3 Background theory
3.2 Pore pressure
Conforme Izquierdo (2004), memória é o processo de aquisição, construção, preservação e evocação da informação. A aquisição também é chamada de aprendizagem, por meio da qual só se fixa aquilo que é aprendido. A evocação remete ao ato de recordar, lembrar e recuperar a informação. Só se lembra daquilo que se grava, aquilo que foi aprendido. Faria e Junior (2015) conceituam a memória sensorial como aquela que é ativada pela percepção de informações visuais, auditivas, táteis, olfativas, proprioceptivas e são de curta duração. É uma memória de natureza elétrica, presente apenas quando o impulso elétrico é ativado. Os autores conceituam nesse grupo a memória icônica e a memória ecoica. A primeira, também conhecida
como memória sensorial visual, apresenta seu registro conservado por apenas meio segundo. A segunda, chamada de memória sensorial auditiva, tem duração de 20 segundos.
Figura 1 – Esquema sobre memória sensorial
Fonte: FARIA e Junior (2015, p.783).
A literatura do campo conceitua também a memória de trabalho. Faria e Junior (2015, p. 4) denotam que “[...] ela serve, sobretudo, para contextualizar o indivíduo e para gerenciar as informações que estão transitando pelo cérebro”. Os mesmos autores apresentam que a sua duração é ultrarrápida, pois, a informação é mantida apenas enquanto é feito o seu uso. Exemplifica-se o uso da memória de trabalho para reter informações rápidas como guardar um número de telefone apenas para discá-lo. Após tal ação, esse número não fica retido na memória de trabalho.
Um dos modelos mais citados para a análise da memória de trabalho é aquele apresentado por Baddeley e Hitch (1974), ponderando que ela é composta pelo executivo central, esboço visuoespacial, alça fonológica e retentor episódico. Faria e Junior (2015) apresentam que o executivo central é responsável pela atenção inicial, por reter a primeira informação captada. Logo em seguida, o esboço visuoespacial guarda as informações provisoriamente com base na imagem, vendo-a mentalmente. A alça fonológica, em consonância, realiza o mesmo processo por meio dos sons, em um processo de repetição mental da palavra. O retentor episódico compara as informações já existentes com as novas informações que são captadas pelos sentidos.
Figura 2 – Esquema sobre memória de trabalho
Fonte: Faria e Junio (2015, p. 783).
Faria e Junior (2015) denotam a importância da memória de trabalho por conservar a informação apenas enquanto essa é processada, ao mesmo tempo que atua para comparar as informações novas com aquelas já pré-existentes e armazenadas na memória de longa duração. A assimilação dessas informações ocorre preferivelmente na região pré-frontal do córtex, sendo a dopamina o neurotransmissor responsável por tal ação.
Outro tipo de memória é a de longa duração, também conhecida como memória remota, responsável por arquivar a informação por diferentes períodos de tempo. A formação dessa memória leva em média de 3 a 8 horas e pode sofrer interferências de outras memórias já presentes, por neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e acetilcolina. Subdividem- se em memória declarativa e memória não declarativa. A primeira, também conhecida como memória explícita, é acessada e relembrada pelas palavras. Da mesma forma, a segunda, também conhecida como memória implícita, está no subconsciente e é acessada pela prática (FARIA; JUNIOR, 2015).
A memória declarativa subdivide-se em memória episódica e memória semântica, são processadas em diferentes áreas cerebrais. A primeira é aquela responsável por armazenar os acontecimentos da vida, as recordações e os momentos vividos pelo sujeito. Já a segunda armazena conceitos, como aqueles aprendidos na escola, os conceitos semânticos de uma língua entre outras características. A memória declarativa também interfere na percepção que o sujeito
tem sobre o mundo, assim como no esquecimento e extinção como economia de sinapses e uma melhor ocupação dessa memória em áreas do córtex cerebral (FARIA; JUNIOR, 2015).
Figura 3 – Esquema sobre memória de longa duração
Fonte: Faria e Junior (2015, p. 785).
O cérebro se modifica para guardar tantas informações, passando por mudanças estruturais e funcionais. Nas mudanças funcionais, quando ocorre o fortalecimento das conexões entre as sinapses, observa-se uma proporção de quanto mais simples for a memória, menor é o número de sinapses que serão modificadas. A mesma colocação se adequa às memórias mais complexas que envolveriam um maior número de sinapses a serem modificadas. Na memória de longa duração, observa-se uma instabilidade ocasionada pelas perdas que ocorrem durante tal processo. Ao recordar uma memória, a mesma é modificada, em uma espécie de pedaços da memória, que são organizados pela memória de trabalho e pelas funções executivas, dando coerência para aquilo que se recorda. A consolidação da memória ocorre durante o sono e no hipocampo, região localizada no lobo temporal do cérebro (FARIA; JUNIOR, 2015).
Conforme Faria e Junior (2015), a memória de longa duração apresenta outra categoria também chamada de memória não declarativa e são operadas a nível subconsciente. Nessa
categoria incluem-se os condicionamentos, as memórias motoras e o priming. Os condicionamentos se caracterizam na associação de estímulos e comportamentos. Já as memórias motoras se relacionam às habilidades motoras do indivíduo e necessitam de reforço e repetição para se tornar definitiva. Ao serem aprendidas, são consolidadas e de fácil recordação. Nesse sentido, a repetição leva ao aprendizado e consolida a memória. O cerebelo e os núcleos da base são os responsáveis por tais processos. Em consonância, o priming é a memória coordenada por pistas ou instruções e apresenta localização difusa no cérebro. Da mesma forma, se for uma pista visual, as regiões do córtex occipital do cérebro são ativadas. Por envolver integração temporal das informações, as regiões como o córtex pré-frontal também responsável pelo processamento da memória operacional também são ativadas, assim como as áreas mais desenvolvidas do córtex (FARIA; JUNIOR, 2015).