Um tema de tamanha relevância para o contexto organizacional, mas com pouca literatura disponível no Brasil. É assim que o conceito de Produtividade Percebida é introduzido nesta pesquisa. Ressalvamos que os trabalhos apresentados nesta seção devem ser discutidos com cuidado, uma vez que a percepção é subjetiva e a forma de perceber varia com a cultura.
Gerar um indicador de Produtividade que combine insumos de natureza distintas – como capital financeiro e capital intelectual, por exemplo – envolve cuidado e muitas vezes coloca-se impossível. Dessa forma, afirma que “é bem mais simples tratar da produtividade sob o aspecto quantitativo do que qualitativo” (SILVA, 1998).
Entendemos, assim que:
Indicadores são substitutos da mensuração direta. Destinam-se a superar a condição em que o fenômeno ou conceito a ser medido não é diretamente observável ou em que a mensuração direta não tem significado operacional (THIRY-CHERQUES, no prelo, p. 1).
Um indicador é justificado pela operacionalidade e confiabilidade em relação ao modelo. Torna-se mais ou menos representativo de acordo com a natureza quantitativa de fenômenos e conceitos. Um indicador é um construto a partir de uma teoria, filtros que reduzem a realidade a dimensões inteligíveis.
O uso de indicadores talvez seja uma tentativa de oferecer rigor e clareza a fenômenos cognitivos como o da percepção. No caso da produtividade, é necessário o estabelecimento de indicadores de progresso, categoria na qual se encontram aqueles que expressam o histórico de políticas, plano, programas e projetos, incluindo medidas de recursos, processos, resultados e efeitos de iniciativas específicas – tal qual a conclusão de uma atividade ou tarefa.
Apesar de quantitativos ou qualitativos, os indicadores apresentam-se sempre na forma de números e expressam sempre um atributo, ou seja, uma qualidade de um objeto. Pode ser uma propriedade ou uma relação entre algumas coisas.
Um modelo conceitual é proposto para a análise dos fatores de influência da Produtividade Percebida do trabalho. No modelo, as trocas com o líder e a satisfação no trabalho influenciam direta e indiretamente a percepção do líder da Produtividade do trabalho. A crítica que o estudo faz é que nas duas últimas décadas, os pesquisadores pouco deram importância à questão da Produtividade percebida (LIN, CHIU, JOE, 2009).
O estudo analisa a questão do gênero (masculino e feminino) e suas implicações na satisfação no trabalho e na Produtividade Percebida e conclui-se que a questão do gênero pode afetar a percepção da Produtividade no local de trabalho e as reações comportamentais (por exemplo: a percepção da Produtividade masculina é mais fortemente percebida que a feminina). Não focaremos tais questões aqui, mas sim a natureza dos fatores que levam a tal conclusão por parte dos chefes, tais como:
a) Grau de envolvimento com atividades ligadas à família e ao lar;
b) Grau de envolvimento com atividades sociais;
c) Grau de importância dado às questões do trabalho;
O trabalho conclui e aponta que o reforço dos laços sociais ajuda a manter boa relação com superior e este reforço pode aumentar significativamente a Produtividade percebida, sobretudo com relação ao gênero feminino. Os resultados implicam também que o gênero masculino é mais orientado para o trabalho, a partir da noção de Produtividade percebida. Cabe-nos fazer uma ressalva à validade das informações e resultados, uma vez que a pesquisa foi realizada na China, com subsídio do governo chinês (uma cultura com traços distintos da cultura das iniciativas privadas e públicas brasileiras).
O que nos interessa extrair do trabalho acima exposto é, em suma, que a Produtividade percebida não corresponde necessariamente à Produtividade Real – tal qual estamos acostumados a estudá-la.
Outro trabalho na área de Produtividade Percebida discorre sobre a Percepção dos Fatores que afetam a Produtividade dos artesãos na visão deles próprios (DAÍ, GOODRUM, MALONEY, 2009). Ao final da pesquisa foram elencados pelos artesãos 83 fatores: “Os resultados mostram que os artesãos têm um bom entendimento dos fatores que afetam a sua Produtividade diária”. Mesmo numa atividade considerada de baixa Produtividade percebida – artesanato –, os trabalhadores são capazes de listar fatores que influenciam sua Produtividade – mesmo que não tenham desenvolvido mecanismos de medi-la (consultar Anexo B – FATORES DE INFLUÊNCIA NA PRODUTIVIDADE INDIVIDUAL). Vemos que os próprios artesões são capazes de elencar fatores relacionados à sua produtividade, porém esta ainda continua sendo avaliada pela percepção dos supervisores.
A diversidade da natureza dos fatores apresentados no referido anexo, chama a atenção para a necessidade de entender como tal fenômeno se dá nas organizações.
Estudiosos da Administração estão cada vez mais examinando práticas de Recursos Humanos como forma de vantagem competitiva e como forma de melhorar o desempenho das empresas. Perceberam que empresas com grande percentual de mulheres apresentam maior grau de comprometimento. Observou-se que programas socais de qualidade de vida têm impacto positivo na produtividade dessas empresas. Conflitos trabalho X família aparecem como fator para diminuição da produtividade (NURSE, MANGEL, 2000).
da organização podem pensar que o empregado mais generoso realiza mais favores para ter mais status e poder. Enquanto na esfera da produtividade, os membros da organização podem vê-lo como mais produtivo, onde o desequilíbrio é sempre a seu favor, colocando a organização em débito com ele (FLYNN, 2003).
Essa visão é perigosa para a organização, pois o mesmo estudo aponta que essa postura de desequilíbrio não é produtiva para a organização, embora a percepção que os outros têm do indivíduo é que ele está contribuindo para o aumento da produtividade. O gerente deve ter esta noção no momento de fixar metas e estimular padrões de comportamento. Não que não seja importante estimular a cooperação, mas sempre buscando o equilíbrio nas trocas de favores.
Tanto o tema Produtividade, quanto o tema Percepção são temas estudados pela disciplina Comportamento Organizacional. Ambos envolver a forma como a organização e seus elementos – os colaboradores, a produção, os recursos em geral – se comportam.
Entendemos que a Produtividade Marginal Percebida debatida aqui tenha relação com os temas de Comportamento Organizacional. Dessa forma, elencamos três subtemas para ampliar a discussão deste trabalho, cujas importância e relevância serão apresentadas ao longo da seguinte sessão.