CHAPTER THREE -‐ INVESTIGATING THB-‐CASES
INVESTIGATING CRIMINAL CASES CROSS BORDERS
2.1.
Recrutamento da população em estudo
A população alvo deste estudo foram crianças com sibilância recorrente recrutadas no Serviço de Urgência do Hospital de Dona Estefânia (grupo estudo) e crianças seguidas em Otorrinolaringologia, Cirurgia ou nos Centros de Saúde (grupo controlo) adstritos ao Hospital de Dona Estefânia. Foram admitidas para o estudo entre o início de Setembro de 2005 e o final de Setembro de 2007.
As crianças pertencentes ao grupo de estudo foram encaminhadas directamente pelos médicos do Serviço de Urgência para o Serviço de Imunoalergologia. Foram classificadas como alto risco ou baixo risco para asma brônquica através da utilização do índice preditivo para asma brônquica publicado por Castro Rodriguez e colaboradores.44
Deste modo, foram incluídas no grupo de alto risco para asma as crianças com história parental de asma brônquica ou história pessoal de eczema atópico e as crianças com dois dos seguintes factores: eosinofilia periférica (definida como superior a 4%), história pessoal de rinite alérgica ou sibilância fora do contexto infeccioso.
As crianças do grupo controlo foram contactadas directamente pelo investigador principal quando recorreram ao Serviço de Otorrinolaringologia ou de Cirurgia ou encaminhadas para este directamente do Centro de Saúde.
Todas as crianças tiveram uma consulta de Imunoalergologia para clarificação dos critérios de inclusão e exclusão, esclarecimento do protocolo, obtenção de consentimento parental informado e inscrição na lista de marcações dos exames funcionais respiratórios.
No protocolo inicial deste estudo pretendia-se a inclusão de doentes e controlos saudáveis de Lisboa, mas devido a grandes dificuldades no recrutamento de controlos saudáveis, tornou-se imprescindível a inclusão de controlos de Londres (crianças saudáveis observadas no Great Ormond Street Hospital for Sick Children), a partir de estudos prospectivos epidemiológicos longitudinais.
2.1.1.
Critérios de Inclusão
Para o grupo estudo foram incluídas crianças entre os 8 e os 20 meses, com mais de 3 episódios de crises de dificuldade respiratória baixa diagnosticadas por um médico, no ano transacto à inclusão e sem crises ou medicação nas três semanas prévias à realização do exame funcional respiratório. Todas as crianças admitidas para este estudo nunca foram medicadas com terapêutica inalada (corticosteróides ou broncodilatadores de longa acção) ou antileucotrienos. Em caso de crise foi prescrita medicação com broncodilatadores de curta acção e eventualmente corticosteróides orais no período máximo de 3 a 5 dias, de acordo com as orientações internacionais.609
O grupo controlo incluiu crianças do mesmo grupo etário, sem antecedentes de queixas respiratórias, sem história pessoal de doenças alérgicas e sem história parental de asma brônquica.
2.1.2.
Critérios de Exclusão
Foram critérios de exclusão, a história de atraso de crescimento intra-uterino, baixo peso ao nascer (< P10), prematuridade (idade gestacional inferior a 37 semanas), história de reanimação neonatal e necessidade de ventilação, presença de outras doenças sistémicas com comprometimento da função respiratória (fibrose quística, doenças neuromusculares, doenças osteoarticulares, doenças metabólicas, doenças cardíacas), doenças gastrointestinais, hipersensibilidade ao hidrato de cloral, história de obstrução das vias aéreas superiores, roncopatia e internamentos anteriores.
2.2.
Aprovação pelo Conselho de Ética
O presente estudo foi submetido aos Conselhos de Ética dos dois hospitais (Hospital de Dona Estefânia e Great Ormond Street Hospital for Sick Children), tendo sido aprovado em Julho de 2005.
2.3.
Consentimento Informado
A participação no presente estudo foi determinada pela aprovação e consentimento escrito dos pais das crianças. Na consulta inicial de Imunoalergologia foi explicado aos pais de cada criança o projecto de investigação e seus objectivos, sendo informados dos
procedimentos para a realização da prova funcional respiratória e colheita de sangue e urina. Foi ainda efectuada uma visita à sala de função respiratória, de modo a explicitar correctamente os procedimentos e possibilitar uma visualização e familiarização com os equipamentos.
Após fornecimento de documento escrito explicitando todos os procedimentos, foi pedido, em caso de aceitação de participação no projecto, um documento identificativo e posterior consentimento por escrito para entrada no estudo. Foi explicado que poderiam sempre desistir ao longo da realização do mesmo, podendo a qualquer momento retirar a autorização de participação.
Os pais estiveram sempre presentes na realização da prova funcional respiratória, bem como na colheita de sangue e urina.
Independentemente da participação no estudo, todas as crianças sibilantes ficaram adstritas à Consulta de Imunoalergologia, com consultas periódicas agendadas à semelhança de todos os doentes seguidos usualmente na mesma.
2.4.
Questionário
No sentido da caracterização adequada das crianças em estudo, foi preenchido, no dia da realização da prova funcional respiratória, um questionário após inquérito directo aos pais das crianças englobando questões sobre os antecedentes pessoais, antecedentes familiares, exposição tabágica, caracterização da doença actual, registo de alergia, hospitalizações prévias, história de roncopatia, doenças cardíacas, neurológicas ou osteoarticulares, medicação concomitante e condição clínica nas três semanas prévias à realização da prova de função respiratória.
2.4.1.
Antecedentes Pessoais
Nos antecedentes pessoais foram registados todos os dados referentes à gestação (duração, seguimento, intercorrências), dados antropométricos ao nascimento, tipo de parto, local de nascimento, intercorrências durante o parto, evolução no período neonatal (necessidade de ventilação assistida, internamento, fototerapia), vacinação e alimentação no primeiro ano de vida.
No seguimento da colheita destes dados foram considerados relevantes todos os internamentos, cirurgias, acidentes e outras doenças na infância, particularmente alérgicas (eczema, rinite, alergias alimentares ou a fármacos).
2.4.2.
Antecedentes Familiares
Nos antecedentes familiares indagou-se a existência de doenças alérgicas nos familiares de primeira linha (pais e irmãos), nomeadamente asma brônquica, rinite, eczema, alergias alimentares e medicamentosas.
Para esclarecimento de toda a história familiar foram registadas todas as doenças de carácter heredo-familiar, na família alargada dos progenitores da criança em estudo.
2.4.3.
Exposição tabágica
Foram registados os hábitos tabágicos dos pais da criança, com particular ênfase materno, durante e após a gravidez. O consumo foi especificado em unidades maço por ano (UMA). No caso de convivência diária com outras pessoas no domicílio, foi especificado e quantificado o consumo tabágico.
2.5.