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saksbehandling – muligheter ved digitalisering

13.5 Språk i offentlig forvaltning

13.5.4 Betydningen av godt språk i offentlig forvaltningforvaltning

Uma rede social é definida como um conjunto de elementos: atores, que seriam pessoas, instituições ou grupos, e o segundo elemento chamado de “conexões”, que seriam as interações ou laços sociais. Uma rede consegue observar os padrões de conexão de um grupo social, ao perceber as conexões realizadas com os usuários, como forma de interação. Dessa forma, a abordagem de rede tem seu foco na

estrutura social, em que não é possível isolar os atores sociais e nem suas conexões (Recuero, 2009).

Segundo Recuero (2009), foi a partir do início da década de 90 que começaram as primeiras experiências de mídias sociais na internet e, desde então, rápidas e profundas alterações desenvolveram-se nas formas como nos relacionamos uns com os outros. Além de permitir que dialoguemos, essa comunicação mediada pelo computador, ampliou a nossa capacidade de conexão, resultando num mundo mais globalizado.

Dessa forma, compreende-se que as redes sociais são espaços de expressão e de construção de impressões, e que os usuários iniciam a sua socialização através das redes baseados nas impressões que têm uns dos outros, embora essa impressão não traduza a realidade, visto que atrás de uma tela de computador, podemos ser quem quisermos. Sob essa perspectiva, a escritora Judith Donath (1999 citado por Recuero, 2009) defende que “a percepção do Outro é essencial para a interação humana”:

No ciberespaço, pela ausência de informações que geralmente permeiam a comunicação face a face, as pessoas são julgadas e percebidas por suas palavras. Essas palavras, constituídas como expressões de alguém, legitimadas pelos grupos sociais, constroém as percepções que os indivíduos têm dos atores sociais. É preciso, assim, colocar rostos, informações que gerem individualidade e empatia, na informação geralmente anônima do ciberespaço. Este requisito é fundamental para que a comunicação possa ser estruturada. (p.27).

Compreende-se assim, que a forma como as pessoas se relacionam no ciberespaço, colabora para a criação de identidade delas perante outros usuários, já que a rede serve como um espaço de interação e lugares de fala como forma de expressar características de personalidade ou individualidade de cada ator inserido nesse ambiente virtual.

Para Recuero (2009), existem dois tipos de redes sociais: as redes emergentes e as redes de filiação ou redes de associação. As redes do tipo emergente são criadas através das interações entre os atores sociais, e cujas conexões entre os “nós” manifestam-se pelas trocas sociais realizadas através da interação social e pela conversação por meio do computador.

Dizemos que é uma rede emergente porque ela é constantemente construída e reconstruída através das trocas sociais. Essas também são redes normalmente

pequenas, pois a quantidade de comentários recíprocos, custosos e que demandam investimento – pois realmente representam trocas sociais – é concentrada em poucos nós, tanto pelo custo de investimento, quanto pelo tempo necessário para que as trocas sociais aconteçam. (p. 95).

Primo (2003 citado por Recuero, 2009, pp. 96-97) explica que as redes emergentes são constituídas através da interação do tipo mútuo, em que os laços são promovidos por um pertencimento relacional, que é emergente, caracterizado pelo “sentir-se parte” através das trocas comunicacionais. Nessas redes há uma limitação no número de pessoas com quem se pode interagir, possibilitando uma maior riqueza na quantidade e na qualidade das conexões entre os usuários. Por isso, geralmente, as redes emergentes são mais conectadas e menores, apresentando topologias mais igualitárias e descentralizadas.

Já as redes de filiação são derivadas de conexões estáticas e estáveis entre os atores, e são realizadas através dos mecanismos de associação, como por exemplo, a lista de pessoas que alguém segue no Instagram ou no Twitter, que são uma mera adição de outros atores sociais, e não uma interação social do tipo mútuo, como as redes emergentes. Quando adicionado algum indivíduo em determinada lista, ele ali permanece como um laço social, independente da sua interação, chamado por Primo (2003 citado por Recuero, 2009, p. 98) de interação reativa. Assim, essas redes podem mostrar laços já estabelecidos pelos atores envolvidos em outros espaços, como amigos de trabalho, por exemplo, mas não necessariamente na Internet.

Por não ter nenhum tipo de custo para os usuários, essas redes podem ser muito maiores do que as redes sociais offline, e permanecerem ativas independente da interação social e do investimento em capital social. Por isso, não é incomum ver vários perfis em Twitter ou Instagram com milhões de seguidores, pois não é preciso interagir com o ator para manter a conexão, já que o próprio sistema mantém as conexões em rede.

Para Granovetter (1973 e 1983 citado por Recuero, 2009, pp. 99-100), é possível que nessas redes sejam construídos muitos laços fracos e conexões não recíprocas. A quantidade de “nós” envolvidos é muito maior que nas redes emergentes, mas eles não são totalmente relacionados entre si e nem todos os “nós” que fazem parte dessa

rede são parte de um mesmo grupo. Ou seja, as redes de filiação podem expressar identificação ou laços sociais, mas o seu tamanho grande, menos distribuído e mais centralizado são característicos das oportunidades que a mediação pelo computador proporciona para a manutenção dos laços sociais.

Por isso, é importante entender o funcionamento das redes sociais na internet, reconhecendo a formação das relações sociais entre os usuários através das redes e como eles constroem suas bases por meio dessa comunicação virtual. Isto é, faz-se necessário identificar os participantes em rede ou suas representações nos meios digitais, e as conexões que eles estabelecem entre eles.

Diante do surgimento das redes sociais digitais, novas formas de circulação de informação são criadas, possibilitando a ampliação de redes e novas conexões entre as pessoas. Recuero (2012) destaca que dentro dos sites das redes sociais, as pessoas que não têm nenhuma conexão fora do mundo virtual, ou seja, que não se conhecem pessoalmente, podem ser impactadas através de mensagens trocadas no meio. Então, essas mensagens podem ser espalhadas rapidamente, alcançando pessoas e grupos sociais que provavelmente não atingiria no meio offline.

Por esse motivo, pode-se inferir que as trocas de informação e comunicação realizadas nas redes sociais digitais reestruturam a nossa cultura, já que diversas reivindicações, debates e críticas sociais passam a alcançar grupos que antes não tinham acesso ou conhecimento sobre determinadas pautas. Sendo assim, é importante fazer uma reflexão sobre como diversificados grupos se organizam em rede para entendermos o impacto que elas têm na sociedade atualmente.

Ao longo da história da humanidade, os movimentos sociais foram responsáveis pela produção de novos valores e objetivos que interferiram nas transformações sociais. Castells (2013) explica que onde há poder, também há o contrapoder – em que os atores sociais desafiam o poder instaurado nas instituições da sociedade com o objetivo de reivindicar a representação de seus próprios valores e interesses.

De início, eram uns poucos, aos quais se juntaram centenas, depois formaram-se redes de milhares, depois ganharam o apoio de milhões, com suas vozes e sua busca interna de esperança, confusas como eram, ultrapassando as ideologias e a publicidade para se conectar com as preocupações reais de pessoas reais na experiência humana real que fora reivindicada. (pp. 9-10).

É nesse contexto que entra a relevância da internet nas últimas décadas como palco dos movimentos sociais. De poucas a muitas vozes, pessoas de todas as idades e condições passaram a reivindicar o seu direito de fazer história e exercer o contrapoder através da comunicação, já que é a partir dela que é realizado o processo de construção de significado. Castells (1999 citado por Silva, 2018, p. 25) entende que esse processo se dá através da concepção de identidade, construída em áreas como história, geografia e religião.

O autor ainda aponta que embora cada mente humana construa seu próprio significado, esse processamento mental é condicionado pelo ambiente da comunicação. Logo, a mudança do ambiente comunicacional afeta diretamente os princípios de construção de significado e, portanto, a produção de relações de poder (Castells, 2013). Assim sendo, o uso da internet e das redes sem fio como plataforma de comunicação promovem autonomia para os indivíduos em relação às instituições de poder, que se consolidaram na sociedade.

Segundo Jenkins (2009), por estarmos vivendo numa cultura de convergência, vários aspectos das práticas sociais são frequentemente alterados, como o discurso dos oprimidos ganhando espaço e promovendo grandes mudanças na sociedade. Dessa forma, a utilização e expansão das mídias sociais fomentou as revoluções sociais ao levar informação sobre a opressão para o oprimido, atuando principalmente como um espaço empoderador das minorias.

Além de empoderar as minorias, todos os personagens da vida pública, como artistas, políticos, atletas, entre outros, utilizam as redes sociais para fins pessoais e públicos. A implantação dessas redes na vida pública é um acontecimento historicamente novo, mas tornou-se uma ferramenta imprescindível para a promoção de pessoas públicas, divulgação de iniciativas políticas, difusão de trabalhos artísticos, marketing pessoal e até a aproximação dessas figuras com o seu público, chamados na rede de “seguidores”.

Dentro do universo digital disponível, todos os dias, milhares de novas interações sociais são realizadas através das mídias sociais, como o Twitter, YouTube,

Instagram, Whatsapp24, Facebook, TikTok25, entre tantas outras plataformas existentes

atualmente. Essas mídias permitem a comunicação entre seus participantes através de vídeos, comentários, likes, publicações, compartilhamentos e outras formas de comunicação audiovisual disponíveis.

O que se pode perceber é que essas plataformas digitais tornaram-se parte comum da vida de uma grande parcela da população mundial, além de serem ferramentas necessárias na construção de uma comunicação eficaz e do relacionamento forte de empresas, instituições e pessoas públicas para com o seu público.

A título de exemplo, exploraremos mais à frente sobre a importância que as plataformas digitais têm na carreira da cantora Anitta – o nosso objeto de estudo -, que utiliza as mídias a seu favor, na divulgação dos seus trabalhos e projetos, no recorrente marketing pessoal que a cantora faz ou no compartilhamento da sua rotina através de

tweets26, no Twitter ou stories,27 no Instagram. Verifica-se que essas mídias se tornaram veículos de mudança ao facilitar a comunicação entre Anitta e seus fãs, dando voz aos dois lados, visto que toda ação que a artista realiza em rede, tem uma reação de seus seguidores, seja com comentários, likes, compartilhamentos ou visualizações. Ou seja, uma simples mensagem que a cantora publique em uma determinada rede, pode gerar um grande impacto dentro dessa mesma rede, influenciar outras plataformas digitais e, inclusive, impactar a realidade não virtual.

Assim, essa interação no ciberespaço pode ser compreendida como uma forma de conectar atores sociais e de demonstrar que tipo de relações esses usuários

24 Fundado em 2009, é um aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz

para smartphones. Além de mensagens de texto, os usuários podem enviar imagens, vídeos e documentos em PDF, além de fazer ligações de áudio e vídeo grátis por meio de uma conexão com a Internet. https://pt.wikipedia.org/wiki/WhatsApp

25 Aplicativo de mídia para criar e compartilhar vídeos curtos de até 60 segundos, lançado em 2016.

https://pt.wikipedia.org/wiki/TikTok

26 Textos de até 280 caracteres realizados na plataforma Twitter. https://pt.wikipedia.org/wiki/Twitter 27 Uma ferramenta da plataforma Instagram, lançada em 2016, que tem como função enviar vídeos de

10 segundos, que ficam disponíveis no perfil por 24 horas.

possuem. Por isso, a seguir, falarei sobre o “público participativo” e como este se comporta em rede, influenciando a cultura, a política, as artes, o esporte, e qualquer tema relevante para a sociedade.