• No results found

4 FATTIGVESENETS STØTTE TIL EMIGRASJONEN

4.3 OMFANGET AV FATTIGSTØTTE TIL UTVANDRING

Território turístico

Trata-se de uma fração de território, da qual empresas turísticas e turistas se apropriam por determinado momento histórico, com o apoio e/ou omissão dos governos, e onde prevalecem as regras (imperium) dos projetos turísticos, suas intenções para o local. Essas regras podem ser: as de um único projeto turístico impostas a um único território; as de um único projeto impostas a vários territórios; as de vários projetos turísticos impostas a vários territórios; as de vários projetos turísticos impostas a um único território.

Um território turístico pode ser composto :

a) pelos atrativos (escolhidos, construídos ou reformulados pelos organizadores do projeto turístico e/ou turistas), que podem ser parcelas e/ou combinações:

i. do meio ecológico; ii. das infra-estruturas;

iii. patrimônio imaterial: cotidiano, festas, tradições, fazeres, enfim, da vida daquela fração do espaço;

b) pelos itinerários que, em alguns casos, podem ser também atrativos turísticos, como no caso das rotas históricas.

c) das demais áreas, que não são atrativos nem itinerários, mas que, de alguma maneira estão sob o comando ou influência, direta ou indireta, dos projetos turísticos. Podem ser, por exemplo, áreas onde se instalam as atividades industriais, agrícolas, que produzem para o turismo, campi universitários, escolas, vilas e pequenas comunidades que forneçam insumos, serviços e mão-de-obra para a indústria turística local.

Na Figura 3, apresenta-se a representação gráfica dos elementos que compõem os territórios turísticos.

Figura 3 - Composição dos territórios turísticos

Elaboração própria

E quais são os limites de um território turístico? Como defini-los? Para tentar responder a essas questões, partiu-se da análise de um exemplo: a realização da Copa Mundial de Futebol de 2014, no Brasil.

Neste evento, doze capitais brasileiras serão sedes de jogos de futebol e deverão se preparar para receber centenas de milhares de turistas. Essa preparação deverá obedecer às regras ditadas pelo Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014, pela FIFA- Federação Internacional de Futebol, pelos patrocinadores, redes de comunicação que compram os direitos de transmissão e determinam até os horários de realização das partidas. Essas capitais transformam-se, assim, em doze territórios turísticos distintos de um único projeto turístico, o Projeto Copa 2014.

As administrações dessas cidades, sempre obedecendo aos princípios e diretrizes ditadas pela organização do evento (as verticalidades, como se verá à frente), por sua vez,

constituirão grupos organizadores e gestores locais que prepararão as localidades segundo um projeto específico, que considere seus pontos fracos e fortes e os interesses locais e regionais.

No entanto, essas cidades têm sob sua área de influência outras localidades que não fazem parte do Projeto Copa 2014, mas passam a ser territórios turísticos desse projeto. Para exemplificar tomou-se o caso particular da cidade de Belo Horizonte, que será um território turístico dentro do Projeto Copa 2014. Sob sua área de influência estão outras localidades, como a histórica Ouro Preto. Muito embora não seja sede de jogos e não faça parte oficial do Projeto Copa 2014, o município certamente terá um incremento do seu fluxo turístico receptivo e sofrerá as conseqüências disto. Assim, terá que promover adequações na sua rede hoteleira, no seu espaço urbano, trânsito, equipamentos públicos, etc. Ouro Preto torna-se, dessa maneira, um novo território turístico sob as regras do Projeto.

O turista que vier `a Copa de 2014, for a Belo Horizonte e visitar Ouro Preto poderá descobrir, nos seus arredores, novos atrativos (cidades, cachoeiras, povoados vizinhos), sob sua área de influência, como, por exemplo, o pequeno Distrito de Antônio Dias ou a vizinha Mariana. Essas localidades, então, passarão a fazer parte, indiretamente, do Projeto Copa 2014.

Desse exemplo pode-se deduzir que:

i. os limites inicialmente determinados pelos projetos para os territórios turísticos podem facilmente se romper;

ii. As fronteiras geopolíticas oficiais necessariamente não são as fronteiras dos territórios turísticos;

iii. As fronteiras podem se redesenhar a cada novo movimento gerado pela implantação dos projetos turísticos, em função das reações inesperadas surgidas nos territórios. Assim, limites de territórios turísticos são contingentes, fluidos, mudam constantemente.

E como o pesquisador deve enfrentar, no exercício da pesquisa, essa imprecisão dos limites dos territórios turísticos?

Identificar as mutações nas fronteiras dos territórios turísticos pode auxiliar no conhecimento do fenômeno da construção das paisagens turísticas naqueles locais. Inúmeras análises podem ser deduzidas dessas observações, dentre elas destacam-se: i) a identificação das forças atuantes nas paisagens e a sua capacidade de alterar as fronteiras dos territórios; ii)

a sustentabilidade, ou não, das paisagens produzidas; iii) os conflitos produzidos nos territórios.

Uma forma que se vislumbra de realizar essa identificação das mudanças nos limites dos territórios turísticos, é, primeiro, conhecer os projetos e como os territórios foram neles demarcados ou definidos e, num segundo momento, em campo, identificar os novos contornos tomados por esses limites previamente estabelecidos.

Lugar

É a parte do território que, obrigatoriamente, resulta das relações afetivas dos homens com o meio, ecológico e/ou técnico, dos homens com os homens, onde se cria uma relação de pertencimento (o homem sentindo-se em casa), uma identidade entre comunidade e sítio. O lugar está na escala do homem, ao alcance dos seus limites. É nele que acontece a história de cada um, que, somada às histórias de tantos outros, ao longo dos tempos, forma a memória coletiva. Neste trabalho, a expressão lugar se referirá sempre aos territórios da vida cotidiana.

No turismo, as relações são sempre provisórias, temporárias, fugazes e têm sempre a regê-las um interesse comercial. Por mais que exista encantamento, identificação, o turista não cria relações afetivas permanentes e gratuitas; se isto vier a ocorrer, ele deixa a condição de turista. O turista não participa continuadamente do cotidiano do lugar (o lugar pede continuidade) e suas relações são sempre provisórias e de fora, como espectador. Assim, entende-se que não se pode empregar a expressão lugar turístico, tão comum na literatura do turismo, pois o turismo não cria lugares. Ou ele se apropria deles ou constrói novos territórios. Ao se apropriar dos lugares, o turismo não impede a vida cotidiana, embora possa modificá- la, e neles continuam a acontecer a vida local e a atividade turística. Dessa maneira, lugares nunca serão, exclusivamente, lugares turísticos.

Contudo, o lugar apropriado pelo turismo será, sempre, um território turístico. E este território turístico pode, inclusive, conter mais de um lugar.

Resumindo:

 Não existe lugar turístico;

 Lugares podem ser, ao mesmo tempo, territórios turísticos;  Territórios turísticos podem conter vários lugares;

Quando o turista visita determinado território turístico, ele espera encontrar ali algo que seja diferente daquilo que ele experimenta no seu cotidiano, “um contraponto aos lugares de trabalho” SILVA (2004, p.27): “paisagens com arquiteturas, cheiros, sabores, paladares e sensações diferentes daquelas que vivencia todos os dias. Mas espera, também, que essas paisagens estejam bem cuidadas, sejam seguras e confortáveis”. Assim, para atender a esse turista, as paisagens turísticas são, na maioria dos casos, objeto de disciplinamentos e controle por parte das autoridades, visando a manter uma alta qualidade paisagística dos territórios e, consequentemente, seu potencial atrator de fluxo turístico receptivo. Em grande parte das vezes essas bem cuidadas paisagens turísticas estão ao lado de paisagens do cotidiano que, muitas vezes, apresentam claros sinais de insustentabilidade ambiental e social.

A identificação de diferenças entre paisagens turísticas e as do cotidiano parece ser uma forma possível de se avaliar o quão autoritários são os projetos turísticos implantados. Entende-se que projetos autoritários geram, quase sempre, paisagens turísticas com meios ecológicos e infraestruturas bem cuidados em contraponto com o descaso com que tratam as paisagens não-turísticas, as do cotidiano.

Dessa relação desigual entre as paisagens turísticas e as do cotidiano quase sempre surgem conflitos, reações locais que podem se traduzir em manifestações isoladas, movimentos organizados, uma “rede de indisciplina”, como nos ensinou Cearteau, ou uma “preocupação obsessiva identitária”, citando Claval. Assim, para se conhecer a construção das paisagens turísticas e sua relação com as outras paisagens é preciso que se investigue os conflitos que nelas ocorrem.

Territórios turísticos sem lugares

Os equipamentos construídos exclusivamente para o turismo - hotéis, cidades temáticas, balneários, resorts - não constituem lugares, como já se disse anteriormente. Tudo ali existe para o turista, mas ali não é o lugar dele, nem daqueles que ali trabalham. O lugar do turista é aquele de onde partiu e para onde regressará, obrigatoriamente, enquanto estiver nesta condição. Não se quer dizer, com isto, que nesses territórios turísticos não aconteçam relações afetivas. Elas certamente existem, mas não são contínuas o suficiente para se criar a sensação de pertencimento, de identidade entre fruidor e o local, condição indispensável para caracterizar um lugar. Define-se esses territórios como territórios turísticos sem lugares.

a) atrativos construídos ou revitalizados pelos organizadores do projeto turístico que são, exclusivamente turísticos;

b) itinerários que apenas fazem a articulação dos atrativos de um mesmo território turístico sem lugar ou, até mesmo entre territórios turísticos diferentes.

Entende-se que identificar a existência de territórios turísticos sem lugar, é uma das possibilidades de se avaliar o grau de verticalidade dos projetos turísticos e a sustentabilidade, ou não, das paisagens criadas por eles.