4.2 Semantic relations in EngOrig and EngTran
4.2.2 Overview of meaning relationships
4.2.4.4 Cause in EngOrig and EngTran: frequencies and correspondences
A pesquisa alcançou o objetivo de traduzir e buscar evidências sobre a validade da EVT-R em surdos. A EVT-R foi traduzida, entretanto, as evidências indicam não existir uma equivalência entre surdos e ouvintes. A validação semântica para a análise da escala traduzida para a língua de sinais- Libras seguiu todos os procedimentos metodológicos indicados para validação. Conforme apresentado na seção de método, os resultados aqui relatados demonstram que validar uma escala para o público com deficiência auditiva, vai além de uma tradução do português para Libras. Os resultados da análise fatorial comprovam que a solidez da estrutura de valores do trabalho de ouvintes difere muito da estrutura evidenciada pelos surdos. O conteúdo dos fatores encontrados pelos surdos é bem diferente do conteúdo encontrado em outras pesquisas com ouvintes.
Na revisão de literatura, viu-se como é formada a cultura surda e sua diferenciação da cultura de ouvintes. Ficou evidenciado que o fator que diferencia o surdo do ouvinte é a questão social. Goldfeld (1997) afirma que a criança surda, na maioria das vezes, não consegue desenvolver a linguagem em um ritmo semelhante ao dos ouvintes porque não tem contato com a língua de sinais-Libras desde criança, o que dificulta a formação de conceitos, ocorrida na infância. Borges e Salomão (2003) relatam que a criança tem acesso, antes mesmo de aprender a falar, a valores, crenças e regras, que lhe são passados pelos pais ou cuidadores. E como fica essa passagem de valores, crenças e regras para o surdo? Em que momento é feita essa transmissão? Quando de fato o surdo começa a compreender alguns fenômenos mediados pela comunicação?
Essas questões clamam por pesquisas e discussões mais aprofundadas do tema. Se uma escala é desenvolvida inicialmente, realizando-se entrevistas com
ouvintes para se chegar a uma estrutura de perguntas e transformá-las em fatores, uma escala direcionada para o público com deficiência auditiva deve seguir os mesmos ritos metodológicos e serem construídas mediante questionários iniciais com os Surdos.
Os valores do trabalho são definidos por Porto e Tamayo (2003) como princípios norteadores sobre metas ou recompensas desejáveis, organizadas hierarquicamente, perseguidas pelos indivíduos, por meio do trabalho, para guiarem suas avaliações sobre os resultados e sobre o contexto do trabalho, assim como seus comportamentos durante o contexto.
Se valores são base para metas, é preciso entender que metas são o que guiam a vida do surdo, já que o surdo tem uma cultura própria que o difere do ouvinte. Moura (2000, p. 116) tem defendido a existência de uma cultura surda, consubstanciada por comportamentos, valores, atitudes, estilos cognitivos e práticas sociais diferentes da cultura ouvinte:
Apoiada nessa noção de multiculturalismo crítico é que vejo a possibilidade de afirmação da cultura dos Surdos, que deve ser vista não como uma diversidade a ser defendida e mantida fora do contexto social mais amplo, mas que deve ser entendida como existente e necessária de ser respeitada. A forma especial de o Surdo ver, perceber, estabelecer relações e valores deve ser usada na educação dos Surdos, integrada na sua educação em conjunto com os valores culturais da sociedade ouvinte, que em seu todo vão formar sua sociedade.
Se a cultura do surdo difere da do ouvinte, precisa-se repensar a sua construção dentro dos valores, além de como eles organizam esses valores. A cultura determina o modo como as pessoas se comportam e fazem escolhas; com o surdo é a mesma regra. Essas afirmações podem dar suporte à organização de fatores apresentados na pesquisa. E para entender a cultura de um grupo tem que se entender quem é o grupo, quais suas particularidades, como ele se estrutura socialmente.
Essa cultura é multifacetada, mas apresenta características que são específicas, ela é visual, ela traduz-se de forma visual. As formas de organizar o pensamento e a linguagem transcendem as formas ouvintes. Elas são de outra ordem, uma ordem com base visual e por isso têm características que podem ser ininteligíveis aos ouvintes. Ela se manifesta mediante a coletividade que se constitui a partir dos próprios Surdos. A escola há muito tem representado o lugar em que os Surdos não possuem os seus espaços, pois baniu a língua de sinais e jamais permitiu a consolidação dos grupos Surdos e de suas produções culturais. Assim, a coletividade surda garantiu-se pelos movimentos de resistência com a fundação de organizações administradas essencialmente por Surdos. Em muitas dessas organizações, ouvintes não são permitidos no corpo
administrativos. O que acontece aqui é o clamor pela coletividade surda com a constituição de suas regras e de seus princípios e um confronto de poderes. Nesse espaço com fronteiras delimitadas por Surdos, é que se constitui a cultura surda. Em alguns casos, até admite-se a existência dessa cultura, mas enquanto cultura subalterna ou minoritária, jamais como cultura diferente (QUADROS, 2003, p. 86).
Os resultados demonstram que as pessoas com deficiência auditiva, que participaram desta pesquisa, têm uma formação de conceitos diferente e avaliam de forma diferente os valores do trabalho. No fator 1, o item 5 (desenvolver novas habilidades) que, na escala original está ligado à autodeterminação e à estimulação, foi agrupado com o item 1 ( ajudar os outros) que corresponde a universalismo e benevolência. Está também relacionado ao item 35 ( ter uma profissão reconhecida socialmente) que corresponde a poder. Como explicar essa estrutura formada pelas pessoas com deficiência auditiva?
A formação do fator 1 explica 26% da variância (Tabela 07), no entanto, na sua formação existem itens que estão associados a autodeterminação e estimulação, a poder, a segurança, a conformidade, a realização, a universalismo e a benevolência. Na teoria postulada na referência bibliográfica, esses itens não se agrupam no mesmo fator. Já o fator 2 explica 9,2% da variância (Tabela 07) e tem questões ligadas a autodeterminação e estimulação, a universalismo e a benevolência, a poder e a realização. Ou seja, itens que explicam uma mesma coisa estão agrupados nos dois fatores. Não houve uma separação específica conforme o modelo da teoria da referência bibliográfica. O que aconteceu foi uma nova formação, juntando-se itens que respondem à mesma motivação em fatores diferentes.
A indicação é que a formação de conceitos iniciais, que dão suporte aos valores e crenças, é diferente nos deficientes auditivos. Isso porque os valores de suporte inicial são repassados pelos grupos sociais, pelos pais e/ou cuidadores. Só que os pais das pessoas com deficiência auditiva são, em 90% dos casos, de ouvintes e não falam em Libras (FREEMAM; CARBIM; BOESE, 1999). Quadros (2003) afirma que o problema está na demora dos pais em perceber que a surdez não é um erro a ser corrigido, mas sim uma característica a ser lidada.
De acordo com Rossi (1993), a elaboração dos conceitos está entre as formas superiores de ação consciente e revela-se um modo culturalmente desenvolvido de o sujeito refletir cognitivamente suas experiências. Esse processo é
constituído pelos movimentos de análise/síntese, abstração/generalização dos dados sensoriais, mediados pela palavra e nela materializado. Diante do conceito de Rossi, é possível fazer perguntas e questionamentos sobre a formação de conceitos em pessoas com deficiência auditiva. No caso desta pesquisa, de acordo com os dados demográficos, 52,% tinham surdez profunda, sem nenhum acesso à comunicação pela fala.
Marchesi (2004) afirma ainda que as pessoas surdas estruturam sua linguagem e pensamento de maneira diferente, apresentando dificuldades em dominar o pensamento hipotético-dedutivo que é o que caracteriza as operações formais na teoria de Piaget. Isso pode explicar a extremidade de marcações dos itens ou a falta de compreensão da variedade de respostas que poderia ser dada para cada pergunta.
O conceito é impossível sem palavras, o pensamento em conceitos é impossível fora do pensamento verbal; em todo esse processo, o momento central, que tem todos os fundamentos para ser considerado causa decorrente do amadurecimento de conceitos, é o emprego específico da palavra, o emprego funcional do signo como meio de formação de conceitos (VYGOTSKY, 2001, p. 170).
Com essa afirmação de Vygotsky, pode-se discutir que a formação de conceitos dos Surdos de fato difere da dos ouvintes, pois os Surdos não vão usar o emprego específico da palavra para formação de conceitos. Vão utilizar sinais, ou seja, a Libras, que possui sua estrutura sintática e morfológica diferente da do português.
A Libras é utilizada pelos grupos de Surdos para se comunicarem, sendo sua importância reconhecida quando a Libras foi definida como segunda língua oficial do nosso país. A Libras faz parte da cultura Surda como forma de priorizar o convívio entre os Surdos. Dessa forma, a maneira de comunicação e de passagem de cultura, das normas, das crenças e dos valores é feita pela língua de sinais, chamada Libras, que é sua forma de linguagem. Quando se traduz um texto ou um artigo do português para Libras sem atentar a essas questões que antecedem à formação da cultura e dos valores dos Surdos, pode-se cometer um erro de formação inicial dos conceitos já que a literatura aponta essa diferença entre Surdos e ouvintes.
[...] as práticas de reforço de uma dada cultura compõem o que é chamado de “linguagem”. As práticas são responsáveis pela maior parte das realizações extraordinárias da espécie humana. Outras espécies adquirem
comportamento uns com os outros pela imitação, é o modelamento (eles mostram ao outro o que fazer),mas não conseguem dizer uns aos outros o que fazer. Nós adquirimos a maior parte de nosso comportamento com esse tipo de ajuda. Seguimos conselhos, damos atenção à advertência, observamos regras e obedecemos às leis [...] (SKINNER, 1957/1978, p. 29). Diante dessa opinião de Skinner, pode-se inferir que os comandos são diferentes para os Surdos e por isso a formação de fatores aqui apresentada é de fato particular e diferente da dos ouvintes. Isso pode explicar a formação de fatores tão ambíguos nos itens, como os fatores apresentados nos resultados desta pesquisa. No fator 2, existe uma relação do item 17 ( ser útil para sociedade ) que está ligado a universalismo e a benevolência, com o item 22 (ter fama) que está relacionado a poder, dentre outros itens. Mesmo tendo interpretações de valoração diferentes, esses itens foram agrupados em um mesmo fator pelos respondentes da pesquisa.
Diante dos resultados encontrados na pesquisa e na revisão de literatura, pode-se inferir que não existe uma equivalência da estrutura da EVT-R uma vez que sua construção e validação foram feitas com uma população de ouvintes. O que se pode sugerir é que para avaliar diretamente o público com deficiência auditiva, deve- se prever a elaboração de instrumentos direcionados e elaborados, desde o começo, para ele, com uso da Libras, entrevistas com Surdos etc.
Valores podem ser entendidos, conforme Triandis (1995, p. 122), como “princípios e filosofia de vida, concepção abstrata do desejável com forte componente afetivo”. Se os valores podem ser entendidos como concepção abstrata e a Libras é direcionada a objetos, a construção dos conceitos sobre valores do trabalho de Surdos de fato diferem da concepção dos ouvintes, questionando-se assim uma estrutura universal de equivalência para ouvintes e Surdos.
A estrutura da teoria de valores, usada na construção e validação da EVT-R, levou em consideração pesquisas realizadas com ouvintes e uma estrutura apresentada em entrevistas com ouvintes com a estrutura da língua portuguesa. Os dados aqui encontrados atestam que a mesma estrutura não pode ser usada com o Surdo, assim como o referencial teórico apresentado também reforça a diferença na formação de conceitos de Surdos e ouvintes. Portanto, corroboram para a diferença também na formação de conceitos sobre valores do trabalho. Os valores do trabalho têm sua base conceitual nos valores humanos desenvolvidos por Schwartz (1992). Ele aplicou seus instrumentos de valores humanos em diversos lugares do mundo,
em várias línguas, o que traz uma representação cultural relevante para a formação dos conceitos. Entretanto, não foram encontrados estudos que tivessem validado a escala de valores de Schwartz para Libras. Será que a estrutura de valores de Schwartz seria encontrada entre Surdos?
A Libras tem particularidades que a faz ser diferente do português e de outras línguas escritas. Não é uma simples língua gestual, pois outros aspectos como a questão do espaço, a configuração de mãos, locais do corpo ou espaço onde os sinais são feitos, interferem na interpretação do sinal. Tornou-se, então, a Libras uma língua própria e de modalidade viso-espacial.
Cabe ressaltar que o processo de gravação em vídeo, atualmente, é a única forma de garantir a inclusão do surdo, pois não tem como fazer sinais escritos. Fica comprovado aqui que em pesquisas futuras, as escalas devem ser em vídeo, semelhante ao que foi feito na pesquisa com a EVT-R. Outro fator importante é a gravação ser feita por um surdo, pois a expressão facial e o contexto dos sinais são fundamentais para a clareza da comunicação dos Surdos e a expressão da sua linguagem.
A linguagem corresponde ainda a uma das habilidades especiais e significativas dos seres humanos, compreendida como um sistema de sinais de duas faces - significante e significado. O significante refere-se ao aspecto formal da linguagem, sendo constituído pela junção hierárquica dos elementos-fonemas, pelas palavras,pelas orações e pelo discurso. Os fonemas integram palavras, as palavras combinam-se em orações, e as orações se enquadram no discurso. O significado, por outro lado, refere-se ao aspecto funcional da linguagem, considerado como o responsável pela comunicação no meio social (LUQUE; VILLA, 1995).
Se a linguagem ocupa tanto espaço na vida do ser humano, como o surdo que tem uma língua própria e pouco conhecida pelos ouvintes pode interagir de maneira igualitária em uma sociedade com predominância da comunicação pela fala, com os comandos feitos pela fala? A exclusão do surdo não é apenas nos processos de comunicação, pois esses processos são responsáveis por várias coisas nos dias atuais. O surdo é impossibilidado de emitir opiniões uma vez que sua língua materna não é acessível. Essas questões aqui apresentadas clamam por pesquisas mais aprofundadas e direcionadas para essa parcela da população que corresponde ao terceiro lugar entre os tipos de deficiência no Brasil, representando 16,7 % do total da população que detém algum tipo de deficiência.
Se realmente existe diferença na interpretação dos valores do trabalho, pode- se indagar como é a vida no trabalho das pessoas com deficiência auditiva. Nos dados demográficos, detecta-se que 100% da amostra utilizam a língua de sinais, 52,2% têm deficiência auditiva profunda, mas apenas 5,2% usam a Libras para se comunicar no trabalho, sendo que 28,8% usam mímicas e gestos. Evidencia-se com isso a lacuna no processo de comunicação e de gerenciamento das pessoas nas organizações. Em relato feito por uma pessoa com deficiência auditiva, percebe-se a dificuldade do surdo de ser compreendido por ouvintes.
Quero entender o que dizem. Estou enjoada de ser prisioneira desse silêncio que eles não procuram romper. Esforço-me o tempo todo, eles não muito. Os ouvintes não se esforçam. Queria que se esforçassem (LABOURIT, 1994, p. 39).
O gerenciamento das pessoas com deficiência nas organizações, em especial as pessoas com deficiência auditiva, se dará quando as organizações programarem políticas de inclusão que, além de garantir vagas, garanta também a inclusão efetiva com programas de cargos e salários, com a participação das pessoas com deficiência em todos os níveis de processos desde os de linha de base até os processos gerenciais. No caso dos Surdos, para que isso aconteça é necessária à divulgação e a utilização da língua de sinais por parte dos membros da organização, principalmente pelos gestores e pelas pessoas que são responsáveis pelo processo de seleção. Dessa forma, o surdo não será prejudicado nos processos que precisem de comunicação clara e diretiva. Espera-se que todas as comunicações sejam feitas pela Libras e não por gestos e mímicas como apresentado nos dados da pesquisa.
Como se falar de uma estrutura equivalente se a língua não é equivalente. Os resultados desta pesquisa apresentam que a tradução do português para Libras requer muito mais que uma simples interpretação, pois é preciso compreender a cultura surda e seus condicionantes. Como no Brasil a primeira língua oficial é o português, as pesquisas terão que fazer um processo minucioso para conseguir alcançar resultados sólidos com o segmento de Surdos.
Com o avanço no cumprimento da política de cotas e dos processos de inclusão, as análises de valores do trabalho devem ter a mesma preocupação que se tem para entender o surdo na escola. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS (BRASIL, 2003/2009), no ano de 2009, a deficiência auditiva esteve em 2° lugar nas contratações das empresas sendo responsável por
23% das pessoas com deficiência que estão trabalhando. Diante disso, as políticas de gerenciamento da diversidade devem estar incluídas nos processos organizacionais, bem como o treinamento dos membros das organizações em língua de sinais-Libras.
Thomas e Ely (1996) relatam em pesquisa a teoria de perspectivas de gestão da diversidade, a perspectiva de discriminação e justiça, que é a primeira das perspectivas que, se fosse seguida pelas organizações, já garantiria que o surdo fosse incluído em todos os processos, pois essa perspectiva relata o tratamento justo e cumprimento da legislação. A legislação de inclusão da Libras já existe e seria justo que o surdo fosse tratado nas suas particularidades e não subjugado ou comparado ao ouvinte.
Quando as organizações repensarem suas práticas de gestão, haverá igualdade de oportunidades e participação plena em todos os processos: as pessoas serão tratadas como grupos e não como exceções. Por conseguinte, a Língua de Sinais deve estar bem difundida e utilizada na organização e tanto quanto no português, os processos devem estar equiparados desde a seleção até a avaliação de desempenho, para com isso promover a inclusão efetiva. Na perspectiva de Acesso e Legitimidade, Thomas e Ely (1996) afirmam que essa perspectiva diz respeito à aceitação e à celebração das diferenças. A força de trabalho da organização é diversa; usam-se as diferenças demográficas para atingir diferentes públicos. A organização que investe na gestão da diversidade e na aceitação dos Surdos, além de garantir o cumprimento da legislação, terá vantagens competitivas pela diferença demográfica que o surdo representa.
O gerenciamento da diversidade nas organizações vai permitir, além da representatividade dos grupos, uma melhor oportunidade para que todos os membros possam aprender e se integrar com grupos diferentes. A compreensão da cultura Surda o pensar na estrutura dos Surdos dentro da organização e a criação de mecanismos para sua integração e seu desenvolvimento de carreira vai permitir que os Surdos não se sintam marginalizados por não usar a fala para se comunicar. O surdo é apenas diferente, mas pode ser eficiente conforme os mecanismos que a organização oferecer.
Falar de equivalência da EVT-R não é possível, no entanto é possível pensar em diversas pesquisas que podem e devem ser feitas, para se entender a estrutura de valores do trabalho dos Surdos. Em súmula, tudo que foi relatado remete à
compreensão de que as pesquisas e os instrumentos voltados à pessoa com DA devem ser feitos desde o princípio baseados na cultura e na Libras. É preciso abrir o leque de pesquisas para compreender o surdo e não apenas restringi-lo por não se comunicar com a fala. A comunicação pela Libras deve ser repensada, começando na educação. Se houver nas escolas a introdução da Libras como matéria, assim como é feita com o inglês e a geografia, a comunicação será, naturalmente, acessível quando os Surdos chegarem nas organizações.
4 CONCLUSÃO
A partir dos resultados desta pesquisa, conclui-se que não é possível ter uma equivalência da EVT-R para Surdos e ouvintes. O objetivo geral da pesquisa era traduzir e buscar evidências sobre a validade da EVT-R em Surdos. Na verdade, o objetivo foi alcançado uma vez que todo o procedimento metodológico foi feito para garantir que a tradução e a retradução fossem feitas de maneira fidedigna, seguindo todo o ritual metodológico indicado pela teoria. O ator da gravação foi um surdo, a validação semântica foi com Surdos que compreendiam bem a língua de sinais, enfim, todas as regras foram seguidas. De fato o que teve influência direta na tradução da EVT-R foi sua base teórica que vem de pesquisas com ouvintes e se baseia na língua portuguesa, fato que evidencia a não existência de validade para a EVT-R em Surdos. Os pesquisadores dessa área podem-se dedicar a produzir pesquisas que tenham como base teórica a língua de sinais e seja feita toda a parte introdutória, entrevistas e compreensão de fatores com Surdos.
Novas pesquisas precisam ser realizadas para uma melhor compreensão dos resultados aqui apresentados. Um ponto que merece atenção é o fato de a Libras não ser utilizada nos processos de comunicação dentro das organizações. Isso foi