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3.   Methodology

3.2   The  interviewees

cujo modelo emblemático é o Amadís de Gaula, 1508, de Garcí de Montalvo, composto a partir de um original mais antigo. Usei Garci Rodríguez de MONTALVO, Amadis de Gaula (Juan

Manuel Cacho BLECUA, ed.), 2 Vols., Madrid, Catedra, 2001.

31 “From 1540 to 1548, the various versions of the chivalric Amadis series were best-sellers in

France; widely acclaimed and printed as beautiful in-folios, they were only occasionally published with poems praising them and, after the publication of the first volume, never with explanatory prefaces or defences. But after Jacques Amyot published a translation of the Aethiopica in 1548, the translator of Amadis, Nicolas Herberay des Essarts, stopped promoting the diffusion of the Spanish novel; in addition, he invariably provided new publications such as Primaleon (1549) or Dom Flores (1552) with apologetic prefaces in which he attempted to argue that, despite their being novels of chivalry, they employed the same devices as Heliodorus’s novel. In 1548, Michel Servin prefaced the eighth book of Amadis with a ‘Discours sur les Livres d’Amadis’, which already took into account the criticisms formulated in Amyot’s preface to his translation of the Aethiopica.” (PLAZENET, “Jacques Amyot and the

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Montemayor, para a Aminta de Tasso, bem como ao Gentle Shepherd de Allan Ramsay.

Temos uma situação tal que, em meados de 1560, na França, a moda do romance- novela de cavalaria de origem espanhol havia passado32 – não exatamente do ponto

de vista do público consumidor, claro, uma vez que Amadis foi um dos maiores sucessos literários do Renascimento, mas, sim, do ponto de vista dos autores preocupados com a evolução formal e estética de seus estilos literários33. Aliada a

esses novos temas e personagens, a pastoral – que se fundiu a eles de um modo tão natural que praticamente não percebemos tratar-se de elementos historicamente heterogêneos – tornou-se signo de modernidade narrativa. Se não é fácil entrar no detalhe das negociações e sinergias que possibilitaram essa aglutinação, não é difícil entender-lhe as razões gerais. Nos romances/novelas da Roma imperial, encontramos uma sistemática amorosa que nada tem a ver com a do agonizante – mas, à época, via Amadis por exemplo, ainda vivo – romance medieval. Na verdade, já na própria época helenística de redação desse material, essa sistemática amorosa aparece como o valor idiossincrático da literatura imperial frente à produção literária greco-romana anterior. O funcionamento essencialmente erótico dos pastores da Arcádia (muitas vezes homoerótico), aliado aos enredos e personagens romanescos dessas novelas imperiais, significou, para os escritores das gerações posteriores a 1540, a descoberta de outros modelos de criação narrativa, que serviram de base à renovação da prosa literária do Renascimento34.

32 Cf. Michel S

IMONIN “La disgrace d’Amadis” in L’encre & la lumière (1976-2000), Paris, Droz,

2004, pp. 189-234. “Ultimately, the success of the novel of chivalry faded among the social elites during the 1560s. Typically, Cervantes, while meditating in Don Quixote (1605) on the future of fiction as embodied in the chivalric novel, saw a way out of this literary dead end through imitating Heliodorus, a realisation he put into practice in his last work, Los trabajos de Persiles a Sigismunda (published posthumously in 1617).” (PLAZENET, “Jacques Amyot and the

Greek Novel”, p. 238).

33 “The gradual ‘disgrâce d’Amadis’ has been well studied by Michel Simonin, but the very

vehemence of the attacks against it should alert us to its obstinate popularity and enduring appeal: the eight books translated by Des Essarts between 1540 and 1548 initiated a series of twenty-four books in their entirety; and although the series had been published by 1613, editions of individual books were frequently re-printed throughout the period.” (John O’BRIEN, “Sixteenth-century prose narrative” in William BURGWINKLE, Nicholas HAMMOND

& Emma WILSON (eds.), The Cambridge History of French Literature, p. 220).

34 “La principale nouveauté du roman grec est d’avoir donné à l’amour une position

absolument centrale à l’intérieur de la structure hétérogène que nous avons examinée jusqu’au présent; il n’est plus représenté à travers des figures mythologiques, mais directement, dans sa réalité quotidienne (quelque peu théâtralisé, il est vrai), et devient pour la première fois l’expérience déterminante de l’expérience humaine, et donc le thème privilégié sur lequel est construite toute l’œuvre narrative. C’est une innovation même par rapport à Ménandre : ce dernier accordait une égale importance à des thèmes voisins, comme celui des rapports

Releituras da Arcádia

Uma longa tradição liga o material clássico greco-romano, sobretudo a écloga latina virgiliana, à literatura pastoral posterior35. Para o bucolismo renascentista,

considera-se, pela força do sucesso, a Arcadia (primeira edição incompleta em 1480 e edição completa em 1505) de Jacopo Sannazaro a obra seminal, apresentando de modo acabado e em vernáculo uma releitura estética, coerente e replicável, das

Bucólicas de Virgílio ao público europeu da época. Entretanto, o universo pastoral

clássico já gozava, desde meados do século XIV, de um lento e progressivo interesse da parte de alguns autores e eruditos italianos: Dante (2 éclogas), Petrarca (12 éclogas do Bucolicum carmen, 1360), Boccaccio (Comedia delle ninfe

fiorentine, ou Ninfale d’Ameto, escrita por volta de 1341, é a primeira obra em

vernáculo a sintetizar o ideal pastoral36), assim como, na segunda metade do século

XV, Giovanni Pontano (3 éclogas e idílios), Matteo Boiardo, Angelo Poliziano e Battista Mantovano, todos escreveram obras pastorais inspiradas em modelos clássicos. Mas a influência da Arcádia de Sannazaro (1458-1530) é tão importante aqui quanto a do próprio Virgílio37.

familiaux, qui dans le roman, sont au contraire totalement subordonnés à la relation de couple. Les romanciers grecs se font ainsi les héritiers de toute la tradition érotique, qu’ils transmettent à leurs successeurs après l’avoir quelque peu infléchie (par la valeur accordée au couple et au mariage, en particulier) : dans le roman moderne, l’éros occupe une place presque aussi centrale, mais la conception classique y interfères sans cesses avec celle qui s’exprime dans le mythe de Tristan : lié comme il l’est à l’anéantissement et à la mort, l’amour-passion a des connotations plus mystiques et morbides.” [Em nota, o autor acrescenta:] “Sur l’amour passion, voir Rougemont 1939 : mais lorsqu’il ne voit dans L’Astrée, « machine romanesque » orientée vers un dénouement heureux, qu’une forme dégradée du mythe de Tristan, il ne perçoit pas l’influence exercée par le roman grec, qu’il cite pourtant ailleurs ; la tradition grecque, où l’amour n’apparaît pas exclusivement sous la forme de l’amour-maladie, a influencé de façon intermittente, mais décisive, les conceptions occidentales.” (Massimo FUSILLO, Naissance du roman, p. 193-194 e nota 3, p. 250).