CHAPTER FIVE – DISCUSSION OF RESEARCH FINDINGS
WHY ARE THE NUMBERS OF CONVICTIONS LOW?
É constituída por fibras musculares lisas fusiformes, agrupadas em fascículos achatados, com aspecto de faixas, ou agrupados em cordões separados por lâminas conjuntivas reforçadas por uma malha de fibras elásticas. Estes fascículos musculares estão unidos entre si por fibras de união terminais ou laterais, formando numerosos planos musculares sobrepostos.
Os anatomistas clássicos distinguem três camadas na túnica muscular do corpo uterino: neomiométrio, paleomiométrio e arquimiométrio (Fig.57).
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O nosso trabalho de investigação, de que seleccionámos as fotografias aqui incluídas para ilustração da resenha bibliográfica proposta, fundamentou-se essencialmente nas técnicas de estudo anatómico mais utilizadas no Laboratório de Anatomia Experimental da FCM:
Por injecção arterial uterina de Micropaque® com adição de corantes diferentes para as artérias direita e esquerda, secções transversais ou longitudinais do órgão e diafanização, observámos e fotografámos em lupa estereoscópica o padrão das redes capilares uterinas, com ampliações entre 10x e 50x;
Por injecção arterial uterina de Mercox® e corrosão, obtivemos moldes plásticos para metalização e
observação em microscopia electrónica de varrimento para melhor análise da angioarquitectura endometrial, com ampliações entre 15x e 2000x, permitindo análise dos padrões micro-angioarquitectónicos uterinos. 145
. «un tissu gris blanchâtre, très dense et très résistant, criant presque sous le scalpel» in TESTUT L. 7ªEd
Fig.57 – Túnica muscular do útero humano, observada à lupa estereoscópica, por corte transversal, após
injecção arterial de Micropaque® e diafanização [1.Neomiométrio; 2.Paleomiométrio; 3.Arquimiométrio]
1 2 3 Serosa Cavidade uterina Túnica muscular Mucosa
CAMADA EXTERNA (NEOMIOMÉTRIO):
É uma camada fina, de formação tardia, tanto em termos filogenéticos, como ontogénicos. Recebe fibras provenientes do ligamento redondo, do ligamento útero-ovárico e do ligamento útero-sagrado e ainda fibras musculares de reforço do ligamento largo. É formada por um conjunto de fascículos de direcção predominantemente transversal, sendo os fascículos mais profundos francamente circulares.
CAMADA MÉDIA (PALEOMIOMÉTRIO):
Resulta da fusão, na linha média, dos canais de Müller. Ocupa cerca de dois terços da espessura total da parede do corpo uterino, não existindo a nível do colo. É constituída por fibras musculares entrecruzadas em todos os sentidos, o que lhe confere o nome de camada plexiforme. A direcção predominante dos fascículos musculares é transversal ao eixo do orgão.
Os fascículos de fibras musculares desta camada estão aderentes às veias. Os vasos sanguíneos são aqui, tão numerosos que KREITZER denominou esta camada de stratum vasculare. A íntima relação entre os vasos e as fibras musculares leva a que o lume dos vasos colapse quando o músculo se contrai. Estes anéis musculares constituem as ligaduras vivas, descritas por PINARD (Figs.58; 65 e 66).
Esse mecanismo parece ser responsável pela relativa escassez hemorrágica que se verifica no parto.146
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"Le vaisseau sanguin se trouve, en définitive entouré par une sorte d'anneau musculaire. Ces anneaux, pour
employer une expression de PINARD, sont comme les ligatures vivantes, ne gênant en rien, quand elles sont à l'état de repos, la circulation des sinus, mais susceptibles de fermer la voie à tout écoulement sanguin: c'est, du reste, le rôle qui leur est assigné, après l'accouchement, au moment de la délivrance." (L.Testut, 7ªEd.)
Fig.58 – Camada muscular média do útero, extraído de TESTUT. Anatomie Humaine – Livre X
– Appareil uro-génital. 1. Tuba uterina esquerda; 2. tuba uterina direita; 3. fundo uterino; 4. camada muscular superficial; 5. fascículos plexiformes da camada muscular média; 6. intervalos circulares ou elípticos ocupados pelos seios venosos uterinos.
CAMADA INTERNA (ARQUIMIOMÉTRIO):
Representa o resquício da túnica muscular dos canais de Müller, sendo essencialmente constituída por fibras circulares, dispostas sob a forma de anéis concêntricos, em torno dos óstios uterinos. As diferenças estruturais e funcionais das camadas que se distinguem a nível do miométrio poderão estar relacionadas com a diferente concentração em elastina de cada camada. Estando a elastina presente em maior quantidade nos tecidos perivasculares, de modo particular em torno dos vasos de maior calibre, as camadas mais externas do miométrio são portanto as mais ricas em fibras de elastina.
ENTRE AS DIVERSAS TÚNICAS existem fascículos de associação que, passando de um plano ao outro, as tornam solidárias.
A ZONA DE JUNÇÃO MIO-ENDOMETRIAL corresponde à porção mais interna, sub-endometrial, do miométrio que pode, por sua vez, ser dividida em duas regiões distintas: uma zona compacta e uma zona de transição.147
Identificam-se, a este nível, em úteros adultos, células semelhantes às das fibras musculares lisas, que sofrem transformação durante a fase lútea, ou no início da gravidez, o que sugere que, por diferenciação, as fibras musculares lisas uterinas possam provir de células mesenquimatosas pluripotenciais, presentes a nível da túnica endometrial.148
Desde o momento da nidação, no início da gravidez, esta camada juncional do miométrio tem importância fundamental para a transformação fisiológica das artérias espiraladas em vasos uteroplacentários, por invasão trofoblástica da parede vascular das arteríolas espiraladas da região juncional com completa perda da arquitectura vascular e deposição de substância fibrinóide nos tecidos circundantes.
O miométrio humano é funcionalmente polarizado, iniciando-se as contracções do útero não-grávido a nível da região juncional e propagando- se progressivamente depois às outras regiões. A frequência e a orientação
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HK BROWN (1991) 148
das contracções miometriais dependem da fase do ciclo menstrual, sendo portanto influenciadas pelas variações hormonais. A acção das hormonas ováricas é mediada por citocinas e uterotoninas, libertadas localmente pelas células da camada basal do endométrio e pelos linfócitos T da zona de junção endometrio-miometrial.149 As contracções do miométrio durante o ciclo menstrual dão-se por ondas dirigidas do fundo ao cérvix150, sendo importante o seu papel fisiológico na expulsão de secreções.
G. FARRER-BROWN et al (1970) verificaram a nível da junção endometrio-miometrial uma brusca diminuição da densidade arterial, tornando-se os vasos endometriais relativamente escassos por comparação com as camadas suprajacentes do miométrio, em todas as fases do ciclo menstrual, muito embora se verifiquem algumas variações entre as fases proliferativas e secretora do ciclo151. (Fig.60)
149 JJ BROSENS et al (1995; 1998; 2002) 150 LD.ODOM (2000) 151