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1. INTRODUCTION

1.2 A NTIBIOTIC RESISTANCE

O elemento ar, sopro, vento, espírito; é visto nas passagens da Escritura

hebraica que empregam o termo ruah, ou, na Bíblia grega, o termo pneuma que traduz, de modo geral, a palavra hebraica ruah.

Os tradutores da Bíblia grega, judeus que eram, escolheram o termo grego pneuma porque reconheceram nele os sentidos fundamentais da palavra hebraica: vento, sopro e ar e, pelo latim, o que chamamos de espírito. Vale a pena observar que o termo latino spíritus significa o que não é material e, neste sentido, ele corresponde muito bem à noção tanto hebraica quanto grega.

A relação da palavra com o ruah está em que sons e ruídos são produzidos indispensavelmente pelo que é fundamental: o ar, sopro, vento, espírito que produz a palavra falada, e, é ela que dinamiza o ruah, espírito. O sopro, o vento comunica algo de Deus.

Conforme Meer, o Genesis 1 no canto da Criação, a liturgia é baseada na palavra. ―Elohim‖ necessita do ruah, espírito, ar, vento e sopro para concretizar sua Criação. Assim para vir a ser, acontecer, ―Davar‖ sig. ―palavra em ação‖ depende do ―ruah‖, é veiculo do espírito para ser realizada.

A quem este canto de jubilação melhor conviria do que ao Deus inefável, já que as palavras não podem exprimir o que ele é; e se não és capaz de exprimi-lo, não tens, entretanto, o direito de calar-te: que te resta senão o canto de jubilação? Que te resta senão que teu coração jubile sem palavras e que a imensidão de tua alegria faça eclodir as barreiras das sílabas? (1995, p. 86-96)

A visão litúrgica da Criação é correspondente em Ezequiel 37, onde, Elohim fala ao profeta (para falar a palavra), para profetizar ao ruah, espírito ―Vem dos quatro ventos ó espírito e assopra sobre esses ossos mortos para que vivam‖. E ainda João 1 que diz que o ―verbo no principio estava com Deus e era Deus... o verbo se fez carne e habitou entre nós...‖, a palavra que se concretizou pelo ruah. A liturgia aqui se mistura entre ruah, espírito, vento sopro, ar com a ―palavra‖ e a Criação encarnada, realizada. Gn. 1.1-3 apresenta os três elementos fundamentais: Deus, espírito (ar, sopro, vento) e a palavra.

Para Schwantes, o ato litúrgico do canto da Criação é relacionar o vento a uma brisa, um ato de esperança, libertação, a sobrevivência diante da opressão da babilônica em todas as áreas aos cativos: diante da percepção do mito Babilônico da Criação produzem seu próprio mito da Criação. A criação de E‘lohim, Deus, que mesmo diante das aflições de uma vida difícil na Babilônia, lhes permite sobreviver.

O vento (ru‘ah) torna-se uma brisa de esperança para o povo cativo. Servia de consolo para sobreviver á repreensão. A criação surge aí. O texto de Gênesis 1.2 é uma resposta em palavras humanas do consolo divino aos problemas que vinham sofrendo os dispersos. Símbolo de reminiscência e sobrevivência. (cf. SCHWANTES, 2002, 41-68)

É por isso, que na leitura de Milton Schwantes, o texto da criação em Gênesis 1.2 fala que o ―vento de Deus pairava sobre a superfície das águas‖, pois o vento depois de um dia de exploração, era fonte de incentivo e crença de que os dias seriam melhores para aqueles homens e mulheres. Incentivo demonstrado pela força do vento que os acolhia. Demonstrado pelo consolo de que até ali E‘lohim os olhava. Poesia de Deus escrita por homens!46

No primeiro versículo é feita a proclamação litúrgica-teológica básica: 'o Deus criador' e sua relação com os ―céus e terra‖; no segundo versículo, a terra é colocada como elemento que da forma, ao humano, e introduz o Espírito, fazendo-o pairar sobre as águas.

No terceiro, encontramos o elemento que vai agilizar o espírito, torná-lo potente e poderoso para a transformação do caos em cosmo: "E Deus disse...‖: a palavra. Quando Deus cria Adão, Ele introduz sua respiração, seu sopro vital (neshama) na poeira (‗avaq) que Ele modelou, e esta coisa inanimada se torna – pelo sopro de Deus – um ser vivo (nefesh haya). (cf. AVRIL, 1996, p. 709-726)

O homem é Criado por Deus a partir de elementos materiais, da natureza, com o sopro a matéria humana se ligou ao elemento divino, criou-se um elo entre o céu e a terra.

46 Época de repreensão para o povo que foi disperso para Babilônia. Momento difícil para o povo. Para que se tenha noção, do dia-a-dia do povo exilado. Temos condições de afirmar que o povo ficava o dia todo trabalhando como escravos templários para os Babilônios. Um dado interessante a isso, é que por trabalharem em funções ligadas aos Templos acabaram entrando em contato como o templo Babilônio – chamado de Zigurat -, lá, e

O prólogo de João (Jo 1,1-18), que celebra a nova Criação em Jesus Cristo e vale como réplica ou, na linguagem dos antigos, ―anti-tipo‖ do Hino da Criação do Gênesis; A passagem de Isaías 55:10 e 11 expressa, adequadamente, a dinâmica do cântico litúrgico de adoração. "Porque, assim como a chuva e a neve descem dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir e brotar, para que dê semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei."

A linguagem da liturgia é muito mais que textos impressos em um papel, lidos em voz alta no momento adequado. A linguagem da liturgia, que é em si um símbolo, também inclui outros símbolos e ações simbólicas. Todos os elementos da liturgia (pão, vinho, cálice, água, fogo, livro, vestimentas, altar, crucifixo); todos os gestos e posturas (processar, inclinar-se, comer, beber, assinar, cantar, aspergir, ficar de pé, ajoelhar-se) e todos os elementos do meio (arte e arquitetura, cor e textura, luz e sombra, som e silêncio) pode-se dizer que conformam a matriz de símbolos que constituem a liturgia. O dinamismo desta interação de símbolos talvez possa ser compreendido mais facilmente se for considerado um princípio fundamental da física quântica. Tal como o explica Diarmuid Ou‘Murchu, a física quântica descreve o universo como um lugar onde tudo está interconectado ou inter-relacionado. (cf. KUBICKI, 2006)

Ramos sinaliza significados correspondentes dos elementos da natureza com as festas do calendário litúrgico, com a palavra, o vento e o fogo:

O Pentecostes cristão é sinalizado, nesta perícope, por três elemen- tos enfáticos que caracterizam a ação do Espírito Santo na comuni- dade dos discípulos/as: o Vento, o Fogo e a Palavra; e a dinâmica do texto sugere um movimento que conduz do cenáculo para a rua. Esses elementos e essa dinâmica nos levam a pensar nas implica- ções da doutrina do Espírito Santo para a vida das igrejas. (RAMOS, 2008)

Para Tillich, os elementos devem ser buscados nos sacramentos de forma sistêmica: ―O poder e o sentido da natureza devem ser buscados dentro e por meio de suas estruturas objetivas. Na natureza o poder e o caráter físico não se separam das estruturas significativas e objetivas. A vida origina-se num nível muito mais profundo do que a dualidade cartesiana do cogitatio e da extensio. (1992 p. 128-129)

Em ―Natureza e Sacramento‖, de Tillich, a interpretação da natureza (o conceito neorealista e histórico), constitui base para uma redescoberta protestante da liturgia dos sacramentos em relação aos quatro elementos da natureza da filosofia grega, (água, terra, ar e fogo). Para ele todo o AT. e o NT. Estão repletos dessa simbologia:

As pedras preciosas (livro do Apocalipse), a ―luz‖, o poder da vida vegetativa (mito do paraíso, no livro de Gênesis, e a árvore da vida, na Nova Criação, conforme o Apocalipse), o poder dos animais (simbolismo religioso de energia do touro, do leão e da águia, o cordeiro como símbolo do sacrifício de Cristo no Calvário e, em sentido negativo, o poder ―demônio‖ da serpente e de outros animais) e o poder do corpo humano. (Tillich, 1992, p. 128-129)

Assume o papel importante da teologia em relação à ecologia, bem como a importância de ampliar a hermenêutica de uma ecoliturgia.

Os quatro elementos da natureza na interpretação de Tillich têm certo poder de vida, vê em tudo expressões da vida, de um processo vital, de um ―élan vital‖ ou ―poder criador da vida‖.

Assim a liturgia com os elementos vinculados à vida, ―quer devolver à natureza o seu caráter qualitativo, a sua profundeza e seu sentido. O poder das coisas seria o poder da alma ou do espírito presente nelas‖. Tillich continua: ―Todas as coisas estão cheias de certa energia material capaz de dotar as coisas ou parte das coisas, até mesmo o corpo humano… de poder sacro. O poder natural das coisas contém ao mesmo tempo o poder sagrado, e qualquer relacionamento com as coisas acaba sendo ritualista.‖ (1992, p. 128-129)

A água, em hebraico, não existe a palavra água, no singular. Elas são

sempre plurais: águas, maim (mem-iud-mem), cuja pronúncia lembra, em português, a palavra mãe. Das 664 citações da palavra água na Bíblia, 591 ocorrem nas páginas do Primeiro Testamento e 73 citações no Segundo Testamento. Existem muitos segredos nas letras hebraicas emersas das águas e das tintas dos escribas. Eles escapam completamente das traduções e dos tradutores.

Miranda cita Rabi Shlomo ben Itzjak, conhecido como Rashi comentando a torah e o talmude diz sobre Gen 1:2:

O espelhismo dual e aquático aparece na própria palavra maim (mem-iud-mem). Ela se escreve com três letras, com um mem de cada lado do iud. Da direita para a esquerda e da esquerda para direita pode-se ler ma e mi. Em hebraico, ma e mi correspondem aos pronomes interrogativos "o quê?" e "quem?". No centro, matriciada como num útero, está a letra iud. A letra mem se apresenta sob duas formas no alfabeto hebraico, sob duas geometrias. As duas grafias do Mem são um símbolo da matrizes das águas primordiais, uma aberta e outra fechada. As águas, como a palavra maim, contém um

iud no coração de seu segredo. O iud, como um grão de mostarda, é

a menor das letras do alfabeto hebraico. As energias aquáticas são inseparáveis da potência do iud, dessa semente, de onde elas germinam. As águas primordiais e matriciadoras são reveladas na Torá, antes mesmo do dia Um, antes que o Verbo de Deus tenha começado a "dizer". Ao planar sobre águas, o Espírito, Sopro Divino,

Ruah HaKodesh, as preenchia de sua potência paterna e as cobria

como mãe, para delas fazer surgir toda a Criação: o arquétipo Pai- Mãe é um princípio de Unidade. Desde o "dia segundo" manifesta-se o princípio da dualidade, da separação das águas, em águas de cima e de baixo, chamadas de mi e ma pela tradição oral.47 (cf. MIRANDA,

1995, p. 14-25)

As águas são como pressupostas na obra da criação, refletindo as faces de Elohoim. A água está tão associada à vida que é comum a expressão "águas vivas". Sem água, não pode haver vida. A água é indefinível, com muitos qualitativos. Fica- se sempre muito aquém de sua complexa e inatingível personalidade, chegando a conceber um pouco como o divino.

O homem é o único animal capaz de distinguir a água comum da água no uso litúrgico no sacramento. Os chineses, egípcios e hebreus descobriram o poder místico das águas para a espiritualidade. Como diz Miranda:

Todos os povos em suas manifestações religiosas foram buscar na água o elemento de transição, entre o sólido e o gasoso, entre a rigidez e a plasticidade, entre o peso e a leveza, entre a inconsciência e a consciência. Na tradição judaico-cristã, a água, elemento líquido vitalizante, símbolo maior do batismo, está presente em muitos ritos religiosos, transmutada em água benta. Na tradição judaico-cristã, a água também envolve muitos conteúdos simbólicos, da acolhida à despedida, do começo ao final, do batismo cristão e ao momento da benção do corpo nas exéquias, ela representa, antes de tudo, a perene transmutação do homem, sob o influxo da graça de Deus. (cf. MIRANDA, 1995, p. 20-50)

47 Rabi Shlomo ben Itzjak, mais conhecido por suas iniciais como RASHI, é considerado o mais ilustre e popular dos comentaristas da Torá e do Talmud. Sua influência foi decisiva na continuidade da cultura judaica durante o século XI.

As lendas sobre a água estão nas visões indígenas que chegou à cultura brasileira nas historinhas da Iara, da mãe d‘água, do boto encantado, das carrancas. A percepção das águas está no imaginário popular, nos elementos religiosos das culturas africanas presentes nos banhos de cheiro, nas oferendas em cachoeiras, procissões marítimas, trazendo-nos um imenso universo simbólico sobre as águas, de origem judaica e cristã. Isto nos leva a redescobrir a ecoliturgia em nossos contextos sociais e religiosos. Miranda fala da construção litúrgica e sua importância na tradição judaica:

A simbologia das águas da tradição judaica foi sendo ofuscada, congelada e até evaporada, ao longo de dois mil anos, pela leitura sob a ótica cristã do Primeiro Testamento, do Tanah. Os mistérios batismais e o Cristo pascal, autodenominado água viva e de cujo flanco brotaram sangue e água, foram os principais vetores de uma construção litúrgica, ritual e simbólica da experiência eclesial face às águas bíblicas. Os mistérios noáticos, pascais e grande parte dos encontros hídricos do Primeiro Testamento, foram e são objetos de novas e interessantes re-leituras cristãs, ao tempo em que a originalidade do hebraico e da tradição judaica foi sendo apagada ou pior ainda, imaginada como preservada, como por mumificação mutiladora. (cf. MIRANDA, 1995, p. 5-25)

Esta colocação remete às realidades simbólicas e culturais da percepção espiritual, social, terapêutica e individual da água. Debates sobre recursos ecológicos para expressão do culto em atos litúrgicos que tenham um conteúdo pedagógico terminam com generosas e urgentes recomendações sobre como educar a população para um uso responsável da água, como mudar consciências, atitudes. Em como redescobrir o valor da relação da liturgia e da ecologia, do meio ambiente numa perspectiva ecolitúrgica necessária.

Tillich fala um pouco do sentido dos quatro elementos da natureza no contexto do sacramento do batismo e relata que no Catecismo de Lutero encontra- se a firmação de que ―sem a Palavra de Deus, a água não passaria de simples água e não haveria batismo‖.

Tillich questiona a expressão: ―simples água‖: ―Se a água como tal pode ser descrita como ‗simples água‘, por que usá-la afinal? Porque não seria suficiente a ‗Palavra de Deus‘ sem qualquer água? Por que precisamos ainda de sacramentos?‖ (1992, p.122)

A relação entre água e batismo não é por acaso é o maior símbolo da Criação, donde emanam todas as coisas, a maior essência da natureza para a vida do homem. Neste ato não é ―uma simples água‖, mas ressalta importância da natureza na natureza do sacramento. Assim a relação entre água e batismo torna-se necessária. Tillich: ―percebe certo caráter especial ou qualidade própria da água, com seu poder particular. Em virtude desse poder natural a água pode tornar-se, adequadamente, portadora de poder sacro e transformar-se, assim, em elemento sacramental‖. (cf. 1992, p. 123-124)

Miranda fala desta relação: "As águas pulularam de uma profusão de seres vivos" (Gn 1,20). Foi uma pululação superlativa e de maior alegria. E nunca mais os seres vivos viveram longe da água, principal matéria prima de seus corpos. Eles habitarão as águas e serão por elas habitados. Assim a conexão da natureza, com a Tora e as letras do alfabeto hebraico forma uma integralidade com o Criador. (cf. 1995, p. 25-50)

A Terra é a corporeidade, na perspectiva cristológica das tradições

bíblicas, é também o final das obras criadas por Deus. A terra é objeto e o cenário do amor do Criador. Os seres humanos foram criados à sua imagem.

Conforme Miranda, (1992) ―os elementos da natureza foram os principais vetores de uma construção litúrgica, ritual e simbólica da experiência eclesial‖. A terra firme e seca, como o firmamento, imagem do consciente, também emerge do meio das águas de baixo, imagem do inconsciente. Seco e úmido, consciente e inconsciente, duas dimensões a serem harmonizadas. É através de uma operação de concentração, do alinhamento das águas de baixo, sob os céus, em um único ponto, que o seco se faz visível, uma imensa pangea (Gn 1.9). O alinhamento das águas, o Divino chamará mares e o seco, a terra. Elohim diz: "A terra arrelvará de relva, ervas semeando sementes, árvore-fruto produzindo fruto por sua espécie, cuja semente traz em si sobre a terra". E é assim (Gn 1.11). A terra e o ar estão entre duas grandes massas de águas. Quando Deus decide escancarar as aberturas dos céus, os reservatórios do grande abismo despejam sua água aniquiladora sobre a terra. Foi assim no dilúvio, mabul, (mem-beit-vav-lamed) (Gn 7.11). (1995, p. 20-50)

Deus mobiliza e usa as águas para fazer o barro com o pó da terra e modelar o humano, como também sua vida, existência e morte estão intimamente ligadas ao homem e à terra. Como na expressão divina dirigida a Adão, ―Adam: volta-te para o pó ou ao pó voltarás.‖

Considere, dirige teu olhar, tua inteligência para o fato: ―és pó, terra,‖ adamá. Consideres que és pó! Uma reflexão muito distante do tom de sepultura das leituras superficiais dessa passagem do Bereshit (Gn 3,19), que diz na realidade sua vivência em relação à terra. Essa consideração do hino litúrgico evoca a contemplação, a inteligência da fé e a sacralidade do Humano e da Terra. (cf.1995, p. 50- 70)

O pão e o vinho são símbolos do alimento humano. Extraído da terra, Trigo moído e uva espremida, passam a ser sacramentos, sinal do sacrifício da natureza, em favor dos homens, bem como o Cristo que se fez carne em sua máxima do sacrifício da Cruz.

Em Tillich os elementos sacramentais não são ―sinais que apontem para algo estranho a si mesmo‖, mas símbolos e como tais estão intrinsecamente relacionados com aquilo que expressam:

Eles têm qualidades inerentes (água, fogo, óleo, pão, vinho), que os tornam idôneos à sua função simbólica e são insubstituíveis. O Espírito ―usa‖ os poderes de ser da natureza para ―entrar‖ no espírito humano… não é a qualidade dos materiais como tais que os torna meios da presença Espiritual são isso sim, sua qualidade de serem trazidos para dentro da união sacramental, mas expressam a presença viva do espírito. (cf. 1992, p. 479-480)

O Fogo, simbolizado pela cor vermelha, como a luz, o fogo e o sangue dos

mártires, é a cor das celebrações do Espírito Santo e da Igreja: Pentecostes. ―O mesmo Espírito que pairava sobre as águas primordiais e que ungiu Jesus para sua missão messiânica nos é dado em cada celebração litúrgica para que levemos adiante a criação de Deus, como salvação, como realização plena. (cf. 1992, p.479- 480)

O fogo ora queima, ora aquece, ora brilha, ora purifica. Está presente na liturgia da vigília Pascal do Sábado Santo e nas incensações, como as brasas nos turíbulos. O fogo pode multiplicar-se indefinidamente. Daí, sua forte expressão simbólica. É símbolo, sobretudo da ação do Espírito Santo (Cf. Eclo 48.1; Lc 3.16; 12.49; At 2.3; 1 Ts 5.19), e do próprio Deus, como fogo devorador (Cf. Ex 24.17; Is 33.14; Hb 12.29). Como símbolo da luz que brilha, em oposição às trevas, e mesmo no plano natural é necessária à vida, como a luz do sol. Ela mostra o caminho ao

A luz produz harmonia e projeta a paz. Como o fogo, pode multiplicar-se indefinidamente. Uma pequenina chama pode estender-se a um número infinito de chamas e destruir, assim, a mais espessa nuvem de trevas. É o símbolo mais expressivo do Cristo Vivo, como no Círio Pascal. A luz é, pois, a expressão mais viva da ressurreição. (cf. BUYST, 2008. p.4-7)

Ramos (2008), diz que foi no renascimento que se ampliou o estudo da natureza das cores através da sua relação com a luz, a procura do realismo, conjuntamente como desenvolvimento da perspectiva e do método geométrico de representação do espaço.

Alberti (1404-1472) descrevia quatro cores fundamentais – vermelho (fogo), azul (ar), verde (água) e cinza (terra) sendo todas as outras cores resultantes da mistura destas:

Secularmente, o estudo das cores passou a ser feito mais sistematicamente no período do Renascimento, por Alberti que relacionou as cores com os quatro elementos da natureza: vermelho – fogo, azul – ar, verde – água, cinza – terra; e por Leonardo Da Vinci, que propôs a seguinte simbologia cromática: branco – luz, amarelo – terra, verde – água, azul – ar, vermelho – fogo, e preto – trevas. (RAMOS, 2008)

Goethe amplia o significado e conhecimento das cores, elaborando uma teoria das cores alternativa à do grande físico inglês Isaac Newton (1642-1727). Goethe a concebeu como uma totalidade orgânica e viva, em profunda conexão com o mundo espiritual, a natureza e toda criação e não um mecanismo frio e sem alma, constituído apenas por matéria em movimento. Deu início a um novo método de aproximar o homem com a natureza, numa concepção do mundo expressa na fusão da intuição com o pensamento, contrapondo-se ao pensamento mecanicista vigente. (cf. GOETHE, 1993)

Cada função tem sido usada de forma que influencie o ser humano fisiologica,