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5. Resultater

5.1. Musikkterapi i psykosebehandling

Os comportamentos relacionados ao estilo de vida com impacto na saúde, incluindo as práticas alimentares, são influenciados e determinados por múltiplas forças, de forma que a mudança destes comportamentos requer intervenções e ações comprometidas em seus múltiplos níveis (GLANZ et al., 1995; KING et al., 1995). É também consensual que os comportamentos humanos são influenciados por contextos, portanto, devem ser compreendidos e abordados juntamente com as características dos ambientes onde as pessoas vivem (GLANZ e YAROCH, 2004; POPKIN et al., 2005; JILCOTT et al., 2007).

Os comportamentos em saúde são centrais para as intervenções em Saúde Pública. Eles se referem às ações de indivíduos, grupos e organizações, incluindo mudanças sociais, implementações políticas e melhorias na qualidade de vida. Podem ser definidos por um conjunto de fatores possíveis de serem aferidos, tais como os elementos cognitivos – crenças, expectativas, motivações, valores, percepções; características de personalidade – incluindo características afetivas e emocionais; além das atitudes e hábitos que se relacionam com a manutenção e melhorias da saúde (GLANZ et al., 2008).

Diante da complexidade dos problemas em saúde pública, considerando a multiplicidade de fatores determinantes e respectivas redes de efeitos, diversas teorias e modelos são sugeridos para o delineamento de estudos de determinação, avaliação e proposição de intervenções (GLANZ et al., 2008). Os

modelos ecológicos aplicados à promoção da saúde consideram os múltiplos níveis de determinação dos comportamentos em saúde. Eles enfatizam os contextos ambientais e políticos dos comportamentos ao mesmo tempo em que incorporam as influências sociais e psicológicas. De acordo com estes modelos, as práticas alimentares são determinadas por quatro níveis de condicionantes que interagem entre si, são eles: indivíduo, ambiente social, ambiente físico e macro ambiente (SALLIS et al., 2008).

As influências do ambiente no indivíduo operam por vários domínios: No nível do indivíduo, estão os determinantes proximais relacionados às práticas e escolhas alimentares, incluem atitudes, preferências e características biológicas. O ambiente social está no outro nível e inclui as interações com a família, amigos e outros, em nível comunitário, que podem modular as escolhas alimentares por mecanismos como normas e suporte sociais. O ambiente físico inclui os múltiplos contextos onde as pessoas consomem ou buscam por alimentos, é um determinante de quais alimentos estão disponíveis e acessíveis. Os fatores no nível do macro ambiente se relacionam ao sistema e às políticas públicas, atuando de forma distal e indireta, mas com efeitos substanciais na alimentação das pessoas (LARSON E STORY, 2009).

Apesar da força de determinação do ambiente alimentar no consumo, as escolhas alimentares estão inseridas no conjunto de ações que compõe as práticas alimentares e são determinadas por uma série de outros fatores. Estes devem ser acessados para que se possa compreender a influência do meio em que se vive nos processos alimentares e sua consequente relação com a saúde (CANESQUI e GARCIA, 2005).

O homem é um ser onívoro e, como tal, possui uma suposta liberdade de escolha alimentar. No entanto, o meio ambiente e os recursos disponíveis, os relacionamentos sociais e a história individual, dentre outros fatores, acabam por determinar o que é efetivamente escolhido para a alimentação (POULAIN, 2002). Na evolução cultural, a alimentação vem ocupar funções outras além da nutrição, o que coloca os seus aspectos nutricionais em contextos mais complexos. A alimentação passa a ser um veículo social, permitindo às pessoas realizarem distinções e estabelecerem relações sociais, por exemplo, compartilhando a comida. O alimento, ora assume funções simbólicas, ora assume significados morais e religiosos. A comida se torna um meio para a expressão estética, dando origem às preparações culinárias elaboradas que não podem ser justificadas somente em termos dos fatores nutricionais (ROZIN, 2005).

Para o estudo da alimentação humana, caracterizada por um fenômeno de grande complexidade e interações entre os aspectos fisiológicos, psicológicos e socioculturais, buscou-se uma terminologia capaz de aglutinar estes elementos, adotando o conceito proposto por GARCIA (1999) para práticas alimentares:

Procedimentos relacionados com as práticas alimentares de grupos humanos (o modo de comer, com quem se come, o que se come, quanto, como, quando, onde e com quem se come; a seleção dos alimentos e os aspectos referentes ao preparo da comida, as técnicas de preparo, as combinações de alimentos, o modo de apresentação da comida, a forma de comer, as diferentes refeições definidas pelos alimentos que as compõe, os horários, onde são feitas as refeições, etc.) associados a atributos socioculturais, ou seja, aos aspectos subjetivos relacionados com o comer e a comida (alimentos e preparações apropriadas para situações diversas, escolhas alimentares, combinação de

alimentos, comida desejada e apreciada, valores atribuídos a alimentos e preparações).

As escolhas alimentares, por conseguinte, se estabelecem nas bases das práticas alimentares. A aquisição ou o consumo de alimentos se dão em uma variedade de locais e situações e são influenciados pela forma como as pessoas classificam e selecionam os alimentos e bebidas. Os fatores individuais e sociais estão igualmente envolvidos nas escolhas alimentares, investigando-se os elementos cognitivos, motivacionais e biológicos, bem como os aspectos culturais, situacionais e ambientais (FURST et al., 1996).

Muitas das escolhas alimentares baseiam-se em aprendizagem, tanto no ambiente ancestral quanto no mundo contemporâneo. Para os humanos modernos esta aprendizagem acontece principalmente por transmissão cultural. Por exemplo, o acesso aos modelos, transmitidos por família, colegas, mídia, determinam quais os comportamentos o indivíduo é capaz perceber. A retenção cognitiva de um comportamento observado depende de capacidades intelectuais e, por fim, a prática do comportamento modelo depende de condições físicas e da motivação para a ação (MC ALISTER et al., 2008).

A influência dos aspectos cognitivos nas práticas alimentares é bastante importante, mas sendo as escolhas determinadas por fatores diversos, elas podem envolver decisões conscientes, mas também as automáticas, habituais e subconscientes (ROZIN, 2005; FURST et al.,1996).

As pesquisas sobre os determinantes das práticas alimentares predominantemente destacavam os fatores individuais, tais como atitudes, preferências, intenções, motivações e autoeficácia. Ultimamente, maior atenção tem sido dada aos determinantes ambientais da alimentação, porém a evidência

empírica ainda é insuficiente em mostrar quais aspectos do ambiente são os mais relevantes e principalmente como estes interagem com os fatores individuais. Também não há, ainda, evidências sobre as intervenções mais factíveis e efetivas para melhorar o ambiente e impactar as práticas alimentares em populações diversificadas, em vistas modificar os desfechos em saúde (LARSON E STORY, 2009).

Os estudos sobre modelos ecológicos dos comportamentos em saúde mostram que os esforços para a promoção de práticas saudáveis e preventivas serão mais efetivos quando desenvolvidos em múltiplos níveis – individual, social e cultural, ambiental e político. Além disso, devem ser direcionados para um comportamento específico (por exemplo, consumo de frutas e hortaliças), permitindo a identificação das influências potencialmente mais relevantes em cada nível (SALLIS et al., 2008).

Desta forma, fica bem estabelecida a premissa de que as ações para a promoção da alimentação saudável se desenvolvam a partir das políticas públicas, com efeitos nas cidades, nas comunidades e nos indivíduos. Contudo, considerando a extensão de elementos que compõe as práticas alimentares, é relevante destacar que nem todos os níveis de influência destas práticas são alcançados com as mesmas estratégias, e por isso devem ser ponderados. Uma melhor compreensão da problemática a respeito da alimentação e suas consequências em saúde, delineando a sua complexidade e provendo reflexões a respeito, poderá ajudar no enfrentamento desse desafio (GARCIA, 2011).

As ações isoladas, sejam individuais, coletivas, institucionais ou do campo das políticas públicas, não são suficientes para a promoção de práticas alimentares saudáveis em pessoas e populações. As intervenções devem ser

complementares e sinérgicas, respondendo à rede de fatores que determinam e caracterizam as questões da alimentação na atualidade (CASTRO et al., 2011). Portanto, as intervenções educativas para a adoção de comportamentos saudáveis que focalizam o indivíduo terão maiores resultados quando a sociedade proporcionar ambientes e políticas que encorajem as pessoas a utilizarem os conhecimentos e habilidades aprendidas. Da mesma forma, modificações políticas e ambientais serão mais efetivas quando combinadas com programas que motivem e capacitem as pessoas a praticarem a alimentação saudável (BOOTH et al., 2001).

Neste sentido, para o delineamento de estratégias abrangentes de promoção de saúde, sugere-se um mapeamento mais completo e compreensivo sobre os fatores e processos que determinam as práticas alimentares nos diferentes grupos populacionais. Em vista disso e da natureza multifatorial dos determinantes, dentre outros, psicossociais, culturais e ambientais, há a demanda de que estes sejam estudados em conjunto (WETTER et al., 2001).