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A avaliação do protótipo teve como intuito verificar se o framework Términus de fato possibilitou a construção de um ambiente de Comunidades de Prática Virtuais com as características necessárias para dar suporte ao desenvolvimento de neologismos terminológicos em LS. O processo avaliativo foi sistematizado em conformidade com o framework DECIDE, de modo que cada uma das etapas deste framework é detalhada nas próximas seções.

7.1 FRAMEWORK DECIDE

O framework DECIDE (PREECE; ROGERS; SHARP, 2005) tem como objetivo guiar um processo avaliativo ao estabelecer seis etapas para a realização de uma avaliação:

1. Determinar – determinar claramente as metas e objetivos no processo de avaliação.

2. Explorar – determinar e explorar as questões que a avaliação deverá responder para atingir as metas e objetivos.

3. Escolher – escolher os métodos e técnicas que serão utilizados para responder as questões.

4. Identificar – identificar as questões práticas a serem abordadas em na avaliação.

5. Decidir – decidir como lidar com as questões éticas envolvidas.

6. Avaliar – avaliar, interpretar e apresentar os dados. 7.1.1 Determinar

As metas e objetivos desta avaliação foram, considerando o contexto de desenvolvimento de neologismos terminológicos:

 Viabilidade de uso do ambiente MooBi como ambiente de suporte à produção de neologismos terminológicos em LS;  Verificar como as affordances do sistema podem ser

melhoradas para aprimorar a usabilidade do ambiente;  Verificar se aspectos contemplados para o registro e

Explorar

O ambiente de Comunidades de Prática Virtuais é acessível? A estrutura de suporte tecnológico está adequada para a discussão de novos sinais? A estrutura do glossário está adequada para o trabalho colaborativo e para o registro dos neologismos terminológicos? O que precisa ser aprimorado no ambiente. Falta alguma informação ou ferramenta?

7.1.3 Escolher

Considerando a quantidade de elementos e questões abordadas no protótipo apresentado, optou-se por utilizar a técnica de ensaio de interação utilizando o protocolo think aloud, e complementada pela técnica de questionário, afim de rastrear opiniões não explicitadas ao longo dos ensaios.

Os ensaios de interação tiveram como objetivo verificar a adequação do protótipo desenvolvido para o atendimento das demandas de uma comunidade com foco na produção terminológica em LS, a facilidade de uso, bem como elementos relevantes não contemplados na proposta apresentada. O uso desta técnica é fundamental por trazer dados reais obtidas de usuários potenciais, quanto à interação pretendida no ambiente. Neste contexto, o protocolo think aloud, que em português, equivale a “pensar alto”, tem o intuito de estimular os participantes da avaliação a externar seus pensamentos enquanto realiza a atividade de interação com a plataforma (REIS; LÖBLER; BOLZAN, 2013). Visa, desta forma, possibilitar ao investigador identificar as dúvidas, dificuldades e raciocínios do participante da pesquisa sobre o elemento avaliado.

Em complemento, optou-se pelo uso de uma técnica prospectiva, utilizando questionário, como método complementar de obtenção das opiniões dos usuários sobre a sua experiência e preferências. O uso desta técnica visa confirmar os dados já discutidos ao longo da técnica anterior, bem como captar opiniões não expressas ao longo do ensaio de interação. Trata-se de uma técnica padronizada, de baixo custo e que pode ser aplicada rapidamente. O instrumento de pesquisa utilizado é um questionário com perguntas abertas e fechadas de ordem escalar, e está disponível no Apêndice E.

Identificar

As questões práticas da avaliação são relacionadas aos informantes, a infraestrutura para a realização das atividades, planejamento, e disponibilidade de profissionais especializados.

 Informantes – foram selecionados informantes surdos, com nível superior, e ouvintes que atuem na educação de surdos, visto que são estes perfis vivenciam as questões relativas à ausência de repertório de especialidade na LS. Ao total, participaram das avaliações, 19 pessoas, dos quais, um (01) com formação de graduação, cinco (05) com formação de mestrado e quatro (04) com formação de doutorado. Os demais participantes eram alunos de graduação. A idade dos participantes variou de 21 a 40 anos, sendo que nove (09) eram do sexo feminino e 10 do sexo masculino. O Quadro 17 apresenta uma visão dos perfis destes participantes. Quadro 17 - Participantes da avaliação

Formação acadêmica Idade Sexo

Mestrado 39 F Mestrado 43 M Doutorado 40 M Mestrado 33 F Estudante de graduação 24 F Mestrado 36 F Graduação 30 M Estudante de graduação 20 F Estudante de graduação 23 M Estudante de graduação 32 M Estudante de graduação 26 F Estudante de graduação 21 F Estudante de graduação 25 M Doutorado 39 M Mestrado 35 M Doutorado 41 F Doutorado 38 F

 Infraestrutura – para os ensaios de interação, uma vez que não havia uma estrutura de laboratório disponível, cada informante trouxe seu notebook particular, com webcam, para o local da avaliação. Além disso, os locais de realização das avaliações contavam com acesso à internet (alguns via cabo, outros via rede wireless). Em relação ao registro dos dados, quando da participação de informantes surdos, duas formas de registro eram adotadas: (1) registro em áudio, para captar a interpretação do(s) TILS atuando na ocasião; e (2) registro em vídeo, como apoio para a transcrição dos registro de áudio.

 Planejamento – considerando a conciliação de agenda dos informantes, equipamentos para execução e registro da atividade (câmera filmadora e gravador), bem como a disponibilidade de intérprete e do próprio pesquisador, as avaliações eram agendadas com pelo menos uma (01) semana de antecedência.

 Profissionais especializados – Bordieu (1999) afirma que na medida do possível, o pesquisador deve se comunicar na linguagem do pesquisado, deixando de lado seu capital cultural para que ambos possam se entender. Assim, considerando em primeiro lugar o aspecto linguístico, e considerando a complexidade da atividade de avaliação, o pesquisador contou com o apoio de um TILS, bolsista do projeto em algumas das avaliações. Em outras ocasiões, na indisponibilidade de agenda do bolsista, foi possível contar com o apoio dos TILS da central de intérpretes da UFSC. 7.1.5 Decidir

Para assegurar que as avaliações fossem conduzidas de forma ética, foi elaborado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice E), o qual foi assinado pelos participantes, informando:

 Propósito da atividade com a qual os informantes estão colaborando.

 Instrumentos de registro a serem utilizados ao longo da atividade em virtude das modalidades linguísticas envolvidas ao longo do processo.

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