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National Policies and Processes

In document Room toManoeuvre? (sider 30-33)

Ao longo da observação foi possível identificar as atividades e o fluxo envolvido, os quais foram organizados diagramaticamente para explicitar o fluxo das atividades. Nos diagramas são indicadas as informações propagadas sob a forma de estados representacionais entre os etapas e ciclos da produção de neologismos terminológicos,

culminando com a sua disseminação do neologismo em um artefato de referência da LS para posterior adoção (ou não) pela comunidade surda. Estão representados os fluxos tradicionais e os fluxos alternativos (linhas pontilhadas), bem como os dados enviados para as atividades subsequentes.

É importante salientar que inúmeras vezes, presenciou-se o trabalho concomitante de desenvolvimento de terminologias de um mesmo domínio de conhecimento, de modo que a cada momento, as atividades relacionadas a cada terminologia estavam em etapas distintas do processo de desenvolvimento, sendo que a única etapa não verificável foi a de Validação dos termos propostos, visto que esta etapa diz respeito à ampla adoção da proposta pela comunidade surda e sua formalização (ou desneologização). Para tanto, os termos necessitam ser amplamente divulgados, e a verificação da adoção realizada em longo prazo.

As práticas identificadas e as saídas de cada atividade são apresentadas nas Figuras 18, 19 e 21.

Figura 18 - Fluxo de atividades identificadas ao longo da observação participante

Fonte: Elaborado pelo autor (2015)

As etapas explicitadas na Figura 18 correspondem ao início do processo de desenvolvimento de terminologias. As atividades identificadas na figura apresentam três possibilidades de início de um ciclo de discussão/produção de um neologismo:

1. Solicitar desenvolvimento de terminologia – indicar termo em português para o desenvolvimento de terminologia em virtude de demanda identificada ao longo de atividades.

2. Propor neologismo – envio de proposta de termo para discussão junto à comunidade, independente do conjunto de termos selecionado para trabalho pela comunidade.

3. Definição de um corpus de análise – em geral, materiais como capítulos de livro e artigos científicos. A este início está associada a atividade:

 Seleção de termos – a partir do corpus de análise, determinar o conjunto de termos a serem analisados. 4. Determinar relações conceituais entre termos – definição de

mapa conceitual para identificar a relação conceitual entre os termos.

Figura 19 – Fluxo de atividades identificadas ao longo da observação participante

Fonte: Elaborado pelo autor (2015).

1. Buscar/convidar especialistas e colaboradores – esta atividade busca trazer para a comunidade pessoas especialistas no domínio de conhecimento. Foi identificada uma preferência por surdos que sejam especialistas no domínio de conhecimento, visto que eles podem trazer aspectos da cultura surda e a compreensão aprofundada da área para as discussões e o desenvolvimento das terminologias. Esta atividade pode ser realizada a qualquer momento do processo e pode ser realizada por qualquer membro da comunidade.

2. Selecionar termo de trabalho – selecionar qual termo será foco da discussão.

Observação - esta etapa exige que um membro da comunidade assuma o papel de coordenador, visto que os termos são desenvolvidos individualmente. É o coordenador o responsável por acompanhar e conduzir as etapas relativas a cada termo discutido.

3. Consulta aos membros da comunidade – Consulta aos membros sobre a terminologia em foco. Em alguns casos são identificadas terminologias e até variações (regionalismos) para uma mesma terminologia. Nestes casos, ao invés de seguir para a etapa de criação, as terminologias seguem para a etapa de Avaliação.

4. Pesquisas e consultas (fora da CoP) – atividade complementar de busca de referências em outros artefatos (físicos, digitais), que podem ser até de outras línguas, no intuito de obter um apoio para a etapa seguinte, que é a de criação. Atividade que pode ser realizada individualmente, porém os resultados são agregados posteriormente às discussões. Da mesma forma que na atividade de Consulta aos membros da comunidade, em alguns casos são identificadas terminologias e até variações (regionalismos) para uma mesma terminologia. Nestes casos, ao invés de seguir para a etapa de criação, as terminologias seguem para a etapa de Avaliação.

5. Conceituação – caso nenhuma terminologia ou neologismo tenha sido identificado, é necessário selecionar a definição do conceito relacionado ao termo. A seleção deve ser extraída da literatura, e deve estar em consonância com o nível de conhecimento das pessoas que utilizarão o termo.

6. Negociação de significados – atividade que alimenta diretamente a emergência e proposição de neologismos, bem como o consenso. Com base na definição do conceito, os membros da comunidade, em um processo dialógico, negociam os significados, partilham percepções, compreensões e experiências vividas em relação ao conhecimento em discussão. Todos os membros da comunidade, inclusive os membros menos ativos têm a possibilidade de apresentar seus argumentos e percepções neste processo. Nesta etapa podem ser trazidas para a discussão as informações obtidas em referências externas à CoP.

Observação – esta etapa exige que uma pessoa assuma o papel de moderador, de modo a conduzir e manter a discussão em seu foco.

7. Propor neologismo – etapa criativa do processo e alimentada pela negociação de significados. Por vezes, a criação pode ser apoiada por referentes visuais relacionados, ou mesmo referências de outras línguas. Como as ideias surgem a qualquer momento, em algumas ocasiões, tal como mostra a Figura 20, as propostas são registradas temporariamente via smartphone para que o neologismo não seja perdido ou esquecido.

Figura 20 – Meios de registro de neologismo durante uma reunião

Fonte: Elaborado pelo autor (2015).

Após a proposição, é possível retornar ao fluxo de negociação para aprofundar as compreensões acerca do tema. Quem conduz a decisão de prosseguir a discussão ou seguir para a atividade seguinte é o moderador.

8. Consenso – em um processo democrático, por vezes apoiado por uma votação, ou indicação de predileções, é determinada a proposta de sinal a ser adotada como principal (na existência de várias propostas de neologismo) ou a aceitação

ou não de uma proposição apresentada. O consenso está diretamente relacionado à negociação de significados.  Observação – tal como na negociação de significados,

esta etapa exige que uma pessoa assuma o papel de moderador, de modo a conduzir e manter a discussão em seu foco, bem como chegar a um resultado efetivo.

Figura 21 - Fluxo de atividades identificadas ao longo da observação participante

Fonte: Elaborado pelo autor (2015).

1. Registro do termo – registro do termo proposto em vídeo e em texto em artefato para a disseminação dos conteúdos. 2. Registro do conceito – registro do conceito em vídeo e em

texto em artefato para a disseminação dos conteúdos. 3. Registro de exemplo de uso – registro de exemplo de uso da

terminologia em uma sentença no contexto do domínio de conhecimento. O registro também é realizado em vídeo e em texto em artefato para a disseminação dos conteúdos. 4. Descrição do sinal – descrição do sinal de acordo com os

parâmetros de formação.

5. Signwriting – registro do sinal no sistema signwriting. O registro em signwriting é uma postura política de fortalecimento da LS e popularização do sistema de escrita de sinais entre os surdos.

6. Avaliar clareza e adequação dos registros – avaliar se registros estão claros e compreensíveis, bem como avaliar se os conteúdos são adequados e corretos de acordo com o domínio de conhecimento.

7. Avaliar descrição do sinal – avaliar se os parâmetros de descrição do termo estão corretos.

8. Avaliar signwriting – avaliar se a escrita em signwriting está correta.

9. Divulgação – divulgação dos termos desenvolvidos em um artefato de referência aberto e acessível via web.

10. Validação – diz respeito à verificação da aceitação da proposta pela comunidade surda. Depende da coleta de feedback da comunidade quanto ao termo proposto. Porém, ainda não existem estratégias e parâmetros claros para determinar como validar um neologismo terminológico. Considerando o conjunto de atividades identificadas, a próxima seção tem em vista realizar um mapeamento de funcionalidades para o ambiente virtual de acordo com as características das atividades identificadas.

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