livsbetingelser: Utdanning og utdanning til
4.6. Utdanning i perspektiv
4.6.1. Anvendelse av Skjervheims begrep
Baseada em dois fatores, aversão à perda e período de avaliação, a perspectiva de aversão míope à perda prediz que, na presença de aversão à perda, os indivíduos serão mais propensos a assumir riscos, se seu desempenho for avaliado com menos frequência; de outro modo, se um período de avaliação de desempenho de curto-prazo for utilizado, eles estarão menos propensos a assumir riscos (BERNARTZI; THALER, 1995).
O primeiro fator, aversão à perda, significa que mudanças no bem-estar de um indivíduo implicando a perda de certa quantia de dinheiro parecem receber maior peso do que o prazer associado com o ganho do mesmo montante (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979). Por exemplo, aversão à perda implica que a utilidade em se perder $50 é maior do que a utilidade em se ganhar $50 (THALER et al, 1997). Aversão à perda também implica que a utilidade em se antecipar uma remuneração é menor do que a utilidade em se postergar outra de mesmo valor (SHELLEY; OMER, 1996).
O segundo fator, período de avaliação, é uma das principais estratégias de controle mental em que os indivíduos se engajam para codificar e avaliar resultados financeiros, além de servir como mecanismo de controle de comportamento, atuando de forma bastante semelhante aos sistemas de controle gerencial em um ambiente organizacional (BERNARTZI; THALER, 1995; THALER et al, 1997). Um período de avaliação de curto-prazo ou um em que os relatórios de desempenho sejam avaliados com mais frequência induziria os indivíduos a escolhas de curto-prazo, o que é explicado pelo uso de uma estrutura restrita em que cada decisão é considerada como se fosse única, sendo desmembrados os componentes que as alternativas compartilham e enfatizados os componentes que as distinguem (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979; THALER et al, 1997).
Assim, por exemplo, em um jogo de dois estágios em que, ao final do segundo, os indivíduos tenham que escolher entre prêmios com diferentes perfis de risco, a probabilidade de passar do primeiro para o segundo estágio é ignorada, desde que ela seja a mesma para todos os prêmios, de modo que a escolha seja baseada apenas no perfil de risco associado ao segundo estágio (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979). De modo equivalente, se um gestor pudesse escolher entre dois planos de remuneração, um em que ele seria avaliado mensalmente com base em um indicador contábil (p. ex., lucro contábil), e outro em que a avaliação seria
trimestral, também com base em um indicador contábil, desde que o indicador de desempenho fosse o mesmo em ambos os casos, esse gestor fundamentaria sua escolha com base no período de avaliação que diferencia os planos de remuneração (Figura 5).
Figura 5 – Período de avaliação: curto-prazo x longo-prazo
Aversão míope à perda tem sido comumente aplicada ao que se tem denominado de equity premium puzzle, isto é, à dificuldade em se explicar por qual razão opção de ações tem obtido desempenho superior a títulos com taxa livre de risco, ao longo dos anos, uma vez que teorias econômicas normativas assumem que os indivíduos são adversos ao risco (ver MEHRA; PRESCOTT, 1985). Bernartzi e Thaler (1995) atribuem essa inconsistência à combinação de aversão à perda com o período de avaliação, em que quanto mais de longo-prazo é o período de avaliação, menor é o prêmio por investimento em ações que os investidores exigirão para compensar o risco associado com ações. Posto de outra maneira, um investidor adverso à perda somente não estaria interessado em assumir o risco associado com um investimento em ações se o desempenho desse investimento fosse avaliado frequentemente (BERNARTZI E THALER, 1995).
Outros estudos seguem-se ao de Bernatzi e Thaler (1995) e também validam a presença de aversão míope à perda diante de diferentes cenários e diferentes tipos de decisão (GNEEZY; POTTERS, 1997; THALER et al, 1997, BERNARTZI; THALER, 1999; GNEEZY et al, 2003; BELLEMARE et al, 2005; SUTTER, 2007).
Alocação de Esforço
Tempo
Período de Avaliação de Curto-Prazo
Efeito no Lucro
Alocação de Esforço
Tempo
Período de Avaliação de Longo-Prazo Efeito no Lucro Orientação Temporal de Curto-Prazo Orientação Temporal de Longo-Prazo Alocação de Esforço Tempo
Período de Avaliação de Curto-Prazo
Efeito no Lucro
Alocação de Esforço
Tempo
Período de Avaliação de Longo-Prazo Efeito no Lucro Orientação Temporal de Curto-Prazo Orientação Temporal de Longo-Prazo
Gneezy e Potters (1997), por exemplo, oferecem evidência da presença de aversão míope à perda em um estudo experimental em que os indivíduos fazem uma sequência de decisões de risco. Eles manipulam o período de avaliação de resultados financeiros: alta frequência (escolhas para cada período) e baixa frequência (escolhas para blocos de três períodos). Os indivíduos são confrontados com uma sequência de doze escolhas independentes, embora idênticas, em que a probabilidade de perda do montante apostado é de 2/3 e a probabilidade de ganho de duas vezes e meia o montante apostado é de 1/3. Se aversão míope à perda estiver presente, a expectativa é de que os indivíduos com baixa frequência de avaliação apostem mais dinheiro ao longo das escolhas do que os indivíduos com alta frequência de avaliação, o que é confirmado pelos resultados.
Há outros estudos que buscam separar o efeito decorrente do período de avaliação e da flexibilidade de investimento (binding) sobre as decisões de investimento (Figura 6), ou seja, se o investidor tem que tomar sua decisão de investimento em períodos futuros no início do primeiro período (baixa flexibilidade) ou se ele pode tomar sua decisão de investimento em períodos futuros no início de cada período (alta flexibilidade).
Figura 6 – Período de avaliação e flexibilidade de investimento
Bellemare et al (2005), por exemplo, constatam, no experimento por eles desenvolvido, que a presença de aversão míope ao risco pode ser explicada apenas pela frequência da informação de desempenho. Entretanto, Langer e Weber (2003) apresentam resultados divergentes e
X Decisão de
Investimento t1 Tempo
Período de Avaliação: Curto-Prazo x Longo-Prazo Decisão de Investimento t2 Decisão de Investimento t3 Decisão de Investimento t4 Decisão de Investimento t1-t4 Tempo
Período de Avaliação: Curto-Prazo x Longo-Prazo
t2 t3 t4
X Decisão de
Investimento t1 Tempo
Período de Avaliação: Curto-Prazo x Longo-Prazo Decisão de Investimento t2 Decisão de Investimento t3 Decisão de Investimento t4 Decisão de Investimento t1-t4 Tempo
Período de Avaliação: Curto-Prazo x Longo-Prazo
indicam que ambos, informação de desempenho menos frequente e flexibilidade de investimento, induzem os indivíduos a serem menos míopes. Além disso, a interação entre frequência de informação de desempenho e flexibilidade de investimento indica que quando os participantes têm suas decisões com baixa flexibilidade, mas recebem frequentes informações de desempenho, o comportamento míope é mitigado (LANGER; WEBER, 2003).
Outros estudos ampliam a perspectiva de aversão míope à perda para teoria míope dos prospectos. Langer e Weber (2001), por exemplo, argumentam que o efeito de uma informação menos frequente de desempenho, em que os resultados são agregados ao longo do período de avaliação, não é tão geral quanto parece, no sentido de aumentar a propensão ao risco do indivíduo. Eles desenvolvem estudos experimentais em que os indivíduos têm que fazer apostas com perfis específicos de risco (Figura 7). Em cada caso, a distribuição total da sequência de resultados pode ser apresentada de forma agregada, considerando um maior horizonte de tempo, ou de forma segregada, por meio de menores intervalos de tempo.
Figura 7 – Frequência de avaliação e perfis de risco Fonte: Adaptado de Langer e Weber (2005)
Os resultados confirmam a expectativa dos autores de que comportamento míope não se mantém para alguns perfis específicos de risco; isto é, para opções de investimento com baixa probabilidade de obtenção de altas perdas, o formato segregado de apresentação é mais atrativo que o formato agregado (LANGER; WEBER, 2001). Esses resultados são depois confirmados por Langer e Weber (2005).
A expectativa de propensão ao risco predita pela aversão míope à perda pode ser trazida para o campo da atuação gerencial, em que um gestor adverso à perda não estaria disposto a assumir o risco associado com tarefas cujo efeito, no resultado financeiro, somente ocorrerá em um futuro distante, se a avaliação de desempenho gerencial dessa tarefa ocorrer frequentemente. Alta frequência Alta frequência Baixa frequência Baixa frequência Média de Investimento Baixa frequência Alta frequência Frequência de Avaliação Perfis de Risco Alta frequência Alta frequência Baixa frequência Baixa frequência Média de Investimento Baixa frequência Alta frequência Frequência de Avaliação Perfis de Risco + 15% -100% . 90% 10% + 15% -100% . 90% 10% +250% -100% . 1/3 2/3 +250% -100% . 1/3 2/3 + 30% -100% 90% 10% + 30% -100% 90% 10%
Além disso, os resultados que separam o efeito da frequência da informação de desempenho e da flexibilidade de investimento (LANGER; WEBER, 2003; BELLEMARE et al, 2005) têm importantes implicações para o entendimento das preferências intertemporais dos gestores. Significaria investigar empiricamente se um gestor assumiria todo o risco associado a uma tarefa em um único momento, configurando uma situação de baixa flexibilidade, no caso de receber informações mais frequentes sobre o desempenho daquela tarefa.
Colocando em outros termos, caso os gestores tivessem que realizar uma tarefa, tal como um investimento cujo retorno será refletido pela informação contábil no longo-prazo, sendo que o valor total do esforço gerencial ocorre em um único período, a tendência para uma orientação temporal mais de longo-prazo seria mais intensa no caso de mais frequentes avaliações de desempenho ou no caso de menos frequentes avaliações?
Tem-se, ainda, que as evidências obtidas por Langer e Weber (2001; 2003) podem implicar que, se os gestores tivessem que realizar um investimento, cujo retorno somente será refletido pela informação contábil no longo-prazo, sendo que a probabilidade de obter grandes perdas em função desse investimento é baixa, informações mais frequentes de desempenho seriam mais prováveis de induzir os gestores a realizar esse investimento do que informações menos frequentes.
Muito embora a perspectiva da aversão míope à perda possa oferecer contribuições relevantes para se ampliar o entendimento do efeito do período de avaliação de desempenho sobre OTG, a literatura em contabilidade não tem dedicado ainda muita atenção a essa abordagem econômica.
Destaca-se, nesse direcionamento de pesquisa contábil sobre OTG, o estudo de Van Rinsum (2006) que explora os pressupostos da aversão míope à perda para investigar o efeito do período de avaliação sobre OTG. Em seu experimento, ele confirma que um período de avaliação de mais longo-prazo afeta positivamente OTG, quando gestores possuem alta flexibilidade de investimento (VAN RINSUM, 2006). Esses resultados, portanto, confirmam a expectativa de que um período de avaliação de mais longo-prazo induz a uma orientação temporal de longo-prazo e que tal efeito é preferivelmente devido a aspectos cognitivos (VAN RINSUM, 2006).
De modo geral, tais evidências confirmam a suposição de que indivíduos adversos à perda são mais adversos ao risco, no caso de serem avaliados mais frequentemente, do que no caso de serem avaliados com menos frequência. Entretanto, nota-se que o efeito do período de avaliação não é tão simples, pois ele depende não somente da frequência de informação de desempenho, mas também da flexibilidade de investimento (LANGER; WEBER, 2003) e da probabilidade de sucesso do investimento (LANGER; WEBER, 2001; 2005). A literatura em contabilidade tem ainda poucas evidências relativas ao efeito do período de avaliação sobre o comportamento dos gestores (BHOJRAJ; LIBBY, 2005; VAN RINSUM, 2006).
Este estudo pretende, assim, oferecer também evidências sobre o efeito do período de avaliação de desempenho sobre OTG a partir de uma perspectiva baseada nos pressupostos da aversão míope à perda. Entretanto, essa perspectiva econômico-cognitiva não seria suficiente para o entendimento do efeito do momento de recebimento da remuneração sobre OTG, o que pode ser oferecido por outra abordagem econômico-cognitiva denominada de teoria dos prospectos.