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Os primeiros trabalhos acadêmicos sobre a ME foram elaborados pelo sociólogo alemão Joseph Huber, na primeira metade da década de 1980 quando afirmou que o principal problema das sociedades industriais contemporâneas estava relacionado com a colonização da “sócio- esfera” e da “eco-esfera” pela “tecno-esfera” (HUBER, 1986).

Considerou que os referidos problemas eram erros ou falhas da estrutura do sistema industrial e sugeriu que poderiam ser superados por meio da reestruturação eco-social das instituições básicas do tecno-sistema.

A ideia era definir uma harmonização entre a economia e a ecologia e identificar uma direção para uma modernização dos países industrializados com economias de mercado

desenvolvidas que priorizasse iniciativas preventivas ambientalmente amigáveis e de longo prazo, por meio da inovação em tecnologias ambientais.

A inovação tecnológica e induzida ambientalmente era considerada a força motriz do desenvolvimento industrial contínuo para superar as crises ecológicas no mundo desenvolvido. Ao contrário de teóricos de outras escolas que consideravam o desenvolvimento ecológico como a causa da crise ambiental e sugeriam a desindustrialização ou o abandono do sistema capitalista, a ME argumentava que os problemas ambientais poderiam ser resolvidos pelo aprofundamento do progresso, por uma “hiper-industrialização” (HUBER, 1986).

O conceito foi desenvolvido na “Escola de Berlim” por um grupo de cientistas sociais com destaque para Martin Jänicke e que desenvolviam projeto de modernização demandado pelo governo Alemão. Posteriormente, a idéia influenciou o debate ambiental na Alemanha e chegou até os círculos da socialdemocracia e ao partido verde.

Enquanto Huber estimulava o discurso científico social, Janicke, por sua vez, influenciava o debate político alemão. Ambos os pesquisadores defendiam um projeto estratégico baseado na tecnologia e orientado pela inovação, com priorização do uso eficiente de recursos, com o objetivo de alcançar simultaneamente benefícios ambientais e econômicos.

Apesar da emergência da ME na década de 1980, alguns países como o Japão, já trabalhavam desde a década anterior, com algumas idéias que posteriormente influenciaram a ME. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) desenvolveu em 1974, o conceito de economia intensiva com o objetivo de promover a sustentabilidade e a inovação para reduzir a dependência do país em relação às importações de recursos naturais. Esse conceito influenciou o debate na Alemanha sobre inovação que teria forte impacto na definição de ME (KNEESE e SCHULZE, 1985).

De acordo com Mol e Spaaargaren (2000), na fase inicial da ME, os pesquisadores desenvolveram um arcabouço teórico, sustentado em pesquisas empíricas localizadas em países europeus específicos e pertencentes à OCDE, mostrando a relevância das inovações tecnológicas induzidas ambientalmente e o seu impacto para a emancipação (relativa) da ecologia por meio da construção de racionalidade e de interesses próprios.

Destacaram-se nessa fase os estudos de Joseph Huber e as principais características foram:

 Ênfase no papel das inovações tecnológicas, na reforma ambiental, especialmente na esfera da produção industrial;

 Atitude crítica em relação ao Estado burocrático;

 Atitude favorável em relação ao papel da dinâmica e dos atores de mercado nas reformas ambientais;

 Perspectiva teórica de sistemas, em vez de evolucionária, com noção limitada de agência humana e entraves sociais e;

 Orientação para análise no nível do Estado nação.

A segunda fase ocorreu entre o fim da década de 1980 e a primeira metade da década de 1990 e seus principais expoentes foram Weale e Jänicke. Suas principais características foram:

 Ênfase menor na inovação tecnológica como o motor da modernização tecnológica;

 Visão mais equilibrada sobre os respectivos papéis do Estado e do mercado na transformação ecológica;

 Atenção maior na dinâmica institucional e cultural da ME e;

 Estudos comparativos da produção industrial nos países da OCDE.

Nessa fase, o debate político avançou para alguns fóruns específicos como a Comissão para o Meio Ambiente da OCDE, o PNUMA e algumas ONGs moderadas como a IUCN e o foco era considerar as agências governamentais como forças propulsoras da ME. De acordo com Milanez (2009), foi proposto nessa fase, que a coordenação de políticas públicas poderia contribuir para um desenvolvimento industrial solidamente ecológico. Foram apresentadas ainda, explicações adicionais sobre como o mercado e a “ecologização” do consumo poderiam motivar mudanças nos sistemas de produção.

A terceira fase ocorreu a partir da metade da década de 1990 e suas principais características foram:

 A fronteira da teoria da ME foi ampliada teoricamente e geograficamente para incluir estudos sobre a transformação ecológica do consumo;

 Aplicação da ME em países que não pertencem à União Europeia, em países industrializados e desenvolvidos da OCDE, inclusive nos Estados Unidos e no Canadá, além das economias em transição da própria União Europeia e;

 Consideração de processos globais.

Na fase atual, os estudos têm se preocupado com perspectivas comparativas, incluindo, mas não se limitando, às formas nas quais os processos de globalização podem catalisar os processos de ME nos países do Hemisfério Sul.

A partir dessa fase, com a intensificação das publicações sobre o tema, a ampliação do número de pesquisadores e a adoção de diferentes objetos de pesquisa, a ME passou a receber maior atenção e ampliar o seu debate com outras ciências sociais, notadamente com as ciências políticas e a economia.

Pode-se dizer que o seu crescimento como conceito foi beneficiado pela efetividade na resposta oferecida para uma variedade de circunstâncias ou imperativos relacionados

com o pensamento sócio-ecológico da década de 1990. Com o crescimento e o amadurecimento do conceito, aumentaram também as diferentes interpretações e disputas entre pesquisadores que contribuíram para o avanço de perspectivas conflitantes nos estudos de processos de ME.

No discurso ecomodernista a poluição ambiental é considerada um problema de ineficiência e a inovação deve orientar os processos produtivos e de distribuição por meio da criação de tecnologias limpas. Nesse sentido a ME é orientada pelas forças que Schumpter (1985), identificou como produtoras do impulso fundamental que estabelece e sustenta o motor do capitalismo em movimento.

Mol e Janicke (2010) argumentam que a ME define um estilo de discurso político que reforça a gestão ambiental efetiva e que está incluído em um novo sistema de crenças. Para que esse discurso político alcance seus objetivos, Christof (2010) propõe uma ligação mais estreita entre a ME e a modernização política sugerindo novas formas de intervenção políticas.

Além desse aspecto político, a ME atribui um papel de destaque para a ciência e a tecnologia modernas, no processo de reforma ecológica e propõe a “ecologização” da economia como um dos caminhos para superar a crise ambiental. Tal processo de reforma deve ser orientado pelas dinâmicas econômicas e de mercado nas quais as empresas inovadoras e outros agentes econômicos têm papel central na elaboração de políticas públicas de meio ambiente.

Nos processos de reforma ecológica, no que diz respeito ao papel do Estado, além de uma transferência de responsabilidades para o âmbito do mercado, a ME afirma que é necessário que ocorra um deslocamento de:

 Uma ação curativa e reativa para uma ação ativa e preventiva;

 Uma ação centralizada para uma ação mais descentralizada;

 Uma ação política fechada para um processo de tomada de decisão mais participativo e;

 Uma direção governamental dirigista para uma direção mais contextual

Ao contrário do que era defendido na década de 1970, a ME sugere a interdependência harmoniosa entre o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental já que as instituições e os mecanismos modernos de mercado da economia podem ser reformados e assim, adotar critérios ecológicos, além dos econômicos para orientar os processos de produção e de consumo. O status da economia e da ecologia seriam correspondentes e emancipados (“economização” da ecologia).

A ME não interpreta essa emancipação como um processo de hegemonia da racionalidade ecológica sobre a racionalidade econômica, mas percebe que as duas

racionalidades têm cada uma o seu lugar e legitimidade próprios, relativamente independente uma da outra e dirigida a difentes fins. Dessa forma, as práticas de produção e de consumo deverão ser concebidas e avaliadas, de acordo com as duas racionalidades (OLIVIERI, 2009).

Apesar da desconexão entre as perspectivas da ME e das disputas internas entre as diferentes escolas, o conceito manteve certo nível de coerência. A literatura em geral, prioriza as discussões sobre as relações entre o meio ambiente, a economia, a sociedade e a política pública que imprimem uma iden tidade comum para os estudos sobre a ME.

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