na saúde dos membros da família que se ocupam dos cuidados” Caldas, 2002 p.779 Ao envelhecimento está-lhe associado a dependência e o impacto que a responsabilidade gera na família. Segundo Hazzard et al. (1994) citado por Caldas (2002), determinadas patologias como a demência, fraturas de quadril, acidentes vasculares cerebrais, doenças reumatológicas e deficiências visuais intensificam-se com o efeito da idade avançada, sendo estas condições causadoras de dependência muito frequentes entre idosos. Essas situações têm um efeito de redução nos indivíduos na capacidade de superar os desafios ambientais.
À dependência alia-se a perda de autonomia, existindo uma necessidade em considerar que estamos perante limitações das atividades da vida diária. A dependência traduz-se pela necessidade de uma ajuda indispensável às atividades básicas da vida, não sendo apenas uma incapacidade que cria a noção de dependência, mas uma dualidade entre a incapacitação e a necessidade de auxílio (Areosa et al, 2008). As próprias condições de dependência variam de indivíduo para indivíduo, sendo influenciadas por diversos fatores como a qualidade do cuidado recebido, ou mesmo restrições ambientais que dificultam o seu deslocamento. A dependência dos idosos é, desde logo, associada à “produção/consumo, manutenção ou não da saúde, capacidade/incapacidade física e mental e realização ou não de tarefas domésticas” (Camarano, 2002 citado por Areosa et al, 2008 p. 140).
O apoio social assume-se como um fator crucial para a pessoa idosa se mantenha com alguma autonomia e, acima de tudo, que passe por um envelhecimento satisfatório. Uma vez que, a vida permite que atinja idades longínquas, é importante que seja uma fase onde os efeitos negativos não ultrapassem os positivos. Como Pinazo (2006) citado por Areosa et al (2008) refere as pessoas que participam em redes sociais de forma ativa e que recebem apoio social informal possuem um melhor nível de saúde física e mental. Integra estas fontes de apoio informal a própria família assumindo-se como a maior procedência de apoio ao idoso. Pitaud (1999) citado por Areosa et al (2008) refere que há exigência de trocas recíprocas entre as pessoas, onde as mesmas pensam que “se os meus pais cuidaram de mim quando eu era pequeno, agora eu cuidarei deles”. É importante destacar que, embora o cuidado familiar seja um aspeto relevante, ele não se aplica a todos os idosos. Existem idosos que nem família têm. Muitas instituições sobrelotadas e custos elevados na assistência/permanência hospitalar e institucional traduzem-se
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num prolongamento dos idosos incapacitados em suas casas, sob os cuidados da família ou alguém contratado pela mesma.
Mendes (1995) citado por Caldas (2002) aponta que, em geral, “a decisão de assumir os cuidados é consciente, e os estudos revelam que, embora a designação do cuidador seja informal e decorrente de uma dinâmica, o processo parece obedecer a certas regras refletidas em quatro fatores: parentesco, com frequência maior para os companheiros, antecedendo sempre a presença de algum filho; género, com predominância da mulher; proximidade física, considerando quem vive com a pessoa que requer cuidados; e proximidade afetiva, destacando a relação conjugal e a relação entre pais e filhos.” (p.778)
Subjacente aos cuidados prestados pela família pode estar segundo Caldas (2000) e Harvis & Rabins (1989) citado por Caldas (2002) as necessidades apresentadas pela família que vão desde os aspetos materiais até aos emocionais, passando pela necessidade de informações, sobretudo de como realizar determinados cuidados que podem ser exigidos perante a situação que o idoso atravesse. A prestação de cuidados em casa a idosos é uma situação que deve ser preservada e estimulada (Karsch, 2003), contudo deve-se ter presente que cuidar de um indivíduo idoso e incapacitado 24h sob 24h é uma tarefa complexa, não apenas no que respeita ao aspeto físico, mas particularmente a nível psicológico. Além disso, ainda segundo estes autores é fundamental que exista uma rede de cuidados que permita uma ligação entre a família e os serviços de apoio que garantam qualidade de vida aos próprios cuidadores, sobretudo no que diz respeito ao suporte emocional. Os familiares vivem na presença de sobrecargas físicas, emocionais e socioeconómicas, devendo os profissionais de saúde assumir um papel no acompanhamento e supervisão, de modo a que possam sentir-se seguros a lidar com situações do quotidiano, e sobretudo a lidar com situações emocionais pessoais. Situações essas que englobam “sentimentos de culpa, frustração, raiva, depressão e outros sentimentos que acompanham essa responsabilidade” (Caldas, 1995 p.778). Neste sentido, será fundamental que seja possível ao cuidador familiar de idosos usufruir de certas orientações de como atuar em situações mais difíceis, podendo receber em casa visitas periódicas de profissionais, médicos, pessoal de enfermagem, de fisioterapia e outras modalidades de supervisão e capacitação (Karsch, 2003). A verdade é que poderá assistir-se a uma ausência de determinados apoios e serviços que atendam às necessidades das famílias e a uma carência de política de proteção para o desempenho deste papel, podendo colocar em causa o trabalho realizado pelas famílias.
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Poderá presenciar-se, atualmente, situações onde cuidados praticados por parte da família comecem a desmoronar-se devido a fatores inerentes à vida dos filhos ou familiares próximos que possam ser responsáveis pelo cuidado dos seus entes. Efetivamente, vivia-se, e de certo modo ainda se vive, numa era onde o cuidado prestado aos idosos acaba por ser colocado sob a responsabilidade efetiva da família, especialmente das mulheres. Contudo, ao longo dos anos vem- se assistindo a mudanças a nível tecnológico, aumento de escolarização, a mudanças nas relações de género nomeadamente com a introdução da mulher no mundo do trabalho e à universalização da segurança social (Kreling, 2002, p.370 citado por Areosa et al, 2008), levando a uma substituição da família por instituições (lares, centros de dia) que acolhem os idosos que necessitam de cuidados. Por outro lado, a pobreza de certas famílias é também um fator importante para o não cumprimento dos cuidados aos seus familiares, na medida em que há uma necessidade dos familiares se manterem no mercado de trabalho para a sua sustentabilidade (Caldas, 2002). Em certos casos é o rendimento da própria aposentaria do idoso a sustentar todo o orçamento domiciliar, contudo nem sempre o valor que recebe sustenta tudo o que é necessário, tanto pela insuficiência do valor quanto pelas dificuldades/gastos que a família encontra para deles cuidar. (Caldas, 2002)
Nem sempre a responsabilidade de cuidar do idoso fica a cargo de um familiar, havendo ainda famílias a entregar os seus idosos a instituições (lares, centros de dia e outros congéneres) ou a indivíduos que dedicam a sua vida a cuidar de pessoas idosas sendo remunerados pela própria família. Ambientes pacíficos e cuidados especializados permanentes levam a família a optar por este tipo de cuidados, depositando confiança em pessoas que se dedicam a cuidar de pessoas na última fase da vida, independentemente da circunstância patológica que o idoso atravesse. De forma geral, “tanto nos Estados Unidos, como na Europa, há grandes investimentos das políticas públicas a fim de construir e manter redes de suporte a idosos, ou diretamente, prestando apoio a cuidadores: familiares, voluntários e profissionais” (Karsch, 2003 p.865).