5 Results
5.4 Njord area
Os resultados apontam que 86,3% dos pesquisados concordam que as dificuldades quanto à operação de ferramentas tecnológicas e ao uso pedagógico dos dispositivos eletrônicos são barreiras para o uso de tecnologias na educação (Tabela 11). Similarmente, os dados referentes às dificuldades quanto ao uso das tecnologias apresentam consonância com a pesquisa de Cunha (2015), apontando 31% de alunos com dificuldades e 69% sem dificuldades no manuseio das tecnologias.
O estudante de Pedagogia está recebendo sua formação advinda de docentes formandos em épocas onde não havia as TDIC, ou seja, seus pensamentos diferem dos pensamentos formados na era digital. Além disso, existe a matriz curricular, o modelo de ensino, e tantos outros fatores que parecem não estar contribuindo para que sua formação seja adequada para trabalhar com crianças e tecnologias digitais. (FALCÃO, 2015, p. 156).
Similarmente, esses argumentos apresentam relação com as dificuldades encontradas para a utilização de tais artefatos tecnológicos. Conforme argumenta Quartiero (1999), essas dificuldades são decorrentes de um conhecimento precário referente ao uso e às características pedagógicas desses dispositivos. Assim, encontram-se obstáculos relativos à operação dos sistemas e à imersão prática por falta de conhecimento, que são dificuldades comuns a qualquer situação nova. Em suma, as tecnologias educacionais auxiliam o aluno na sua aprendizagem e oferecem melhores condições de ensino, conjuntamente apoiando o professor nesse processo mediado pelas TIC. Nesse sentido, a tecnologia auxilia a atribuir significado ao que está sendo realizado.
As dificuldades quanto às tecnologias também são expressas pela percepção de acadêmicos de Pedagogia da pesquisa de Cunha (2015), expondo a falta de domínio frente à tecnologia, e a falta de oportunidade para o seu uso, devido aos diferentes contextos sociais apresentados. Silva (2015) também aborda que a articulação entre as instituições de ensino junto a escolas públicas como prática pedagógica desses acadêmicos possibilitaria uma maior percepção quanto a essas práticas.
Em consonância, Falcão (2015) aborda também a relação de professores universitários com as tecnologias e entre as dificuldades apontadas estão atualização e formação por parte do professor, as estratégias que podem ser usadas com as tecnologias percebendo apenas o uso de ferramentas básicas, problemas técnicos dos aparelhos tecnológicos disponíveis. Parece-nos que se faz necessário oferecer ao professor tempo e oportunidade de conhecer, analisar e manusear as tecnologias educativas, podendo, assim, gerar uma prática educativa consciente
quanto às diferentes formas de uso dos recursos e as suas potencialidades para cada aluno (KENSKI, 2003).
A educação – no seu processo de ensino, ainda vista como analógica – precisa passar por mudanças que analisam o sujeito em seu contexto, partindo também do ponto de vista do professor que ensina como imigrante e a oportunidade da experimentação prática de diversas tecnologias. Santos e Domingues (2015) argumentam que as instituições, como responsáveis por mediar esses processos, precisam oferecer meios de qualificação que se conectem às tecnologias digitais e à realidade do aluno visto como nativo. O método de ensino – analógico e estático, pautado na transmissão do conhecimento e da informação, mas contemporaneamente com dificuldades de ser absorvida pelo sujeito – precisa ser revisto por outros métodos mais atualizados e ligados ao aluno que aprende de diferentes formas, especialmente aqueles ligados às tecnologias.
6.4.8 Apontamentos
Conforme discutido anteriormente, joga-se sobre o professor uma cobrança quanto ao uso das tecnologias, sem levar em consideração a sua formação para tal. Ao mesmo tempo, analisando o contexto atual da educação brasileira, tem-se, em fatores como remuneração baixa e baixo incentivo profissional, pontos prejudiciais para o professor e que impactam também o aluno, em especial na educação mineira, que tem sofrido com o repasse de verbas da União para o Estado, gerando atrasos e salários parcelados de servidores da educação.
A análise da percepção dos acadêmicos sobre os contextos educacionais pode ser confirmada pelos seus próprios contextos. Durante o período de coleta dos dados, foi presenciada a greve dos professores da Rede de Educação Infantil de Belo Horizonte, em que foi reivindicada a equiparação salarial entre os profissionais de ensino infantil e fundamental. Pode-se inferir que esse descontentamento é expresso por profissionais que já atuam na educação, assim como por aqueles que serão futuros professores.
Outro fator que se associa à greve deu-se para incentivo e formação profissional, em que foi reivindicado o escalonamento para os professores da educação infantil. Conforme verificado, um dos fatores para a motivação do profissional dá-se para a sua remuneração. Os acadêmicos pesquisados expressam tais fatores nessa pesquisa. Atualmente, em Belo Horizonte, profissionais das Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEIS) começam ganhando R$1.450,00 (nível 1) e Educadores do ensino fundamental R$2.200,00 (nível 10). Em conformidade, a Tabela 3 dessa pesquisa apresenta que a grande maioria dos acadêmicos
que fizeram ENADE nas duas instituições pesquisadas são mulheres e contribuem para o sustento de casa. Não é à toa, e muito comum, encontrar professoras que se dividem em até 3 escolas para conseguir manter o sustento da família.
Desse contexto educacional extrai-se também que as tecnologias fazem parte do cotidiano de diferentes sujeitos e idades. Conforme apontado nesta pesquisa, tanto o valor baixo quanto a dificuldade de operar as ferramentas tecnológicas podem ser associados pela maioria dos entrevistados que possuem até 29 anos e já fazem uso das tecnologias. Independentemente da idade e geração, o preparo para operar esses artefatos não pode ser apenas por disciplinas específicas, mas durante todo o percurso do curso, sendo essa inserção necessária e desafiadora e que integre todos os envolvidos nesse processo.