Desenvolvemos nessa tese a categoria economia lúdica da fé como instrumento analítico que permite expressar dinamicamente a síntese entre as dimensões econômica, religiosa e lúdica que compõem nosso objeto de estudo. Esses três elementos, apesar de terem características muito próprias individualmente, só podem ser melhor compreendidos se analisados como aspectos indissociáveis dos eventos de matiz cultural religiosa que, contudo, para além de expressão ritualística de fé cristã, traduzem-se fortemente na dinâmica da economia propriamente dita e do lazer/entretenimento, de forma imbricada.
A referida categoria aflorou como fundamento de método. Surgiu quando, ao organizarmos o material da pesquisa, principalmente as entrevistas, os recortes de jornais catalogados e ao relermos os escritos de campo. Saltou aos nossos olhos a presença dessas três dimensões da vida social: economia, ludicidade e fé, como elementos entrelaçados de um mesmo processo social, de forma latente na constituição do Círio de Nazaré. Essas dimensões apresentam-se, muitas vezes, como um conjunto de formas aparentemente independentes e desencontradas. Isso se dá porque também é real a relativa autonomia de cada um desses elementos, o que permite apreendê-los nas suas especificidades, como dimensões desalinhadas, umas em relação às outras. Muitas vezes o entrelaçamento se faz na afirmação de uma dessas dimensões, negando as outras. Contudo, essa negação, ao se processar, acaba por justificar a existência das demais.
Ao falarmos de uma economia que envolve outras dimensões da vida humana – como a fé e a ludicidade, organizadas em campos com lógicas histórico-sociais próprias, como o campo da cultura, da religião – não queremos reduzir essas dimensões à dimensão econômica. Como afirma Pierre Bourdieu (2001), a economia deve ser entendida como um fato social
total do modo como Marcell Mauss (1974) concebe essa categoria. Esse entendimento objetiva superar o caráter abstrato imanente à noção de economia tendo em vista a separação desta em relação ao conjunto das práticas sociais. Bourdieu entende que o mundo social está presente em sua totalidade em cada ação econômica. Por outro lado, afirma a necessidade de compreensão de como a dinâmica econômica se insere em cada campo específico. Como afirma Featherstone (1995), corroborando Bourdieu, deve-se “[...] reconhecer a autonomia de práticas específicas que precisam ser compreendidas em termos da dinâmica interna, processos e princípios estruturantes que operam no interior de um campo específico e funcionam de modo análogo a uma economia” (FEATHERSTONE, 1995, p. 125).
Para Bourdieu (2005) a importância está colocada menos no conceito de um capital distinto do econômico e mais no emaranhado de articulações entre o capital social e o capital cultural, o capital simbólico e o capital econômico. Segundo esse modo de ver, as esferas social, cultural e econômica regem-se pelas diferentes formas de capital e permanecem abertas ao jogo94 de interesses específicos de cada uma. Para esse autor, a totalidade das ações coletivas ou individuais está sempre inundada por algum tipo de interesse, e é o interesse que movimenta o mundo, seja ele de um tipo aparentemente “mais desinteressado”, como o estético, o intelectual etc., seja o mais propriamente econômico, material.
Para Bourdieu (1997), dimensionar o grau de interesse presente em todas e quaisquer relações é uma questão de método importante e necessária para romper com visões mistificadoras dos comportamentos e relações humanas, mesmo porque os agentes sociais não fazem qualquer coisa de forma indiferente, não agem sem razão (o que não significa dizer que suas ações são sempre racionais, podendo ter comportamentos razoáveis sem ser racionais). Nessa perspectiva, critica a visão reducionista que vê na relação prática entre os agentes sociais e o seu campo como simples relação de interesse econômico. Os agentes situados em determinados campos sociais têm incorporado uma multiplicidade de esquemas práticos de percepção, de construção, de visão e divisão do universo em que se movem, de modo que suas ações necessariamente não precisam ser calculadas pensando no resultado final, eles se situam em uma prática que nem sempre é objeto de pensamento, fazendo parte do habitus. Nesse sentido, a relação de um sujeito
94 Ao desenvolver a noção de illusio (palavra latina que deriva de ludus, jogo), Bourdieu (1997) cria outra
interpretação para a noção de interesse, segundo a qual, estar em jogo significa levar a sério, investir, envolver-se no jogo social do qual se faz parte, afirmando que vale a pena jogar. Interesse e desinteresse são, assim, vistos como construídos socialmente, formados a partir de determinados espaços e agentes sociais atuantes nesses espaços socializados.
com um fim não tem de ser necessariamente entendida como uma relação de utilidade conscientemente calculada. Os agentes envolvidos em seus campos percebem que podem e devem comportar-se “desinteressadamente” de acordo com os interesses do próprio campo do qual fazem ou pretendem fazer parte.
Alves E. (2009, p. 84), apoiando-se em Bourdieu (2005: 192), enfatiza que o mercado faz parte, de alguma forma, da constituição dos diversos campos de produção simbólica, funcionando como um dos mecanismos que organizam as posições a serem tomadas na formação dos discursos e do próprio acúmulo de capital, pois se encontra presente pela sua afirmação ou negação. O processo de comercialização e trocas monetárias em torno dos bens artístico-culturais cria divisões entre os “partidos estéticos” que marcam sua posição nos campos de acordo com suas relações com o mercado. De um lado, é preponderante a economia não-econômica baseada na negação do mercado, em que o que prevalece é o acúmulo do capital simbólico que se processa lentamente, a médio e longo prazo, onde o acúmulo de capital simbólico é maior devido à maior valorização das competências específicas (“o cultivo, a arte de cultivar os outros”). Do outro lado, vigora a premissa do ganho monetário direto, da acumulação de capital econômico imediato, fazendo com que o comércio dos bens simbólicos seja igualado a um comércio como os outros. Nas palavras do autor:
Pelo destaque de Bourdieu, o mercado é parte constitutiva da estruturação dos campos de produção cultural. Ele atua como um organizador das tomadas de posição, das formações dos discursos, da geração das palavras de ordem, das acumulações de capitais, até quando se pretende acumular capital simbólico é preciso fazê-lo diante da negação do mercado, dos jogos monetários e da venda. Faz parte da produção da crença, do jogo de estruturação dos campos, da tessitura do habitus e da acumulação dos capitais desprezar o mercado. Esse desdém produz categorias estéticas e conceituais, escolas artísticas e formas de filiação. (ALVES E. 2009, p. 84).
Bourdieu (2001) nos alerta também para a importância de considerar a gênese que propicia os fatos, para não cairmos nas armadilhas do esquecimento, numa espécie de “amnésia da gênese”. Nesse sentido, é importante estar atento aos processos históricos, às gêneses das disposições econômicas do agente econômico, seus gostos, suas disposições e suas atitudes em relação ao cálculo, à poupança, ao trabalho e à gênese do campo econômico propriamente dito, sua história de diferenciação e autonomização. A relação econômica não se dá simplesmente entre o mercado e o sujeito; essa relação é mediada pelo espaço social onde os sujeitos estão inseridos.
A presença do mercado no âmbito da cultura se fez presente na história da modernidade e, mais recentemente, a dimensão monetária ampliou sua força em função da cultura ter passado a ocupar lugar de centralidade na sociedade. É nessa perspectiva que, neste capítulo, faremos um esforço para situar a categoria economia lúdica da fé a partir do entendimento de que esta passa a ser uma referência conceitual relevante no período histórico contemporâneo – marcado pelo processo de aprofundamento da globalização econômica e da mundialização da cultura – como instrumento de análise das manifestações culturais populares festivas, embaladas por rituais que articulam fé, consumo e diversão, constituindo- se como parte de um mercado da diversidade do mundo, divulgadas como megaeventos turísticos. Em linhas gerais, apontaremos as principais características que passam a fazer parte desse tipo de evento no atual período, tendo como base o Círio de Nazaré.
Em seguida, abordaremos algumas questões relativas à relação entre igreja católica, cultura, lazer, turismo e também entre cultura e desenvolvimento e patrimônio imaterial. Nas três últimas décadas, com o agigantamento das demandas por bens e serviços culturais no mundo, a relação cultura e mercado se tornou decisiva como pauta das políticas públicas, inclusive com a interferência determinante de instituições transnacionais. A relação entre economia, identidades e bens simbólicos, nos dias atuais, é reconhecida no Brasil e no mundo como uma questão fundamental.
4.1 – A globalização econômica e técnica e a mundialização da cultura como contexto da categoria economia lúdica da fé
O primeiro aspecto que trataremos a respeito da categoria economia lúdica da fé é o fato de ela estar intimamente relacionada aos processos sociais de modernização que foram se constituindo em longo prazo (ELIAS, 1994a). A globalização atual e a correspondente mundialização da cultura – bases para se pensar a noção de economia lúdica da fé –, só podem ser compreendidas se forem apreendidas como uma complexidade social cujas características foram constituídas historicamante. É por isso que na primeira parte da tese nos dedicamos às dinâmicas históricas, analisadas a partir das configurações forjadas nas relações que se processam ao longo da duração de existência do Círio.
Nas três últimas décadas passaram a ter mais vigor na constituição do objeto de estudo deste trabalho, um conjunto de transformações que afetam as festas populares, muitas delas, a exemplo do Círio de Nazaré, tornaram-se altamente significativas para a vida social de alguns
lugares, mas passaram a se expressar segundo uma lógica que não tem explicação apenas na dinâmica desses lugares. No período atual, os lugares devem ser compreendidos através da análise dos elos que esses estabelecem com os processos sociais mais amplos, ou seja, os relacionados à dinâmica do território nacional e aqueles da dinâmica do mundo.
Diversas festas populares, a partir dos anos de 1980, com o aprofundamento da “globalização econômica e técnica” e com a “mundialização da cultura” (ORTIZ, 2005, 2006c), tornaram-se grandes atrativos de um mercado de bens e serviços culturais, via de regra, apoiados pelas instituições estatais (união, estados e municípios), em consonância com agências transnacionais como, por exemplo, a Organização das Nações Unidas para a Ciência, Educação e Cultura (UNESCO), atraindo investimentos públicos e privados voltados a sua valorização e atração de um número maior de audiência, e o consequente retorno financeiro para os negócios que passam a girar em torno da festa. Além da legitimação social conquistada pela circulação de outro tipo de moeda: prestígio e reconhecimento, tanto para os organizadores, patrocinadores e apoiadores, quanto para aqueles participantes em geral e turistas.
As raízes da globalização são antigas, puseram-se no processo de expansão do capitalismo ainda entre os séculos XV e XVIII e, mais tarde, no advento das sociedades industriais na modernidade do século XIX. O que temos agora é a continuidade desse movimento, um processo de “radicalização das modernidades”, a “modernidade-mundo” (ORTIZ, 2005, 2006c: 69). Ao falarmos em economia lúdica da fé no Círio de Nazaré queremos qualificar essa categoria de análise datando-a a partir da década de 1980 do século XX, período em que se evidencia e se alicerça na sociedade, de maneira desigual e através de movimentos de continuidade e ruptura, um conjunto significativo de fenômenos econômicos, políticos, culturais que, em conexão com os fenômenos das localidades, passam a constituir o nosso cotidiano, nossos hábitos, expressando-se nos objetos e estilos de vida que, mesmo mantendo especificidades locais, pertencem a todos os lugares haja vista que ganham significação inerente ao processo de “globalização econômica e técnica das sociedades” e “mundialização da cultura” (ORTIZ, 2006c).
Para Ortiz (2005), o capitalismo que chega ao Brasil e em toda a América e Ásia sob a forma de colonialismo, não é mais do que a raiz da globalização. No entanto, apesar do real movimento de integração ocorrido, a principal característica do período colonial era o fato de os países e regiões ainda manterem entre si forte diversidade, haja vista o grau ainda pequeno de integração conseguido. Essa característica sofreu grandes modificações com os adventos das Revoluções Industriais e, consequentemente, com a consolidação do processo de
constituição dos estados-nações modernos, através de um amplo movimento de união de regiões, no bojo do processo de integração econômica no âmbito de determinado território e criação de um mercado nacional; de integração social, com o processo de alfabetização e escolarização; de integração política, através do ideal de democracia regulador das relações entre partidos e entre as classes sociais; e de integração cultural, com integração linguística e simbólica. Todos esses processos de construção das nações ocorreram a partir de relações de interesses contraditórios, disputas e dominação. Com a criação das nações, o sentido de diversidade toma outra perspectiva: “O mundo seria a somatória dos encontros e desventuras das culturas nacionais diversificadas” (ORTIZ, 2005, p. 159).
Mas é com a chamada terceira Revolução industrial de meados do século XX e sua intensificação no final desse século e início do século atual, que a modernidade avança a ponto de produzir um movimento integrador que atravessa todas as nações, articula o capital, a tecnologia, as diversas forças produtivas, a publicidade, as diferentes formas de mídia, a indústria cultural, os mais diversos meios de comunicação (fax, redes de computadores, TV, rádio, videoclipes etc.); dissolve fronteiras, acelera os mercados, generaliza o consumismo, provoca a desterritorialização e reterritorialização das coisas, gentes e ideias, redimensiona o espaço e o tempo (IANNI, 1999).
Diante de tal força integradora, é importante atentarmos para não cairmos na armadilha criada por visões que tendem a definir os processos de globalização econômica e mundialização da cultura ou como homogeneizadores ou como diversificadores e fragmentadores. Segundo Ortiz (2005, 2006c), tais tendências dicotômicas devem ser superadas:
[...] Devemos entender que a modernidade-mundo se realiza através da diversidade. Contudo modernidade, ela privilegia a individualização das relações sociais, a autonomia, a afirmação de aspectos específicos [...]. No entanto esses elementos, aparentemente desconexos, serão envolvidos por uma malha mais ampla. A modernidade é constituída por um conjunto do qual o todo se expressa na individualidade das partes. Diversidade e semelhança caminham juntas, expressando a matriz modernidade-mundo em escala ampliada (ORTIZ, 2005, p. 23).
Para demarcar mais claramente algumas diferenças, dadas as especificidades do campo cultural, Ortiz (2005) relaciona globalização às questões econômicas e tecnológicas e mundialização às questões da cultura:
[...] a mundialização se realiza em dois níveis. Primeiro, ela é expressão do processo de globalização das sociedades, enraizando-se num tipo determinado de organização social. A modernidade é sua base material. Segundo, ela é uma weltanschauung, uma ‘concepção de mundo’, um ‘universo simbólico’ que necessariamente deve coabitar com outras formas de entendimento (político, religioso). Vivemos assim num espaço transglótico, no qual diferentes línguas e culturas convivem (muitas vezes de maneira conflitiva) e interagem entre si. Uma cultura mundializada configura,
portanto, um “padrão” civilizatório. Como mundialidade, ela engloba os lugares e as sociedades que compõem o planeta terra. Porém, como sua materialização pressupõe a presença de um tipo específico de organização social, sua manifestação é desigual. Uma cultura mundializada atravessa as realidades dos diversos países de maneira diferenciada. Existe, portanto, um diferencial de modernidade que irá conferir maior ou menor peso à sua concretude (ORTIZ, 2005, p. 24).
É nessa perspectiva que abordamos a especificidade cultural de Belém, cidade onde se realiza o Círio de Nazaré, evento que se expressa no entrelaçamento da economia, do lúdico e da fé. Essas três dimensões da vida social sempre fizeram parte da configuração do referido evento em termos históricos. No entanto, o sentido que estamos constituindo para essa categoria de análise está situado historicamente no presente período de globalização e da mundialização da cultura, uma vez que ele passa, nesse período, a se expressar como uma trindade: turismo, diversão e fé.
A partir do final da década de 1980, algumas características tornaram-se marcantes desses processos e da reconfiguração do Círio. Podem-se destacar: a) o crescente processo de profissionalização, racionalização e burocratização na organização, bem como de espetacularização da festa; b) a presença da economia monetária e do consumo como uma das funções anunciadas e valorizadas por seus organizadores; c) a realização de um número cada vez maior de eventos no período do Círio, que valorizam a produção, circulação e consumo de produtos e manifestações da cultura popular (danças, música, culinária, artesanato e outros elementos regionais), articulados com as artes em geral, a moda, a arquitetura, o design, a fotografia, muitos dos quais em permanente diálogo entre as novas tecnologias e as formas tradicionais de produção; d) grande valorização do lúdico, expressa nas manifestações do lazer e turismo, que passam a ter, para a sociedade em geral, importância crucial e que, articulados à fé, são os principais canais aglutinadores da audiência em torno do Círio; f) novas tecnologias à disposição da festa que conectam virtualmente o Círio permitindo que as informações sobre a programação e sua transmissão direta sejam acessadas mundialmente em tempo real e g) a dimensão territorial do Círio ganha novos contornos expressos também em novas concepções de tempo e espaço – aspectos que serão aprofundados no próximo capítulo.
O Círio conjuga processos de manifestação lúdico-festiva de religiosidade popular secular própria do estado do Pará e, mais especificamente, da cidade de Belém com a produção cultural industrializada e com as tradições peculiares à moderna tradição (ORTIZ, 2006a). O Círio está envolto na produção da memória nacional, aspecto que, contudo, apenas recentemente passou a ser formalmente reconhecido, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registrou-o como patrimônio imaterial do Brasil. Pode- se afirmar ainda que, no período atual, o Círio passou a fazer parte de um mercado cultural mais
amplo uma vez que se configura como um evento único no quadro da diversidade-mundo, caracterizando-se como um fenômeno, ao mesmo tempo, local, nacional e mundial.
Devido ao processo de mundialização da cultura, muito de seu universo simbólico pode ser partilhado mundialmente por sujeitos dos mais diversos lugares, devido aos avanços técnicos contemporâneos, pela força que passam a ter as manifestações tradicionais populares dos lugares, como expressão da diversidade mundo e, também, pelo fato de que, gradativamente, os agentes organizadores da festa vêm dando “passos” para adequarem-na, ao processo de espetacularização das festas, às exigências organizacionais próprias de eventos que compõem o calendário de variadas empresas de turismo e a outras instâncias da sociedade de mercado que têm como alicerce a força política, ideológica e econômica do “mercado cultural”, das chamadas indústrias culturais que, mais recentemente, passaram a ser denominadas de “indústria da criatividade” (ALVES, E., 2009)95 por algumas agências transnacionais como a UNESCO e por instituições da administração cultural pública e empresas estatais, na perspectiva de impulsionarem o fortalecimento das culturas populares no circuito mundial.
Adequar-se às exigências a fim de obter o reconhecimento dos principais setores do turismo para a inclusão e divulgação das festas populares nos principais calendários pressupõe que a) a festividade deve ser reconhecidamente expressão da cultura de um lugar, em geral, deve ser considerada referência da identidade de diferentes grupos da sociedade regional ou nacional e, nessa perspectiva, ter a adesão massiva e apoio de diferentes grupos sociais; b) o lugar do evento deve dispor de condições urbanas e de infraestrutura e logística para receber grande contingente de pessoas e grupos provenientes de diversas regiões e países, o que pressupõe investimento por parte do Estado e da iniciativa privada interessados em reconhecimento popular e consequentemente retornos políticos e financeiros; c) o evento, para
95 Elder Alves (2009) pesquisou as transformações ocorridas no âmbito da produção simbólico-cultural
contemporânea. Seu interesse esteve centrado no processo de industrialização do simbólico a partir das políticas culturais públicas na relação com um novo repertório discursivo da UNESCO. Alves analisou a nova centralidade das categorias tradição e autenticidade como formadoras do centro de um novo repertório discursivo assumido transnacionalmente, a partir de tensões políticas e lutas culturais marcadas pela relação entre as categorias cultura e desenvolvimento, que resultou na implementação de diversas políticas públicas