livsbetingelser: Utdanning og utdanning til
4.6. Utdanning i perspektiv
4.6.4. Om «saksforholdet» – kunnskap
Teoria dos prospectos prediz que o valor atribuído às expectativas futuras, como aquelas decorrentes de loterias, é baseado em mudanças que ele provoca sobre a riqueza inicial, ou seja, se essa mudança resultou em um ganho ou uma perda, em vez de se basear no valor absoluto da riqueza final (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979).
Assim, por exemplo, o valor atribuído a uma riqueza final de $ 1.000, dependerá do fato de a riqueza inicial ser $ 950, implicando um ganho de $ 50, ou de ser essa riqueza inicial $1.050, refletindo uma perda de $ 50 (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979). Em termos dos elementos do plano de remuneração gerencial, o valor atribuído a uma remuneração a ser recebida com uma defasagem temporal de três meses, dependerá do fato de a remuneração inicial ser recebida imediatamente, representando uma perda postergá-la por três meses, ou de ser essa remuneração inicial recebida com uma defasagem temporal de seis meses, implicando um ganho pela antecipação em três meses (Figura 8) (ver p. ex. SHELLEY; OMER, 1996).
Figura 8 – Postergação vs. antecipação do momento de recebimento da remuneração
Teoria dos prospectos possui quatro principais características: (i) domínio de referência, (ii) aversão à perda, (iii) sensibilidade decrescente e (iv) ponderação das probabilidades (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979; 1984; TVERSKY; KAHNEMAN, 1991; 1992).
Domínio de referência significa que a função de valor de um indivíduo é definida em termos
de desvios do ponto de referência (Figura 9) (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979), de forma que os indivíduos, provavelmente, representarão opções de consumo futuro como ganhos ou perdas quanto aos desvios em relação a esse ponto de referência (LOEWENSTEIN, 1988). Por exemplo, os indivíduos representarão a postergação da data de recebimento de um vídeo cassete, que se esperava receber imediatamente, como uma perda, enquanto que representarão a antecipação da data de recebimento do mesmo produto, que se esperava receber em algum momento no futuro, como um ganho (LOEWENSTEIN, 1988).
Figura 9 – Domínio de referência Fonte: Kahneman e Tversky (1984)
Tempo Momento atual de recebimento da remuneração t2 t3 t4 t5 t6 t1 Postergação do momento de recebimento t7 Tempo Momento atual de recebimento da remuneração t2 t3 t4 t5 t6 t1 Antecipação do momento de recebimento t7 Perda Ganho Tempo Momento atual de recebimento da remuneração t2 t3 t4 t5 t6 t1 Postergação do momento de recebimento t7Tempo Momento atual de recebimento da remuneração t2 t3 t4 t5 t6 t1 Postergação do momento de recebimento t7 Tempo Momento atual de recebimento da remuneração t2 t3 t4 t5 t6 t1 Antecipação do momento de recebimento t7Tempo Momento atual de recebimento da remuneração t2 t3 t4 t5 t6 t1 Antecipação do momento de recebimento t7 Perda Ganho Ganhos Perdas Valor Ganhos Perdas Valor
De modo semelhante, os gestores poderão representar a postergação da data de recebimento de um incentivo financeiro, que se esperava receber imediatamente, como uma perda, enquanto que poderão representar a antecipação da data de recebimento do mesmo incentivo financeiro, que se esperava receber em algum momento no futuro, como um ganho. O ponto de referência geralmente corresponde à posição atual do tomador de decisão ou ao nível de consumo passado – sua situação atual (status quo); mas o ponto de referência pode ser também influenciado por aspirações, expectativas, normas e comparações sociais – p. e.x consumo de outra pessoa ou do grupo (KAHNEMAN; TVERSKY, 1991; LOEWENSTEIN, 1988).
A segunda principal característica da teoria dos prospectos é aversão à perda. Significa que mudanças no bem-estar, implicando perdas, têm um impacto superior àquelas mudanças significando ganhos (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979; THALER et al, 1997), conforme comentado no tópico anterior. Aversão à perda também implica que a utilidade em se antecipar uma remuneração é menor do que a utilidade em se postergar outra de mesmo valor (SHELLEY; OMER, 1996). Aversão à perda favorece o efeito de manutenção do patrimônio atual (endowment effect), ou seja, dá forças à relutância que as pessoas têm em dispensar ativos que pertençam ao seu patrimônio atual e, desse modo, ao viés em se reter a situação atual (KAHNEMAN; TVERSKY, 1984).
Assim, o maior preço que um indivíduo estaria disposto a pagar para adquirir um bem será menor que o valor mínimo que induziria o mesmo indivíduo a abrir mão daquele bem, uma vez que o tivesse adquirido (THALER, 1980). Tem-se ainda que, em decorrência do efeito de manutenção do patrimônio atual, a maior remuneração que um gestor estaria disposto a receber para realizar uma tarefa será menor que a remuneração mínima que induziria esse mesmo gestor a postergar aquela remuneração, uma vez que tivesse direito a ela.
A terceira principal característica da teoria dos prospectos é a sensibilidade decrescente em que o impacto decorrente do desvio de uma escolha é atenuado, quando ambas as opções em jogo são remotas em relação ao ponto de referência para a dimensão relevante (TVERSKY; KAHNEMAN, 1991). Por exemplo, a diferença entre um salário anual de $ 60.000 e um salário anual de $ 70.000 tem um impacto maior quando o salário atual é $ 50.000 do que quando ele é $ 40.000 (TVERSKY; KAHNEMAN, 1991). De modo semelhante,
sensibilidade decrescente implica que a diferença entre o recebimento de um incentivo financeiro seis meses depois de ter sido gerado o direito de recebê-lo e um ano depois desse direito ter sido gerado tem um impacto maior, quando o recebimento atual do incentivo financeiro ocorre três meses depois do direito ter sido gerado do que quando o recebimento ocorre imediatamente depois da geração desse direito.
Além disso, tem-se que, se os gestores estiverem acostumados a receber remuneração imediata, a postergação de remuneração, associada com tarefas que afetam resultados de longo-prazo, teria menor impacto do que daquela associada com tarefas que afetam resultados de curto-prazo, visto que o efeito temporal dos resultados de longo-prazo decorrentes das tarefas e do seu momento da remuneração está distante da dimensão relevante ou do ponto de referência que, nesse caso, seria representado pela remuneração imediata (SHELLEY, 1994). Desse modo, os indivíduos são mais sensíveis a mudanças que ocorrem próximas de sua situação atual do que àquelas que são remotas em relação ao ponto de referência (TVERSKY; KAHNEMAN, 1991).
A quarta principal característica é ponderação de probabilidades. Espera-se que a função de valor de um indivíduo aumente, quando estiver próxima à certeza de obtenção de resultados, de forma que pequenos desvios em relação a essa situação de certeza têm uma grande influência sobre as decisões (WEBER; CHAPMAN, 2005). A ponderação de probabilidades está relacionada com o efeito da certeza (certainty effect) em que as pessoas atribuem maior peso aos resultados considerados como certos em relação àqueles considerados meramente prováveis (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979). Por exemplo, os indivíduos preferem receber um prêmio de $ 450 com 100% de certeza do que receber um prêmio de $ 1.000 com 50% de chance (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979).
Tem-se ainda que os indivíduos prefiram receber sua remuneração imediatamente, ainda que menor, do que postergá-la, na medida em que quanto maior a defasagem temporal entre uma ação e seu resultado, maior o risco associado com a obtenção desse resultado (PRELEC; LOEWENSTEIN, 1991). Assume-se que o efeito da certeza e a ponderação de probabilidades contribuem para a aversão ao risco para um ganho que é certo em comparação a um ganho relativamente maior, mas que é apenas provável; enquanto que o mesmo efeito provoca a procura pelo risco para perdas que são apenas prováveis em comparação a uma perda relativamente menor, mas que é certa (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979).
Além disso, a função de valor de um indivíduo também aumenta próximo à incerteza absoluta, de forma que pequenas probabilidades recebem elevada ponderação em comparação com altas e moderadas probabilidades (LANGER; WEBER, 2005). Assume-se que a elevada ponderação de pequenas probabilidades contribui para a preferência em se procurar o risco, quando um ganho é improvável em comparação a outro provável; enquanto que o mesmo efeito provoca uma preferência por aversão ao risco para perdas que são meramente prováveis em comparação com aquelas que são improváveis (KAHNEMAN; TVERSKY, 1984).
Os pressupostos da teoria dos prospectos têm importantes implicações para o entendimento do efeito de elementos do sistema de remuneração gerencial sobre o comportamento dos gestores, especificamente, quando se fala do efeito do momento de recebimento da remuneração. Assim, quando se estabelece que as decisões sejam tomadas em termos de ganhos e perdas em relação ao ponto de referência, tem-se que, se esse ponto de referência de um gestor for o recebimento imediato de sua remuneração, o gestor perceberá como perda a postergação dessa remuneração; por outro lado, se o ponto de referência for o recebimento postergado, a percepção será de um ganho pela antecipação da remuneração (SHELLEY; OMER, 1996).
Além disso, diante da aversão à perda e da tendência em manter o patrimônio atual, a remuneração que um gestor estaria disposto a receber para postergar uma remuneração que ele esperava receber imediatamente é maior do que aquela que ele receberia se fosse mantida a sua situação atual (SHELLEY, 1994). Tem-se ainda que esses efeitos podem depender do tipo de tarefa desempenhada pelo gestor ou, mais precisamente, do momento em que essas tarefas exercem impacto no resultado financeiro da empresa. Tal expectativa decorre do pressuposto de sensibilidade decrescente em que, se o ponto de referência de um gestor for o recebimento imediato de remuneração, postergar remuneração associada com tarefas cujo efeito financeiro é de longo-prazo teria menor impacto do que a postergação de remuneração associada com tarefas com efeitos de curto-prazo (SHELLEY, 1994). Em decorrência da ponderação de probabilidades, tem-se ainda que os gestores prefiram receber sua remuneração imediatamente, ainda que menor, do que postergá-la.
Adicionalmente, na medida em que a postergação de remuneração, que os gestores estão psicologicamente ajustados a receber imediatamente, diminui a atratividade dos ganhos e a
aversão às perdas, resultando em aversão ao risco para os ganhos e procura pelo risco para as perdas (LANGER; WEBER, 2005); tem-se que os gestores farão escolhas mais arriscadas, tal como dedicar esforço às tarefas que afetem resultados de longo-prazo, quando a remuneração for postergada, implicando perdas, do que quando ela for imediata, mantendo a situação atual (SHELLEY, 1994; KUHN; YOCKEY, 2003).
Apesar das potenciais contribuições dos pressupostos da teoria dos prospectos para o entendimento do efeito dos elementos do sistema de remuneração gerencial sobre o comportamento dos gestores, poucos estudos em contabilidade têm explorado esse direcionamento de pesquisa. De fato, a maior parte das evidências – tendo por base essa perspectiva teórica – prediz como a estrutura de decisões, com diferentes perfis de risco, afeta o interesse em investir ou em aceitar prospectos, com o foco em apostas. Dentre os poucos estudos em contabilidade gerencial que exploram teoria dos prospectos, tem-se que Luft (1994) encontra evidências de que a estrutura de apresentação de um contrato de incentivos, se percebido como um bônus ou uma penalidade, afeta o comportamento dos gestores, de modo que eles preferem contratos descritos como bônus, preferência que se acentua com a passagem do tempo. No contexto brasileiro, destaca-se o estudo de Cardoso et al (2008) que avalia a validade dos pressupostos da teoria dos prospectos, por meio de um experimento, aplicado a dois grupos de indivíduos: com e sem experiência profissional em tomada de decisões a partir de informações contábeis.
Tem-se também um estudo que explora os pressupostos da teoria dos prospectos em termos do momento de recebimento da remuneração e OTG. Shelley e Omer (1996) desenvolvem um experimento em que constatam a tendência de os gestores não realizarem um investimento cujo efeito financeiro implicará na postergação de bônus que esperavam receber imediatamente. Entretanto, Shelley e Omer (1996) incluem apenas uma tarefa que afeta resultados de longo-prazo e não permitem o entendimento de como o momento de recebimento da remuneração afetaria a alocação de esforços às tarefas com consequências financeiras de curto-prazo. Além disso, esse estudo não separa o efeito do período de avaliação daquele decorrente do momento de recebimento da remuneração, não estando claro se a resistência em realizar o investimento que resultará na postergação de remuneração se deve à interação entre esses dois elementos do sistema de remuneração gerencial ou apenas a um deles.
Portanto, as contribuições decorrentes da teoria dos prospectos podem ser úteis para explicar os efeitos do momento de recebimento da remuneração sobre OTG. Com base nos pressupostos da teoria dos prospectos, seria possível esperar que remuneração imediata intensifique os efeitos do período de avaliação – o ponto de referência – tendo em conta que nenhum desvio temporal estará sendo proposto, enquanto que remuneração postergada provavelmente será estruturada como perdas, na medida em que provoca desvios em relação ao período de avaliação. Pesquisa adicional torna-se então necessária para se investigar tais expectativas e seus efeitos sobre OTG.