4.2 Semantic relations in EngOrig and EngTran
4.2.2 Overview of meaning relationships
4.2.3.3 Norwegian correspondences for Accompanying Circumstance and
Os dados foram analisados com o auxílio do software estatístico Statistical
Package for the Social Sciences - pacote estatístico para as ciências sociais
(SPSS®). Foi feita a análise fatorial, foram calculados Alphas de Cronbach para medida de confiabilidade e análises descritivas para os dados demográficos e fatores da escala.
3 RESULTADO E DISCUSSÃO
3.1 RESULTADOS
Para efetuar a análise dos dados desta pesquisa, era crucial debelar o problema, justamente o objetivo do estudo, que é a tradução da EVT-R para a língua de sinais – Libras e análise para buscar evidências da sua validade para Surdos. Segundo orientações de Hair (2005), é importante obter-se uma média de 5 (cinco) respondentes por item. Como, neste caso, a escala tem 36 (trinta e seis) itens, seriam necessários, no mínimo, 180 (cento e oitenta) respondentes. A amostra desta pesquisa alcançou o número de 205 (duzentos e cinco) participantes, superando, portanto, o determinado para se fazer a análise fatorial.
Procedeu-se à análise dos dados da pesquisa, inicialmente fazendo-se uma MDS e correção para uso da escala; posteriormente, foi feita a análise fatorial nos dados da pesquisa a fim de agrupar os itens em fatores. Segundo Hair (2005), a análise fatorial pode ser utilizada para o exame de padrões ou relações entre o número de variáveis e para a avaliação da hipótese se as informações poderão ser resumidas em um conjunto menor de fatores. A análise fatorial foi escolhida como a técnica estatística que melhor se aplica para se entender a inter-relação entre os resultados atribuídos às variáveis, segundo os participantes da pesquisa que, nesta pesquisa, eram pessoas com deficiência auditiva.
Na validação da EVT-R em Libras, fez-se a análise fatorial preliminar para a extração dos fatores e, com isso, esperava-se encontrar os mesmos fatores da validação original, ou seja, 6 (seis) fatores, a saber:
a) Autodeterminação e Estimulação; b) Segurança; c) Realização; d) Universalismo e Benevolência; e) Poder e; f) Conformidade.
Inicialmente, foi realizada a análise de componentes principais para identificar a fatorabilidade da matriz e o número de fatores. Na validação com participantes surdos,
encontrou-se o KMO de 0,76 que é um KMO de efeito médio para realizar a análise fatorial.
Para extrair os fatores e melhor interpretá-los, realizou-se uma rotação para atingir uma estrutura de cargas mais simples. Foi utilizada a rotação oblíqua porque os dados encontrados na análise fatorial não estavam de acordo com o postulado no modelo encontrado em outras pesquisas. A idéia era simplificar a estrutura das cargas e encontrar um número mínimo de fatores. Escolheu-se o método promax. Foi feito o teste screeplot para identificar o número de fatores que poderia ser encontrado na amostra de 205 participantes. Preliminarmente, foram indicados 5 (cinco) fatores, porém o resultado não se mostrou coeso, pois as cargas das variáveis não se agrupavam. Depois, tentou-se rodar a análise com 4 fatores, só que o último fator ficava sem item e além disso havia itens complexos com carga superior a 0,30 em mais de um fator. Na sequência foi feita a rotação com 3 fatores, mas persistia uma grande quantidade de itens complexos e o último fator ficava com poucos itens. Ao fazer-se a rotação com 2 fatores, consolidou-se uma estrutura de itens com carga positiva.(ver Tabela 09). Os dois fatores encontrados tinham os seguintes eigenvalue: fator 1, 6,46 e o fator 2 com resultado de 2,29 (Tabela 09).
Para reduzir os itens e formar novos fatores, fez-se a tentativa de retirar alguns itens cujas cargas fatoriais eram complexas, acima de 0,30 em mais de um fator (itens 4,5,9,10,11,27,36 ). Mesmo assim, os fatores da escala inicial não foram confirmados. O resultado final gerou uma solução de dois fatores. A Tabela 09 apresenta as cargas fatoriais e a comunalidade dos itens.
A interpretação dos fatores não apresenta nenhuma lógica diante da teoria postulada na pesquisa. Posteriormente à análise fatorial exploratória, buscou-se identificar se existia uma variância das respostas dada pelos participantes aos itens, ou seja, se os participantes respondiam com diversidade de peso a cada item, se a possibilidade de escolha, que variava de 1 a 5, foi utilizada para resposta. Para essa análise, a resposta foi positiva, pois existiu variância nas respostas (Tabela 07). Ressalta-se que a variância existiu, mas teve uma tendência para os extremos positivos, o que pode indicar um índice elevado de desejabilidade social. Será que a população com deficiência auditiva tem desejabilidade social maior do que a de ouvintes? Ou as perguntas com várias interpretações são complexas para serem entendidas, tendo como referência a formação de conceitos entre surdos e ouvintes? A sugestão, nesse caso, seria um método de estudo diferente com uma escala de
pontuação diferenciada para se comprovar se o fato que deu é devido à desejabilidade social ou se a formação de conceitos é diferente.
Tabela 1 - Tabela de variância de resposta N
Média Mediana Moda Desvio Validade Missing
UB1 Ajudar os outros 204 1 3,50 3,00 3,00 1,15
UB2 Colaborar para o desenvolvimento da sociedade 203 2 3,97 4,00 5,00 1,01 UB3 Combater injustiças sociais 203 2 3,76 4,00 5,00 1,22 REA4 Demonstrar minhas competências 203 2 3,88 4,00 5 1,07 AE5 Desenvolver novas habilidades 197 8 4,32 5,00 5 1,04 SE6 Obter estabilidade financeira 204 1 3,82 4,00 5 1,09 AE7 Estimular minha curiosidade 202 3 4,14 4,00 5 1,01
SE8 Ganhar Dinheiro 204 1 4,41 5,00 5 ,89
CONF9 Obedecer s normas do trabalho 199 6 4,13 4,00 5 1,07 SE10 Poder me sustentar financeiramente 203 2 4,32 5,00 5 1,01 CONF11 Respeitar a hierarquia 201 4 4,06 4,00 4 ,98 REA12 Ser admirado pelo meu trabalho 201 4 4,17 4,00 5 ,94 REA13 Ser bem -sucedido na minha profissão 199 6 3,87 4,00 5 1,14 SE14 Ser independente financeiramente 204 1 4,12 4,00 5 ,97 REA15 Ser reconhecido pelo resultado satisfatório do meu
trabalho 203 2 4,49 5,00 5 ,95
REA16 Ser respeitado pelas minhas competências no trabalho 198 7 3,56 4,00 4 1,22 UB17 Ser til para a sociedade 204 1 3,81 4,00 4 1,05 PO18 Supervisionar outras pessoas 203 2 4,12 4,00 5 ,96 AE19 Ter autonomia na realização das minhas tarefas 202 3 3,69 4,00 4 1,20 UB20 Ter compromisso social 203 2 4,11 4,00 5 ,96 AE21 Ter desafios constantes 202 3 3,64 4,00 4 1,04
PO22 Ter fama 203 2 3,77 4,00 4 1,03
AE23 Ter liberdade para decidir a forma de realização do meu
trabalho 197 8 4,15 4,00 5 1,03
SE24 Ter melhores condes de vida 204 1 4,34 5,00 5 ,80
PO25 Ter prestígio 202 3 3,99 4,00 5 1,10
AE26 Ter um trabalho arriscado 202 3 3,96 4,00 5 1,12 CONF27 Ter um ambiente de trabalho com hierarquia clara 205 0 4,07 4,00 4 ,86 AE28 Ter um trabalho criativo 192 13 3,92 4,00 5 1,01 AE29 Ter um trabalho inovador 203 2 4,17 4,00 4 ,86 CONF30 Ter um trabalho organizado 204 1 4,46 5,00 5 ,79 AE31 Ter um trabalho que me permita conhecer lugares novos 199 6 3,85 4,00 4 1,01 AE32 Ter um trabalho que me permita conhecer pessoas novas 203 2 3,81 4,00 4 1,14 AE33 Ter um trabalho que me permita expressar meus
conhecimentos 202 3 4,11 4,00 4 ,91
AE34 Ter um trabalho que requer originalidade 202 3 3,94 4,00 5 1,10 PO35 Ter uma profissão reconhecida socialmente 204 1 4,08 4,00 5 1,08 PO36 Competir com colegas de trabalho para alcançar as minhas
metas profissionais 204 1 3,63 4,00 5 1,34
Tabela 2 - Fatores 01 02 Alpha de Crobach 0,84 0,85 Variância Explicada 26% 9,2% Correlações 0,55 0,55 Fonte: A Autora
Tabela 3 - Tabela de Fatores e cargas Fatoriais
Factor
1 2
AE5 Desenvolver novas habilidades 0,69 AE23 Ter liberdade para decidir a forma de realização do meu trabalho 0,57
UB1 Ajudar os outros 0,56
CONF30 Ter um trabalho organizado 0,55 AE34 Ter um trabalho que requer originalidade 0,55 SE10 Poder me sustentar financeiramente 0,54 PO35 Ter uma profissão reconhecida socialmente 0,54 AE7 Estimular minha curiosidade 0,54
CONF11 Respeitar a hierarquia 0,53
CONF9 Obedecer s normas do trabalho 0,52
SE8 Ganhar Dinheiro 0,52
UB2 Colaborar para o desenvolvimento da sociedade 0,50 PO18 Supervisionar outras pessoas 0,49 UB3 Combater injustiças sociais 0,49 REA4 Demonstrar minhas competências 0,48
UB20 Ter compromisso social 0,44
REA12 Ser admirado pelo meu trabalho 0,42 REA15 Ser reconhecido pelo resultado satisfatório do meu trabalho 0,36 CONF27 Ter um ambiente de trabalho com hierarquia clara 0,34 SE14 Ser independente financeiramente 0,34 SE24 Ter melhores condes de vida 0,33 SE6 Obter estabilidade financeira 0,31 AE32 Ter um trabalho que me permita conhecer pessoas novas 0,84
AE21 Ter desafios constantes 0,74
AE33 Ter um trabalho que me permita expressar meus conhecimentos 0,71 PO36 Competir com colegas de trabalho para alcançar as minhas metas profissionais 0,65
PO25 Ter prestígio 0,63
PO22 Ter fama 0,63
REA13 Ser bem -sucedido na minha profissão 0,56
AE26 Ter um trabalho arriscado 0,56
REA16 Ser respeitado pelas minhas competências no trabalho 0,50 AE31 Ter um trabalho que me permita conhecer lugares novos 0,44
UB17 Ser til para a sociedade 0,42
AE28 Ter um trabalho criativo 0,41
AE19 Ter autonomia na realização das minhas tarefas 0,39
Eigenvalues 6,46 2,29
Alpha
Fonte: A Autora
Na formação de fatores, foram encontrados dois fatores que não coincidem com a teoria levantada na referência bibliográfica, mas que se agrupam em fatores. Alguns itens podem parecer antagônicos, quando analisados pela teoria que existe,
mas optou-se por reinterpretar os itens a partir da agregação entre eles. A Tabela 09 mostra que a carga de pertencimento de alguns itens ao fator é significante, pois os primeiros itens tanto do fator 1 quanto do fator 2 têm carga superior a 0,6
a) Fator 01: Universalismo e Benevolência (Compreensão, tolerância e proteção do bem-estar de todos e da natureza, preservar e fortalecer o bem-estar de pessoas próximas), Conformidade (Restrições de ação e impulsos que possam afetar outros ou violar normas sociais), Autodeterminação e Estimulação (Busca de pensamento e ação independentes, busca de novidade e desafio), Segurança (Busca de harmonia e de estabilidade na sociedade dos relacionamentos e de si mesmo), Realização (Busca de sucesso pessoal por meio de demonstração de competência de acordo com padrões sociais) e Poder (Busca de status social e Prestigio).
b) Fator 2: Autodeterminação e Estimulação (Busca de pensamento e ação independentes, busca de novidade e desafio), Universalismo e Benevolência (Compreensão tolerância e proteção do bem-estar de todos e da natureza, preservar e fortalecer o bem-estar de pessoas próximas), Poder (Busca de status social e Prestigio) e Realização (Busca de sucesso pessoal por meio de demonstração de competência de acordo com padrões sociais)
Esses dois fatores agruparam os quesitos que a escala prevê avaliar, no entanto, o agrupamento foi diferente do encontrado na teoria de valores que buscou evidência de validação da escala com ouvintes. Tendo encontrado 6 (seis) fatores distintos, o agrupamento encontrado na análise dos dados da coleta, feita com participantes com deficiência auditiva, fez o agrupamento dos 6 (seis) fatores em apenas 2 (dois).
Essa foi a forma de divisão de fatores encontrada pelos surdos e, mesmo seguindo todos os procedimentos metodológicos orientados pelas normas de análise estatística, não foi possível encontrar a mesma estrutura de outras pesquisas com ouvintes. Isso corrobora o fato de os surdos terem uma língua e uma formação de conceitos diferentes da dos ouvintes.
estatísticas como a análise fatorial e a análise de componentes que, de fato, evidenciou uma estrutura diferente de agrupamento de variáveis e definição de fatores. Os resultados da presente pesquisa divergem dos resultados de pesquisas feitas com o mesmo instrumento em português aplicado para uma população de ouvintes.