2. MATERIALS AND METHODS
2.2 M ETHODS
2.2.4 Cloning
A espiritualidade só é práxis à medida que você pode repensar práticas de aprendizagem, do culto, da vida espiritual, da liturgia e dinâmicas pedagógicas nas práticas religiosas que podem mudar o meio, com saúde integral, crescimento, libertação e um novo modo de vida em relação a Deus, à Criação e ao outro. É nesse sentido que se tem a necessidade de uma pastoral diz Silva: ―Ter uma pastoral de comunhão... que consiste em unir os seres humanos entre si para a construção do novo céu e da nova terra... uma pastoral de visibilidade de Deus... uma pastoral litúrgica que possibilite a reconciliação do ser humano, consigo mesmo e com o próximo e com toda a obra da criação‖. (2008, p. 15)
Uma pastoral de comunhão deve expressar uma práxis litúrgica cristã da igreja que possa trabalhar na dimensão da conscientização, da cidadania e das celebrações cúltica de formas pedagógicas, a fim de produzir alternativas de soluções para a preservação da vida no planeta. Assim, precisamos desconstruir, construir e reconstruir a liturgia tradicional existente e ampliá-la no contexto de uma ecoliturgia, de comunhão, reconciliação e ecumênica. Como afirma o rabino Ary Glinkin: ―Tanto o judeu, quanto o islâmico, o católico e o budista bebem água e respiram, então, a ecologia por si só já é ecumênica‖. Assim, como salvar a humanidade sem salvar o lugar onde ela habita e do qual depende para sobreviver.
De forma que atentar contra o meio ambiente deve mesmo ser enquadrado como um pecado contra o planeta e contra a própria humanidade. (cf. FARIAS, 2010) O reino de Deus direciona a igreja a uma visão integral, de uma espiritualidade de totalidade e universal, essa formação para a ética da Igreja é essencial, pois, somos seres espirituais que experimentar através da Criação, o significado da fé nas práticas do culto e da liturgia da vida. Assim Wesley cita: ―Deus jamais abandona a sua Criação – Rm 11.36, é Dele como Criador, é por meio Dele como preservador, é para Ele como parte do seu reino. Deus está em todas as coisas‖. (CD Sermões, Wesley, 2008)
Uma pastoral, profética, libertadora e de esperança, dá lugar a uma práxis com atos humanos, de valorização da vida e das relações interpessoais. Se a Igreja enquanto comunhão ou comunidade de cristãos se distancia da práxis, não só vive fora do mundo, da história e do futuro, como, deixa de cumprir seu papel. Deixa de realizar sua ação profética, de atos concretos de piedade e misericórdia, na liturgia, na espiritualidade e na vida das pessoas. Buyst, em sua colaboração destaca que:
A liturgia é realizada pela comunidade. Além disso, a comunidade cristã é gerada e alimentada continuadamente pela liturgia. A liturgia para ser cristã deve ser engajada e comprometida com a continuação da missão libertadora de Cristo. E o engajamento cristão brota da participação no ministério pascal de Jesus Cristo na liturgia. O ministério pascal de Jesus Cristo é celebrado com sinais sensíveis que perpassam a corporeidade humana: reunião com os irmãos, a saudação, o abraço, orações faladas ou cantadas, a escuta das leituras das escrituras, o canto de salmos, a ceia, etc. Essas ações simbólicas ligam duas realidades, duas pessoas: Cristo e seu povo. (1989, p. 102)
No encontro comunitário, para celebrar a liturgia, necessário se faz que a comunidade sinta a alegria nessa participação. A equipe de liturgia, ou seja, as pessoas destinadas a organizar as celebrações, devem ser mais sensíveis em relação á escolha dos cânticos e sua entoação. Um cântico entoado com expressão alegre contagia a comunidade. Nessa perspectiva, Silva, aponta elementos instigadores a serem refletidos na liturgia cristã: ―A ausência de uma estrutura rígida em contrapartida a uma liturgia estruturada, como tem sido a prática de muitas igrejas durante vários anos, deixa o culto mais rico para aquele que participa dele‖. (cf. 2005, p. 213-214)
A crise da práxis cristã se instala na vida da igreja, pelos vários preconceitos da sociedade: falta de uma consciência social cristã, embasada nos evangelhos de alternativas teológicas; alienando a igreja do mundo onde vive, fragmentando o culto da vida, para o culto de domingo, reduzindo a espiritualidade em religiosidade.
Esta forma de expressar é retirar a responsabilidade social da igreja, anulando os vínculos da razão do evangelho que é produzir: fé e obras, dons e frutos, graça e conhecimento, igreja e sociedade, evangelho social e salvação cósmica.
Para Buyst a práxis da ecoliturgia:
É uma liturgia que nos educa para o cuidado, a reverência, e a responsabilidade. A carta da terra50 lembra que ―somos, ao mesmo
tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões locais e globais estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza‖. Desta maneira a liturgia estará inserida dentro do movimento que ganha dimensão universal e contribuirá para a sensibilidade, a consciência e o compromisso ecológicos. (cf. BUYST, 2008, p. 4-7)
Nessa direção a práxis pastoral litúrgica ecológica colabora para dar uma interpretação às novas dinâmicas sociais e econômicas, possibilitando a descrição e análise da complexidade imposta pela globalização neoliberal. Busca fundamentação na práxis, como método de observação, reflexão, e ação sobre a realidade do meio ambiente, da criação e das questões da sociedade. Liturgia é vida em relação ao universo e ao humano: ―Liturgia é vida, dela não participamos com seres desencarnados, mas como corpos que vivem em relação com o universo criado. Nós somos ―soma sig.― ―Corpo,‖ ser humano em sua existência concreta.‖ (cf. MACKENZIE, 1983, p.191)
Moltmann destaca os desafios da ação pastoral, de não ser opção da igreja, mas condição necessária de descobrir o Deus da Criação nesta terra de Deus:
50 A Carta da Terra é “fruto de uma consulta mundial durante 8 anos (1992-2000), um dos documentos mundiais mais importantes do ponto de vista ético e espiritual”(Leonardo Boff. Texto básico do 12º Intereclesial, p.95).
Confrontadas com o ―fim da natureza‖, ou as igrejas irão descobrir a importância cósmica de Cristo e do Espírito, ou elas se tornarão cúmplices no aniquilamento da criação de Deus aqui na terra. O que em épocas anteriores, sob a forma de desprezo pela vida, hostilidade ao corpo e distanciamento do mundo, não passava de uma disposição interior, é hoje uma realidade diária no cinismo da progressiva destruição da natureza. A descoberta da amplitude cósmica do Espírito de Deus, em vez de levar a respeitar a dignidade de todas as criaturas, nas quais Deus está presente por seu Espírito. Na situação atual, esta descoberta não é poesia romântica nem visão especulativa, mas sim a condição necessária para a sobrevivência da humanidade nesta terra de Deus, que é única. (MOLTMANN, 1999, p. 21)
Conforme Rudolf von Sinner, a ética cristã é a ciência da conduta humana que se determina pela conduta divina baseada no AT. E NT, marcas da identidade do cristão.
Ética vem do grego ethos, são costumes ou práticas que são aprovados por uma cultura. (cf. SINNER, 2008, 9-26; 75-86) Esta ética deve tratar o ser humano e sua cultura no seu contexto social como parte de uma ecoliturgia.
Uma pastoral ecolitúrgica deve promover ações éticas, cristãs e de profunda espiritualidade que visualize o ser humano de forma integral numa inter-relação com os ecossistemas naturais, a vida silvestre, o uso racional das reservas naturais, o controle rigoroso da poluição industrial, a melhoria no ambiente urbano, na moradia, no trabalho, na alimentação e no meio ambiente
A melhoria no ambiente rural, um programa sustentável econômico, político e social. Mas, evidentemente, a realização de todo esse programa de mudanças na produção e na organização social não poderá ser concretizado sem a conscientização da população, sem mudanças de mentalidade, na auto- compreensão do ser humano com o meio ambiente e seus valores. (cf. BOFF, 1993, p. 37-62)
A vivência autêntica da fé, o exercício da vida comunitária e a práxis litúrgica na dimensão pública da fé na sociedade, cooperam com a necessária e urgente releitura bíblico-teológica da realidade.
Nesse sentido, eclesiologia, ecoteologia e ecoliturgia, encontram-se fortemente ligadas.
A imagem política está relacionada à capacidade de comunicação entre o Criador e o conjunto da criação. Não se trata de antropocentrismo, mas de destacar o caráter da mordomia cristã, da responsabilidade do ser humano com o cosmos. A relação entre humanidade, eclesialidade e meio ambiente, portanto, depende diretamente da renovação da imagem política de Deus na humanidade. (cf. RIBEIRO, 2004, p. 60-61)
A práxis pastoral litúrgica ecológica deve ser praticada de modo a alcançar relacionamentos misericordiosos, justos, pacíficos e solidários com toda a criação, restabelecendo a harmonia, a amizade e a cooperação.
O desafio da igreja ao ter a práxis como referencial para uma ecoliturgia, a interpretação dos sinais oriundos da globalização neoliberal torna-se mais precisa e positiva, possibilitando a resistência e a denúncia dos aspectos perversos desta globalização.
Por isso, é necessário conhecer em profundidade o espaço em que a pastoral ecolitúrgica irá se desenvolver, pois sem uma leitura cuidadosa da realidade, toda construção tende à abstração.