade (2005) esta é a dimensão característica onde ocorre o fenómeno ilha de calor urbano. Poderá ainda ser considerado o clima local como um mosaico de microclimas que se repetem de forma homogénea - Topoclimas (figura 12). Para a determinação da condição climática, o local urbano x é estabelecido segundo uma categoria pré-estabelecida. A nível temporal, a determinação da condição climática num dado momento t deriva da sua variabilidade, tanto pelas condições urbanas como climáticas (tipo de tempo i) (Andrade, 2005).
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Do ponto de vista urbano, a Variabilidade Climática pode ser analisada numa perspectiva holística, tanto das influências urbanas sobre a mudança climática, como pelas consequências provocadas pela mudança climática sobre o meio urbano. Costa (2007) in
Bettencourt (2008), descreve as principais alterações pela subida da temperatura, a
diminuição da humidade relativa, o aumento da nebulosidade e precipitação, assim como da velocidade e turbulência do vendo. Daqui resulta o fenómeno de ilha de calor urbano (IC)
(figura 13) que segundo Oke (1987) in Alcoforado et al, 2006, corresponde a uma dada área
da cidade, em que a temperatura ambiente é mais elevada do que o seu envolvente periférico (menos urbanizado). Normalmente, a maior intensidade deste efeito apresenta-se no centro das cidades (onde há maior actividade humana e proximidade dos edifícios) e essencialmente durante a noite (três a cinco horas após o pôr-do-sol), podendo representar uma diferença de 1ºC a 4ºC.
Assim, a partir da Climatologia Urbana é possível adequar a localização e a forma dos espaços urbanos à influência positiva do clima, referenciada pela CCE (2007) na redução dos impactes ambientais externos para os estudos de ordenamento do território e do seu contributo para a melhoria da qualidade de vida nas cidades.
3.3.1.3. CONFORTO BIOCLIMÁTICO
Uma das aplicações directas da Climatologia Urbana é o conforto bioclimático, isto é, o bem-estar humano traduzido em sensações de conforto fisiológico e psicológico. Romero (1988) in Bettencourt (2008) explica que o ser humano, perante a Variabilidade Climática, tem mecanismos de adaptação fisiológicos e comportamentais, em que o seu conforto térmico depende tanto do ambiente atmosférico como do seu estado pessoal. Andrade
(2005) refere que estes podem estar relacionados com características subjectivas
(comportamento, experiência e expectativa térmica, humor e percepção do ambiente envolvente) que, em conjunto com o conforto mecânico, resultam num conforto bioclimático.
Figura 13 – Multiplicidade e complexidade das trocas energéticas na cidade, com efeito da ilha de calor urbano (IC)
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Contudo, ao nível do planeamento urbano, a actual preocupação com as condições climáticas está sobretudo relacionada com o conforto térmico resultante do desenho do edifício isolado, considerando apenas o espaço interior e muito raramente o envolvente. A maioria dos autores defende o desenho urbano com maior atenção ao microclima, pela necessidade de reduzir o consumo energético dos edifícios. Segundo Stemmers (2003) in
Andrade (2005), na União Europeia a energia consumida pelos edifícios é pelo menos o
dobro da dos transportes, e desses, os de tipologia isolada consomem 40% mais do que os de apartamento. Não obstante, o planeamento da cidade deve ter por base a construção bioclimática dos edifícios acompanhado por um adequado plano de mobilidade urbana.
Cadima (2000) in Andrade (2005) faz referência à abordagem adaptativa tendo em conta, tanto os espaços internos como os externos (sendo os primeiros influenciados pelos segundos). Por outro lado, os externos resultam, quer das condições atmosféricas, quer do próprio espaço urbano. Para tal, o recurso à topografia topoclimática (ou de clima local), que descreve o clima das áreas homogéneas quanto à ocupação do solo ou condições topográficas – Settlement Planning, é determinante não só para “a escolha do local, a
selecção da forma urbana geral e do uso do solo, mas também em aspectos de maior pormenor, como o dimensionamento e caracterização dos espaços abertos, utilização de
vegetação e cores predominantes,
podendo ir até ao planeamento de
conjuntos residenciais ao nível do
quarteirão.” (Andrade, 2005 - p. 81).
No planeamento urbano são usados índices de conforto térmico de modo a operar sobre uma designada zona
de conforto (figura 14), tal como o gráfico
bioclimático de Olgyay, em função da
temperatura aparente e da humidade relativa, considerando adicionais os efeitos da radiação solar, a velocidade do vento e características humanas padrão.
Concluindo, “a climatologia urbana deve debruçar-se sobre o dimensionamento e
desenho das áreas verdes (com o objectivo de reduzir o aquecimento urbano), com a manutenção de corredores de circulação de ar fresco e limpo, e com medidas necessária a
reduzir a emissão de poluentes” (Kuttler,1988 apud Andrade, 2005 – p. 81).
Figura 14 – Gráfico bioclimático de Olgyay para a determinação da zona de conforto térmico
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