Atualmente, a população apresenta uma maior esperança de vida logo à nascença, o que se traduz num aumento do número de anos que a pessoa espera viver. Aliado a isto, surge o desejo de viver mais e em melhores condições humanas. A velhice é uma etapa de vida em que as limitações mentais, físicas e sociais se assumem com grande relevância na vida humana, onde ocorrem alterações funcionais e comportamentais. Há de forma crescente uma preocupação em envelhecer com qualidade de vida. Este conceito é subjetivo e assume múltiplas dimensões.
A qualidade de vida varia de indivíduo para indivíduo e requer uma adaptação dos próprios nas diferentes etapas da vida. Segundo Neri (2001), avaliar a qualidade de vida tendo por base a condição financeira é uma análise objetiva, contudo quando a satisfação e o crescimento pessoal estão em análise partimos para uma análise subjetiva. Para esta análise é necessário ter presente as condições atuais (as condições disponíveis no momento para o indivíduo) e aquelas que o indivíduo desejaria possuir/alcançar.
É evidente que nem sempre estes factos são de fácil análise, e apesar de serem possíveis de contornar de uma forma simples, há um número de problemas que causam dificuldades na sua resolução. As restrições físicas, mentais e sociais são grandes grupos que integram um conjun- to alargado de problemas cruciais para entender o caminho para a vulnerabilidade na velhice. Por outro lado, as desigualdades sociais que acarretam consigo problemas de pobreza, em que os idosos se deparam com mais restrições e faltas de oportunidade aumentando as dificuldades físicas e sociais.
Um envelhecimento bem-sucedido segundo Featherman, Smith e Peterson (1991) citado por Freire (2008) requer uma capacidade de adaptação do indivíduo o que é um fenómeno de natureza multidimensional. As suas dimensões representativas são: a emocional que envolve por exemplo, a presença de estratégias e habilidades para lidar com eventos stressantes; a cognitiva, que é expressa na capacidade para resolução de problemas e a comportamental, que foca os termos de desempenho e competência social.
Segundo Ferrini & Ferrini, 2008, na perspetiva dos profissionais que lidam com idosos é importante que os profissionais não generalizem o envelhecimento apenas como sinónimo de
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problemas, deficiências, emocionais, intelectuais e mentais. Quando se trata de cuidados de longa duração é fundamental que estes possuam uma variedade de serviços médicos, sociais e de atenção pessoal com o objetivo de proporcionar aos idosos viver da forma mais independente possível, maximizando os seus níveis de funcionamento físico e psicológico (Ferrini & Ferrini, 2008). Nesta etapa da vida é importante que os idosos mantenham a sua autonomia, mesmo que esta, não se mostre presente na totalidade e havendo restrições à independência. Por outro lado, é importante que o idoso considere que é um ser humano necessário no meio onde vive e a quem o rodeia. O incentivo à tomada de decisões, quando lhe é possível e o assumir de responsabilidades, é fundamental para que ele se sinta útil, aumentando assim a sua confiança e permitindo que o mesmo desenvolva intelectualidades por vezes dormentes. Quando estamos perante incapacidades físicas, deve existir um estímulo em manter as atividades que os mesmos são capazes de executar, melhorando a sua autoestima, permitindo que eles verifiquem que são capazes, não os deixando cair no comodismo (Ribeiro, sd). Para este autor, a autoestima subjacente aos seres humanos relaciona-se diretamente com a resolução dos problemas com que se defrontam, sendo necessário que os objetivos pessoais sejam adequados à realidade que atravessam.
A nível mental a depressão é uma patologia muito presente neste período da vida, sobretudo porque é vista como a resposta às múltiplas perdas (autonomia, físicas, psíquicas sociais), e também às necessidades crescentes de terceiros para a realização das tarefas básicas, aumentando o stress, realidade associada ao envelhecimento. A atividade física tem um papel fundamental na vida. Na velhice não é exceção. Como Ribeiro, s.d refere, os idosos que se apresentam fisicamente ativos tendem a apresentar melhores valores de saúde e grande habilidade para lidar com stress. Na sociedade há uma tendência em não estar presente uma inclusão dos idosos em muitas das atividades da vida quotidiana. Neste seguimento de pensamento, há uma tendência dos próprios idosos em subestimar as suas capacidades, essencialmente pela exclusão que a própria sociedade lhe transmite e incute como sendo incompetentes e incapazes de serem pessoas ativas dentro dos seus próprios limites físicos. A atividade física assume uma enorme importância potenciando a interatividade dos idosos, fazendo- os sentirem-se competentes, capazes, permitindo potencializar a própria qualidade de vida.
Analisando pela perspetiva social, atravessamos realidades em que os idosos passam por marginalização social. Além da própria autorrejeição ao envelhecimento pela qual muitos atravessam, há uma rejeição da própria sociedade em integrar os idosos em muitos momentos.
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Assiste-se a um gradual crescimento do número de idosos com idades elevadas trazendo consigo uma dificuldade de interação dos idosos com as camadas mais jovens. Os próprios sistemas sociais incutem, perante a sua estruturação, uma maior proteção das camadas jovens, ativas e produtivas descorando, de modo geral, aqueles que atingem idades superiores. Estudos concretizados pela Organização Mundial da Saúde focando os países em desenvolvimento mostram problemas no que respeita essencialmente a uma situação economicamente insuficiente, dados os valores de aposentaria, de forma a dar resposta às inúmeras necessidades desta fase da vida. Esta situação verifica-se também em países desenvolvidos, caso de Portugal, onde por vezes as reformas atribuídas não conseguem fazer face aos gastos essenciais, como o pagamento de medicamentos estando dependentes de terceiros (OMS, 2015).
O envelhecimento é um processo que com ele traz inúmeras mudanças, por vezes negativas. É indispensável que sejam estabelecidas medidas preventivas para, acima de tudo, estar presente uma ação de prevenção da saúde (física e mental) nesta faixa etária. Estar fisicamente debilitado pode trazer consequências a nível psicológico e, consequentemente, social (Bodachne, 2003). Há uma interdependência entre estar física, psicológica e socialmente debilitado afetando positiva ou negativamente a vida dos idosos. Assume-se como aspeto essencial a participação dos idosos em atividades lúdicas, sociais e intelectuais que propiciem a manutenção da autonomia e tragam benefícios à saúde cognitiva física e emocional dos idosos (Yassuda & Silva, 2010). O resultado da inclusão do idoso nesse tipo de programas acarreta uma facilidade no desenvolvimento de relações interpessoais, intrapessoais e de solidariedade, aumentando a participação social, o exercício da cidadania, e o vínculo com a comunidade (Wichmann et al, 2013).
No plano do envelhecimento acompanhado por limitações funcionais de dependência, é importante manter, restaurar e otimizar a independência. Em cuidados domiciliares, centros de saúde, centros-dia, centros de convivência, programas intergeracionais, hospitais e cuidados intensivos e de longa permanência, é fundamental que ofereçam apoio às famílias e aos idosos situados em diferentes graus de dependência e vulnerabilidade social (Ferrini e Ferrini, 2008).
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2.2.5. Dependência do idoso, o papel da família e importância do cuidador