II EARÁID EAVTTUIGUIN
4 Norgga nationálastáda, giellagažaldat ja báikenamat
4.7 Oluf Rygh Norske gaardnavne -girjeráidu sámi nammadutkama perspektiivvas
Uma das atitudes sugeridas nos PCN: Adaptações curriculares é “mudar a temporalidade dos objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, isto é, considerar que o aluno com necessidades educacionais especiais pode alcançar os objetivos comuns do grupo, mesmo que possa requerer um período mais longo de tempo” (p. 51). Em uma de nossas entrevistas, perguntamos aos alunos com deficiência visual matriculados na terceira série do Ensino Médio sobre o período de tempo que lhes foi concedido para a realização das provas do ENEM no ano de 2005. Vale destacar que nesse ano a EE Caetano de Campos não recebeu as provas impressas em Braille ou em tipos ampliados, tendo assim que disponibilizar ledores53 para os alunos SAVDPN. Segundo eles, lhes foi oferecido o tempo
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Segundo o Instituto Benjamin Constant e a Fundação Dorina Nowill, os ledores são considerados tradutores de texto codificado em linguagem escrita para a linguagem oral. A leitura para cegos envolve técnicas, que buscam expressar determinados códigos de escrita favorecendo o entendimento do texto. Por exemplo, a entoação é fundamental para a leitura. A voz deve ter entonação média, ritmo regular, com variações que devem ser orientadas pelo texto. Os recursos gráficos devem ser decodificados com detalhes, assim como as notas de rodapé. Alguns sinais de pontuação, como aspas, parênteses, travessão, devem ser lidos de forma a expressar os destaques do texto, entre outros aspectos.
suplementar de trinta minutos, isto é, lhes foi permitido ingressar na sala do exame trinta minutos antes do horário previsto para os demais candidatos. Será que este tempo adicional é mesmo suficiente para que o aluno com deficiência visual leia54, interprete e selecione uma das alternativas de uma prova de múltipla escolha? Há bases investigativas que indiquem ser de trinta minutos tempo suplementar suficiente para que os alunos cegos atinjam os mesmos objetivos que os videntes?
O tempo previsto pelos organizadores para a realização das provas do ENEM e da FUVEST55 é cinco horas para todos os alunos, no caso dos alunos sem acuidade visual esse tempo passa a ser de cinco horas e trinta minutos. Quanto ao SARESP, que pretendemos discutir com mais detalhe neste capitulo, a prova deve ser realizada no período em que o aluno está matriculado, assim os alunos matriculados no período matutino, por exemplo, também dispõe de cinco horas para fazer a avaliação. Ouvindo os alunos e a professora da sala de recursos da EE Caetano de Campos, nos certificamos que após longos períodos a leitura em Braille fica prejudicada, para sermos mais precisas, os alunos declaram que depois da segunda hora de leitura a sensibilidade dos dedos fica reduzida, prejudicando particularmente a análise de desenhos, gráficos ou diagramas. Talvez, o mais adequado não somente para os alunos cegos, mas para todos os alunos, o ideal fosse dividir a avaliação e aplicá-la em dias consecutivos.
Pode-se ler ainda nos PCN: Adaptações Curriculares em relação às avaliações, que o professor deve “eliminar, objetivos e critérios de avaliação, definidos para o grupo de referência do aluno, em razão de suas deficiências ou limitações especiais” (p. 51). Entrevistando os professores envolvidos com os alunos portadores de deficiência visual nos certificamos que é exatamente isso que alguns fazem em suas classes inclusivas. Na EE Caetano de Campos normalmente os alunos SAVDPN realizam a avaliação com os demais alunos no horário regular de aula. Geralmente os professores entregam as avaliações com antecedência para que a professora da sala de recursos as transcreva para o
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Consideramos leitor cego também os que ouvem as leituras feitas em voz alta pelos ledores.
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Braille. No entanto, entre os professores entrevistados não há um procedimento único relativo à apresentação da avaliação. Um dos professores declarou que as avaliações oferecidas aos alunos SAVDPN é a mesma que os videntes realizam transcritas para o Braille, no entanto outro nos diz que as avaliações carregam o mesmo conteúdo, mas não as mesmas questões.
Por outro lado, é exatamente a eliminação ou substituição de questões ou conteúdos que preocupa os alunos com deficiência visual. Os alunos entrevistados afirmam que, algumas vezes, a avaliação realizada por eles em suas aulas regulares é diferente da realizada pela turma, e justificam ser a falta de recursos materiais o impedimento para que o professor possa lhes aplicar a mesma avaliação. Algumas questões, que envolvem gráficos ou desenhos, são substituídas por questões mais teóricas ou problemas que não envolvam diagramas.
O problema é que na prova de vestibular não tem como escrever no canto das questões: Não sei isso porque sou deficiente e não aprendi isso na escola. Tem que saber ou não saber, e na sala de aula tem muita coisa que pula. Como o professor vai dar um conceito para você se ele só tem esse ou aquele recurso?... Então ... ele faz uma prova diferente para a gente (Elias).
O questionamento que fazem a respeito desse tipo de procedimento refere- se aos outros sistemas de avaliação a que são submetidos. Consideram que quando sujeitos a um exame de vestibular, SARESP ou ENEM, as provas que realizam são as mesmas feitas pelos alunos videntes o que pode deixá-los em desvantagem. De fato, ao analisar os exames nacionais a que esses alunos são submetidos verificamos que eles realizam exatamente a mesma prova que os demais alunos que são ampliadas ou transcritas para o Braille. Um aluno com visão subnormal nos disse que foi “horrível” fazer o ENEM no ano de 2005, onde mais que a metade das questões exigia interpretação gráfica.
O ENEM tinha mais de cinqüenta por cento da prova envolvendo gráficos. Para mim foi horrível fazer. Mandaram a prova ampliada, mas não ampliaram o suficiente para que eu pudesse enxergar. Os desenhos não foram ampliados ou reforçados. Eu não conseguia ler. Ai veio uma fiscal de sala ler para mim, mas ela não sabia muito bem como me explicar (Mário).
Os que fazem as provas com a ajuda de ledores afirmam que a interpretação da pessoa que está lendo influencia suas respostas e que essa influência nem sempre é positiva, principalmente quando a pessoas que faz a leitura não recebeu nenhum tipo de treinamento. Segundo o depoimento dos alunos que entrevistamos geralmente as pessoas que fazem a leitura de provas oficiais são escolhidas aleatoriamente no momento de aplicação da prova.
Neste ponto chegamos a um impasse, de acordo com os PCN: Adaptações Curriculares “a supressão desses conteúdos e objetivos da programação educacional regular não deve causar prejuízo” para a escolarização do aluno com necessidades educacionais especiais. E ainda “deve considerar, rigorosamente, o significado dos conteúdos, ou seja, se são básicos, fundamentais e pré-requisitos para aprendizagens posteriores” (p.51). Ora, mas como não considerar a produção e análise de gráficos estatísticos básicos e fundamentais se, por exemplo, nos exames realizados pelo ENEM a maioria das questões pauta-se em análises de gráficos? Não seria o caso de submeter o ENEM e a FUVEST ao crivo dos PCN: Adaptações Curriculares?
Tal fato pode ser verificado na fala de um dos alunos entrevistados:
O que eu posso perceber é que no SARESP e no ENEM eles não preparam uma prova especial para você [para os portadores de deficiência visual]. Eles simplesmente pegam uma prova em tinta e passam para o Braille. No SARESP as questões que tinham algum desenho ou gráfico eu simplesmente chutei, e errei a maioria. O ENEM não veio em Braille e a pessoa que tava lendo para mim não sabia muito bem como me explicar as figuras (Elias).
As preocupações centrais em relação ao sistema de avaliação dos alunos entrevistados referem-se ao que acontece no âmbito estadual e nacional. Ouvindo as vozes dos atores, evidencia-se o fato de que a transcrição das avaliações para o Braille não é o suficiente para garantir o direito de acesso de todos os estudantes ao Sistema Educacional. Neste sentido, nos propomos a analisar as provas do SARESP, e a partir dessa análise, estruturamos um processo empírico com interesse em investigar quais adaptações podem ser feitas na apresentação das questões e seus efeitos para os aprendizes.