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DEL 3 – INFORMANTENES NARRATIVER

8. Informantenes narrativer

8.6 Annes narrativ

Demonstrar é também uma forma do aluno melhorar sua audição, aprender pelo visual. Esse procedimento é justificado pela vontade dos seus alunos:

Por que eles querem aprender vendo. Aquilo que você perguntou se eu tive alguém que mostrou pra mim. Eu nunca tive. Por isso também que eu gosto de mostrar. Aquela história do panderinho e tudo, né, é uma coisa difícil de pegar só pelo ouvido. Vamos ver. Se a pessoa ver como é que funciona. Aprende mais rápido. Isso de sentar e mostrar como é legal. É um dos meus métodos, vamos dizer. Um dos meus enfoques pra mostrar (ENT. E2, p. 22).

4.3.5 Aprendizagem em grupo

Para Elis, tocar em grupo é de suma importância para seus alunos. Green (2001) afirma que, assim como a audição e a cópia, a aprendizagem em grupo é um dos componentes centrais das práticas informais de aprendizagem da música popular. A professora incentiva essa atividade na sala de aula por meio de arranjos de músicas para quatro mãos, ou para dois pianos, e orientando grupos formados por seus alunos e outros do núcleo de música popular. Os arranjos, algumas vezes, são escritos por ela em notação convencional, ou são construídos no ambiente da aula pelos alunos sob a sua supervisão. Os seus processos envolvem o respeito aos músicos do grupo, a contemplação das características dos instrumentos de forma a não “encher” o arranjo com muitas notas e a autonomia de seus alunos para criarem as suas performances em grupo. Sobre esses aspectos, Elis explica como deve ser música popular em conjunto:

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A sala em que Elis trabalha tem dois pianos, um da marca Essenfelder e outro digital da marca Yamaha.

Uma educação do aluno saber respeitar o outro instrumentista, outro instrumento, saber que a sonoridade de um é diferente do outro, saber se comportar nos sentido de não encobrir o outro, saber ouvir o outro para poder encaixar musicalmente, ficar uma coisa bem camerística mesmo [...] Pra coisa ficar bonita, boa e camerística mesmo, por que a música brasileira é popular, brasileira ou não tocada em grupo é maravilhosa. Aí você não pode ficar enchendo o tempo de todo de notas, fazer como se você fosse o único participante. Então isso é uma parte importante, que eu acho. Não é fácil. Por que muitas pessoas colocam lá melodia e cifra e aí toca aí. Cada um toca o seu, um enche aqui, outro enche ali. E ficou cheio de nota, cheio de coisa. Tocou, saiu direitinho, mas aqui não é música de câmara. Não é uma boa música de câmara (ENT. E2, p. 23).

5 “[...] EU ACHO QUE VOCÊ VAI DESENVOLVENDO ESTRATÉGIAS NA PRÁTICA, NÃO TEM MUITA SISTEMATIZAÇÃO DISSO. PELO MENOS EU NÃO CONHEÇO NADA MAIS SISTEMATIZADO VOLTADO PARA O PIANO POPULAR”: A PRÁTICA DOCENTE DE CÉSAR

Em todos os aspectos do ensino e aprendizagem do piano popular que emergiram da prática docente de César – a leitura, a improvisação, o swing e o dedilhado – são observadas algumas condutas que permeiam os seus processos. As condutas desse professor, que transversalizam o ensino da performance da música popular no piano, baseiam-se no equilíbrio do conteúdo do programa do curso da escola e o interesse do aluno em relação à sua aprendizagem, na proposta de atividades que trabalham as deficiências do aluno e no ensino e aprendizagem da música como um todo.

O conteúdo de interesse do aluno possui o mesmo peso que o do currículo de piano popular da escola para César. Ele procura, dessa forma, manter a motivação do aluno principalmente daqueles que buscam a escola para aprimorar a sua prática profissional. César desenvolve sua metodologia de ensino do piano popular focado nas dificuldades dos seus alunos e na prática diária da sala de aula. Nesse sentido, os seus processos de ensino são diferentes para cada aluno, ou seja, a observação e o diálogo são os guias do seu trabalho docente.

Para César, um procedimento padrão em todas as suas aulas é estabelecer conversas com o aluno sobre a música que está aprendendo; situá-lo no contexto sócio-político, econômico e cultural do repertório estudado de forma a trazê-lo para dentro do universo em que aquela música foi produzida; e caracterizar o compositor. Sobre essa contextualização, César descreve um exemplo da publicação de muitas músicas do repertório do piano popular:

quando eu falo do Real Book, eu explico pros caras que é um livro onde se escrevia mais menos, se dava um jeito de se anotar as músicas, um rascunho das músicas que eram padrão pra todo mundo poder tocar assim, mas que era uma coisa que era só uma idéia, aquilo ali não é a música, se você só tocar aquilo ali não vai resolver... não vai sair música nenhuma, você tem que trabalhar em cima daquilo pra aquilo virar uma história. Então o que eu sempre tento fazer é tentar através da conversar é mostrar que existe um lado, é... aproximar mesmo o aluno daquela música que ele tá tentando tocar que é uma coisa que eu sentia dificuldade e que eu ia buscar fora assim principalmente quando eu fui pra UnB estudar o curso era todo voltado para a música erudita, eu falava assim “mas quem são esses caras, de onde saiu esse cara, o que que ele fazia, qual era a idéia dele de música, qual era o

contexto... então isso me ajudava muito a não estranhar, a não achar é... a não ter preconceito por aquilo ali (ENT. E1, p. 8-9).

Nesse sentido, Green (2006) afirma que a legitimidade da música em geral está nos seus processos de produção, ou seja, na maneira como a música é composta, envolvendo os seus atores e a época histórica. Os objetivos de César, ao adotar essa conduta, é garantir que a performance dos seus alunos seja expressiva, com swing, e contenha improvisações baseadas nos estilos/ gêneros musicais.

De modo geral, os processos de César para o ensino do piano popular integram aspectos da educação formal e das práticas musicais informais. Tal afirmação se justifica pela sua formação em piano popular como aluno do Núcleo de Música Popular (NuMP) e como autodidata fora da escola. Embora alguns conhecimentos da sua prática docente advenham do seu curso superior de Licenciatura em Música, muitas aprendizagens ocorreram na sua prática cotidiana como professor de piano popular. Para esse professor, os conhecimentos e habilidades do piano popular são: integrar elementos teóricos e práticos; conhecer e executar diferentes estilos; desenvolver habilidades da criação musical; dominar instrumentos como teclado e sintetizador; leitura musical e desenvolvimento da audição.

5.1 APRENDER NA AULA E FORA DA SALA DE AULA: A FORMAÇÃO MUSICAL