Apresentar a importância do Credo Social na vida e missão da Igreja é, na verdade, um exercício de leitura, aonde os passos vão se sucedendo, em especial na construção de uma Igreja Metodista, que surge em um país de colonização Católica Romana, que até meados do século XX, manteve-se relacionada diretamente aos interesses de uma minoria, sustentando em sua forma de culto a opressão e exploração dos menos favorecidos.
O artigo Expansão da Fé e do Império luso: principal meta do descobrimento, de Frederico R. Abranches Viotti, publicado pela revista Catolicismo18 em comemoração aos 500 anos do Brasil, apresenta detalhes da intenção do império português de não só expandir seus negócios com a Índia, como também, converter os povos encontrados pelos navegantes. Neste artigo, o autor descreve detalhes da preparação para o envio da expedição que chegaria às margens da terra de Vera Cruz, de frente para o Monte Pascoal. No dia oito de março de 1500 reuniu-se, na capela da Ermida de São Jerônimo, na cidade de Lisboa, toda a corte e os membros da expedição que iriam sair em viagem para a celebração da missa a Nossa Senhora de Belém, onde:
Após o Sermão, pronunciado à luz de tochas, D. Diogo benzeu uma bandeira de Ordem de Cristo – Ordem Militar originária dos Cavaleiros Templários da Idade Média – e, retirando-a do centro do altar, a entregou a El-Rei. D. Manuel passou-a então a Pedro Álvares Cabral, colocando-lhe também na cabeça uma barrete bento, que o Papa lhe mandara. Depois, fez-se uma solene procissão de relíquias e cruzes para acompanhar Cabral ao batel que o levaria à sua nau – a nau capitânia. Seguiu à frente o Bispo, ladeado dos acólitos e precedido do porta-cruz e dos capitulares; acompanhavam-no os freires de Cristo, com as tochas na mão. El-Rei faz as recomendações finais. Elevam-se estandartes e bandeiras. Retinem e silvam trombetas, atabaques, flautas e rufam os tambores. No dizer de João Barros “não parecia mar, mas campo de flores, com a prol daquela mancebia juvenil, que embarcava” (CATOLICISMO, 2000, p:22).
Após a celebração e a partida da expedição, o mesmo artigo trata do clima religioso a bordo, da inspiração da Páscoa como primeira denominação no Brasil e também descreve detalhes da missa no nascimento da nação. Sobre a primeira missa escreve Viotti:
Convocada toda a tripulação, fez-se um enorme cortejo de mais de 1000 homens. “cantando em maneira de procissão”, com os estandartes da Ordem de Cristo bem erguidos à sua frente, os homens seguiram até o local “onde nos parecera melhor fincar a Cruz, para ser melhor vista”. Vários índios logo se juntaram à procissão e ajudaram a carregar a Cruz diante da qual renovar- se-ia o Santo Sacrifício do Calvário, ato que ficou imortalizado na História como A Primeira Missa.
Após a celebração, Frei Henrique distribuiu várias cruzes de estanho aos indígenas: “pelo que o padre Frei Henrique se assentou ao pé da Cruz e ali, a um por um, lançava a sua [cruz] atada em um fio ao pescoço, fazendo-lha primeiro beijar e alevantar as mãos” (CATOLICISMO, 2000, p: 25).
18 CATOLICISMO publicação mensal da Editora Padre Belchior de Pontes LTDA. Que tem como jornalista
Também na edição comemorativa dos 500 anos do Brasil da revista Voz Missionária19, o jornalista Percival de Souza, escreve um artigo com o nome O Brasil
Encoberto, trazendo-nos a memória a primeira celebração religiosa em solo
brasileiro, e diz: “A gente pode imaginar o desembarque, a missa celebrada por Coimbra, a cruz feita de pau-brasil. A poeira da História atravessa a noite dos tempos e completa 500 anos”20, lembrando-nos da presença dos cristãos Católicos Romanos já na chegada dos europeus em nossas terras.
No mesmo artigo, O Brasil Encoberto, já escrevendo para o nosso século, Percival escreve:
“A riqueza primitiva, pau-brasil, quase acabou-se. Tem de ser substituída pela luz e pelo sal do evangelho, pelo amor e pela paz, pela solidariedade e testemunho, pela vontade de mudar e transformar, pelo destemor de converter e dignificar. Sentimentos que são vontade do Senhor, expressa nas Sagradas Escrituras”.21
Os trabalhos metodistas no Brasil no início do século XX, realizado através das missões da Igreja Metodista Episcopal do Sul – IMES se deu primeiro com os migrantes norte americanos, alemães e italianos. Porém, o interesse era em conquistar os “nativos” de fala portuguesa, que por sua vez, era a porção pobre da população brasileira, geralmente trabalhadores rurais, residentes nas fazendas, chácaras e sítios. Além destes, embora não tenham registros de trabalhos específicos voltados à evangelização dos escravos recém libertados, Reily escreve que “os metodistas não realizaram nenhum trabalho entre os escravos negros” (REILY, 1990, p. 73). Mesmo assim há evidências de uma significativa presença de negros nas igrejas metodistas, como escreve:
Mas se não houve nenhum trabalho metodista entre os escravos e, depois da emancipação, nenhuma missão específica aos negros, há evidência de um significativo peso de negros nas congregações metodistas, o que sugere uma ligação estreita entre cor e pobreza (REILY, 1990, p. 74).
Os metodistas eram na verdade trabalhadores rurais, onde as mulheres trabalhavam lado a lado com seus maridos, crianças e jovens lidavam na lavoura auxiliando na produção do sustento familiar. Embora o nome das paróquias ou
19 Voz Missionária é uma publicação trimestral da Igreja Metodista destinada às Sociedades Metodistas de
Mulheres e às famílias em geral sob a responsabilidade da Confederação das Sociedades Metodistas de Mulheres. Registrada no 1º Oficial de Registro de títulos e documentos e cível de pessoas jurídicas sob o nº 483 livro B nº 1 de matricula de oficinas impressoras, jornais, revistas e outros periódicos. Fundada em 18 de setembro de 1929.
20 Voz Missionária, Ano 70 – I Trimestre de 2000, p. 20, 2000. 21 Voz Missionária, Ano 70 – I Trimestre de 2000, p. 21, 2000.
circuitos fossem dados em conformidade com as cidades, os trabalhos eram geralmente rurais, como escreve Reily:
O nome do circuito geralmente é de uma cidade, quando, na realidade, era comum que grande parte dos membros morava na zona rural. O Presbítero Presidente escreveu sobre o trabalho metodista, em Capivari, SP, assim: ‘Sempre insisti com os obreiros na necessidade de enfatizar o trabalho nas partes rurais, pois são de longe as mais prometedoras. O povo da cidade é tão indiferente’ (REILY, 1990, p. 74).
Neste mesmo período encontramos a existência de duas Igrejas com características urbanas, uma no Rio de Janeiro e outra em Belo Horizonte. A do Rio, localizada no bairro do Jardim Botânico era uma igreja voltada a operários da indústria têxtil e a de Belo Horizonte, uma igreja que por muitos anos se reuniu em uma residência um pouco melhor do que um casebre compostas por militares. Disto podemos concluir que ambas eram Igrejas de trabalhadores/as dos centros urbanos. Duncan Alexander Reilly escrevendo sobre Os Metodistas no Brasil (1889- 1930) diz: “Enquanto o metodismo fazia sua penetração no meio dos pobres, os quais constituíam a grande massa da população brasileira, ele percebia claramente que havia outras classes que deveriam ser atingidas, as classes dominantes ou dirigentes, os ricos, os intelectuais” (REILY, 1990, p: 75). No início o trabalho com as classes dominantes se deu através da educação, e fora implantado com vistas a proporcionar, mesmo que sem a conversão, o ensino de princípios éticos cristãos aqueles/as que governariam os caminhos da nação.
No tempo da autonomia da Igreja, é importante destacar o surto nacionalista com manifestações sócio políticas de nosso país, como por exemplo, o tenentismo na década de 20. Outro ponto a destacar é a condição sócio econômica da liderança clériga e leiga da Igreja composta de uma nova classe média. Isto acontece concomitantemente com acontecimentos marcantes na História do Brasil. O Professor Rui de Souza Josgrilberg afirma que “Está nas veias do metodismo wesleyano ligar a mensagem aos problemas sociais pátrios e mundiais. Wesley vinculou a evangelização ao trabalho de superar os vícios e os males sociais do povo inglês e à construção de uma Inglaterra mais justa, mais cristã, mais livre e melhor. No Brasil esta preocupação pela pátria veio no bojo do projeto liberal missionário” (JOSGRILBERG, 1990, p: 125).
A Igreja autônoma que surge como Igreja Metodista do Brasil nos anos 30 é diretamente relacionada a este contexto. Sendo assim, identificar a prática social por
ela realizada ao longo dos tempos é uma tarefa que se dá através do compreender claramente os eventos ocorridos a partir da realidade humana. O Rev. Hugh Clarence Tucker no texto sobre a “Atitude da Igreja Metodista do Brasil perante o
Mundo e a Nação”, por ele apresentado ao II Concílio Geral no ano de 1934 e
aprovado no dia 16 de janeiro de 1934, discorre sobre os:
Problemas Sociais
Não podemos deixar de manifestar a consciência cristã perante os problemas sociais, econômicos e industriais. O misticismo isolado da sociedade, indiferente aos sofrimentos do homem, não serve para o mundo moderno. O Evangelho que nós pregamos é uma força social transformadora. Combatemos o materialismo, o amor ao lucro, a avareza, o nepotismo, o egoísmo. Urge que os raios X dos ensinos de Jesus penetrem o íntimo de nossa civilização. O amor deve ser aplicado em todas as organizações da vida humana e a religião, a força centralizadora da vida diária. Reconhecemos a grande dificuldade que há na solução dos graves problemas sociais e a necessidade dos conselhos de técnicos especializados nos respectivos assuntos. É nosso dever, todavia, estudar os problemas sociais contemporâneos e estar informados das transformações sociais e industriais que se realizam hoje. Este vasto campo exige pesquisas e educação especializada. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para estudar tais questões à luz da ciência. A contribuição especial da Igreja no campo social é perfeitamente clara: é a de facilitar uma compreensão mais viva dos acontecimentos e dar uma perspectiva mais larga e mais clara em meio da confusão reinante. A visão do Reino de Deus deve elevar-nos acima das correntes da história e das mudanças complexas do mundo de modo que, com vistas elevadas, possamos observar os interesses humanos antagônicos e voltar novamente ao seio da vida humana para fazer a nossa parte pela cristianização da ordem social com nova coragem e fé renovada. Combatemos a tentação de fugir da vida, com seus problemas e lutas para nos enclausurarmos na religião pessoal. Confiante em que os valores supremos que determinam a vida do mundo são éticos e espirituais, levamos aos homens as boas novas do Evangelho, que são o remédio das nações (IGREJA METODISTA - CÂNONES, 1934, p: 95-97).
O Credo Social, como doutrina social da Igreja Metodista, tem sido o parâmetro utilizado para a leitura-interpretação e também como elemento base para responder às realidades sociais onde está inserida a Igreja local, nos bairros, nas vilas e cidades. Josué Adam Lazier, afirma que o Credo Social é a "formulação e concepção da responsabilidade da igreja e sua membresia, frente à sociedade e as questões que a envolvem” (LAZIER, 2008, p:106), em que as Bases Bíblicas se apresentam como um texto litúrgico fazendo com que se evidenciem a compreensão que a Igreja tem de mundo e sua responsabilidade diante das questões sociais.
A ideia principal que sustenta a importância do Credo Social, elaborada no ano de 1930, a partir da aceitação do Credo Social da Igreja Metodista Episcopal Sul como parte de sua base eclesiológica é:
Visto que a Igreja de Deus foi devidamente comissionada para apresentar Jesus Cristo a cada geração como o único meio de solucionar os problemas humanos e para trabalhar a fim de que a Ele todas as cousas se sujeitam, a Igreja Metodista do Brasil considera os problemas de uma nova e justa orientação industrial e social como um desafio à sua comissão, e, por isso, interpretando o Evangelho tanto para o indivíduo como para a sociedade, declara-se solidária com os demais ramos da Igreja de Cristo na defesa dos seguintes princípios, que constituem o seu Credo Social (IGREJA METODISTA - CÂNONES, 1930, p: 11).
Diante desta ideia, a Igreja Metodista do Brasil deu os seus primeiros passos até a década de 60, quando o Concílio Geral aprovou um Plano para o Quinquênio intitulado: A Igreja Local no Plano de Deus. Os secretários gerais, com a finalidade de ajudar a Igreja viver a ênfase para o ano de 1962 – A Igreja Local e Sua Cultura
Bíblica e Religiosa, escreveram 11 estudos para os metodistas com o título de Ação Leiga e a Preocupação Social da Igreja, uma forma de definir claramente o
ministério do leigo e a importância do Credo Social para a ação da Igreja neste tempo.
Período de grandes e rápidas transformações sociais, a Igreja experimentou tempos de esperança, crises e contradições. Realizou-se nesta década quatro Concílios Gerais, marcados pelo desejo ardente de construir uma igreja tipicamente brasileira, inserida no contexto do povo, pronta para ajudar na superação das estruturas dominantes, não esquecendo que esta década foi também marcada pelo golpe militar e a perseguição política. Neste contexto nos Concílios Gerais de 1960 e 1970/71, o Credo Social sofreu alteração com o intuito de atualizá-lo diante das necessidades vivenciadas pelo povo.
Em 1960, o Credo Social foi reformulado sendo ampliado e organizado em sete itens, um documento que enfatizava a busca pela justiça social, política e econômica, era, segundo Lazier,
um documento de grande abrangência e de uma abertura no interior da Igreja no sentido de conceber a sua missão de forma contextualizada, profética, sinalizadora da vida, educativa e formadora da cidadania e de perceber as oportunidades de cumprimento da missão que a Igreja professava de forma concreta e relevante (LAZIER, 2008, p:107).
Ainda sobre o Credo Social aprovado em 1960, existe o que chamo de apresentação do documento, o texto Doutrina Social da Igreja Metodista do Brasil, do então secretário executivo da Junta Geral de Ação Social da Igreja Metodista, João Parayba Daronch da Silva, daquele período eclesiástico. Nele, são
apresentados os dois documentos que expressam o esforço da Igreja Metodista em ligar a fé cristã com a vida concreta da sociedade, segundo o próprio auto.
O primeiro por ele destacado são as Regras Gerais que datam do século XVIII na Inglaterra, documento que se baseia nos costumes e tradições metodistas, significando que os metodistas devem também apoiar nas tradições e costumes no exercício da vida cristã em relação com o meio em que vive. O outro documento é o Credo Social, documento que pretende ser a formulação da doutrina social ou da responsabilidade da Igreja Metodista do Brasil no que diz respeito a promoção da vida e da dignidade humana.
Destaco algumas das afirmações do então Secretário da Junta Geral de Ação Social, João Parayba Daronch da Silva no decorrer da década de 60:
A fé cristã, resposta de Deus, implica, por sua natureza, o encontro com o próximo na situação histórica [...]. O próximo aparece em uma situação de pobreza estrutural: é pobre não por mera insuficiência pessoal para sair da pobreza, mas por causa das estruturas sociais dentro das quais existe. Este “próximo” exige do cristão, que toma a sério as implicações de sua fé, uma atuação em sociedade que o liberte dessa pobreza estrutural mediante mudanças, não só de sua situação individual, mas das estruturas que o tornaram pobre!22
Precisamente, na repercussão social da pregação de Wesley e dos leigos do metodismo primitivo, é que se pode avaliar a amplitude de sua visão do Evangelho e dos problemas humanos. Sua luta incessante contra a corrupção política, a luxúria e avareza dos ricos, o desemprego, a escravidão, a guerra e sua desumanidade, a escola como privilégio de minoria, o alcoolismo como força de degeneração da personalidade, é que mostram a visão social do pioneiro do metodismo. Assim, o teste mais relevante para avaliarmos o pensamento social de Wesley como Evangelista é o impacto de sua mensagem na sociedade da Inglaterra.23
Exatamente esta é a significação do Credo Social da Igreja Metodista do Brasil: uma tomada de consciência dessa responsabilidade social em termos da situação brasileira; iluminada essa consciência e essa responsabilidade pelo discernimento do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Negar a responsabilidade social do cristão só é possível, para a Igreja Metodista do Brasil, negando-se o Evangelho e a tradição do metodismo no mundo.24
O X Concílio Geral da Igreja Metodista realizado em 1970 novamente alterou o Credo Social, incluindo-o como parágrafo do artigo 4º da Constituição, no item intitulado Das Doutrinas, ficando assim o artigo 4º - “A doutrina social da Igreja
Metodista se expressa no Credo Social” (IGREJA METODISTA - CÂNONES, 1970,
22 Junta Geral de Ação Social. Doutrina Social da Igreja Metodista do Brasil. São Paulo, SP: Imprensa
Metodista, 1968, p. 4-5
23 Junta Geral de Ação Social. Doutrina Social da Igreja Metodista do Brasil. São Paulo, SP: Imprensa
Metodista, 1968, p. 10.
24 Junta Geral de Ação Social. Doutrina Social da Igreja Metodista do Brasil. São Paulo, SP: Imprensa
p:11). Esta alteração apresenta uma nova característica teológica, em que a Igreja se dispõe a viver a vontade de Deus no mundo, e, sobre isto escreve Clory Trindade Oliveira:
A inclusão da expressão ‘a doutrina social da Igreja Metodista se expressa no Credo Social’ é resultado natural da mudança de teologia, que se coloca ao dispor da ação de Deus no mundo (OLIVEIRA, 1982, p: 41).
Sob este novo enfoque o Credo Social é contextualizado com a realidade do povo brasileiro, que vivia sob um forte regime militar, dois anos após o fechamento da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, a perseguição de membros da igreja pelo regime, deletados, inclusive por irmãos na fé metodista. O novo Credo Social agora visa nortear as ações da Igreja a partir de temas como a justiça social e econômica, democracia, compromisso com a população carente e marginalizada, direitos humanos e a viabilização para a promoção humana. O metodismo brasileiro passava a exercer uma nova consciência social, a partir da:
Maior abertura da Igreja para a sociedade e para a cultura brasileiras, aproximou-a da realidade nacional, em termo de predominância da classe pobre e oprimida no país. O revigoramento do Credo Social, a formulação de uma doutrina social, o preparo de um documento sobre o sistema de educação Metodista, voltado para o pobre, a assinatura do novo contrato de cooperação com a Igreja Metodista norte-americana, consagrando a opção pelos pobres, tudo isto e outras providências e práticas, indicam uma nova consciência do Metodismo brasileiro (OLIVEIRA, 1982, p: 45-46).
O Credo Social é um documento inspirador para os planos quadrienais e posteriormente, no ano de 1982, para o Plano para a Vida e Missão da Igreja – PVMI25 , documento em que a Igreja define sua forma de relacionar com o meio social a sua volta, visando demonstrar através de ações cristãs no contexto social as orientações descritas no Credo Social, conforme Cláudio de Oliveira Ribeiro:
Em 1978, em Piracicaba, o XII Concílio Geral estabelece um novo plano quadrienal (1979-1982), com o tema “Unidos pelo Espírito Metodistas Evangelizam”, cujas ênfases indicavam a necessidade de uma inserção mais positiva da igreja na sociedade, tendo em vista os valores do reino de Deus e de sua justiça. Em 1981, a Igreja Metodista conclui a Consulta Nacional sobre a Vida e a Missão da Igreja, pensada como forma de marcar os cinqüenta anos da autonomia da Igreja Metodista (1930-1980). Ela indicou a necessidade de um plano que pudesse nortear a ação missionária da igreja a partir de uma perspectiva integral, participativa e que reafirmasse a responsabilidade social cristã, já anteriormente indicada no Credo Social (RIBEIRO, 2005, p: 26).
O Credo Social serviu de sustentação em muitas ações da comunidade metodista, entre elas o movimento dos jovens universitários na década de sessenta, período em que o país passava por uma crise política diante da revolução militar. Os metodistas, embasados em suas afirmações de fé no Evangelho e com o Credo Social nas mãos, agiam corajosamente na denúncia das “injustiças, opressões, cerceamento da liberdade, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos políticos. Também era a base para as propostas de construção de uma sociedade em que todos pudessem viver com dignidade”.26
A importância do Credo Social na vida e missão da Igreja Metodista é proporcionar aos seus membros o conhecimento necessário para transformar o mundo, visando sempre o Reino de Deus na terra. Assim como afirma o Credo: “A Igreja Metodista reconhece sua tarefa docente de capacitar os membros de suas congregações para o exercício da cidadania plena. O propósito primordial dessa missão é servir ao Brasil através da participação ativa do povo metodista na formação de uma sociedade consciente de suas responsabilidades” (IGREJA