• No results found

Integrering og samhørighet

Com o término da dissertação é possível extrair algumas conclusões relevantes. Os objetivos iniciais do estudo foram, no geral, todos alcançados. De forma simplificada, o objetivo do estudo pretendia analisar a importância da mediatização de um problema social da atualidade. É evidente que uma abordagem desta natureza exige uma interdependência de vários assuntos, uma vez que o problema identificado exige essa articulação. Para ser possível uma abordagem do abandono e violência a idosos é necessário abordar o envelhecimento, as vulnerabilidades intrínsecas ao envelhecimento, a importância da Inclusão Social e aquele que acreditamos que pode ser um caminho para a amenização do problema, o Marketing Social. O problema social identificado e analisado de forma concreta foi o abandono/violência a idosos. Este assunto tem, ao longo dos últimos anos, despertado junto da sociedade e de entidades competentes uma especial atenção, possivelmente devido às proporções que vem tomando.

96

De todas as estratégias utilizadas para fazer face a problemas sociais, o Marketing Social, é uma ferramenta que utiliza as técnicas do Marketing promovendo comportamentos no público, com o objetivo de atenuar ou eliminar os problemas sociais, podendo efetivamente ser uma boa estratégia de aplicação neste problema em concreto.

Para a concretização de resultados para a investigação foi realizada uma pesquisa quantitativa procedendo à aplicabilidade de 200 questionários à população em geral, com o objetivo de recolher dados quantificáveis para chegar a determinadas conclusões. Para a análise dos dados foram estabelecidas várias dimensões, destaco a caraterização da amostra recolhida; os meios de comunicação mais influentes na comunicação da mensagem; o conhecimento das campanhas sociais; e fatores que influenciam a recetividade da mensagem transmitida.

Uma das questões de partida desta investigação era: “Será que a população em geral atribui a mesmo atenção a uma campanha de cariz social quando comparada com uma campanha de cariz económico?” Após a análise dos resultados, é possível concluir, que 47,5% não atribui a mesma atenção a campanhas com caráter díspar, em contrapartida de 29,5% que considera atribuir a mesma atenção a ambas as realidades. Ambas as realidades são diferentes e, portanto, em princípio, uma vez que os objetivos são distintos não deve existir uma igualdade na forma como são abordadas e comunicadas ao público alvo. Seguindo esta linha de análise baseada nos resultados, segundo 57,5% dos inquiridos as campanhas de fim económico apresentam campanhas com mensagens mais apelativas ao público. Há uma recetividade positiva a campanhas de caráter social, contudo as campanhas realizadas parecem insuficientes para o problema em questão. As mensagens que são transmitidas poderão não ser apresentadas da forma mais correta para atingir eficazmente o público em geral, uma vez que consideram que é atribuída uma maior importância a campanhas de caráter económico.

Para uma melhor interpretação de toda a envolvente que o Envelhecimento acarreta e de forma a compreender as vulnerabilidades e fragilidades que podem levar a situações de violência e abandono, foi realizada uma entrevista com o intuito de compreender as necessidades, limitações e conhecimentos da entrevistada, no cuidado prestado aos idosos que tem à sua responsabilidade. A entrevista permitiu conhecer as exigências de um cuidador de idosos 24 h por dia. Foi-me possível presenciar alguns cuidados, rotinas e, acima de tudo contactar presencialmente com os três idosos que tem, neste momento, ao seu cuidado. São realidades complexas que exigem muito de quem deles cuida. As exigências não dizem apenas respeito ao domínio físico, mas também a nível psicológico, na medida em que todos eles apresentam quadros

97

clínicos de demência ou alzheimer. Com o passar dos anos estes quadros clínicos tendem a piorar, fazendo com que haja um aumento de incapacidade de reação e resposta por parte dos idosos. Tornam-se alvos fáceis perante pessoas que sobre eles exerçam algum tipo de violência psicológica ou física. Ao longo da entrevista foram abordadas as vivências da entrevistada no trabalho que desempenha optando por explorar as rotinas, as necessidades, as limitações e os apoios que usufrui. Na segunda dimensão, o objetivo foi explorar o conhecimento da entrevistada relativamente ao problema social: a violência e abandono a idosos. Por fim, explorar o seu conhecimento sobre campanhas destinadas ao problema, e se alguma das campanhas observadas teve algum impacto no seu trabalho. Todas estas dimensões permitem concluir que, cuidar de idosos é uma função muito complexa, que exige conhecimentos teóricos e acima de tudo práticos. As famílias no geral não se sentem capazes de dar resposta a todas as necessidades que os idosos apresentam, sendo imprescindível o recurso a ajuda de profissionais. Aliar a teoria e prática à vocação no exercício das suas funções revela-se o ponto essencial para que o seu trabalho seja executado de forma digna e completa. Efetivamente, para a entrevistada a verdadeira motivação é simplesmente gostar muito daquilo que faz, discordando da possibilidade de ter sido uma campanha a despertar esse gosto e vontade. Apesar disso, considera que as campanhas devem ser realizadas pelo simples facto de dar a conhecer os problemas existentes e despertar a população para as verdadeiras necessidades que os idosos passam quando atingem quadros clínicos complexos, ou simplesmente não tem quem deles cuidem.

Por parte dos idosos, o desconhecimento de ajuda, receios e incapacidades inerentes a esta fase da vida podem ser fatores potencializadores para que números de violência e abandono a idosos aumentem. A realização de campanhas deve despertar junto da população uma necessidade e vontade em abordar estes assuntos e, acima de tudo exigir que problemas desta índole sejam discutidos nos locais próprios e pelos órgãos competentes, para que sejam concebidas estratégias para erradicar ou minimizar problemas sociais deste caráter. A alteração de atitudes, práticas e ideais preconcebidas junto do público alvo deve ser o principal foco destas campanhas, tendo também a preocupação de elucidar os próprios idosos para os problemas que enfrentam face a realidades em que estão inseridos. Um maior grau de abertura permitir-lhes-á uma melhor superação das limitações existentes sobretudo na perceção de alternativas aos flagelos sociais retratados.

98