Desde meados da década de 1980 investiga-se a compatibilidade entre os pressupostos conceituais e as evidências empíricas da ME nas sociedades modernas. Alguns desses pressupostos e que estão relacionados com os desenvolvimentos institucionais observados nas últimas décadas, segundo Olivieri (2009) são;
1) A criação, o desempenho e a avaliação dos processos de produção e de consumo estão baseados em critérios ecológicos, além dos critérios econômicos;
2) A ciência e a tecnologia modernas exercem um papel fundamental nessas transformações induzidas pela ecologia. Essas transformações não estão limitadas à introdução de tecnologias ad hoc ou adaptações integradas de processos, mas também incluem mudanças nas cadeias produtivas e de produtos, nos sistemas técnicos e nos setores econômicos envolvidos;
3) Os atores econômicos privados e os mecanismos econômicos e de mercado exercem um papel muito importante nos processos de reestruturação ecológica, enquanto que o papel tradicional das agências estatais muda de uma direção burocrática, de comando e controle, de cima para baixo, para uma “construção de normativas negociadas” (negociated rulemaking), criando condições favoráveis para co-direcionar esses processos;
4) As ONGs modificam gradualmente sua ideologia e expandem sua estratégia tradicional de colocar a problemática do meio ambiente nas agendas públicas e política para uma participação ativa de negociações diretas comos agentes econômicos e representantes do Estado, estreitamente vinculadas com os centros onde se produzem os processos de tomada de decisão, e para o desenvolvimento de propsotas concretas visando a reforma ambiental;
5) Esses processos de re-estruturação ecológica estão se desenvolvendo num contexto de maior independência gerada pelos processos de globalização em curso, especialmente nas suas dimensões política e econômica, e, portanto, não ficam confinado
apenas dentro das fronteiras de um único Estado-nação, nem somente nos países desenvolvidos e;
6) As iniciativas e alternativas de desindustrialização para limitar a deterioração ambiental são aplicadas somente com um alcance marginal, devido, entre outros fatores, a sua limitada viabilidade econômica, e a seu escasso suporte ideológico e político, em condições de globalização.
As diferentes interpretações sobre a ME viabilizam também a identificação de diferentes pressupostos que estão presentes na maioria dos estudos sobre o tema. Para Milanez (2006), as principais suposições são:
1) Participação direta e cooperação das partes interessadas no processo de tomada de decisão.
As suposições sobre participação feitas pela ME destacam que os diversos grupos de interesse devem participar diretamente dos processos decisórios tanto no âmbito público quanto no âmbito privado. O novo papel do Estado prevê um processo de elaboração política mais descentralizado e participativo, inclusive com o deslocamento de algumas tarefas e responsabilidades específicas necessárias para a reestruturação ambiental para os agentes de mercado e/ou para as ONGs.
Por sua vez, as ONGs ambientalistas modificam gradualmente sua ideologia e expandem sua estratégia tradicional de fixar a problemática ambiental nas agendas públicas e política para uma participação ativa de negociações diretas com os agentes econômicos e representantes do Estado, com o objetivo do alcance de propostas concretas visando à reforma ambiental.
2) O alcance simultâneo de metas econômicas e ambientais
Uma das idéias centrais da ME defende que o desenvolvimento industrial contínuo e orientado pela inovação tecnológica representa a melhor opção para superar a crise ambiental do mundo desenvolvido.
Diferentemente de outras escolas de pensamento que defendem a desindustrisalização ou a substituição do sistema capitalista e que avaliam o desenvolvimento tecnológico como senso problemático, os estudos da ME argumentam que os problemas ambientais podem ser superados por meio de avanços tecnológicos e de uma Hiper-industrialização (HUBER, 1986; MOL, 1995). O uso de inovações tecnológicas orientadas ambientalmente é um dos instrumentos para a viabilização de um jogo de soma positiva (Win-Win) entre a economia e a ecologia.
3) Papel central da Ciência e da Tecnologia
Os estudos da ME enfatizam que a ciência e a tecnologia são centrais no processo de “ecologização” da economia e afirma que a trajetória atual dessas instituições está sendo modificada progressivamente pelo impacto da modernidade reflexiva e da crise ambiental.
A mudança no papel da ciência e da tecnologia e seus impactos ambivalentes em condições de modernidade reflexiva têm se desenvolvido e aprofundado como assuntos de relevância própria, nas Ciências Sociais do Ambiente, no geral e na Sociologia Ambiental, em particular.
Essas abordagens teóricas ressaltam a contribuição fundamental da ciência, do conhecimento especializado e da tecnologia tanto no que diz respeito ao controle e preservação do meio ambiente global, quanto à institucionalização da destruição da natureza, das ansiedades e das dúvidas sistêmicas e endêmicas em condições de modernidade tardia.
O regime de tecnologias simples da década de 1970, denominado “tecnologias de fim de tubo” está sendo substituído gradualmente por tecnologias ambientalmente mais avançadas (eco-inovações) que não apenas redirecionam os processos de produção rumo à sustentabilidade, mas também estão inseridas em sistemas tecnológicos que obedecem a rigorosos requerimentos ambientais (OLIVIERI, 2009).
A ciência viabiliza o desenvolvimento dessas tecnologias ambientalmente avançadas para reduzir os impactos ambientais negativos e aumentar a competitividade das empresas.
4) Procura por soluções preventivas e pelo aumento da eficiência produtiva
A ME supõe que o desenvolvimento tecnológico considera que a prevenção e a eficiência são dois paradigmas importantes e propõe duas formas de inovação ambiental: a inovação ambiental radical e a inovação ambiental incremental.
A inovação ambiental radical é caracterizada como a entrada de um produto ou processo realmente novo que pela sua trajetória tecnológica não é resultante de melhorias ambientais incrementais de uma tecnologia ambiental existente.
Já a inovação ambiental incremental, dada uma base tecnológica, representa as melhorias ambientais sucessivas em produtos e processos existentes com o objetivo de melhorar a qualidade ambiental, reduzir custos ou ampliar sua gama de aplicação.
No âmbito da ME, a eficiência não é considerada apenas um objetivo econômico ou técnico, é considerada um objetivo ambiental (Christoff, 2010).
Os pressupostos acima analisados representam as idéias centrais relacionadas com a ME, no entanto provocam também reações diversas. Essas reações, em sua maioria, variam desde uma defesa extremada de suas principais hipóteses até duras críticas aos seus pressupostos.
As críticas são feitas por estudiosos que acreditam que a ME, que redefinem como “capitalismo sustentável”, não será bem sucedida, especialmente por sua análise acrítica e conivente com a responsabilidade do capitalismo na crise ambiental (REDCLIFT e BENTON, 1994).
As interpretações da ME, em grande medida, favoráveis à tecnologia e que permitem perceber o desenvolvimento tecnológico e o crescimento econômico harmonizados com a proteção ambiental, sâo criticadas por imprimir uma perspectiva relativamente otimista no que diz respeito ao fato de a melhora ambiental poder acontecer juntamente com o crescimento econômico.
Em alguns casos, identifica-se a TME com a Teoria da Sociedade do Risco, desenvolvida pelo sociólogo alemão Ulrich Beck também no final da década de 1980. De acordo com Buttel (2000), a ME precisa elaborar um corpo teórico mais coerente e embasado em teorias mais abrangentes sobre o Estado.
A ME deveria ser embasada em teorias mais bem estruturadas do desenvolvimento histórico e da mudança social, para avaliar melhor quais as novidades que ela apresenta e, assim, o quanto difere das teorias e trabalhos anteriores produzidos na Sociologia Ambiental, assim como em quais aspectos não acrescenta qualquer desenvolvimento teórico original (BUTTEL, 2000).
Faz-se necessário que, além da necessidade de novos desenvolvimentos teóricos, devam-se acrescentar mais pesquisas empíricas embasadas na ME, em diferentes lugares do mundo com a finalidade de testar melhor empiricamente as suas hipóteses e pressupostos conceituais (COHEN, 2006).
No que diz respeito às reações positivas, enfatizam-se tanto os fundamentos normativos da ME, quanto por ser uma teoria bem fundamentada do ponto de vista analítico.
A ME oferece uma perspectiva inovadora para compreender e avaliar as políticas públicas ambientais num contexto de mudanças globais, assim como pela sua compreensão da proteção ambiental, não como uma carga ou ônus para o desenvolvimento econômico, mas como uma precondição para um crescimento sustentável futuro. A ME reconhece a atual crise ambiental como uma evidência de uma omissão fundamental (falha) no funcionamento das instituições da sociedade moderna.
Em síntese, a ME tem gerado um efetivo intercâmbio intelectual e bastante entusiasmo no âmbito da pesquisa. É necessário analisar e avaliar a ME de forma mais sistemática, cuidadosa e rigorosa, o que implica a necessidade de maior desenvolvimento
teórico futuro, ancorado em novas pesquisas empíricas. (FISHER e FREUDENBURG,