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Oppsummering av resultatene fra adalimumab studien

In document TNF-hemmere ved revmatiske sykdommer (sider 77-84)

4.4 Effekt - psoriasisartritt

4.4.1 Adalimumab

4.4.1.2 Oppsummering av resultatene fra adalimumab studien

Ciro Marcondes Filho (1998, 2004), ao estudar o impacto das novas tecnologias em nossa sociedade, apresenta uma leitura radical e extremamente crítica ao uso das tecnologias eletrônicas e seu impacto na subjetividade humana. Ele aponta para um caráter importante da virtualidade do mundo: a supressão do corpo e do espaço, isto é, uma espécie de eterização das coisas que “desaparecem” na fluidez da tela. A informatização possibilita que se administre o mundo à distância e, se quiser, também isoladamente. Adverte o autor que isto provocaria um “desprendimento do solo”, uma espécie de desenraizamento e perda da

18 “Forma de comunicação paralingüística, um emoticon, palavra derivada de emotion (emoção) + icon (ícone) (em alguns casos chamado smiley) é uma seqüência de caracteres tipográficos, tais como: :), ou ^-^ e :-); ou, também, uma imagem (usualmente, pequena), que traduz ou quer transmitir o estado psicológico, emotivo de quem os emprega, por meio de ícones ilustrativos de uma expressão facial”. In: www.wikipedia.org/wiki/Emoticon, acessado em 10/1/2008.

sensação de pertencer. Tal desenraizamento, para ele, nos leva progressivamente à alienação dos espaços físicos e à sensação de que somos “seres que perderam sua necessidade física e transformaram-se em nuvens” (1998, p.66).

O aspecto que o autor ressalta é a transformação das relações espaciais e temporais que a era cibernética traz. Questões que nos remetem a antigas discussões sobre o que é real e o que é ilusão, o que é concreto e o que é imaginado, voltam a ser suscitadas. Passamos de um espaço-tempo concreto para um espaço-tempo sem limites, onde verdadeiro e falso, real e virtual se misturam, onde a compreensão que temos para espaço, tempo e materialidade ganham novos significados.

Todavia, apesar de ter se ampliado muito o uso da internet no Brasil, se pensarmos proporcionalmente à população geral do país, ainda é pequeno o número de pessoas que têm acesso a ela. Segundo dados do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação (CETIC), até 2006 o número de pessoas do território nacional que nunca tinham utilizado a internet chegava a 67% da população entrevistada19, enquanto em 2007 este número foi reduzido para 59%. O número de pessoas com acesso à internet de seus domicílios em 2007 foi de 17%, sendo as lanhouses o local mais utilizado para o acesso à internet no país: o uso desses centros públicos de acesso pago saltou de 30% em 2006 para 49% em 2007. Estes, bem como os demais dados levantados pela pesquisa, evidenciam que “houve um forte aumento da posse e o uso das tecnologias da informação e comunicação entre os brasileiros”20, mas não podemos desconsiderar que grande parte da população não tem acesso ou não acessa com freqüência este meio de comunicação. Nesta pesquisa, o número de internautas (pessoas que acessaram a rede nos últimos três meses) chegou a 34%, o que significou um aumento de seis pontos percentuais em relação ao ano de 2006 (28%), mas ainda um número reduzido da população. Portanto, para muitas pessoas, as cartas ainda desempenham um importante papel como meio de comunicação.

Para os migrantes, as missivas durante anos exerceram uma função fundamental, especialmente por serem o “fio” que os liga e os mantém identificados com sua origem. (Ferreira, apud Gorrese e Jablonski, 2002). Entretanto, o uso da internet tende a aumentar e ainda não temos a dimensão dos impactos deste meio de comunicação21 sobre essa população

e demais.

19 Base: 17.000 domicílios em áreas urbanas.

20 Disponível em: http://www.cetic.br/usuarios/tic/2007/destaques-tic-2007.pdf. Acessado em 1/3/2008.

21 Busquei refletir mais sobre o aspecto das transformações atuais dos meios de comunicação e da linguagem neste mesmo capítulo, no item “Carta e linguagem: panorama atual”.

Nas cartas há uma dimensão diferente à materialidade22 do telefone, dos e-mails e de outras formas de comunicação virtuais, pois nestas necessariamente encontramos uma materialidade concreta. Interessa-nos pensar na materialidade que as cartas podem conter em seus envelopes coloridos, nos seus diversos tipos de papéis ornados: “Quantas obras de arte em miniaturas!” (Comte-Sponville, 1997). Sem falar nas possibilidades de cheiros que podem se materializar em um papel.

Maria Rosa Camargo (2000) se debruçou na análise de 223 correspondências escritas por duas adolescentes durante seis anos. As cartas e envelopes eram marcados por cores, às vezes quatro cores de caneta em uma mesma missiva, além de uma imensa variedade de “papéis de carta” e folhas de cadernos escolares, que evidenciam a presença das cartas no cotidiano das autoras. Para Camargo, o colorido do papel, as mensagens, os fragmentos marcados nos envelopes, tornam-se verdadeiras cerimônias de antecipação da leitura que está por vir. As autoras das missivas relataram, tanto nas cartas como em entrevista à autora, que a amizade delas não teria perdurado por tanto tempo se não fossem as correspondências que permitiam compartilhar e estreitar os laços. Amizade materializada que acompanhava uma e outra na distância.

As cartas parecem concretizar uma relação, parecem ser pedaços de um e de outro que são oferecidos:

Nossas cartas se parecem conosco, desde que o queiramos um pouco, e mesmo, às vezes, quando não o queremos. Frágeis como nós. Irrisórias como nós. Belas, por vezes. Pobres e preciosas, corriqueiras e singulares, quase sempre. Um pouco de nossa alma introduziu-se ali, na pouca espessura de um envelope (Comte-Sponville, 1997, p. 43).

E aquilo que me parece mais bonito na materialidade da carta é, contraditoriamente, esta capacidade de passar despercebida:

(...) milhões de cartas que circulam todos os dias, em todos os países, como um gigantesco zunzum silencioso, como um formidável e imperceptível murmúrio, todos esses pequenos riachos de papel e de tinta, que foram como que um mar, que arrastam nossos segredos, nossas confidências, nossas lágrimas (...) (o que é mais simples do que uma carta?) (idem, p. 41-42).

Outro aspecto que percebo na materialidade da carta é a relação que pode estabelecer com uma pessoa em sua corporeidade, questão a que Merleau-Ponty se dedicou em suas obras (1999, 2000, 2002): “meio que possuo para chegar ao âmago das coisas, fazendo-me mundo e fazendo-as carne” (2000, p.132).

22 Vale ressaltar que há uma dimensão material presente no telefone, nos e-mails ou em outras formas de comunicação virtual, pois o som, a imagem ou a palavra também são consideradas formas materiais do signo.

Com Merleau-Ponty, a Fenomenologia husserliana foi trazida para a existência concreta, pois o autor procurou restituir o caráter mundano do homem e a radicalização dessa concepção fez com que se chegasse ao conceito de carne23. Partindo da visão de corpo sensível e da crítica à dicotomia sujeito-objeto, homem-mundo, externo-interno, propõe uma relação de mútua constituição entre corpo e mundo. O homem estaria de tal forma envolvido pelo mundo que este seria sua extensão: corpo como sensível ao mundo, que nos une às coisas.

Assim, percebo que uma pessoa em sua corporeidade pode se expressar nas cartas: no movimento de escrever e registrar sua letra, ao providenciar seu encaminhamento, acompanhar seu recebimento, realizar sua leitura. Muitos sentidos trabalham juntos e de diferentes formas no processo de escrever ou ler uma carta. Corporeidade que toca, sente, cheira e vê cada correspondência. Aspectos que ainda diferenciam as cartas da comunicação falada e da eletrônica. O papel, o envelope e a caneta funcionam como um espaço delimitante e delimitador, um contorno próprio.

De que modo as relações virtuais transformaram nossa corporeidade? A era cibernética alterou nossa percepção do tempo e do espaço transformando a virtualidade em experiências concretas, contudo, se são concretas, pergunto-me em que medida são corpóreas? Estas e muitas outras questões ainda são recentes e a cada dia se mostram mais urgentes. É preciso que a Psicologia comece a refletir criticamente sobre as implicações da tecnologia eletrônica nas relações humanas.

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