• No results found

Meta-analyser på etanercept studiene

In document TNF-hemmere ved revmatiske sykdommer (sider 84-96)

4.4 Effekt - psoriasisartritt

4.4.1 Adalimumab

4.4.2.2 Meta-analyser på etanercept studiene

Quantos de nós escrevemos ou recebemos uma carta nos últimos meses? As formas atuais de comunicação buscam ser eficientes em sua transmissão dos dados. Isso significa que hoje o melhor recurso é o que emite a informação no menor espaço de tempo. Portanto, após a invenção do telefone, celulares, e-mails, orkut, o modo de se comunicar por cartas ficou arcaico, fora de moda. Um meio de comunicação que parece se destinar apenas aos “boletos de cobrança” ou ao envio de propagandas.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos registrou nos últimos cinco anos um crescente aumento no envio de objetos, o que se deve, principalmente, ao comércio eletrônico

23 Segundo Merleau-Ponty (2000) não há nome na filosofia tradicional para designar este termo. Em francês, a palavra que ele escolheu foi chair. A tradução para o português empobrece o termo francês original e mais ainda o sentido dado pelo autor, que não se restringe só à referência “exterior” do corpo que o termo “carne” sugere.

(e-commerce) que se amplia vertiginosamente a cada ano24. Ocorreu, portanto, uma mudança no conteúdo daquilo que é enviado por aquele serviço que, se antes propiciava predominantemente a comunicação por meio das cartas, passou a favorecer o comércio, por meio da entrega de objetos de consumo.

Walnice Nogueira Galvão (1998) afirma que a eletrônica transformou a carta em um meio de comunicação obsoleto, apesar de ela vir demonstrando uma “vitalidade” impressionante. Todavia, complementa a autora, as missivas têm passado por uma importante transformação: “de algo a ser lido para algo a ser visto” (idem,p.161, grifos da autora). Uma espécie de “deslocamento do eixo da prosa enquanto forma contínua, para o eixo não-linear e simultaneísta do audiovisual” (ibidem, p.160-161). Essa mudança poderia fazer com que as correspondências subsistissem, porém se alterando: “Talvez, então a epistolografia não esteja propriamente desaparecendo, mas meramente efetuando uma transferência de suporte e de visualidade, enquanto mantém sua função de comunicação interpessoal” (ibidem, p.162).

É certo que os e-mails também são lidos, mas penso que o aspecto para o qual a autora está querendo chamar atenção é para a transformação cultural de nossa percepção em visualidade, que para muitos pensadores afetaria também (e muito) nosso modo de comunicação interpessoal. Baudrillard (1993 e 2006), Baitello Junior (2000 e 2005 ) e Sartori (2000), dentre outros filósofos estudiosos dos meios de comunicação, ressaltam a visualidade da imagem como uma das principais características de nosso tempo. Esse fenômeno iniciado no início do século XX foi acentuado após 1945 com as técnicas refinadas de propaganda e

marketing que buscam a visibilidade. O número de imagens a que somos submetidos diariamente, são principalmente visuais, mas não só, pois temos as acústicas e aquelas que formamos em nosso imaginário, que também provocariam um estado de tensão e alerta permanente. Tal opressão a que nos submete a imagem leva os referidos autores a estabelecerem uma estreita relação entre a visualidade das imagens e a violência física e simbólica em que vivemos.

Baitello Junior (2005) criou o conceito de iconofagia para se referir a essa dimensão da imagem, à sua capacidade de nos remeter à outra imagem, que nos transportaria para outra e outra, em uma dimensão abismal, caracterizando um chamado permanente, uma absorção pela imagem que nos “devora”, nos “engole”, em uma metáfora bastante significativa.

24 A informação foi transmitida a mim por telefone por um funcionário da Empresa de Correios, do setor de Assessoria da Comunicação, a partir de dados oficiais dos quais dispunha. Ele ficou de enviar, por e-mail, os dados estatísticos, mas não o fez. Procurei-o algumas vezes e ele continuou prometendo o envio, que seria feito por uma outra funcionária responsável para tal, mas não os recebi.

Esta visibilidade atual, explica Sartori (2000), está relacionada à televisão (como o próprio nome indica – ver de longe) e à hipertrofia do sentido da visão, isto é, à super valorização do sentido da visão, prevalecendo sobre os demais. Em outros termos, seria um desequilíbrio entre os sentidos. A “tele-visão” dispensa o corpo e a proximidade, pois vemos de longe, não precisamos tocar ou nos aproximarmos para haver a comunicação. Principalmente, defende o autor, provocaria uma mudança significativa na cognição.

Em relação às transformações na linguagem que os meios eletrônicos provocam, o escritor João Ubaldo Ribeiro (2005) declara de modo indignado sua percepção de que a língua portuguesa está empobrecendo, degradando-se, perdendo expressividade e riqueza vocabular. Cita como exemplos a palavra “cujo”, o verbo “haver” e as contrações nominais, como “mo” e “lho” que deixaram de ser utilizadas.

De certa forma, a televisão e a internet têm contribuído para o empobrecimento da linguagem e já se fala em uma nova linguagem, o internetês, surgida no ambiente da Internet que é

(...) baseada na simplificação informal da escrita, com o objetivo principal de tornar mais ágil, rápida, a comunicação, fazendo dela uma linguagem taquigráfica, fonética e visual. Abreviações, simplificações, símbolos criados por combinação de caracteres, símbolos gráficos próprios e uma grande diversidade de recursos de comunicação por imagens utilizados na internet são as principais características encontradas nas mensagens que utilizam esta linguagem.25

Nítidas mudanças em nosso modo de nos comunicarmos e nos relacionarmos vêm ocorrendo. As cartas deixaram de ser o meio de comunicação à distância mais utilizado e, para muitos autores, os principais responsáveis por isso estar acontecendo são o uso do telefone, da internet, dos e-mails, da videoconferência, dos chats, etc. Entretanto, se por um lado temos de permanecer questionando o uso das novas tecnologias, não podemos ter uma postura rígida e contrária a tais mudanças, pois elas são transformações inevitáveis e às quais teremos que nos adaptar.

Os autores citados, estudiosos das transformações tecnológicas, são radicais em suas análises e parecem apontar para um determinismo no modo como as pessoas estariam sendo afetadas e transformadas pelos novos meios de comunicação. Ao buscarmos um olhar fenomenológico para tais questões, essas teorias (e outras) podem ser consideradas, embora não possam ser tomadas como a única forma de compreender o fenômeno. Um importante aspecto que os autores parecem desconsiderar (ou minimizar) é o fato de que há uma pessoa se relacionando com tais meios e isso significa diferentes modos de se relacionar com eles.

Do ponto de vista fenomenológico, não poderíamos buscar compreender uma relação potencializando ou considerando como uma variável determinante um dos aspectos dessa relação. É preciso levar em conta os diferentes modos como o homem pode “humanizar”, por exemplo, seus e-mails, e estabelecer uma relação pessoal e particular com elas.

Cabe refletirmos se o uso da comunicação virtual impede ou dificulta a linguagem

falante, isto é, impede que uma comunicação interpessoal aconteça e que duas pessoas se aproximem e se comuniquem. Não me parece que possamos afirmar que os novos meios de comunicação sejam suficientemente impossibilitadores de tal expressão. O uso que pode ser feito da internet (ou de outras mídias eletrônicas) não é necessariamente o da linguagem mecânica, apesar de o meio eletrônico potencializar a banalização da comunicação, até pelo excesso de informação que proporciona. Contudo, por todos os motivos apontados, penso que a internet e demais meios eletrônicos dificultam a comunicação falante. Entretanto, não seria a carta e sim o texto narrativo que nos propiciaria estabelecer o modo de nos comunicarmos um com o outro. Todavia, o que até agora tenho percebido em meus trabalhos com os alunos é que é a experiência de escrita de cartas que viabiliza o ensino da construção de um texto narrativo e não o telefone ou os e-mails.

In document TNF-hemmere ved revmatiske sykdommer (sider 84-96)