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4. THEORY

4.1. I NTERNAL E NVIRONMENT

Os meios de hospedagem de João Pessoa apresentam uma relação com as centralidades estabelecidas ao longo da história da própria cidade, compreendida em três etapas. A primeira está relacionada à região do Varadouro, que teve o seu apogeu na fase compreendida entre os anos de 1891 e 1920. Ali se concentrava praticamente toda a atividade econômica e administrativa da cidade, chegando a ter vinte e dois estabelecimentos de hospedagem.

A segunda etapa está relacionada à construção do Paraíba Hotel, depois denominado de Paraíba Palace Hotel, localizado na Praça Vidal de Negreiros, também conhecido como Ponto de Cem Réis. Nessa nova centralidade, o apogeu da atividade hoteleira aconteceu na década de 1970, quando entraram em funcionamento dezessete meios de hospedagem. Nas décadas seguintes, houve expressiva decadência, com apenas seis novos estabelecimentos, que iniciaram suas atividades na década de 1980, e quatro, na década de 1990. Na primeira década do ano 2000, não foram criados novos estabelecimentos nessa área da cidade.

A terceira etapa teve início em 1971, com a entrada em funcionamento do Tropical Hotel Tambaú. Esse foi um fato marcante para a cidade, na medida em que trouxe mudanças no uso do solo na região da orla marítima, estabelecendo uma nova centralidade. Na década de 1970, quatro estabelecimentos de hospedagem iniciaram suas atividades na praia; dezoito, na década de 1980, e vinte e um, na década de 1990. Na primeira década do Século XXI, eram trinta e três novos estabelecimentos, que consagraram a orla marítima como o principal centro hoteleiro da cidade.

a) Região do Varadouro

Na região do Varadouro, instalaram-se os primeiros estabelecimentos de hospedagem da cidade, na época, denominada de Parahyba. A região era conhecida como cidade baixa, um local de grande atividade comercial e que teve o seu apogeu no final do Século XIX e início do Século XX.

Figura 6 – Pensão existente no início do Século XX

Fonte: (RODRIGUES, 1974).

Nessa época e até meados de 1920, existiam, na região do Varadouro, vinte e um estabelecimentos de hospedagem: oito hotéis, cinco pensões e oito estabelecimentos diversos (não registrados como hotel ou pensão). A maioria concentrava-se na Rua Visconde de Inhaúma, que contava com dez estabelecimentos, seguindo-se a Praça Álvaro Machado, com seis. Na Rua Gameleira, existiam três; os dois últimos ficavam na Rua Barão da Passagem e na Praça Pedro Américo, respectivamente.

Um estabelecimento hoteleiro que se notabilizou por sua importância e longevidade foi o Hotel Globo, que, inicialmente, localizava-se na Rua Visconde de Inhaúma. Nele se hospedavam os homens de negócio que chegavam à capital em navios. Além deles, vinham os chefes políticos do interior, que se deslocavam de trem até a capital, a fim de influir nas decisões governamentais. Sobre o citado estabelecimento hoteleiro, afirma Vidal (2007, p.72): “[...] o Hotel Globo hospedou personalidades ilustres, a exemplo do ator Procópio Ferreira, da atriz Tônia Carreiro e dos presidentes Solon de Lucena e João Suassuna”.

Figura 7 – Antigo Hotel Globo

Fonte: (RODRIGUES, 1974).

Em 1929, o Hotel Globo passou a funcionar no largo de São Frei Pedro Gonçalves, onde está até hoje.

Figura 8 – Novo Hotel Globo

O declínio da região do Varadouro se inicia com a expansão urbana em direção à cidade alta. Porém, uma série de outros acontecimentos contribuiu para a decadência da região e, consequentemente, dos hotéis ali instalados. Um deles foi a desativação da construção do Grande Porto do Varadouro. Cita-se ainda como um fator importante que afetou o setor hoteleiro do Varadouro a construção do Paraíba Hotel, localizado no Ponto de Cem Reis, que, na época, consolidava-se como a nova centralidade da capital. O fato marcante e definitivo talvez tenha sido o redirecionamento da atividade portuária para a vizinha cidade de Cabedelo, onde foi construído o novo porto.

b) Cidade Alta

A chegada dos anos 30 encontrou a capital com uma boa infraestrutura, por conta do trabalho realizado por arquitetos que, através de um avançado plano de urbanização, tornaram a cidade alta o ponto de efervescência, com suas lojas e ruas movimentadas (LEAL, 2001).

Figura 9 – Ponto de Cem Réis nos anos 1930

Fonte: (LEAL, 2001).

Por ordem do então presidente João Pessoa, sob a alegação de que a cidade precisava de um bom equipamento hoteleiro, foi iniciada a construção do Paraíba Hotel, na Praça Vidal de Negreiros, também conhecido como Ponto de Cem Réis, que era o eixo político, geográfico e social de João Pessoa, na época, denominada de Parahyba (AGUIAR, 1989). O hotel só ficou pronto em 1932, dois

anos depois da morte do Presidente João Pessoa. Sua finalização foi conduzida pelo interventor Gratuliano Brito (ARAUJO, 2008).

Figura 10 – Paraíba Hotel em 1939

Fonte: (RODRIGUES, 1974).

Um fato importante que contribuiu para mudar a feição da cidade alta foi a ampliação do hotel, nos anos 50, com a construção de mais um pavimento. Houve também a mudança de nome: o Parahyba Hotel, depois da reforma, passou a denominar-se Paraíba Palace Hotel (LEAL, 2001).

Figura 11 – Paraíba Palace Hotel depois de ampliado

Fonte: (RODRIGUES, 1974).

Nessa época, início dos anos 50, os meios de hospedagem − hotéis, pensões, dormitórios e pensionatos − ficavam todos na parte antiga da cidade, mais especificamente, na região do Varadouro e no centro. Nessa mesma década, começaram a se instalar alguns estabelecimentos de hospedagem para atender aos

jovens de outras cidades que vinham estudar na recém-criada universidade (LEAL, 2001).

Na década de 1970, começou a se esboçar uma diversificação no setor hoteleiro, com o surgimento dos Hotéis Tropicana, Nazareno e Gameleira, que ofereciam melhores condições de hospedagem para atender aos turistas (GOMES, 1990). Conforme mostra a Figura 12, a distribuição dos equipamentos hoteleiros, no centro histórico de João Pessoa, gerou uma forte concentração no entorno da Praça João Pessoa, na Rua Duque de Caxias, na Lagoa e no Mercado Central, revelando uma correlação entre os meios de hospedagem e as atividades administrativas, comerciais e de serviço existentes nessas áreas (LEANDRO, 2006).

Figura 12 – Mapa da área central de João Pessoa

c) Orla marítima

Embora a ocupação da orla marítima tenha se iniciado na década de 1950, com a pavimentação da Avenida Epitácio Pessoa, a intensificação do deslocamento populacional aconteceu a partir da década de 1970, com a construção do Tropical Hotel Tambaú, onde a abertura dos acessos entre o centro e a orla favoreceu a expansão urbana e o adensamento da praia. Nesse contexto, merecem destaque as avenidas Epitácio Pessoa (década de 1940), Rui Carneiro (década de 1960), José Américo de Almeida (década de 1970) e Tancredo Neves (década de 1980) (LEANDRO, 2006).

Antes de João Pessoa se tornar uma cidade litorânea, os hotéis localizados no centro atendiam à demanda composta, quase totalmente, por pessoas que vinham à cidade a negócio. À medida que começou a expansão urbana na direção da orla marítima e com a construção do Hotel Tambaú na década de 1970, o setor hoteleiro acompanhou a tendência da cidade. Esse novo quadro proporcionou o início da atividade turística e a intensificação da ocupação da orla, com a construção de novas residências, de edifícios de apartamentos e de estabelecimentos comerciais.

A fotografia mostra como era o pontal antes da construção do Tropical Hotel Tambaú.

Figura 13 – Pontal de Tambaú em 1968

Fonte: (VIDAL, 2004).

O marco divisor da hotelaria, em João Pessoa, aconteceu com a construção do Hotel Tambaú, porque, quando se estabeleceu como um atrativo para a atividade turística, resultou no deslocamento do eixo dessa atividade da área central para a orla, no surgimento de novos equipamentos, como bares,

restaurantes, lanchonetes, lojas de comércio e serviço, o que contribuiu para o estabelecimento de uma nova centralidade que influenciou, de forma definitiva, o desenho urbano da cidade.

A fotografia a seguir mostra como ficou o desenho urbano da orla marítima de João Pessoa após a construção do Hotel Tambaú.

Figura 14 – Hotel Tambaú

Fonte: (VIDAL, 2004).

O setor hoteleiro também foi atraído para a orla, e isso resultou na construção de novos meios de hospedagem voltados para atender ao turismo, tendo em vista que as praias se constituíram no principal produto turístico da cidade. Assim, em 1990, o município de João Pessoa tinha 67 equipamentos hoteleiros cadastrados pela Empresa Paraibana de Turismo (PBTUR), o que corresponde a um total de 4.897 leitos. Desse total 80,4% estavam localizados na orla, 18%, no centro, enquanto outros bairros da cidade respondiam apenas por 1, 6%, conforme demonstrado na Tabela 2.

Tabela 2 – Meios de hospedagem em João Pessoa na década de 1990

Localização Quantidade % Orla marítima Centro Outros bairros Total 54 10 03 67 80, 4 18, 0 1, 6 100, 0

Fonte: PBTUR. Capacidade hoteleira de João Pessoa (fev/2000)

Na década seguinte, de acordo com o que está mostrado na Tabela 3, verificou-se o crescimento do número de hotéis na orla, ao mesmo tempo em que

diminuiu no centro e em outros bairros, mostrando a consolidação dessa nova centralidade como o principal polo hoteleiro da cidade.

Tabela 3 – Meios de hospedagem em João Pessoa na década de 2010

Localização Quantidade % Orla marítima Centro Outros bairros Total 68 07 02 77 88, 0 9, 0 3, 0 100, 0

Fonte: PBTUR. Capacidade hoteleira João Pessoa (fev.2011)