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Part I: The Changing Context of US Policy-Making

4.2 The Structure of the International System

4.2.2 The New World Order

O objetivo desta pesquisa foi investigar as estratégias de estudo individual e percepções sobre o contexto de ensino e aprendizagem de estudantes da graduação em Psicologia. Pois, conforme Prosser e Trigwell (1999), são esses os mais importantes aspectos a influenciarem na qualidade da aprendizagem de um estudante. Três pontos fundamentaram este trabalho: a) como os estudantes de Psicologia vêem o contexto acadêmico (ambiente de ensino e aprendizagem, sala de aula, relação de estudantes entre si e entre professores); b) como os universitários utilizam estratégias de estudo individual deliberado, em relação a tempo e condições de estudo, e a influência que estas têm em seus desempenhos; e c) identificar a natureza dessas estratégias na dimensão profundidade-superficialidade.

Com base nos resultados do capítulo anterior, procurou-se discutir os principais pontos levantados pela pesquisa e fundamentados pelo quantitativo dos dados, relacionando-os à literatura temática, de modo a evidenciar algumas situações do contexto universitário, desde a utilização ou não de estratégias pelos estudantes às percepções que eles têm sobre o ensino e aprendizagem.

Como parte da conclusão, propõe-se algumas diretrizes de ação, conforme as reflexões tenham sido ou não de conformidade ou diferenciados da literatura vigente.

4.1. Contexto Acadêmico

Para a obtenção de inferências qualitativas sobre o contexto acadêmico, em relação às percepções que os estudantes têm do ambiente universitário, endereçou-se questões exploratórias a respeito do tema. Evidenciou-se itens do incentivo familiar em relação ao interesse ou à vontade que o estudante tem de ir à universidade; do sentimento de estar no ambiente às atitudes de fazer inferências de gostar ou confiar nos professores tanto quanto nos colegas; e, finalmente, questões sobre o ponto de vista da importância do estudo na vida do estudante, tanto para hoje quanto para o futuro. Em relação a essa perspectiva, a pesquisa de Balancho e Coelho (1994) mostrou que o estudante depende quase que exclusivamente do meio familiar e social para o desenvolvimento do próprio processo de aprendizagem. Da mesma forma, confirmando uma expectativa, grande número de estudantes pesquisados respondeu que prefere a sua casa para estudo. Independentemente de alguns obstáculos ao estudo encontrados na rua, como ruídos ou

conversas em sala de aula, a casa ainda é o lugar preferido da maioria dos universitários (71,4%). Talvez por causa do estímulo que os pais e familiares dão ao estudante, principalmente colaborando com atitudes favoráveis para que o estudo aconteça.

Apesar desta particularidade, a grande maioria dos respondentes (91%) se identifica com o ambiente universitário. Eles não só gostam de ir à universidade como também se sentem bem neste ambiente. Além de julgarem positivamente o ambiente acadêmico, as relações interpessoais entre estudantes de Psicologia é melhor do que entre estudantes e professores. Bandura (1977) levantou a questão de que há uma mútua colaboração entre ambiente e comportamento dos indivíduos, em que ambos exercem influências, pois o comportamento é causado pela motivação que o ambiente exerce no organismo e vice-versa. Um ambiente estimulador tem mais possibilidades de gerar uma aprendizagem positiva. Quando estudantes e professores se encontram num meio em que a ambientação facilita o ensino, a aprendizagem tende a se sobressair.

Um bom ambiente, com boa socialização, harmônico, contribui para uma boa aprendizagem. O estudante de Psicologia, talvez por ser a pessoa humana o seu objeto de trabalho, parece ter uma tendência a construir bons ambientes. Um ambiente favorável interfere positivamente no resultado da aprendizagem dos indivíduos (PENNINGS & SPAN, 1991). Hannafin (1992) comunga da mesma perspectiva quando confirmou que o ambiente influencia na aprendizagem. É oportuno lembrar que em ambientes estruturados os alunos tendem a aprender com colegas metacognitivamente mais eficientes. Ambientes de ensino-aprendizagem em que os autores, os estímulos e os recursos estão em acordo e bem utilizados, só favorecem o processo do saber. Coerente com o conceito de metacognição que diz respeito às experiências cognitivas conscientes ou afetivas que acompanham o aprendiz em suas atividades intelectuais (WEDENBACH, 1996). Trata-se da reflexão sobre os percursos mentais; dentre os mais evidenciados, estão: raciocínio, memorização, observação e resolução de problemas.

Os estudantes do curso de Psicologia evidenciaram que o estudo tem grande importância na vida pessoal de cada um. Eles têm preocupação com o estudo, tanto para o momento presente (96%) quanto para o futuro (94,5%). É um aspecto muito positivo, uma vez que, como bem lembraram Zimmerman e Martinez-Ponz (1996), o ambiente pesquisado tem contribuído para o aprendizado dos respondentes, pois, segundo os próprios autores, o ambiente tanto pode auxiliar como pode impedir o processo para uma boa aprendizagem. Um ambiente onde não se tem clima

de respeito e harmonia, certamente em nada favorece a aprendizagem; pelo contrário, a dificulta e torna o processo de ensino e aprendizagem em algo superficial, sem compromisso com o saber..

Assim, de acordo com as percepções evidenciadas pelos estudantes de Psicologia, neste estudo, o ambiente universitário tem um viés positivo, onde eles se identificam numa mútua troca de conhecimento. Portanto, diante da constatação de instalações adequadas e de pessoal do apoio no ambiente acadêmico, somado ao grau de confiabilidade dos agentes de educação superior, os estudantes têm grande oportunidade para adquirirem uma formação de qualidade e quiçá, um grande salto para a conquista da expertise, pois num ambiente propício, os estudantes tendem a ser mais auto-regulados, mais reflexivos e com possibilidades de mais tempo de dedicação e de exclusividade para o estudo individual (GALVÃO, 2000a,b).

Mais de três quartos dos estudantes assistem às aulas (77,5%), têm todo o material didático (79,5%) e prestam atenção nas aulas (88,5%). Para Alonso et al (1994), a ambientação favorável, aliada à postura adequada do estudante em sala de aula, são fortes indicadores que facilitarão a aquisição de aprendizagem. Para Alonso, esses vários estilos de aprendizagem inseridos no contexto acadêmico, como traços cognitivos e afetivos, servem de referência relativamente estáveis de como os alunos percebem, relacionam e respondem a seus ambientes de aprendizagem.

Quando focalizado o ambiente específico, dentro da sala de aula, constatou-se mais uma vez que universitários de graduação em Psicologia se comportam como estudantes interessados em colaborar com o bom andamento das aulas. Além do registro de alguns temas das aulas, colaboram com outras atitudes, como a assiduidade, inerentes ao processo de aprendizagem. Holt (1982) lembra que, para que haja um bom desempenho acadêmico, pressupõe-se que os estudantes tenham conscientização dos seus próprios processamentos mentais. E adverte: é necessário que, individualmente, cada estudante tenha segurança do seu grau de compreensão. Para isso, é muito importante que eles aproveitem ao máximo as explicações dos professores e, se possível, adquiram o hábito de boas estratégias, como anotações em sala de aula, para que se obtenha o sucesso acadêmico.

Foi constatada a presença de todo o material didático (caderno, livros, apostilas, etc.), outro item bastante importante aliado à atitude de prestar atenção às aulas. Weiner (1979) argumenta que os estudantes devem ter comportamentos que venham a contribuir com o seu desempenho acadêmico, de forma a interferir de maneira decisiva no produto final das atividades

do aprendiz. A maneira como o universitário se dispõe, afetará decisivamente na intensidade de sua aprendizagem, fadada ao sucesso ou ao fracasso. O esforço e a boa utilização de estratégias, além de todo o favorecimento do ambiente acadêmico, são contribuições de peso para o sucesso da aprendizagem. Uma dessas boas estratégias está justamente em fazer anotações durante as aulas.

Com a percentagem bastante alta, pode-se admitir que estudantes da graduação em Psicologia são metacognitivamente ativos. É uma atitude bem próxima do que Libâneo (1998) descreveu, como a necessidade do aluno estar atento aos seus objetivos, de tal forma que poderá chegar a organizar e dirigir seu próprio processo de aprendizagem. Assim, mostrando-se consciente e perspicaz, focalizando seus objetivos, esses estudantes poderão alcançar o que bem quiserem, já que poderão estar no controle e em pleno exercício do que têm planejado para executar em sua vida acadêmica.

Estudantes e professores se respeitam e contribuem para um clima positivo (76,4%), promovendo um bom relacionamento entre eles (88,5%). Apesar desse clima amistoso, estudantes consideram que professores poderiam acreditar e valorizar ainda mais a opinião deles. Betts (1986) e Perkins (1991b) acreditam que estudantes precisam se tornar autônomos; precisam da ajuda dos professores; só assim eles se transformarão em aprendizes e pensadores autônomos. No entanto, não alcançarão tal possibilidade se lhes faltar oportunidades de serem eles próprios os gerenciadores de sua própria aprendizagem. Talvez fosse oportuno um exercício maior da paciência dos atuais mestres nas explicações dos denominados tópicos difíceis para a turma como um todo. Para Renzulli (1992), não basta ao professor apenas o domínio do conhecimento ou do conteúdo que leciona, além de demonstrar o entusiasmo pela atividade docente e do papel metodológico, precisa ser capaz de orientar o estudante diante de problemas de metodologia. Há a necessidade que o professor se envolva na atividade docente, de forma a influenciar positivamente no processo de aprendizagem do estudante.

Deve haver um entusiasmo diferenciado na relação entre estudante e professor para que o processo de ensino e aprendizagem se concretize da melhor maneira possível. Esta aproximação deve ser visível e contagiante para que os estudantes se sintam mais estimulados para o estudo individual. Novamente Perkins (1991a) alerta para a necessidade que alguns estudantes têm de buscarem ajuda ou de se sentirem estimulados, pois, segundo este autor, nem todos os estudantes têm uma mesma forma de aprender; e, considerando a influência cultural na aprendizagem,

realmente alguns precisam de uma assistência ou gerenciamento em suas tarefas de aprendizagem. Por último, enfatiza a importância de que os professores possam persuadi-los para a utilização de boas estratégias de estudo individual e de encaminhá-los para ambientes de estudo contextualizados.

Estudantes que não se sentem prestigiados tendem a não valorizar a dedicação aos estudos. Isso é ruim porque pode sugerir a prática de más estratégias, como decorar sem contextualização, estudar só em véspera de provas ou simplesmente estudos superficiais. Para que esse quadro seja alterado positivamente, faz-se necessário um maior empenho dos professores no relacionamento com os estudantes, especialmente com aqueles que sinalizam a necessidade de apoio acadêmico.

Há uma boa interação entre estudantes (76,4%), mesmo porque eles gostam de discutir conteúdos entre si (83%). Há uma cooperação e contribuição acadêmica maior entre estudantes para ajudar a construir um ambiente favorável e socializador, e a formar um clima de amizade entre todos. Muitos se sentem confortáveis quando trabalham com outros colegas ou quando necessitam de apoio ou quando tentam se ajudar mutuamente em determinadas oportunidades. Dembo (1988) destaca que essas atitudes são muito importantes para que os déficits de atenção individualizados sejam solucionados coletivamente. Argumenta que as estratégias de regulação auxiliam o estudante a alterar o seu modo de estudar, aumentando o índice de compreensão à medida que há o favorecimento da interação ente estudantes. Aliás, esse comportamento é bastante benéfico, pois, a discussão de conteúdos entre colegas ou de outras estratégias de estudo facilita o desenvolvimento integral do estudante, além de melhorar o grau de assimilação e entendimento do assunto estudado. É oportuno lembrar que um ambiente com essas características, segundo Csikszentmihalyi (1999), favorece o pleno desenvolvimento da criatividade.

É comum encontrar estudantes solidários no meio acadêmico. Há muita confiança entre eles. A amizade entre a juventude universitária é bem peculiar, especialmente nos cursos de graduação que lidam com o foco das relações humanas. Futuros psicólogos sabem que o objeto do seu futuro trabalho será fundamentalmente a pessoa humana. Talvez por isso mesmo se justifique porque a maioria tem bom relacionamento. Mesmo assim, chega a ser comum, como em todos os cursos, uma pequena resistência quando há trabalho em grupo, talvez muito mais por

falta de maiores oportunidades ao longo do ensino fundamental do que pela (improvável) existência de alguma barreira social.

Estudantes de Psicologia são colaboradores entre si e solícitos à cooperação metodológica que facilita a aprendizagem; especialmente quando recorrem a uma boa estratégia ao se reunirem para discutirem determinados temas coletivamente . Essas atitudes estão de acordo com Ericsson

et al (1993), segundo os quais é imprescindível que os estudantes escolham boas estratégias, pois,

optando pelas inadequadas, podem até inibir o processo de aprendizagem e desenvolver atitudes que em nada irão acrescentar aos comportamentos motivados, podendo chegar ao ponto de não darem mais importância aos seus estudos acadêmicos.

4.2. Estudo Individual

Pear (1927) considera que estudo individual é a organização da habilidade de estudar, relacionando-a à quantidade e qualidade do que é preciso aprender; isso implica numa dedicação e motivação intrínseca, baseada em um planejamento passo a passo e não numa repetição mecânica ou na utilização de más estratégias de estudo. Optar por boas estratégias e seguir o processo, provavelmente é este o meio mais eficaz para se alcançar objetivos de estudo.

Apesar de não terem uma rotina de estudo definida (67,2%), a maioria dos universitários declaram estudar cerca de duas horas diariamente (63,1%). A dedicação aos estudos será sempre relevante à medida que se sustenta ser imprescindível para o sucesso acadêmico. Segundo Galvão (2000a), não há como não associar o estudo individual deliberado com o desenvolvimento da aprendizagem para a expertise. O processo ensino-aprendizagem é proporcional à profundidade com que o estudante se dedica ao estudo. As estratégias e os recursos de estudo são as ferramentas que sustentarão a aprendizagem; e a forma como são utilizadas é que determinará o nível dessa aprendizagem. Newell e Rosenbloom (1981) já destacavam que o tempo que se leva para realizar uma performance é proporcional ao tempo de dedicação prática.

A postura do estudante, entre outras, pode ser a de buscar incessantemente a excelência do seu estudo e a qualidade em sua dedicação para a obtenção do sucesso acadêmico. Hannafin (1992) pontua que o aprendiz pode vir a ser o responsável direto e até mesmo o seu principal árbitro quanto ao julgamento sobre o momento de aprender. O costume ou hábito de estudo deve ser uma atitude contínua e diária; assim, há de se planejar o tempo cotidiano, uma vez que este

gesto de buscar o saber requer disponibilidade de tempo e de atenção. Deve-se focalizar todos os esforços para que o momento da prática de estudo não seja uma mera repetição. Deve-se buscar a criatividade e a aplicação da inteligência. De acordo com Virgolim (2005), nem sempre os mais criativos são os mais inteligentes e vice-versa. Entretanto, o esforço, em muitas situações, faz a diferença.

A declaração de grande parte dos estudantes de Psicologia de que não possuem uma rotina de estudo pode ser interpretado com uma forte ausência da disponibilidade e da dedicação aos estudos. É oportuno lembrar que alguns pesquisadores (FITTS & POSNER, 1973; ANDERSON, 1982) constataram que quando o assunto é dedicação aos estudos, os melhores resultados acadêmicos são obtidos por aqueles que se dedicam maior tempo ao estudo individual. Talvez falte a prática de boas estratégias. Assim, uma boa estratégia é o aluno se dedicar a uma maior quantidade de tempo possível; não necessariamente de uma vez. Para Lombardi (2002) estratégias de aprendizagem são processos e/ou técnicas que os aprendizes utilizam para concretização de suas atividades. É oportuno lembrar também Boruchovitch (1999), quando nos alerta para a escolha das estratégias; segundo ela, há boas e más estratégias. As boas favorecem a aprendizagem e as más poderão induzir o aprendiz a acumular informações ou fatos de modo desarticulado e desorganizado.

Uma boa estratégia está na metodologia de estudo evidenciada pelos estudantes. Independentemente da rotina, a grande maioria (67,8%) declarou que prefere a forma fracionada de dedicação diária aos estudos. Alguns pesquisadores (STARCH, 1912; PYLE, 1913; 1914) desenvolveram pesquisas no começo do século passado e concluíram que a aprendizagem se beneficia muito mais da prática distribuída do que da prática concentrada. Acrescentaram que intervalos longos de descanso intelectual, seguidos de uma dedicação curta aos estudos, parecem mais eficazes para o alcance da aprendizagem.

Para que o estudo individual tenha a dinâmica necessária para o aprofundamento pleno da cognição ou conhecimento, é importante observar a prática correta de boas estratégias. Segundo Renzulli (1997), o comportamento cognitivo, todo ele, é desenvolvido em função do nível de interesse presente no ato de aprender. Ou seja, deve-se levar em conta os interesses dos estudantes para, dentro do possível, promover a integração dos seus objetivos nas atividades acadêmicas.

Explorando a metacognição e o exercício de auto-regulação, o estudante poderá atingir um nível excelente, de forma a ser ele mesmo o seu principal condutor no estudo diário. Aliada a esta atitude de busca está a estratégia de distribuição do tempo. Surge aqui a necessidade de se planejar eficientemente o binômio tempo-estudo. Isto é, criar uma rotina de estudo. Essa atitude é defendida por Ericsson, Tesch-Ramer e Kramp (1993), quando argumentam que, para o acadêmico obter bons resultados, há a necessidade de se elaborar um procedimento pessoal e adaptá-lo à realidade do cotidiano, isto é, adequar o tempo à disponibilidade dos seus estudos. É o estudante que faz o seu tempo, dentro de suas condições e reais necessidades de dedicação.

Muitos dos participantes já se organizam dentro dessas possibilidades, quando indicaram que preferem estudar em casa (71,4%) e que não precisam de nenhuma preparação anterior (88%). E na maioria das vezes o estudo ocorre desacompanhado. Os universitários disseram que há muito barulho e ruídos que atrapalham a sua concentração, principalmente as conversas locais quando o ambiente é outro que não sua casa. Dembo (1994; 1988) alerta que os estudantes precisam superar essas dificuldades, principalmente com a utilização das estratégias de regulação. Segundo ele, estas estratégias, além de bem vistas pelos alunos, de fato, ajudam a sanar as dificuldades acadêmicas, independentemente dos obstáculos externos ou pedagógicos. Galvão (2000b) argumenta em sua pesquisa que estudantes universitários priorizam os conteúdos mais difíceis para o estudo individualizado. As razões podem ser várias, desde a falta de tempo ao estilo personalizado. Quanto à necessidade de haver ou não uma preparação antecipada para iniciar os estudos, os estudantes acharam desnecessário tal procedimento. Isso contraria a posição de alguns autores (BENSON, 1995; JAIME, 2001), que defendem uma preparação física ou relaxamento como uma alternativa para combater o stress e que venha favorecer o processo de aprendizagem de estudantes. Talvez fosse importante que houvesse uma maior concentração na apreensão dos temas. Diante da correria do cotidiano, das preocupações no trabalho, etc., poder- se-ia utilizar algum exercício de meditação e, assim, quiçá, contribuir para um melhor entendimento do assunto a ser estudado.

Endereçando questões a respeito das estratégias de estudo, os respondentes foram enfáticos nas respostas, de tal forma esclarecedoras de que o uso de estratégias eficientes (exemplos: leituras prévias, revisões, anotações, esquemas e resumos) são um tanto infreqüentes. Parece que estratégias não fazem parte do repertório ou hábito de estudo da maioria dos participantes. A respeito desse assunto, Driscoll (1994), citando Clark (1982) e Sternberg e

McClelland (1989), constataram que nem sempre os estudantes escolhem os melhores métodos ou técnicas de aprendizagem optando, na maioria das vezes, pela maneira mais rápida de instruções ou de execução simplificada.

Uma das poucas estratégias de estudo individual investigadas nesta pesquisa com índice razoavelmente elevado de declaração de uso (67%) foi a estratégia de fazer anotações e revisão (47%). Fazer anotações, tanto de texto quanto de aula e revisar o conteúdo trabalhado constituem-se em poderosos instrumentos capazes de auxiliar a aprendizagem profunda.

Desde as pesquisas de Craik e Lockart (1972), há indicações bastante seguras de que a profundidade de apreensão, memorização como a habilidade de busca de conteúdo são influenciadas pelo modo como se faz a codificação do material a ser colocado na memória de longa duração.

O hábito de fazer anotações prevê tanto uma re-elaboração de conteúdo, quanto diferentes níveis de transformação do conteúdo por meio do uso de códigos variados. Há, por exemplo, a transformação grafema/fonema, que opera como um poderoso instrumento de re-orientação cognitiva, quando elabora e re-organiza ou expande um resumo.

Da Silva e Sá (1997) se referem a estratégias de aprendizagem, declarando que elas abrem inúmeras possibilidades para a superação das dificuldades pessoais e ambientais. Grande parte dos estudantes das universidades estudadas é favorecida pelo excelente índice de bem-estar no ambiente escolar da graduação em Psicologia.

No que diz respeito ao critério ou motivos para selecionar um conteúdo para estudo, os estudantes de Psicologia optam pelo prazer ao tema (75%); depois proximidade (65%) e obrigatoriedade (52%). As razões que levam um estudante a escolher um assunto para estudo está na satisfação que sente ao entrar em contato com o tema. Acaba sendo uma atitude implícita, um