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7.5 HOLDNINGER TIL FATTIGSTØTTE TIL UTVANDRING I NORGE

1860, quando começou a entrar em declínio “face à descoberta das minas do Cabo, na África do Sul, e as conseqüências da guerra Franco-Prussiana que afetaram o mercado na Europa. Coincidindo com o ano de 1870, o diamante encontrou os mais baixos preços nos mercados internacionais” (SOUZA, 1991, p.164).

Essa crise dos diamantes fez com que a região despertasse para novas alternativas econômicas, aproveitando a acumulação de capital produzida pela mineração (MARTINS, 2000; SOUZA, 1991). Serro e Diamantina escolheram alternativas diferentes. À primeira localidade pareceu mais indicado promover a agricultura e, assim, se especializou em abastecer o crescente mercado regional, ocupando, gradativamente, no campo, a mão-de-obra que se tornara ociosa com o declínio da mineração (SOUZA, 1991). Já Diamantina, que em função da má qualidade de suas terras esteve “impossibilitada de participar de atividades agrícolas, a não ser com tecnologias mais avançadas, acolhe a vanguarda liberal do Serro” (SOUZA, 1991, p.162), e, optando desvincular-se da ordem oligárquica, buscou no desenvolvimento industrial uma alternativa ao declínio da mineração. Assim, Diamantina acomodou sua economia em atividades de indústria e comércio (SOUZA, 1991).

Para Souza (1991), o despertar de Diamantina para a indústria não se resumiu a um mero surto industrial. Elaborou-se um verdadeiro programa de industrialização do Norte Mineiro. Primeiro veio a indústria de lapidação de pedras, depois a siderurgia e a metalurgia, a indústria têxtil, de couros, cervejas, vinhos, chapéus, além de oficinas de sapateiros, cigarros, fogueteiros e ourives (SOUZA, 1991). A produção de vinho em Diamantina era significativa (MARTINS, 2000).

Diamantina comparece, inclusive, nas exposições mundiais em Londres, Filadélfia- Colúmbia e Paris (SOUZA, 1991), e com isto atraiu capitais internacionais, provocando a instalação na região de empresas estrangeiras. Em 1909, havia 15 empresas de mineração estrangeiras operando em Diamantina (MARTINS, 2000).

A abolição da escravatura e a proclamação da República provocaram um esvaziamento dos centros urbanos da região. A taxa de crescimento de Diamantina e Serro caiu bruscamente. A região cafeeira do país atraía a população escrava desde a década de 1870 e, no período pós-abolição, leva contingentes expressivos de libertos. O recrutamento militar22 leva outra parte considerável deles e, finalmente, as obras da estrada de ferro, assunto visto à frente, e a construção da nova capital de Minas, Belo Horizonte, inaugurada em 1898, se encarregam de outra parte considerável da mão-de-obra liberta (SOUZA, 1991).

Essa situação provocou, além da mecanização das atividades industriais, a inserção da mulher no mercado de trabalho, situação exemplarmente ilustrada pela fábrica de tecidos de Biribiri.

Fundada pelo bispo de Diamantina, Dom João Antônio dos Santos, a tecelagem de Biribiri era mais do que uma indústria que buscava lucros. A maioria dos operários eram mulheres e “seu objetivo maior era o de moralizar as relações, preservando as moças das tentações através da educação pelo trabalho” (SOUZA, 1991, p.184). O bispo passou a residir em suas instalações e uma governanta cuidava da disciplina: “ali não havia espaço para a individualidade: do convento - dormitório – para o refeitório, do refeitório para a fábrica, da fábrica para a igrejinha, da igrejinha para o largo, as moças andam em grupos, de braços dados” (SOUZA, 1991, p.184). Biribiri tinha escola, grupos de teatro, coro musical, refeitório, capela e oficinas. Era ponto de atração da população, que para lá se deslocava nos fins de semana para fruir um novo espaço. “Terá profunda influência sobre a organização do trabalho até no distante Triângulo Mineiro” (SOUZA, 1991, p.185).

As tecelagens da região utilizavam como matéria-prima, principalmente, o algodão plantado no Serro e no restante do Vale do Jequitinhonha. Seu mercado principal era o regional, vendendo para o norte de Minas e Belo Horizonte, que era alcançada pelos rios das Velhas e São Francisco. Diamantina consolidava-se, desta maneira, como um pólo industrial e comercial regional, sendo chamada de “Grande Empório do Norte” (MARTINS, 2000).

Para garantir o escoamento da produção local, as elites de Diamantina e Serro lutaram pela construção de uma ferrovia. Estabeleceu-se uma disputa entre as duas cidades para que a ferrovia passasse por suas terras. Diamantina vence a disputa e Serro, preterida, vai buscar na pecuária, “com conseqüências para a concentração da propriedade fundiária” (SOUZA, 1991, p.216), a saída para a sua sobrevivência.

Com a implantação da ferrovia entre Belo Horizonte e Diamantina, em 1914, a região que ficava no entorno do antigo caminho Vila do Príncipe – Tijuco, como é o caso dos dois distritos estudados, cai no esquecimento e abandono (ARNDT, 2007)

Mais tarde, na década de 1950, todo o Norte Mineiro começa a ter a sua economia afetada pela construção de três rodovias federais, que passaram a alcançar “os vales dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Doce”, e “solaparam a primazia de entreposto comercial que possuía a cidade de Diamantina” (MARTINS, 2000, p. 296). Essas rodovias foram: a BR-116, ligando Jaguarão (RS) a Fortaleza (CE); a Rio-Bahia, “que ofereceu à região de Teófilo Otoni uma via de ligação com o leste de Minas Gerais e com o Rio de Janeiro” (MARTINS, 2000, p.296); e a BR 367, ligando Diamantina a Salto da Divisa, que cria “uma alternativa mais rápida e barata de escoamento para os municípios do Médio Jequitinhonha”23 (MARTINS, 2000,

p.296).

Estas rodovias provocaram a abertura do norte e nordeste de Minas Gerais para os mercados do Rio de Janeiro e São Paulo. Desta maneira, as indústrias de Diamantina e região tiveram que enfrentar a concorrência dos produtos importados destes Estados. “Esse foi um golpe muito duro para a economia da região do Alto Jequitinhonha, pois a indústria e o comércio locais dependiam, para sua expansão, de um mercado protegido” (MARTINS, 2000, 296). Em função disto, muitas indústrias fecharam suas portas, dentre elas as tradicionais fábricas de tecidos de Biribiri, Santa Bárbara e Perpétua (MARTINS, 2000).

Além da instalação das rodovias, a ordem política nacional vigente contribuiu para o declínio da região. Na chamada Era Vargas, “os canais políticos tradicionais de representação e decisão – os parlamentos -, foram substituídos por mecanismos de representação corporativa e por círculos de tecnoburocratas. As elites nortemineiras estavam despreparadas para esse novo cenário” (MARTINS, 2000, p. 302).

23 O Vale do Jequitinhonha é dividido em três regiões: Alto do Jequitinhonha, na nascente do rio Jequitinhonha,

onde situam-se os nossos objetos de estudo, o Médio Jequitinhonha e o Baixo Jequitinhonha, onde encontra-se a foz do rio, no litoral baiano.

A perda de substância política condenou o Alto Jequitinhonha a permanecer fora dos planos de modernização da economia mineira produzidos nos anos 40, 50 e 60, seja no âmbito estadual ou federal. O Vale do Jequitinhonha, e dentro dele Diamantina, ficou relegado à condição de área economicamente deprimida e reservatório de mão-de-obra para o esforço de modernização econômica do centro de Minas Gerais (MARTINS, 2000, p.302).

Inseridos neste contexto de estagnação econômica e perda de poder político, os Distritos de Milho Verde e São Gonçalo buscaram alternativas distintas para superar a decadência de seus territórios, produzindo paisagens históricas marcadamente diferenciadas, como se procurou demonstrar à frente.

4.1.4 Surgimento e evolução das paisagens de Milho Verde.