DEL 4 – EN ANALYSE AV MYTE, STED OG IDENTITET I GLASTONBURY
12. Å skape mening
12.6 Opplevelser av et bedre liv
A atuação profissional como pianista popular, para César, acontece em
diferentes contextos, desempenhando tarefas variadas que exigiram o
desenvolvimento de diferentes habilidades e conhecimentos musicais. Os seus primeiros trabalhos profissionais envolveram a performance da música popular e ele atribui essa oportunidade ao contato com o piano popular no CEP/EMB. Isso contribui para a sua decisão em deixar de lado o violão erudito e investir o seu tempo no piano e no teclado.
Os contextos em que César atua como músico são os locais em que se realizam eventos ou coquetéis, os estúdios de gravação, os palcos de teatros e de centros culturais, os shoppings, os restaurantes e os bares. Os diferentes ambientes de trabalho exigem de César a atuação em diferentes atividades musicais tais como
a de arranjador, a de acompanhante, a de compositor. Dentre essas atividades, algumas habilidades precisam ser desenvolvidas como tocar diversos estilos e subestilos internacionais e nacionais e saber operar as funções pelo menos básicas de um teclado ou de um sintetizador eletrônicos. Em seu relato, César esclarece
Ao mesmo tempo que eu tocava funk, reggae, eu tocava num coquetel repertório standarts de jazz e tal e aí gravava com um cara que canta MPB e ópera e aí fazia arranjo pra um cara que cantava música sertaneja e assim, eu acabei meio tendo que atirar pra todo lado pra poder tá presente nisso. Então você acaba realmente tendo que entender um pouco de tudo. Na prática é... isso aí realmente implica que você tem às vezes até que tocar coisas que você não gosta né porque, não, os caras estão pagando, você está ali, é um profissional, os caras falam: “é isso aqui que eu quero”, você vai lá e faz. Mas é bem assim mesmo, não tem muito, se você for realmente cair em campo para trabalhar tocando, você vai ter que ser realmente capaz de fazer de tudo, tudo quanto é estilo musical (ENT. E1, p. 7).
Sobre esse aspecto, Green (2001) também encontra nos seus estudos que os músicos populares profissionais e experientes, para se manterem no mercado de trabalho, precisam ser flexíveis e adaptáveis às situações. Dessa forma, uma das habilidades requeridas é a capacidade de traduzir e conhecer as normas e as variações de vários estilos e subestilos da música popular e de transferi-los para as suas performances.
Em seu relato, César menciona a sua atuação como professor de Piano Popular no CEP/EMB assim como no Núcleo de Tecnologia Musical no mesmo local. Como professor de Piano Popular, atuou como temporário nos anos de 1996 e 1997 e como concursado e efetivo a partir de 1998. Para ele, na época da sua entrada, a situação do programa do curso de Piano Popular era precária. Não havia um currículo com os conteúdos organizados e sequenciados conforme os níveis de dificuldade e complexidade do repertório e dos aspectos teóricos ou até mesmo guias de quais estilos ou gêneros da música popular deveriam ser abordados pelo curso. Em seu relato, César menciona que o curso de Piano Popular
[...] era bem livre, não era um negócio muito amarrado não. Eu acho que essa estruturação veio depois, essa estruturação mais rígida [em comparação com o currículo atual]. Tanto é que quando eu comecei a dar aula aqui também não tinha apostila ainda em 98, em 96 no temporário quando eu comecei a dar aula não tinha material sistematizado não, tinha umas coisas que tem até hoje ali no armário que são aquelas coleções, coleções de coisas do Bill Evans, de temas do Real Book, de música daqui, de música dali... o material era meio apanhado assim (ENT. E1, p. 2).
César e os outros professores de Piano Popular do Núcleo de Música Popular (NuMP) foram, aos poucos, sistematizando o programa por meio da estruturação dos materiais didático-pedagógicos e da definição do repertório. Levando em conta a sua experiência profissional, César concorda com um ensino de piano popular que contemple não apenas aqueles estilos sofisticados da música popular como o jazz, a bossa nova ou o samba, mas também que sejam trabalhados os mais simples como o rock, o reggae, o forró, dentre outros. Em suas palavras:
Mas eu acho que na verdade é que eu englobaria na música popular não só a coisa da bossa nova, por exemplo, as coisas mais sofisticadas como até as coisas mais também, mais... é... de estilos mais simples. Na verdade se você for caracterizar a rigor, música popular é qualquer coisa feita dentro de uma expressão né do... musical original de alguma população, ou seja, se você for chegar, por exemplo, rock’n roll, reggae, forró, essas coisas todas fazem parte, estão dentro do espectro da música popular. Então quando você fala que vai fazer um curso de música popular aqui, eu acho que às vezes meio que deixa de lado uma boa parte das coisas porque é uma coisa que eu como músico atuante nessa área por exemplo preciso e uso eventualmente né, no meu trabalho por aí e que a gente não contempla aqui às vezes... que o curso é muito direcionado pra esse lado da coisa mais... o lado mais sofisticado dessa produção né, mais a música... a partir da bossa nova, aquela coisa de você juntar harmonias mais... mais complexas e tal. Mas no dia a dia quando você vai tocar, você tem de tocar de tudo né. Você não tem... você tem de saber tocar um negócio como uma disco music ou uma música de rádios dessas porque na prática nossa isso aparece, então essa parte é uma das que eu acho que o curso não contempla (ENT. E1, p. 5-6).
No que diz respeito à formação profissional de César como músico e como professor de Piano Popular, percebe-se que, para ele, o ensino e a aprendizagem da música popular conectam-se à sua experiência profissional como pianista popular. As suas concepções sobre o que é a música popular são direcionadas para o mercado de trabalho e voltadas para a formação do aluno visando atender essa demanda. A seguir, detalho os processos de ensino e aprendizagem de César e a conexão deles com as concepções sobre a música popular, o ensino do Piano Popular e as interfaces do erudito e do popular.
5.4 O ENCONTRO ENTRE O MÚSICO E O PROFESSOR: A PRÁTICA DOCENTE