saksbehandling – muligheter ved digitalisering
13.6 Partsrettigheter – hvem er part?
13.6.3 Nordisk rett
Quem compartilha fotos, vídeos e informações na internet de forma amadora, não espera ser pago, mas, mesmo assim, compartilha, já que existe uma satisfação de poder estar inserido dentro da sociedade de forma ativa. Os usuários têm inúmeras motivações nessa participação em rede, seja para divulgar algum conteúdo próprio, compartilhar informações relevantes para a sociedade, gerar valor a algum trabalho ou se aproximar de seus ídolos através do engajamento nas plataformas, como por exemplo, comentar e compartilhar em fotos de artistas que, de certa maneira, auxilia na participação dos fãs na vida e no projeto dos seus ídolos.
Segundo Jenkins (2006a citado por Camargo, Estevanim & Silveira, 2017, p. 108), a cultura participativa é o termo usado para explicar o crescimento da participação e interferência do público nos processos comunicacionais em diferentes plataformas digitais. Para o autor, as pessoas podem facilmente se apropriar de conteúdos, recriar e distribuir diferentes materiais de forma mais fácil, rápida e barata, por causa da facilidade que as tecnologias proporcionam para essa circulação de conteúdos midiáticos.
Então, a cultura participativa envolve a criação e o compartilhamento de conteúdo entre os consumidores de mídia e é estimulada por uma inteligência coletiva, desde que troquem o seu conhecimento e experiência em rede. Cada usuário possui o seu próprio ritmo e compreensão acerca de informações e compartilhamento, mas ao ser alcançado por alguma ideia que lhe estimule a compartilhar e fazer parte de determinado grupo virtualmente, este usuário será incentivado a ter uma participação ativa no grupo e a realizar produções criativas.
É curioso perceber que nenhum indivíduo é obrigado a contribuir e trocar informações em rede, mas todos sabem que são livres para contribuir quando e da forma que quiserem. Lévy (2003) explica que “a inteligência coletiva só tem início com
a cultura e cresce com ela” (p. 31), então, ao compartilharmos nossas inteligências através das ações nas mídias sociais, as pessoas se conectam socialmente com outras, estimulando o engajamento cívico na maior parte das vezes.
De acordo com o autor, a inteligência coletiva é “uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências” (Lévy, 2003, p. 28). Assim sendo, a inteligência coletiva reúne as melhores habilidades de cada indivíduo, coordenando-as, para depois serem utilizadas a favor da coletividade. As tecnologias de informação e comunicação auxiliam na coordenação dessas habilidades ao recolher dados específicos de cada grupo, armazenando-os e sendo cada vez mais distribuídos numa lógica de compartilhamento de todos para todos.
Além disso, pode-se dizer que essas novas tecnologias se baseiam na repercussão de um conteúdo pelo outro, ou seja, no fortalecimento de um conteúdo em diferentes plataformas na rede, de forma que o interesse e engajamento do usuário se mantenham e resulte na formação de grupos de interesses comuns. Assim, é possível entender como se formam os grupos na web, quais são as narrativas incorporadas nas redes sociais e o que é consumido, pesquisado e explorado através das mídias pelos seus usuários.
Em relação ao jornalismo na atualidade, verifica-se que o modelo tradicional e vertical de emissor para receptor tem sido cada vez mais transformado em um modelo comunicativo no qual o público é participante e é quem escolhe os assuntos importantes para o seu consumo e quais veículos de comunicação ele quer acompanhar. Ainda assim, segundo Bastos (2010), o fato de os cidadãos poderem ser, simultaneamente, consumidores, produtores, fontes e até editores na internet, não significa que seja possível, pelo menos num futuro próximo, uma sociedade sem jornalistas. Além de serem necessários para assegurar uma informação de qualidade e confiabilidade, os jornalistas e ciberjornalistas28 têm uma função primordial de
28 Jornalista que pratica o jornalismo no meio comunicacional da internet.
diminuir os ruídos de informações e entregar as notícias de forma clara, completa e objetiva para o público.
Alonso e Martínez (2003 citado por Bastos, 2010) comentam: “O comunicador é aquele que produz informações, e esse trabalho de produção é levado a cabo através das potencialidades específicas da tecnologia digital: hipertextualidade29,
multimidialidade30, interatividade31 etc.” (p.30). Além disso, o comunicador é também
um intermediário, estruturador e organizador de informação num contexto que tem excesso de informação em rede, a que ele dá ordem e sentido. Em relação a isso, Flores Vivar e Arruti (2001 citado por Bastos, 2010, p. 46) sublinham que devido à multiplicidade de mensagens e fontes, a mesma audiência tornou-se mais seletiva e tende a escolher as suas mensagens, aprofundando a sua segmentação e melhorando a relação individual entre emissor e receptor.
Nesse sentido, segundo Kolodzy (2006 citado por Bastos, 2010, p. 136), a convergência entra em cena e requer um trabalho de equipe e de partilha, no jornalismo. O jornalismo participativo leva a convergência mais longe, pois espera que as audiências façam parte da equipe, parte da conversação, provocando o compartilhamento de informações entre os produtores e consumidores. Por outro lado, às vezes, esses consumidores decidem partilhar somente entre eles, deixando o jornalismo tradicional de lado e fortalecendo o surgimento de blogs e sites informativos que, muitas vezes, não têm a presença de jornalistas.
29 O hipertexto é uma ligação que facilita a navegação dos internautas. Um texto pode ter diversas
palavras, imagens ou até mesmo sons que, ao serem clicados, são remetidos para outra página onde se esclarece com mais precisão o assunto do link abordado. https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertexto
30 O termo diz respeito a qualquer sistema acompanhado por uma tecnologia multimídia, que transmite
uma comunicação por meio de vários meios. Além disso, relaciona-se com a forma como o texto será apresentado, sendo um conjunto de linguagens que transmitem uma comunicação através de vários meios, como textuais, gráficos, som, imagem, áudio e vídeos. https://medium.com/@veronicaferron/as- sete-caracter%C3%ADsticas-do-webjornalismo-1fb0f2753607
31 Um conceito que, geralmente, está associado às novas mídias de comunicação. Para Pierre Lévy
(1999) o que caracteriza a interatividade é a possibilidade de transformar os envolvidos na comunicação, simultaneamente, em emissores e receptores da mensagem. Alguns exemplos de
A questão principal e que é sempre levantada é se os novos indivíduos inseridos nas plataformas digitais, chamados de blogueiros, são, de fato, jornalistas, e se o que produzem e compartilham na rede pode ser considerado jornalismo.
Sobre isso, Lasica (2003 citado por Bastos, 2010) acredita que há uma relação complementar entre jornalismo e bloguismo: “Chama-se-lhe jornalismo participativo ou jornalismo das margens.” (p. 124). Ou seja, refere-se a pessoas que têm um papel ativo no processo de recolha de dados, apuração dos fatos, escolha de pautas, reportagem e disseminação de notícias e informações - tarefas essas que eram reservadas exclusivamente para as mídias massivas.
Enquanto as mídias massivas são organizações hierárquicas, financiadas pela publicidade, subordinadas a editoriais rigorosos e orientadas para o lucro, os blogs valorizam a conversação informal e horizontal, o igualitarismo e os pontos de vista subjetivos. Assim, os blogs apresentam novas vozes no discurso público sobre variados temas, que muitas vezes não têm espaço nas mídias mainstream32além de ajudarem a construir comunidades de interesse através das suas coleções de hiperligações (Lasica, 2003 citado por Bastos, p. 125).
Seguindo o mesmo pensamento, o escritor e professor Jay Rosen, referido por Gillmor (2005 citado por Rodrigues, 2006), explica que os blogs são uma forma extremamente democrática de fazer jornalismo, pois:
1) O blog deriva da economia de troca, enquanto na maioria dos casos (não em todos) o jornalismo atual é um produto da economia de mercado. 2) O jornalismo tornou-se um domínio de profissionais onde, por vezes, os amadores eram admitidos. 3) No jornalismo praticado desde o século XIX, as barreiras para impedir a entrada têm sido altas. Com o blog, as barreiras são baixas: um computador, uma ligação à Net e um programa de software. (p. 97).
Dessa forma, admite-se que as diversas formas de comunidades virtuais, mídias sociais, sites de informação e blogs confirmam a ideia de que a rede estabelece um
32 Em inglês, main significa principal enquanto stream significa um fluxo ou corrente. Mainstream é um
conceito que expressa uma tendência ou principal e dominante. Em português, mainstream designa um grupo, estilo ou movimento com características dominantes. Um grupo musical mainstream, por exemplo, agrada a maioria da população e apresenta um conteúdo que é usual, familiar e disponível à maioria e que é comercializado com algum ou muito sucesso.
espaço necessário para a evolução do capital social e cultural, numa forma de organizar diversas ações coletivas e aproximar os atores sociais.
Além do jornalismo, a cultura da participação também trouxe a possibilidade de produção em outras áreas, como na publicidade, na música, nas artes ou na política. Esses criadores de conteúdo no ciberespaço, muitas vezes, são chamados de influenciadores digitais, que utilizam uma ou várias redes sociais para influenciar a opinião de outras pessoas, através de publicações de fotos, vídeos ou textos, e que são seguidos por um determinado público.
Segundo a empresa Traackr – uma ferramenta que busca os perfis mais influentes do mundo -, existem, pelo menos, dez tipos de influenciadores no ciberespaço: a celebridade, a autoridade, o conector, aquele que o nome é uma espécie de mercado, o analista, o ativista, o expert, o insider, o disruptivo e o jornalista. Para Karhwari (2016), qualquer um pode ter um blog, mas nem todos conseguem construir uma comunidade de leitores, pois precisam possuir características que o leitor julgue relevantes, e com as quais se identifique. É esse diferencial que dará ao blogueiro o título de “influencidador”.
De acordo com os dados da QualiBest33 em parceria com a Spark34,
apresentados pela empresa de comunicação Meio&Mensagem, em 2019, 76% dos usuários brasileiros já consumiram produtos ou serviços após a indicação de influenciadores digitais corroborando com o fato de que além de entreter e informar, as plataformas digitais também abriram espaço para novos canais publicitários como o de influenciadores.
Atualmente, no momento em que um publipost (conteúdo pago e divulgado pelo influenciador) é colocado nas redes digitais, é gerado resultados mais significativos do que uma propaganda de 30 segundos na televisão. Por isso, 75% das marcas já utilizam influenciadores digitais em suas estratégias de marketing e 79% das
33 Fundado em 2000, foi o pioneiro no segmento de pesquisas online no Brasil. Atualmente, conta com
um painel com mais de 250 mil consumidores cadastrados em todo o pais e é filiado à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). https://qualibest.com/how-works
marcas tratam o engajamento como o principal fator em uma parceria com influenciadores, resultando num crescimento de 198% de posts patrocinados no
Instagram em 2017 (Infobase, 2019).
Compreende-se que o método da influência evidencia a participação em rede, a convergência midiática e a proximidade que os influenciadores vão criando com o seu público, geralmente de um nicho específico. É estabelecida assim, uma conversação e relação direta com pessoas específicas que consomem, opinam e compartilham o que os influenciadores postam nas plataformas digitais.