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5.4 HENSIKTEN MED STØTTEN TIL EMIGRASJON
O turismo é definido pela Organização Mundial do Turismo (OMT) como sendo o conjunto das “atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares
diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras” (OMT, 2001, p.38).
Essa atividade tem crescido em escala regional e, sobretudo, internacional. E para continuar a expandir-se, a atividade turística necessita aumentar a “produção de bens (infra- estrutura, construções, alimentos e produtos diversos) e serviços (transportes, hospedagem, alimentação, etc.) que se integram para o consumo final” (FALCÃO, 1996, p. 65).
O destino turístico, abrindo-se ao uso de consumidores privilegiados, turistas e/ou empresas, transforma-se em um espaço mercadoria. Rodrigues (1996) considera que “o espaço do/ou para o turismo constitui uma mercadoria complexa, pois ele mesmo é uma mercadoria. Trata-se da natureza, ou da produção social, incorporada em outra mercadoria.” (RODRIGUES, 1996, p. 56).
E afinal, o que é uma mercadoria? Paul Singer, de uma forma clara e didática responde:
Produção é tudo: desde o que a dona de casa faz na casa dela até o que o presidente da República faz lá no Palácio do Planalto. Agora, só uma faixa dessa produção se traduz em mercadorias que podem ser tanto bens (materiais) como serviços (imateriais) [...] Então vamos deixar bem clara uma coisa: a forma do produto não tem importância, a mercadoria é um fenômeno social, não natural. Uma mamadeira que a mãe prepara é uma coisa muito material e, no entanto, não é mercadoria, ela não vai cobrá-la do bebê. Um quartel ou uma cadeia é uma coisa muito sólida e, no entanto, não é uma mercadoria: ninguém vai vender ao preso os dias de hospedagem na cadeia. Então, mercadoria é um produto do trabalho humano que é colocado à venda. Essa é a definição de mercadoria (SINGER, 2006, p 33 e 34).
A definição de Singer permite qualificar qualquer produção humana que se coloque ao consumo, mediante pagamento, como é o caso da grande maioria das atividades que ocorrem nos destinos turísticos, como mercadoria. Assim, ao contrário do que afirmam alguns autores, não é inadequado o uso da expressão “cidade como mercadoria” para designar o processo de transformação das localidades em um produto turístico, porque as cidades turísticas, produto do trabalho humano, são colocadas à venda pelos projetos turísticos.
E para transformar as localidades em mercadorias, chamadas pela literatura do turismo de destinos turísticos, os projetos turísticos seguem quatro passos, sistematizados no Modelo
Figura 9- Modelo de criação de destinos turísticos
Elaboração própria
O Modelo procura organizar as ações de criação dos projetos turísticos em 4 passos, os três primeiros obrigatórios, e o último, o da Renovação dos Destinos Turísticos, aplicados só quando esgotadas as capacidades de carga dos destinos ou quando se deseja a sua renovação.
a) Passo 1: Seleção dos recursos turísticos Os projetos turísticos identificam, nos territórios, os recursos potencialmente capazes de serem transformados em mercadorias.
Na definição de Morales Matos (apud GÂNDARA, 2004, p. 78) os recursos turísticos são “tanto el conjunto de elementos emanados de la naturaleza (componentes naturales), como aquellos desarrolados a lo largo del tiempo por el hombre (patrimonio cultural), capaces de atraer y impulsar actividades, instalaciones y flujos turísticos”. Assim, podem ser qualquer componente do sistema de objetos ou do sistema de ações que interessa às empresas turísticas.
Do sistema de ações, constituem recursos as tradições, festas, manifestações culturais ou modo de vida das populações locais, pois “formas, estilos e temas podem ser usados para criar várias impressões globais relacionadas com o espaço” (SCHMITT; SIMONSON, 2002, p. 191).
A seleção dos recursos turísticos é feita pelos autores dos projetos turísticos. O importante para a indústria do turismo é que os recursos selecionados ou criados, para se transformarem em mercadorias, sejam únicos, raros, pois os turistas querem ver um objeto ímpar (URRY, 2000). Quando eles não existem, cuida o turismo de inventá-los, como foi visto no Capítulo 1.
Contudo, um recurso turístico, por si só, ainda não é capaz de atrair turistas e negócios e gerar a renda desejada pelas empresas e governos. Para isto ocorrer, eles precisam, primeiro, transformarem-se em produtos turísticos.
b) Passo 2 – A transformação dos recursos turísticos em produtos turísticos: Os produtos turísticos são recursos turísticos que sofreram a ação de seleção, apropriação e dominação por parte do projeto turístico. Essa seleção, incluídas aí os novos atrativos criados, delimita, nos territórios, áreas que se transformarão em territórios turísticos, sem, contudo, transformá-los, ainda, em destino turístico.
Os produtos turísticos são, assim, frações funcionais do território, da qual empresas turísticas se apropriam por determinado momento histórico, com o apoio e/ou omissão dos governos, e onde prevalecem as regras (imperium) dos projetos turísticos, suas intenções para o local. Essas regras podem ser: as de um único projeto turístico impostas a um único território; as de um único projeto impostas a vários territórios; as de vários projetos turísticos impostas a vários territórios; as de vários projetos turísticos impostas a um único território.
Os produtos turísticos ainda não têm força de atração de turistas e negócios. São apenas potenciais atrativos. Para transformá-los em destinos turísticos, ou seja, mercadorias, é preciso ocorrer o terceiro passo.
c) Passo 3 – A transformação dos produtos turísticos em destinos turísticos: De acordo com a Organização Mundial do Turismo, destino turístico “é o lugar para onde tem de se deslocar a demanda a fim de consumir o recurso turístico” (OMT, 2001, p.47). Segundo a mesma Organização, eles são classificados em função de suas dimensões físico- territoriais, podendo ser “um núcleo turístico (exemplo, um parque temático), uma zona turística (Costa do Sol), um município turístico (Benidorm) ou região (Canárias)” (OMT, 2001, p.47).
Os recursos turísticos tornam-se destinos através dos discursos. São as estratégias de comunicação que tratam de promover esses novos cenários criados: “o espaço criado é reforçado pela mídia que gera e alimenta o processo fantasioso” (RODRIGUES, 1996, p.26).
Quando os destinos turísticos têm esgotada a sua capacidade de atração de investimentos e turistas, os macroatores optam pelo seu simples abandono e busca de um novo espaço ou investem no processo de renovação e/ou ampliação dos seus recursos.
d) Passo 4 – Renovação e/ou ampliação dos destinos turísticos: Essa etapa só ocorre quando se esgota a capacidade de carga de determinado destino ou, então, quando se quer torná-lo mais atrativo. Aí, os projetos turísticos empregam estratégias de renovação, revitalizando áreas, ou de ampliação, construindo novos atrativos.
Um exemplo de renovação e ampliação constante do destino turístico é o da cidade de Barcelona. De acordo com Bessa (2006, p.71), em 1859 a localidade implanta seu primeiro grande projeto de intervenção urbanística e paisagística, elaborado por Idelfonso Cerdà, que tinha o propósito de preparar a cidade para ser a “Capital Cultural da Europa”. Isso de fato ocorreu: depois das intervenções de Cerdà, Barcelona passou a ser palco de grandes eventos tais como as duas Exposições Mundiais, a de 1888 e a de 1929. A partir daí, novos planos foram colocados em prática, sempre com o propósito principal de criar uma imagem de modernidade para a cidade e, consequentemente, facilitar a atração de novos negócios, turistas e eventos emblemáticos.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Cidade sofre novas transformações, como parte do projeto do ditador Franco de transformar a Espanha em um centro receptor do turismo. Na década de 1980, um conjunto de intervenções prepara a Cidade para sediar a Copa do Mundo de 1982 e os Jogos Olímpicos de 1992.
Atualmente, o destino turístico continua a buscar a sua renovação e ampliação: um projeto urbanístico e paisagístico, denominado 22@, está transformando uma grande
ocupação industrial deteriorada em uma unidade renovada dedicada às tecnologias de informação e de comunicações (PHILLIPS, 2004; SIRKIS, 2005).
A literatura aponta a constante renovação e ampliação dos recursos turísticos também nas cidades de Londres (GAMA, 2003), Paris (CHOAY, 1996), Lisboa (SANCHEZ, 1999), Hong-Kong, Frankfurt, Bilbao (PINTO, 2001), Sidney (HALL, 2003; PINTO, 2001), Gênova (HAIDINGER, 2004), Berlim (CENCIC, 2004), Xangai (VARELA, 2003), Madrid (JARDIM, 2002), Cingapura (MOURA, 2004), Auckland (PIPA, 2003, p.147), Dubai (NEVE, 2005), Cidade do Cabo (DODSON; KILIAN, 2003).
O Modelo aqui apresentado serviu como roteiro para que se analisasse a criação do Projeto Estrada Real.