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DEL 3 – INFORMANTENES NARRATIVER

8. Informantenes narrativer

8.4 Ingers narrativ

A atuação profissional de Elis como pianista começa desde os seus dez anos de idade acompanhando cantores no rádio. Tal fato também faz parte do seu aprendizado da música popular. Depois vem os conjuntos de baile, primeiramente substituindo o seu irmão mais velho e depois recebendo convites para outros grupos. Desses conjuntos, Elis recorda do início da bossa nova em São Paulo e como esse estilo marca e influencia a sua performance e o seu fazer musical.

Então esse foi o ponto X da minha abertura na música que eu queria fazer. Porque antes disso era assim, eu pinçava coisa daqui, dali, do filme. [...] a bossa nova foi um ponto que você vê, depois sumiu. Sumiu completamente com a virada de 64, política econômica e tudo o mais. A música virou outra coisa. A bossa nova foi esquecida, jogada. E eu sempre achei triste esse negócio. Ela voltou agora, há pouco tempo, e agora virou uma coisa internacional e agora taí pra ficar, eu acho. Mas naquela época ela tava assim em crescimento e acabou. Mas na minha cabeça não acabou não. Tudo que a gente fazia depois tinha ligação com a bossa nova. Os mineiros, Toninho Horta, saíram dessas brasas da bossa nova. Todos eles tem um pouco de influência da bossa nova (ENT. E1, p. 9).

Nessa época, Elis estuda em uma universidade paulista da capital e toca em vários grupos. Uma prática muito comum dos músicos é copiar as músicas que tocam no rádio ou na TV para tocar nos bailes, pois são os hits do momento:

[...] quando a gente fazia bailes tinha aquilo que a gente chamava descanso, que era o descanso dos músicos. Dividia em duas turmas para não parar o baile. Você tinha que descansar um pouco, tinha que comer e tudo. Então parava uma parte dos músicos e outra parte ficava. Eu ficava com o trio e fazia bossa nova de trio, daqueles da época, dos trios da bossa nova. A gente copiava as músicas (ENT. E1, p. 9).

Além de fazer parte dos conjuntos de baile, Elis monta o seu próprio trio para tocar principalmente bossa nova na noite de São Paulo. Ao lado dos grandes trios que surgem na época como o Zimbo Trio, por exemplo, o seu trio toca em locais mais fechados como o Teatro de Arena e as casas noturnas. Ela comenta que nenhum dos músicos que toca nesse período procura por uma formação acadêmica, mas que todos possuem a experiência da prática; de colocar a “mão na massa”.

O início de sua atividade docente está relacionado à sua carreira musical. Os seus ouvintes e admiradores, que a acompanhavam nas suas apresentações, lhe pedem aulas. Elis começa a lecionar aulas particulares para complementar a sua renda mensal composta pelos cachês dos shows. O processo da sua aprendizagem docente começa pela oralidade, ou seja, ensina seus alunos demonstrando no piano como eles devem tocar, uma vez que ela não sabia ler ou escrever cifras. Como parte desse processo autodidata, Elis começa a comprar livros importados porque só era possível encontrar publicações estrangeiras de pianistas e outros músicos populares estrangeiros. Ela conseguia comprá-los por meio de seus alunos que vão para o exterior. Uma importante aquisição são as transcrições das composições do pianista de jazz norte-americano Chick Korea que faz parte do programa do curso básico e técnico de Piano Popular até hoje. Outra prática de Elis é escrever arranjos com notação tradicional para seus alunos utilizando os poucos conhecimentos teóricos de sua infância.

Nessa mesma época, Elis ingressa no curso superior em música e depois de concluí-lo é convidada pelo diretor em exercício para ser professora do CEP/EMB. Ela resiste ao convite a princípio por não saber cifra ou qualquer outro assunto relacionado ao ensino formal do piano e da música popular. Tais conhecimentos não são abordados em seu curso superior e, por causa de suas experiências de aprendizagem, Elis considera que as escolas de música precisam dar o ensino formal aos músicos populares:

por que as pessoas não nascem sabendo. É como eu. Ninguém nasce sabendo. Você nasce com algum tipo de dom, uma facilidade ou uma habilidade maior que a dos outros, mas você não nasce sabendo nada. Você tem essa habilidade e não sabe o nome das coisas. E a escola tem a obrigação disso. Por que você vê, eu não aprendi, como é que hoje eu ensino (ENT. E1, p. 7).

Além das escolas de música, Elis comenta que as universidades brasileiras devem não só privilegiar a performance nos cursos de música e de música popular, mas também preparar o estudante para o ensino e aprendizagem do instrumento. Com relação ao ensino de instrumento, Oliveira (2007) acredita ser necessário ao professor o conhecimento específico de música, de técnica pianística, do repertório, de materiais didáticos, de teorias de ensino e de aprendizagem do instrumento e das ciências da educação. Na sua pesquisa sobre o perfil dos professores de piano, a pesquisadora encontra que pouco mais da metade dos professores possuem algum tipo de formação pedagógica, mas, no que diz respeito à pedagogia do instrumento, menos da metade possuiam essa formação específica.

O ingresso de Elis no CEP/EMB se dá na década de 80, como professora de disciplinas teóricas como “Música Popular e Folclórica – MPF”, pois o Núcleo de Música Popular ainda não existe. As aulas de piano são coletivas e se denominam “Piano Suplementar”. Elis também ministrou curso de piano básico para arranjadores promovido pela EAPE – Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Distrito Federal. O registro mais antigo dos seus alunos de Piano Popular encontrado no banco de dados do Núcleo de Informática Aplicada (NIA) do CEP/EMB é de 1990. A maneira como Elis desenvolve o aprendizado da docência é gradual e baseado nas suas experiências práticas do dia a dia com seus alunos:

[...] eu fui aprendendo e ainda estou aprendendo, assim, ao longo das experiências e principalmente com os alunos. Por que você aprende com as dificuldades que os alunos tem, que eu não tive, ou que eu tive e não fui orientada. É uma coisa tão pessoal. Você vê, é coisa minha. Por que como eu não tive uma educação formal, eu não sabia fazer uma educação formal. Hoje eu sei. O que eu sei é que aquelas dificuldades que são comuns aos alunos, elas têm um jeito de você diminuir essas dificuldades com ensinamentos que envolve técnica, que envolve interpretação, envolve leitura, envolve.... Eu sei conduzir o aluno hoje por que eu sei que é possível vencer isso (ENT. E1, p. 10).

A atuação docente de Elis está associada à sua vida profissional como pianista popular. Os primeiros alunos particulares são seus fãs e a procuram para aprender a tocar como ela. Os processos de ensino do piano são por meio da

oralidade, Elis se senta ao piano e mostra tocando e sugerindo maneiras de como o aluno pode proceder. Os materiais didáticas utlizados na sequência são as publicações em notação tradicional da performance de proeminentes pianistas populares estrangeiro. Por fim, a professora ensina a música popular brasileira principalmente por meio de seus arranjos escritos para piano solo.

4.3 ATUAÇÃO DOCENTE NO NÚCLEO DE MÚSICA POPULAR (NUMP) DO CEP/