saksbehandling – muligheter ved digitalisering
13.7 Saksbehandlingstiden i offentlig forvaltning
13.7.3 Gjeldende rett
Um dos elementos mais relevantes para a sociedade é a percepção dos valores construídos nela, e como as plataformas digitais fazem parte de uma construção social, seus valores também são importantes. Por isso, é relevante conhecer os valores formados nas redes sociais e como eles influenciam as pessoas no ciberespaço, além de observar o capital social, que tem o papel de estimular as dinâmicas em rede.
Segundo Zago (2017), o conceito de dinâmica está relacionado aos comportamentos coletivos que podem ser percebidos numa determinada rede social na internet, como a propagação de memes e os processos de cooperação, conflito e competição. A propagação de memes se refere a mensagens compartilhadas na internet e tem sua origem associada à biologia, de acordo com Dawkins (2007 citado por Zago, 2017). Assim como o gene é transmitido por processos genéticos, o meme se refere a um conceito que é transmitido por imitação. Dessa forma, as redes sociais fornecem três elementos necessários para um meme no papel de “replicador”: a longevidade, que permite que uma ideia se propague ao longo do tempo, a fecundidade, que promove o compartilhamento inúmeras vezes, e a fidelidade das cópias, responsável pela produção de cópias iguais ou similares ao original.
Além da propagação de memes, a cooperação, o conflito e a competição também são processos associados às dinâmicas das redes sociais na internet. A cooperação se dá pela união de usuários em prol de um objetivo comum, e o conflito ocorre quando os atores discordam em algum ponto. Embora pareçam ideias
divergentes, para Primo (2007 como citado em Zago, 2017), cooperação e conflito não se opõe, e sim se complementam, pois para que aconteça uma cooperação entre participantes dentro de alguma plataforma digital, por exemplo, é necessário que essa cooperação manifesta-se em oposição a um potencial conflito entre os indivíduos.
A dinâmica da competição, por sua vez, é pela visibilidade. Ou seja, é quando ocorre a transferência de credibilidade e atenção para uma pessoa que não produziu determinado conteúdo, apenas o replicou. Como exemplo da competição por visibilidade, Recuero e Zago (2012 citado por Zago, 2017) falam sobre a complexidade entre fazer referência ao autor original da publicação ou o último usuário que compartilhou a informação e possibilitou que mais pessoas tomassem conhecimento sobre determinado assunto.
Em relação ao capital social, Coleman (1988 citado por Zago, 2017) define sua função como a de uma estrutura social que facilitaria determinadas ações por parte dos indivíduos dentro dessa estrutura. Já Recuero (2009) entende que o capital social pode ser percebido como valores gerados nos sites das redes sociais, a exemplo da reputação e da visibilidade, e que dão vantagens ao pertencer a um determinado grupo social. Esses valores dependem das conexões que alguém possui em relação a um grupo e dos recursos fornecidos pelas ferramentas em rede. Por isso, o capital social é um conjunto de recursos que só podem ser acessados através das plataformas digitais (Recuero & Zago, 2012).
O capital social também possui características públicas (Putnam, 2000 citado por Recuero & Zago, 2012, pp. 22-23), quando o investimento não beneficia quem investe, mas a rede de uma forma geral, e características privadas (Burt, 1992 citado por Recuero & Zago, 2012, pp. 22-23), que admite que os usuários apropriem-se dos valores produzidos pela estrutura social. Por essa razão, o capital social está ligado à competição e vantagens que podem ser alcançadas por meio da rede, e as pessoas mais conectadas desfrutam de maiores benefícios, o que dá motivação aos atores sociais para tomarem determinadas ações com o objetivo de terem retornos vantajosos.
Sendo assim, o capital social influencia diretamente a difusão de informação, e podemos perceber isso através dos comentários, likes e engajamento recebidos, assim como o feedback da audiência em relação aos atores nas redes sociais. Para Recuero (2009),
Se considerarmos que as redes que estamos analisando são redes sociais, portanto, constituídas de atores sociais, com interesses, percepções, sentimentos e perspectivas, percebemos que há uma conexão entre aquilo que alguém decide publicar na Internet e a visão de como seus amigos ou sua audiência na rede perceberá tal informação. (p.117).
A estrutura das redes sociais altera e influencia a circulação de informações, por isso, o capital social está relacionado à forma como as informações se difundem nas redes e como as ações dos indivíduos se diferenciam ao compartilhar informações que cada um julga mais relevante. Por esse motivo, fica claro que a informação em si não é um valor, e sim o acesso a ela e ao seu conteúdo (Recuero & Zago, 2012).
Sobre os benefícios do acesso à informação, Burt (1992 citado por Recuero & Zago, 2012, p. 24) fala sobre três elementos que fazem parte desse processo: o acesso, o tempo e as referências. O acesso se relaciona com o ganho de informações que sejam relevantes, e o tempo relaciona-se com receber os conteúdos rapidamente, ou antes do resto da rede social. Já as referências têm a função de apurar as informações recebidas, referenciando e validando aquelas que são significativas. Para que tudo isso ocorra, existe um alto custo para a obtenção de informações numa plataforma digital, que exige atenção e envolvimento do usuário na busca por fontes que sejam relevantes para a área de atuação. Dessa forma, a ação de alguns atores em divulgar determinadas informações rapidamente pode auxiliar numa construção de valores coletivos para a rede social.
Fica claro que os sites das redes sociais permitem que os usuários estejam mais conectados e que há um aumento de visibilidade deles em rede. Recuero (2009) explica que a visibilidade é estabelecida como valor porque proporciona que os “nós” sejam mais visíveis em rede. Isto é, a visibilidade é um valor por si só, como consequência da presença das pessoas na rede social, sendo também, uma matéria- prima para a criação de outros valores.
A reputação é um outro valor, e é formado pela percepção construída de alguém pelos outros usuários que estão na rede. Ou seja, é a construção de impressões que outras pessoas têm sobre nós, com base nas informações sobre quem somos ou o que pensamos. Ainda assim, não existe a possibilidade de denominar uma reputação única para cada usuário nas plataformas digitais, pois as pessoas são diferentes entre si e cada uma possui um tipo de reputação demonstrada através dos seus perfis digitais (Recuero, 2009).
Partindo das noções do Goffman (1975), por exemplo, poderíamos dizer que a reputação de alguém seria uma consequência de todas as impressões dadas e emitidas deste indivíduo. A reputação, assim, pode ser influenciada pelas nossas ações, mas não unicamente por elas, pois depende também das construções dos outros sobre essas ações. (p. 109).
Pode-se dizer que a construção de reputação é mais fácil e efetiva nas redes sociais, pois ao expor sua vida, sua especialidade ou trabalho, um blogueiro, especialista ou artista vai construindo reputação e prestígio na rede e ganha a fidelização de uma audiência. Blood (2002 citado por Karhawi, 2016, p. 2) afirma que os espaços digitais são como palanques e que, a partir deles, os atores sociais podem expressar seu ponto de vista e influenciar um número muito maior de pessoas do que fariam na vida cotidiana. Pelo menos, potencialmente. Mas ter influência exige que o usuário tenha algo relevante a ser dito.
O terceiro valor é o poder de influência de um “nó” na rede social, chamado por Recuero (2009) de autoridade:
Não é a simples posição do nó na rede, ou mesmo, a avaliação de sua centralidade ou visibilidade. É uma medida da efetiva influência de um ator com relação à sua rede, juntamente com a percepção dos demais atores da reputação dele. Autoridade, portanto, compreende também reputação, mas não se resume a ela. Autoridade é uma medida de influência, da qual se depreende a reputação. (p.113).
A popularidade, por sua vez, é um valor que corresponde à posição de uma pessoa dentro da sua rede social. “Um nó mais centralizado na rede é mais popular, porque há mais pessoas conectadas a ele e, por consequência, esse nó poderá ter uma capacidade de influência mais forte que outros nós na mesma rede.” (Recuero, 2009, p. 111).
Compreende-se então, que a popularidade em plataformas digitais como o
Instagram, está diretamente ligada à quantidade de seguidores que determinada
pessoa têm na rede. Além disso, é um valor relacionado aos laços fracos, e não aos laços fortes, pois a popularidade se associa à quantidade de conexões, e não à qualidade delas. É possível notar isso nos perfis de influenciadores, artistas e famosos, em que seus perfis são muito populares. Mesmo que esses atores sociais tentem se conectar com seus milhões de seguidores (fãs) e levar engajamento para a página, é humanamente impossível ter uma relação profunda com todos que os seguem, tornando essa relação superficial.
Recuero (2009) explica como a visibilidade, reputação, autoridade e popularidade se complementam em rede, frisando a importância de trabalhar bem esses quatro valores, para que o ator social tenha resultados mais satisfatórios:
Enquanto alguém com autoridade tem o poder de influenciar muitas pessoas, é só possível expandir determinada informação através dos valores da popularidade e visibilidade, por isso, esses dois valores são essenciais para o alcance das informações nas redes sociais. No entanto, a reputação e a autoridade lhe conferem algum tipo de valor e de influência. (p. 32).
Podemos ver esses quatro valores agregados em perfis de muitas celebridades e especialistas, também conhecidas como digitais influencers nas plataformas digitais. A Anitta, por exemplo, é uma pessoa que reúne todos esses valores, visto que possui popularidade e visibilidade observados através dos seus trabalhos como cantora, sendo amplificados com a sua participação nas redes sociais. A reputação também é um valor que vem da credibilidade do seu trabalho e por ter chegado ao patamar de maior artista brasileira. E por fim, a autoridade se dá na busca por se aprimorar em estratégias que alavanquem o seu trabalho aliando as plataformas digitais e as ações no meio offline, tornando-se referência enquanto artista e também empresária.
Diante do que foi colocado, é plausível dizer que a presença de uma celebridade em rede expande as suas conexões e permite que ela mantenha interações com os seus fãs de forma mais ativa e veloz, o que não era possível antes das redes sociais, quando os fãs só conseguiam um contato distante com os seus ídolos através de shows ou cartas.
Além disso, o ciberespaço também é um lugar de fala para o artista e os seus seguidores, onde gera engajamento entre as partes. Brian Haven (2011 citado por Guedes, 2013, p. 82), antigo analista sênior da Forrester Research35, explica que o
engajamento é a integração das métricas quantitativas e qualitativas, e afirma que se dá no nível de envolvimento, de interação, na intimidade e influência que uma pessoa desenvolve ao longo do tempo.
Dentro do engajamento nas redes, há o ato de comentar e replicar informações, denominada por Zago (2011) de recirculação. Entende-se que é uma etapa da circulação, que acontece após o consumo, quando o usuário acessa diferentes espaços sociais da internet, como sites de relacionamentos, blogs, aplicativos de redes sociais, portais de notícias, entre outros, e faz a sua contribuição ao divulgar alguma informação no seu perfil na rede, podendo manifestar ou não alguma opinião pessoal sobre o assunto (Shirky, 2011).
Sobre recirculação, Recuero (2009) explica que os que utilizam as redes sociais podem atuar como filtros e reverbadores de informação. O filtro social substitui as conversas boca a boca, já que as pessoas que consomem determinada informação, geralmente filtram e depois repassam para seus amigos e seguidores, através do compartilhamento em seus perfis sociais na internet.
A recirculação acaba amplificando uma informação para outros perfis sociais que não chegaria a eles caso ela não fosse compartilhada. Como exemplo, podemos voltar ao objeto de estudo, a cantora Anitta. Quando a artista publica alguma informação sobre o seu trabalho ou sua vida pessoal, inúmeros fãs, seguidores, perfis de notícia ou de fofoca compartilham essa informação no seu próprio canal, atingindo pessoas que não seguem a Anitta, mas consomem as informações de certo perfil na rede social. Isso também ocorre quando é utilizada hashtag com o nome da cantora em outros perfis, às vezes com assuntos que não estão diretamente relacionados a ela. Porém, pelo seu nome ser uma grande influência por gerar milhares de dados
35 É empresa norte-americana de pesquisa de mercado que presta assessoria sobre o impacto existente
diariamente na rede, muitas pessoas se utilizam da estratégia da hashtag para fazer com que a sua publicação tenha uma circulação maior.
As redes sociais são espaços de circulação de informações. Com isso, tornam-se também espaços de discussão dessas informações, onde as notícias, por exemplo, são reverberadas [...] Com isso, a ferramenta permite não apenas a difusão das informações, mas igualmente o debate em cima das mesmas (Recuero, 2009, p. 09- 10).
Portanto, a reverberação favorece as opiniões e os debates públicos e passa a beneficiar essa celebridade ao ampliar suas publicações. Mas, por outro lado, pode prejudicá-la, caso a informação seja replicada com más interpretações e julgamentos – algo recorrente na vida de pessoas famosas.
Segundo Jenkins (2009), a relação entre fãs e ídolos através das redes sociais, tem dado aos fãs a possibilidade de moldar o ambiente de mídia, buscando meios de prolongar o envolvimento e a aproximação deles com seus ídolos. Por outro lado, essa relação pode acarretar certo desconforto nos artistas, que já são geralmente expostos por todo o tipo de mídia, e agora assistem seus nomes de forma intensa nas redes sociais de seus fãs, assim como no de jornalistas ou blogueiros. A grande questão não é o nome de determinado artista estar em alta ou em assuntos relevantes, mas sim a reputação – muitas vezes negativa -, que o seu nome veiculado nas redes, causa nele ou em sua família.
Diante de tudo abordado, foi possível perceber como o capital social e os valores midiáticos estão presentes em nossas interações diárias, através de diferentes estratégias que os atores sociais utilizam nas redes, para que haja algo em troca. Para Zago (2017), quando postamos algo de forma despretenciosa na rede, estamos à procura de um suporte social, de respostas ou de visibilidade. Queremos dar visibilidade às mensagens, e também transmitimos um pouco da nossa credibilidade ao replicar determinado conteúdo. Por isso, o capital social é visto como o motor das dinâmicas sociais, que só fazem sentido porque as estruturas da rede são variadas, já que cada um dispõe de contatos, amigos e seguidores diferentes.