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5.   Diffusion  of  straw  bale  building  in  Norway  and  Denmark

5.1   The  Innovation

5.1.5   Observability

meios de persuasão comuns comportam dois gêneros, o exemplo [παράδειγμα] e o entimema [ἐνθύμεμα], pois a máxima [γνώμε] não é senão uma parte do entimema. (…) [1393 a 28] Há duas espécies de exemplo: uma consiste em contar eventos que são produzidos no passado, outra em contar eventos inventados pelo próprio narrador. Nesta última espécie, distingue-se a comparação [παραβολὲ] e as fábulas [λογοὶ], como as fábulas esópicas e as fábulas líbias. Ao ‘contar eventos’ [de fato acontecidos], o narrador pode se exprimir assim: ‘É necessário se preparar para combater o Grande Rei [da Pérsia, Antaxerxes III] e não deixá-lo subjugar o Egito. Pois Darius não cruzou o mar Egeu [chegando à Grécia] sem antes conquistar o Egito. Quando o conquistou, cruzou [o Egeu até a Grécia]. Xerxes por sua vez não lançou ofensiva [contra a Grécia] sem antes ter tomado o Egito. Quando o tomou, atravessou [o Egeu]. De modo que esse Grande Rei, se conquistar o Egito, o [Egeu] cruzará – por isso não podemos deixar que o faça.’ (...)”.

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uso retórico do anedotário histórico ou pretensamente histórico (uma vez que se

pode inventar a anedota que servirá como exemplo dentro de um discurso)18. Para o

que me interessa aqui, é evidente que a definição aristotélica de exemplo carrega um enorme potencial tanto para o ficcional quanto para o noticioso, muito embora seja entendida quase que exclusivamente na linhagem dos dispositivos retóricos (valor instrumental na persuasão) e não como uma categoria propriamente poética (produção de um tipo de texto).

Os autores romanos, por sua vez, em especial Cícero (De Inventione)19 e Quintiliano

(De Institutio Oratoria), deram a forma definitiva da discussão pós-clássica a respeito, na medida em que, neles, a estrutura retórica distingue, grosso modo, o

signo (prova material), o argumento (raciocínio dedutivo estabelecendo o provável

sobre o certo) e o exemplum (fato ou dito de um personagem célebre do passado que somos convidados a imitar). Em linhas gerais, esse foi o modelo herdado pela Idade Média. Com isso, o exemplum torna-se, na prática, um tipo de texto – embora em subserviência a outro, o discurso propriamente dito. E foi para uso prático das escolas de retórica que Valério Máximo (I d.C.) elaborou sua coletânea de

Factorum et Dictorum Memorabilium [Ditos e fatos memoráveis]:

Como as ações e os ditos memoráveis dos romanos e das nações estrangeiras são muito dispersos em outras obras para que possamos nos instruir com elas em pouco tempo, resolvi fazer, seguindo um plano metódico, um florilégio extraído de historiadores célebres, para diminuir o fardo da longa pesquisa aos leitores que desejem se debruçar nos

18 “In Aristotle’s Rhetoric the παράδειγμα occupies a central position in the inventio on the

basis of the juxtaposition of rhetoric and dialectic, because just as reasoning by means of rhetorical syllogisms (ἐνθυμέματα) is parallel to deductive reasoning in dialectic, so reasoning by means of paradeigma forms the counterpart of inductive reasoning in dialectic. Thus, Aristotle defines the example as a rhetorical induction, forming one of the two categories of artistic proof. In his analysis of the modes of persuasion common to all three species of rhetoric, Aristotle discusses the παράδειγμα in detail; unlike the Rhetorica ad Alexandrum, he not only considers and discusses specimens of historical examples (τὸ λέγειν πράγματα

προγεγέμενα), but also invented ones (τὸ αὐτὸν ποιεῖν), subdivided into comparisons (παραβολαί) and fables (λόγοι). Aristotle specifies that παραδείγματα must be used as proof when the case does not allow the use of ἐνθυμέματα.” (Marc van der POEL “The Use

of exempla in Roman Declamation” in Rhetorica. A Journal of the History of Rhetoric, Vol. 27 nº 3, 2009, p. 335).

19 “Exemplum est, quod rem auctoritate aut casu alicuius hominis aut negotii confirmat aut infirmat. Horum

exempla et descriptiones in praeceptis elocutionis cognoscentur. [É exemplo o que – recorrendo ao que já foi dito por uma pessoa tradicionalmente reverenciada ou narrando um acontecimento particular envolvendo pessoas ou interações entre elas – busca confirmar ou refutar algo anteriormente proposto. Exemplos e descrições desse recurso devem ser expostos nos preceitos da arte oratória].” (CICERO, De Inventione, 1, 49). A tradução é de André Rios.

ensinamentos históricos. Não tive a intenção de abarcar tudo: quem poderia reunir os fatos de todas as épocas em um pequeno número de volumes? E que homem sensato, diante do fluir da História, tanto estrangeira quanto local, que outros escritores contaram com talento, poderia se vangloriar de lhes deixar uma narrativa de exatidão mais escrupulosa e de uma eloquência mais distinta20?

Embora o Factorum de Valerius seja na verdade uma espécie de enciclopédia da vida civil romana (seus temas são diversos, mas de ligeira tendência para o assunto moral, com suas respectivas considerações teóricas), a maioria dos capítulos ou seções vem recheada também de ilustrações “práticas” – que, por sua vez, ele denominou “exemplos” (romanos e estrangeiros)21. Neste sentido, ainda que não

seja somente isso, seu livro é a primeira coletânea sistemática e modelar de exempla que conhecemos22.

A patrística latina se apropriou desse modelo e, desde Tertuliano, fez uso de

exempla na homilética. Claro, toda a literatura evangélica (sobretudo a dos

Evangelhos sinóticos), bem como os Atos dos Apóstolos e mesmo as epístolas neotestamentárias, já poderiam ser considerados como objetos exemplares neste mesmo sentido – mas, obviamente, não se trata ainda de textos exclusivamente instrumentais. Por outro lado, tornaram-se muito rapidamente, eles mesmos, fontes exemplares de discursos predicatórios – os factorum et dictorum de Jesus (e também os dos apóstolos e, posteriormente, dos santos), exercendo papel de predominância nos exempla cristãos desde muito cedo. A relação do anedotário ideal com uma auctoritas sempre advinda do passado (neotestamentário, neste caso) permanece, portanto, essencialmente, tal como nos exempla da retórica romana, seu elemento definidor.

Esta relação mudará por volta do século VII. Várias passagens dos Diálogos com frade Pedro, do papa Gregório o Grande (540-604)23, comprovam a continuidade do

uso retórico de exempla na homilética e no discurso predicatório de sua época. No