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Definisjoner og begrepsavklaringer

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Importante destacar que as primeiras mudanças que foram propostas pela nova política da década de 1980 e que tinham o objetivo de substituir a antiga política de controle da poluição foi fruto de reflexões no âmbito da academia, do meio político, de agentes econômicos e notadamente de cientistas sociais, especificamente da sociologia ambiental. Três das principais obras que contribuíram para a elaboração dos pressupostos da ME foram criadas durante a década de 1970 e são descritas de forma consisa abaixo.

A primeira obra que realmente influenciou de forma efetiva as elites mundiais na década de 1970 foi Limits to Growth.

1.4.1 Os Limites ao crescimento (The Limits to Growth)

Em 1972, o Clube de Roma publicou seu primeiro relatório denominado os limites ao

crescimento, elaborado por grupo de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), liderado por Denis Meadows. O relatório apresentou cenários

desafiadores para a sustentabilidade global, baseado em sistema dinâmico de modelagem computacional para simular as interações de cinco subsistemas econômicos globais: a população, a produção de alimentos, a produção industrial, a poluição e o consumo de recursos naturais não renováveis.

O relatório alertava para o fato de que a humanidade enfrentaria obrigatoriamente, limites para o crescimento econômico com o modelo praticado, baseado no consumo exacerbado e altamente concentrado em poucas nações. Embora The Limits to Growth tenha sido severamente criticado, ele expôs pela primeira vez o conceito de limites externos, a idéia de que o desenvolvimento pode ser limitado pelo tamanho finito de recursos da Terra (BURSZTYN E PERSEGONA, 2008).

O crescimento exponencial contínuo causaria crise de recursos e escassez de alimentos, com o desaparecimento das reservas de recursos e com o aumento dos níveis da poluição. Combinou esta profecia da desgraça com uma chamada para a reforma radical do processo de tomada de decisão existente, com o objetivo de atingir o estado de equilíbrio global.

A obra foi criticada não só pelas falhas metodológicas e os pressupostos malthusianos insustentáveis, mas também pela sua agenda política implícita. A mensagem apocalíptica trazida pela obra não era nova. O estilo específico do relatório e o clima ideológico geral do início de 1970 deu à mensagem, ressonância política que atingiu um território político específico.

O fato de o relatório ter sido publicado pelo Clube de Roma contribuiu de forma significativa para que o mesmo fosse bem sucedido, já que o Clube era formado por proeminentes figuras do mundo dos negócios, por elaboradores de políticas e por representantes da ciência. Essas previsões apocalípticas não poderiam ser facilmente desacreditadas como mais um produto marginal dos ativistas antiprogresso da década anterior.

A iniciativa do Clube de Roma foi importante e Limites ao Crescimento foi o primeiro produto de seu projeto sobre o estado da humanidade. O objetivo do Clube de Roma era provocar um processo de mudança cognitiva global. Demonstrou clara afinidade com tentativas anteriores para tentar criar mudança no pensamento sobre o poder de déficit na política internacional. As estruturas existentes pareciam incapazes de responder aos desafios globais que o mundo industrial enfrentava (HELD, 1991).

Essa questão foi levantada mais explicitamente pelo Comitê de Cooperação Econômica do Atlântico no final de 1960, e recebeu atenção generalizada de atores poderosos do mundo das finanças, do comércio e da indústria. No entanto, os sistemas de valores de Limites ao Crescimento foram reforçados por algumas das características de seus autores.

O relatório foi escrito por especialistas conceituados do Massachusetts Institute of

Technology (MIT), que eram cientistas líderes no campo promissor da cibernética. O grupo

de especialistas liderados por Jay Forrester estava trabalhando no projeto de modelo de computador dinâmico que abarcaria todos os aspectos da realidade.

Sob a liderança de Dennis Meadows este modelo Mundial foi elaborado com o objetivo de fornecer as respostas para as perguntas específicas propostas pelo projeto do Clube de Roma. A discussão trazida por Limites ao Crescimento foi reforçada pelo fato de que a teoria cibernética de sistemas tinha credibilidade nos círculos de tomada de decisões da época (HAJER, 1995).

Era uma oportunidade promissora para ampliar as possibilidades de tomar decisões de forma racional e científica em um momento em que a resposta à crescente complexidade das relações sociais tornou-se um tema predominante nos círculos governamentais. Esta combinação de mensagem apocalíptica, inserida em discurso cibernético muito respeitado e pronunciado por atores que não puderam ser imediatamente desacreditados, ajudou a explicar por que a mensagem de destruição ambiental, que foi apresentada em Limites ao

Crescimento teve tal impacto sem precedentes sobre as opiniões da elite (WEALE, 1992).

A elaboração do relatório considerou a regulamentação da linguagem cibernética e tornou-se uma referência ideal para os Livros Brancos (Livros Governamentais) em um momento no qual o discurso foi visto por muitos como forma produtiva de pensar sobre questões complexas. De forma geral, Limites ao Crescimento foi exemplo de utilização extremamente bem sucedida do discurso como poder.

Apesar de seu status não oficial, a aura de respeitabilidade e conhecimento que acompanhava o relatório do Clube de Roma tornou-se referência fundamental no debate sobre as condições do meio ambiente. A ressonância alcançada pelo relatório significou que outros viessem para conceituar o problema ambiental de acordo com conceitos e categorias específicas.

Essa foi uma das intenções do Clube de Roma, pois o Relatório foi elaborado também para confrontar a sociedade sobre os possíveis efeitos da dependência contínua com as relações físicas, econômicas e sociais existentes no mundo: O Clube de Roma incessantemente enfatizou que a intenção do relatório era ser catalisador para a mudança (HAJER, 1995).

No entanto, sua profecia da desgraça também serviu para influenciar a direção que tomaria a reforma radical prescrita das instituições e dos processos políticos em todos os níveis. A este respeito, em um primeiro momento, parece surpreendente que a ênfase do relatório tenha sido no contorno dos problemas relacionados com o crescimento exponencial contínuo, apesar de argumentar que somente uma sociedade na condição de estado estacionário seria capaz de impedir o colapso global.

O Clube de Roma deixou implícito que era possível executar a tarefa de transformar a sociedade em estado constante de paz, de equilíbrio econômico e de equilíbrio ecológico. O relatório defendeu que a estratégia para harmonizar o desenvolvimento com o meio ambiente deveria ser concebida em conjunto, e sugeriu que os limites físicos ao crescimento

fossem ainda mais reduzidos pelo político, pelo social, pelos constrangimentos institucionais, pela distribuição desigual da população e dos recursos e pela incapacidade de gerencia de grandes sistemas intrincados (HAJER, 1995).

Na condição de prática de poder discursivo, Limites ao Crescimento foi eficaz porque se concentrou na definição do problema e pela primeira vez retratou a questão ambiental como crise global. A construção do problema na condição de risco de colapso mundial orientou a busca de soluções. O modelo cibernético procurou colocar a ordem social e a ordem ecológica sujeitas à gestão de técnicas científicas.

Essas recomendações implícitas no Relatório do Clube de Roma ficaram um pouco mais explícitas em outro trabalho, menos influente, publicado pelo Clube de Roma em 1975. Trata-se da publicação “La Hunmanidad en la Encrucijada” de Merasovic e Pestel, que discutiu temas como: a reconciliação política global, mínimo de subsistência para toda a humanidade, plano de gestão de recursos do mundo, a ação cooperativa das multinacionais para estimular a industrialização, e o desenvolvimento da agricultura no terceiro mundo. O estudo priorizou a liberalização do comércio e a distribuição de recursos; rejeitou as idéias de autossuficiência e de estado estacionário e defendeu o crescimento orgânico.

No que diz respeito a Limites ao Crescimento pode-se afirmar que se tornou o catalisador de coalizão a partir do reconhecimento da gravidade do conflito ambiental, mas que procurou remediar a situação ambiental por meio de uma gestão mais organizada. O meio ambiente corria perigo de se tornar questão de fuga, tanto socialmente quanto fisicamente, mas cuidadosamente planejado e com base nos mais recentes conhecimentos científicos, seria possível restaurar o seu equilíbrio.

A obra foi orientada para os líderes mundiais e as elites nacionais que esperavam se unir para uma abordagem conjunta do problema. Apesar da crítica acadêmica que se seguiu imediatamente a sua publicação, o relatório foi muito bem-sucedido nesse sentido. Outra obra que contribuiu para que as mudanças propostas na década de 1970 pudessem convergir para o que se chamou de ME foi Blueprint for Survival.

1.4.2 Um modelo para a sobrevivência (Blueprint for Survival)

A Blueprint for Survival (Um modelo para a sobrevivência) era um texto ambientalista

e influente que chamou a atenção para a urgência e a magnitude dos problemas ambientais. Foi publicado em 1972 por um grupo constituído por mais de trinta dos mais importantes cientistas da época liderados por Edward Goldsmith e defendia a idéia de que o modelo de vida industrial do início da década de 1970 era insustentável.

Defendia uma sociedade radicalmente reestruturada como objetivo de evitar o colapso da sociedade e o rompimento irreversível dos sistemas de suporte à vida do

planeta. Trazia diferentes idéias sobre a regulamentação da crise ambiental e sedimentou sua característica de urgência das mesmas extrapolações de crescimento exponencial do

Massachussetts Institute of Technology (MIT) e também convocou a sociedade para o

estado estacionário.

O autor defendeu a conversão da economia de fluxo em economia de estoque, com a minimização do uso de recursos não renováveis. Entre as suas proposições destacavam- se muitas soluções tecnológicas como a introdução de esquemas de reciclagem, a conservação da energia, o imposto ecológico, a reorientação do transporte privado para o público, as novas práticas agrícolas ambientalmente saudáveis e a elaboração de nova forma de cálculo do PIB. Muitas dessas propostas tornaram-se elementos centrais da ME.

Era recomendado que, as pessoas vivessem em comunidades pequenas, descentralizadas e em grande parte desindustrializadas. As razões apontadas eram:

 Difícil aplicação do comportamento moral em uma grande comunidade;

 As práticas agrícolas e de negócios eram mais susceptíveis de ser ecologicamente corretas em comunidades menores;

 As pessoas se sentiriam mais satisfeitas em comunidades menores e;

 A redução da população reduz o impacto ambiental.

Os autores utilizaram sociedades tribais como modelo para o texto em função de características específicas como: eram pequenas comunidades em escala humana, tecnologias de baixo impacto, controles populacionais bem sucedidos, gestão sustentável de recursos, visões de mundo integradas holísticamente e ecologicamente, e um alto grau de coesão social como saúde física, bem-estar psicológico e realização espiritual dos seus membros.

Com relação à ordem, Limits to Growth, era muito diferente. Blueprint for survival forneceu um esboço completo de uma estratégia ambientalista que incluiu muito mais do que questões estritamente ambientais. A obra problematizou o modo de produção, as relações existentes entre o trabalho e o capital e a falta de moralidade da sociedade industrializada e urbanizada. No entanto, e de acordo com o autor, a diferença mais significativa foi que Blueprint for survival propôs a descentralização da sociedade industrial em unidades comunais menores e autossuficientes (HAJER, 1995).

O texto defendeu o desenvolvimento das comunidades econômicas relativamente fechadas e o uso de tecnologias intermediárias, ou seja, não intensivas em capital e em energia. Em muitos aspectos, essas propostas de nova ordem social, composta de conselhos de bairro e de trabalhadores de cooperativas, refletiram idéias anarquistas de autores como Peter Kropotin. Nesse ponto, a diferença com limites ao crescimento é muito grande (HAJER, 1995).

The Limits to Growth defendeu maior integração e hierarquização para conter o problema (os problemas globais exigem soluções globais), enquanto Blueprint for survival defendeu a descentralização, a autossuficiência e o autogoverno. Limits to Growth acentuou a responsabilidade histórica das elites sociais, das empresas, da ciência e do governo,

Blueprint for survival defendeu o autogoverno.

No geral, Blueprint for survival era uma crítica romântica e contraditória da sociedade moderna e defendia uma utopia descentralizada anti-tecnocrática, mas ao mesmo tempo se baseou em cibernética para ilustrar a urgência de seu apelo e contou com técnicas de planejamento abrangentes para viabilizar a nova utopia da autossuficiência.

Historicamente, Blueprint for survival e The Limits to Growth cumpriram papéis semelhantes para públicos diferentes. Blueprint for survival rapidamente tornou-se o corretivo mais radical de Limites ao Crescimento e enquanto Limites ao crescimento tipificou a resposta do aumento da importância das questões ambientais para o mundo dos negócios e para as elites governamentais, Blueprint for survival tornou-se uma referência para o público ambientalista radical de seu tempo. Apelou para a formação de um movimento para a sobrevivência das organizações de base e se ligou rapidamente à contribuição clássica de Fritz Shumacker, Small is beautiful, pequeno é bonito.

1.4.3 Pequeno é bonito (Small is beautiful)

Small is beautiful foi publicado pelo economista inglês Ernest Friedrich (Fritz) Schumacher, em 1973. A obra trouxe críticas das economias ocidentais e foi dirigida para

um público mais amplo durante a crise de energia em 1973 e o surgimento da globalização. Argumenta que a economia moderna é insustentável e que os recursos naturais, como os combustíveis fósseis, são tratados como rendimentos dispensáveis quando na verdade deveriam ser tratados como capital, uma vez que não são renováveis e, portanto sujeitos ao esgotamento.

Defende a limitação da natureza para resistir à poluição e conclui que o esforço do governo deveria ser focado no desenvolvimento sustentável, pois apenas as transferências de tecnologias para países do Terceiro Mundo não resolverão os problemas ambientais subjacentes de uma economia insustentável.

A obra resgata o princípio da economia budista e serve de referência para movimento de reação contra o império das tecnologias sofisticadas e inacessíveis para as populações desfavorecidas.

O momento era propício às idéias voltadas para a busca da satisfação das necessidades humanas básicas por meio de práticas produtivas em escala humana. O pano de fundo foi a crítica às grandes corporações multinacionais que provocavam significativos

impactos sociais e ambientais. A proposta de Shumacker era encontrar soluções simples para problemas elementares, como a fome, a saúde, o saneamento e a habitação (BURSZTIN E PERSEGONA, 2008).

Schumaker (1979) criticou o materialismo ocidental, questionou a definição ocidental de progresso, e defendeu a economia de permanência, a reavaliação dos valores humanistas no cristianismo e as tradições não ocidentais como o budismo e outras religiões orientais. De acordo com o autor, na empolgação sobre o desdobramento de seus poderes científicos e técnicos, o homem moderno construiu um sistema de produção que depreda a natureza e um tipo de sociedade que prejudica o homem.

O autor tentou descrever uma alternativa viável na qual um novo senso de comunidade moral se reconciliava com os avanços tecnológicos. Defendeu unidades de trabalho de pequena escala baseadas na tecnologia intermediária e que foram harmoniozamente projetadas com base na compreensão das leis da ecologia.

As máquinas de Schumaker serviriam as pessoas e não seria necessário um sistema de especialistas para operá-las. O pequeno é bonito foi, uma crítica à economia ocidental e ao pensamento de grande escala. Alertou contra a continuação das práticas existentes, mas suas soluções contrastaram fortemente com as abordagens tradicionais de Limites ao

crescimento. Além disso, Schumaker advertiu sobre as falhas da previsão, da construção de

modelos e do planejamento detalhado, explicitamente usando Limites ao crescimento como exemplo (HAJER, 1995).

A obra argumentava contra o discurso de crescimento voltado para o desenvolvimento tecnológico e defendia o crescimento voltado para as necessidades reais do homem, para o tamanho real do homem. O Homem é pequeno e, então, o pequeno é bonito. A defesa do gigantismo é a defesa da autodestruição e o custo da sobrevivência é alto.

Além das novas idéias e posicionamentos que surgiam na academia e da persistência e da intensificação dos velhos problemas ambientais ocasionados pela poluição e que comprovavam a ineficiência das políticas ambientais adotadas, era possível constatar que mudanças significativas ocorriam no interior do movimento ambientalista. A nova política emergia também, em função dessas mudanças.

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