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The Arctic University of Norway UiT, Faculty of Humanities Social Sciences and

Rede Celpa - Concessionária de Energia Banco Bradesco - Financeiro

Unimed - Plano de Saúde

Shopping Center Castanheira - Comércio

Compar/ Belágua - Engarrafadora de refrigerantes e água Correios e Telégrafos - Serviço de Postagem

Grupo Sacramenta - Segurança

Yamada - Supermercados e Lojas de Departamentos Delta Gráfica & Editora Ltda. - Comércio

Oi Telefonia Móvel e Fixa

Eletrobrás - Holding de Eletricidade

Imerys Rio Capim Caulim - Beneficiadora de caulim UNAMA - Instituição Privada de Ensino Superior CESUPA - Instituição Privada de Ensino Superior Farmácias Big Ben - Rede de Drogarias

Ass. Via Amazônia Turismo - Centro de Convenções Amazônia Celular -Telefonia Móvel

Telemar - Telefonia Fixa

Infraero - Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroviária Azevedo Barbosa - Consultoria de Imóveis

ASSEMB (Assoc. de Empresas de Mineração e Metarlugia) Agropalma - Refinaria de Óleo

TAM - Empresa Aérea Hospital Porto Dias

Carimbó da Sorte - Empresa de Sorteios AMBEV - Bebidas

TEXACO - Combustíveis Itambé -Alimentos Mariza Alimentos

VTC Ltda. -Empresa de Engenharia Gafisa - Incorporador/ Construtora Facepa - Fábrica de Celulose do Pará Laboratório Paulo Azevedo

Organização: Lucília Matos.

Patrocínio por 8 anos Patrocínio por 4 anos

Patrocínio por 7 anos Patrocínio por 3 anos

Patrocínio por 6 anos Patrocínio por 2 anos

Como dissemos antes, as empresas patrocinadoras oficiais pertencem a ramos diferentes de atuação, enquanto que, no caso das empresas apoiadoras oficiais, até duas podem pertencer ao mesmo segmento de mercado, aspecto definido em contrato.

Grande parte das empresas que já apoiaram ou apóiam o Círio pertence ao ramo da indústria. São elas: Companhia Vale do Rio Doce, Imerys Rio Capim Caulim, Agropalma - Refinaria de Óleo, Texaco - Combustíveis, Itambé – Alimentos, Mariza - alimentos, VTC Ltda – Empresa de Engenharia, Gafisa - Incorporador/ Construtora, Facepa - Fábrica de Celulose do Pará, Delta Gráfica & Editora Ltda. e Eletrobrás, sendo que esta última, de capital misto (controle do estado). No entanto, se observarmos os patrocínios a cada ano repararemos que a maioria das empresas atua no ramo de serviços.

Quadro 9 – Quantidade de Patrocinadores Oficiais por ano.

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010153

12 14 13 14 17 18 18 16 Organização: Lucília Matos.

Algumas dessas empresas patrocinadoras do Círio vêm assumindo papel de destaque no cenário nacional, no que diz respeito ao circuito da economia criativa e da indústria da criatividade (ALVES, 2009), atuando ao mesmo tempo como produtoras, potencializadoras da circulação e consumidoras.

Além das empresas patrocinadoras oficiais, outras empresas desenvolvem ações publicitárias durante o Círio e apóiam e/ou realizam os mais diversos eventos que acontecem na cidade, alguns desses também organizados pela diretoria da festa.

Podemos dizer que há empresas que tem o Círio como fonte direta de seus lucros como, por exemplo, as agências de viagem, empresas de transporte, hotéis, fábricas e comércio de símbolos religiosos, supermercados etc. Há também um conjunto enorme de empresas cujas atividades econômicas não têm uma relação direta com o Círio. Poderíamos incluir nesse rol, a título de exemplo, duas empresas que fazem parte do projeto patrocinadores oficiais desde sua implantação – a Companhia Vale do rio Doce e a Rede Celpa. Contudo, em se tratando de

153 Os patrocinadores oficiais do ano de 2010 confirmados até o término da pesquisa (junho/2009) eram esses 16

economia lúdica da fé, no que concerne especificamente ao Círio de Nazaré, pode-se afirmar que todos os agentes econômicos de alguma forma são ou podem ser beneficiados. Se não, qual seria a razão para uma empresa transnacional mineradora patrocinar a festividade? Ora, a razão de qualquer empresa é o lucro. É da essência do modo de produção capitalista uma racionalidade que transforma tudo em mercadoria – dos produtos da indústria aos serviços da religião, aos bens culturais, ou seja, mesmo os valores simbólicos podem ser inseridos no processo de reprodução ampliada do capital.

É compreensivo, portanto, que uma empresa de produção de atividades turísticas ou do ramo de hotéis, ou ainda que uma indústria de velas e imagens festeje a chegada do Círio, pela consciência de que isso alavancará seus negócios, que dependem de eventos como é o caso dessa festividade. Contudo, considerando a racionalidade imanente à economia lúdica da fé, é também compreensivo que empresas que atuam em segmentos aparentemente distantes acabem por demonstrar proximidade com a festa religiosa. Isso porque, como nunca, no período da globalização econômica e da mundialização da cultura, as marcas, a imagem, a vinculação com ações culturais e assistenciais tornaram-se um valor fundamental para a razão das empresas154.

O valor simbólico presente nas festas populares, e no caso específico na festividade do Círio, cumpre um papel importante na consolidação de uma imagem positiva necessária ao fortalecimento de qualquer empreendimento econômico. Os representantes das empresas entrevistadas destacaram de forma unânime a dimensão cultural do Círio e os retornos positivos para as empresas. Cito a seguir trecho da entrevista com duas das empresas – a Oi e a Vale:

O Círio, além de ser uma das maiores manifestações religiosas do mundo que ocorre em apenas um dia, ele também é uma manifestação cultural muito forte que transcende a questão religiosa. [...] todo esse clima que envolve o Círio é que nos levou a patrocinar o evento, por entender que você está apoiando as manifestações culturais específicas de cada região, isso tem tudo a ver com o que a empresa coloca como sua prioridade: apoiar as manifestações culturais e a diversidade cultural existente em todas as regiões que ela atua, porque a região que a OI atua nos 16 estados é uma região que tem uma abrangência quase continental, comparando com

154 Isso explica porque empresas transnacionais que superexploram o trabalho em diversos países do mundo

tenham em suas campanhas publicitárias como centro de seus discursos a divulgação de atividades denominadas por elas como sendo de “responsabilidade social”. É esse, também, o motivo de empresas cujas atividades são degradadoras do meio ambiente e da vida social, como é o caso de madeireiras, mineradoras, agronegócios, empresas de energia – que atuam com economia de larga escala e, por isso, desmatam as florestas, poluem rios, desagregam as relações tradicionais de trabalho de ribeirinhos e pescadores, agridem os direitos dos povos indígenas – em suas campanhas publicitárias, além de tentarem convencer de sua “responsabilidade social”, tentam também convencer de seu compromisso com a preservação da natureza.