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Multiple regression - preliminary computations

7. Statistical inferences

7.5 Multiple regression - preliminary computations

É bem sabido que ensinar é ainda mais difícil que aprender. Mas raramente se pensa nisso. Por que ensinar é mais difícil que aprender? Não porque o mestre deva possuir um maior acervo de conhecimentos e os ter sempre à disposição. Ensinar é mais difícil do que aprender, porque ensinar quer dizer deixar aprender. Aquele que verdadeiramente ensina não faz aprender nenhuma outra coisa que não seja o aprender [...]. O mestre que ensina ultrapassa os alunos que aprendem somente nisto: que ele deve aprender ainda muito mais do que eles, porque deve aprender a deixar aprender. O mestre deve poder ser mais ensinável que os alunos. (HEIDEGGER, apud ROGERS & FREIBERG, 1996, p. 67).

Neste trabalho, o termo professor será semanticamente similar ao de mediador, ou seja, designará aquele sujeito que pode facilitar a aprendizagem do

aprendente, que faz a mediação entre o sujeito aprendente e o conhecimento, e entre os diferentes sujeitos, e não atuará como o transmissor de conteúdos, como guia ou instrutor. Será visto como aquele sujeito capaz de ajudar o aprendiz a superar as dificuldades, ao mesmo tempo em que o instiga e oferece situações de desafio que problematiza.

O professor/mediador sabe interagir, co-construir com o aprendente um conhecimento individual e social. Relaciona-se de forma dialógica, recursiva, produtora e auto-eco-organizadora com o aprendente, com o conhecimento e com o grupo social.

Em EAD as funções do professor, do orientador e do tutor ficam, por vezes, confusas. No caso desta pesquisa, o mediador/ professor é aquele que interage com o aprendente no ambiente, embora haja outros professores participando do curso desde o planejamento até a implementação.

Tavares-Silva (2003) coloca um aspecto importante dessa relação entre mediador e aprendente. Ela diz que as relações de poder e de autoridade entre mediador e aprendiz mudam quando o mediador é problematizador, pois há uma relação de igualdade entre ambos, que detêm conhecimentos específicos, diferenciados e relevantes. Em sua fundamentação teórica, a autora aproxima os conceitos de mediação e interação (interatividade) 9, o que é bastante interessante,

9

O conceito de interatividade parece ter suas origens na idéia de interação, que não é nova. Na Física, refere-se ao comportamento de partículas cujo movimento é alterado pelo movimento de outras partículas. Para a Sociologia e a Psicologia, nenhuma ação humana ou social

em vista do ambiente de aprendizagem desta pesquisa ser um ambiente virtual no qual a interatividade é fator preponderante.

O professor deixa de ser o dono do conhecimento para ser um construtor, um facilitador, aquela pessoa que tem mais experiência teórica e prática que seus alunos, conhecedor de determinados conteúdos por já haver estudado sobre eles, mas que nem por isso sabe tudo sobre o assunto, até porque a completude do saber é impossível, como diz Morin (2000).

No entanto, o problema da formação docente, fundamentado no pensamento ecossistêmico e na complexidade, precisa ser visto de forma articulada, porque passa pelos aspectos pedagógicos, pelas condições de trabalho, de emprego e pela deterioração salarial entre tantas outras variáveis importantes. (MORAES, 2007).

Os cursos de formação devem acontecer em um movimento dialógico entre o gnosiológico e o ontológico. Portanto, o desenho didático precisa abranger a profissionalização docente, o compromisso com a emancipação, a leitura crítica dos aspectos micro e macroestruturais do trabalho docente. O formador e o formando precisam construir-se como sujeitos sociais surgidos do diálogo e da abertura para o novo. O desenho didático desses cursos, portanto, deve propiciar a leitura crítica, com “ações de formação que partam do senso comum e levem o educador à consciência emancipada, sem, contudo, solapar o tempo vivencial desse profissional.” (PESCE, 2007b, p. 11).

Os formadores de professores vêem a profissão através de lentes idealistas e racionalistas, sem considerar as práticas em sala de aula. Existe a “tentação de eufemizar a realidade, a subestimar a complexidade; ou então, de negar os seus aspectos mais negros ou de imaginar que estes vão desaparecer.” (PERRENOUD, 1993, p. 195).

Ainda segundo o autor, seria preciso preparar o professor para trabalhar em um mundo real em que os alunos podem ser egoístas e preguiçosos. Portanto, é preciso falar com o professor sobre as questões de resistência e de conflito que acontecem em uma sala de aula. A relação entre professor e aluno é feita de

existe separada da interação. Para os interacionistas do início do século XX, designa a influência recíproca dos atos de pessoas ou grupos. A interatividade, por outro lado, é recente e emerge

juntamente com a ampliação da informática e das tecnologias da informação e comunicação, tanto assim que não a encontramos facilmente em dicionários nacionais antes de 1998, embora as várias ciências já estudassem os processos de interação. (SCHECHTMAN, 2003). Por esse motivo, os dois termos serão utilizados sem diferenciação. O termo interatividade estará mais presente quando tratar-se de ambiente virtual de aprendizagem.

sedução, de manipulação, de histórias de vida individuais e, como tal, precisa ser encarada como uma realidade complexa e multiforme. “Os adultos recusam-se a reconhecer que as crianças e os adolescentes são actores sociais de corpo inteiro, que têm a sua identidade, a sua cultura, os seus interesses, os seus valores e as suas estratégias”. (ibid., p. 197). Saber lidar com o poder, em suas diversas manifestações, seria outra característica importante da formação de professores.

Da mesma forma, os professores não estariam preparados para enfrentar e aceitar a heterogeneidade e por isso são pegos de surpresa quando percebem seus alunos em estágios de desenvolvimento diferenciados, com personalidades próprias e culturas distintas.

As preocupações de Perrenoud acabam por reforçar a necessidade de que, na formação de professores, a didática, a filosofia, a comunicação, a sociologia, a psicologia sejam abordadas de forma inter e transdisciplinar. Dessa forma, propicia- se uma visão mais abrangente para que o professor seja capaz de perceber a possibilidade da existência de diferentes níveis de realidade na sala de aula e, nesse sentido, procure elaborar estratégias não só para trabalhar com a diversidade, mas para encontrar novos caminhos. Leva, também, à necessidade de se rever a carreira do professor e, consequentemente, a avaliação desse profissional.

Se dos alunos é esperado que sejam criativos, responsáveis por sua aprendizagem, críticos e preparados para enfrentar os desafios dos tempos modernos, o mesmo deve ser requerido dos professores. Nesse sentido, o professor precisaria de uma cultura geral ampliada, capacidade de aprender a aprender, habilidades comunicativas, cultura informacional, sabendo comunicar-se e atuar sobre os meios tecnológicos multimídias atuais. Mais ainda, é preciso “resgatar a profissionalidade do professor, reconfigurar as características de sua profissão na busca da identidade profissional.” (LIBÂNEO, 2007, p.10).

Por tudo o que foi dito com relação à aprendizagem de adultos e de professores, não há dúvidas sobre a necessidade de metodologias próprias para atender a essa população, o que será visto mais adiante.