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As características genéricas do processo de inovação são refletidas nas várias opções disponíveis para as empresas que pretendem melhorar o seu desempenho ambiental. Em tais casos, as empresas se defrontam com um número de escolhas relacionadas com aquelas opções tecnológicas e organizacionais que podem melhorar de forma incremental o desempenho ambiental de operações já existentes e relacionadas com opções estratégicas que oferecem o potencial para mudanças mais radicais.

Em relação às oportunidades tecnológicas para o melhoramento ambiental, as empresas geralmente se defrontam com escolhas entre as tecnologias de controle e as tecnologias limpas, ou pelo menos, mais limpas. As tecnologias de controle são as adições às tecnologias de fim de tubo nos processos de produção que capturam e ou tratam uma emissão de resíduos a fim de limitar o seu impacto ambiental.

Por contraste, as tecnologias limpas são geralmente processos ou produtos que tem como proposta principal um objetivo não ambiental, mas que incluem considerações

ambientais em seu projeto para evitar ou reduzir o seu impacto sobre o meio ambiente. Dessa forma, tecnologias de controle podem ser vistas como uma resposta reativa para as emissões enquanto as tecnologias limpas tem natureza antecipatória.

Em função de sua natureza reativa, as tecnologias de controle não requerem normalmente um redesenho significativo de processos e produtos com os quais elas estão associadas. Também, como existe um mercado distinto para as tecnologias de controle, os fornecedores são facilmente identificados e uma análise direta de seu desempenho econômico e ambiental é praticamente automática.

Consequentemente, elas são relativamente fáceis de comprar e instalar quando comparadas com as tecnologias limpas. Em contraste e como uma consequência de sua natureza integrada, a compatibilidade das tecnologias limpas com os sistemas já exisitentes é usualmente mais limitada. Isto significa que é frequentemente mais caro adaptar tecnologias limpas em processos já existentes. Além disso, como elas são desenhadas para ser integradas em processos já existentes, caso a caso, as análises genéricas de seu desempenho econômico e ambiental são normalmente mais complicadas.

Coletivamente, essas características tendem a suportar o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias de controle, particularmente como uma consequência de sua conveniência de seu curto – médio prazo. Este viés inicial na direção das tecnologias de controle tem sido composto pela questão da escala e dos efeitos da aprendizagem que permitem um aumento no seu preço e uma melhoria no seu desempenho. Em muitos casos, as tecnologias limpas tem ainda se beneficiadas de processos similares porque elas têm sido menos adotadas.

Essa tem sido a tendência, apesar das tecnologias limpas serem consideradas economicamente mais eficientes e ambientalmente mais eficazes no médio e no longo prazo e melhorar a eficiência dos recursos, a eficiência econômica e a abordagem dos impactos ambientais na fonte.

Além de utilizarem os investimentos em novas tecnologias, as companhias podem melhorar o seu desempenho ambiental por meio de mudanças organizacionais e a adoção de novas técnicas de gestão. Inovações organizacionais dessa natureza podem ser adaptadas de forma isolada ou podem ser associadas com mudanças tecnológicas.

Onde os investimentos tecnológicos são necessários, as inovações de gestão ou organizacional podem ajudar para assegurar os benefícios diretos e indiretos associados com a nova tecnologia, particularmente por facilitar ainda mais a melhoria incremental.

A aplicação de sistemas de gestão, tradicionalmente relacionada com qualidade, mas também utilizada para saúde, segurança e meio ambiente, é uma das inovações organizacionais mais importantes no mundo dos negócios, devido à forma que vincula sistemas organizacionais díspares em um sistema geral, integrado e organizado.

Potencialmente tais inovações organizacionais trazem rápidos ganhos econômicos e ambientais além de ter um impacto positivo num ambiente onde novas tecnologias podem ser introduzidas e assim fortalecendo o potencial para as tecnologias limpas serem integradas em sistemas já existentes.

Finalmente, em associação com as mudanças tecnológicas e organizacionais no curto e no médio prazo, as empresas podem melhorar o desempenho ambiental por meio da integração das considerações ambientais com seus planos estratégicos e com seus processos de gestão operacionais. Enquanto que melhorias incrementais advindas de mudanças estruturais ou organizacionais em processos já existentes podem assegurar alguns benefícios, os melhoramentos incrementais sem acompanahamento de outros melhoramentos se defrontarn com retornos marginais menores, ao longo do tempo.

Entretanto isto pode ser evitado se oportunidades para mais mudanças radicais forem consideradas na medida em que as empresas incluam considerações ambientais nos processos de decisão estratégica. Desta maneira as empresas podem explorar as oportunidades de mudanças radicais, cujos benefícios podem ser reforçados posteriormente por fases subsequentes de melhoramentos incrementais.

Fica evidente que existem diversas opções viáveis para as empresas que procuram melhorar o seu desempenho ambiental. Estas opções estão relacionadas com a natureza da inovação industrial que podem ser apresentadas de acordo com o quadro a seguir.

Quadro 2.2. Natureza da inovação industrial

Dimensões Foco

Dimensão Tecnológica Tecnologia de controle e Tecnologia limpa Dimensão Organizacional Técnicas e Tecnologias de gestão

Dimensão estratégica Mudanças radicais e Mudanças incrementais

Fonte: Elaboração própria, 2015.

Embora este quadro usualmente, sintetiza as discussões anteriores, torna-se importante ressaltar que na realidade as categorias identificadas não existem. Por exemplo, a classificação de alguma coisa como tecnologia de controle ou tecnologia limpa pode não ser sempre clara. Também como dito acima, o quadro não reconhece as barreiras de inovação que tendem se tornar mais evidentes quanto mais mudanças descontínuas ou mais radicais são procuradas.

Assim as barreiras à inovação aumentam na medida em que as empresas se movem das tecnologias de controle para as tecnologias limpas, na medida em que complementam as mudanças tecnológicas com mudanças organizacionais e na medida em que exploram as oportunidades estratégicas assim como as operacionais para melhorias.

Estas barreiras à inovação reduzem a probabilidade das novas técnicas e tecnologias serem desenvolvidas e adotadas. Consequentemente, elas tendem a aumentar as dependências geradas de curto prazo particularmente, pelos impactos de escala e de efeitos de aprendizagem que fomenta o desenvolvimento da atividade industrial. Entretanto, dado o potencial de longo prazo de novas técnicas e tecnologias, torna-se apropriado examinar o papel que a regulação pode desempenhar na ajuda às empresas para superar as barreiras à inovação.

A regulação tem um papel importante na competição política pela inovação ambiental e pode ser identificada como uma força matriz–chave, agindo como pano de fundo da inovação. Embora, de acordo com a argumentação da economia tradicional neoclássica a regulação impõe altos custos sobre as empresas e prejudica a inovação e a competitividade, observa-se cada vez mais uma relação positiva entre a regulação ambiental e a competitividade de um determinado país.

O papel do governo, nesse contexto, tem se transformado numa necessidade funcional e deve ser reinventado e fortalecido, especialmente se a competição pela inovação e a proteção ambiental estão em jogo. A regulação pode criar impedimentos para as empresas, porém apresenta, de forma geral, um número de vantagens distintas, como por exemplo:

a) A regulação pode criar, ou ajudar a criar, mercados para indústrias domésticas; b) A regulação, com frequência iniciada através de cenários de tendências

regulatórias e direcionada para uma harmonização global, aumenta a previsibilidade dos mercados. A antecipação das tendências regulatórias é, assim, um comportamento típico das empresas inovadoras sob condições globais de insegurança e complexidade crescente;

c) A regulação pode facilitar as atividades no mundo dos negócios. Em contraste com as abordagens voluntárias, as empresas afetadas não devem se preocupar se seus competidores estabelecerão as mesmas medidas e;

d) A regulação também reduz os impedimentos internos nas empresas para implementar mudanças tecnológicas.

Apesar de a regulação ter celebrado uma retormada nos tempos atuais, devido especialmente ao impacto sistêmico da crise econômica global em curso, os modos da regulação estão se transformando, uma vez que o foco está agora numa regulação inteligente ou em uma boa regulação ambiental.

Os instrumentos regulatórios altamente sofisticados são descritos como instrumentos com conhecimento incorporado, uma das características que define a sociedade da informação globalizada. Isto é especialmente plausível ao se retornar ao conceito de ME,

uma vez que este tem pontos em comum com uma regulação ambiental orientada para a inovação.

Contudo, para o desenvolvimento de uma tecnologia ambiental efetiva, autores da ME mencionam que é essencial a elaboração de uma regulação ambiental capaz de incentivar e fortalecer a inovação ambiental. Um dos fatores-chave é a existência de uma estrutura de inovação eficaz, na qual o sistema de ciência e tecnologia é capaz de identificar problemas ambientais e trabalhar junto com as empresas e governo no desenvolvimento de novas soluções tecnológicas (LUNDQVIST, 2000).

2.6 Considerações sobre as inovações no consumo e na produção como

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