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Mot en mer deliberativ retorikk

In document Den grønne retorikk (sider 103-133)

3. Tvingende omstendigheter (Bitzer 1997:13)

14.4 Mot en mer deliberativ retorikk

Quem inventou a luta? Teriam sido os pobres, as prostitutas, os escravos, as mulheres e homens desempregados? Teriam sido os desocupados, os camponeses e operários? Ou os revolucionários que viveram eternamente indignados?

Não importa com quem ela surgiu, quem foi o inventor que a descobriu, nem tampouco se não há registro na memória. Importa saber, que a luta veio aparecer, no dia em que iniciou a história. Ali foi o ponto de partida e acompanhou a humanidade em toda a sua vida, pois viveu até aqui, em classes dividida.

Como justificar que a luta ainda persiste? É que, há tempo, também na era atual, para o capital, os desempregados, sem-terra e deserdados não existem. Estes só existem, disse Karl Marx em tom certeiro: para o policial, o juiz e o coveiro.

A luta então é o ventre onde nascemos de novo. Agora como povo e organização. Lutar é uma profissão, como a de ser pedreiro ou carpinteiro, precisa se envolver de corpo inteiro.

Quem luta busca saídas, por isso reinicia a vida. Começa um novo dia, com alegria e satisfação. Há quem se acomode diante da opressão, mas há aqueles que lutam para buscar mudanças. Quem luta sempre é criança; artista da conspiração.

Há dias em que as propostas nos enganam. Nos tentam, comandam e nos fazem pensar mais profundamente. É como uma muralha na vertente, que se levanta pra cercar a água corrente.

Assim a luta arrefece, a força se contrai, quase desaparece. Há quem pense que tudo está acabado. Engano! Há um tempo reservado também para a maturação! Onde a força e a razão entram em descompasso. Devem se reencontrar para enfileirar os novos passos.

Então o ânimo e o vigor enfrentam o frio e o calor, não importa o clima, é sinal que renasceu a auto-estima. A cabeça segue erguida, mesmo que os pés reclamem das feridas.

Lutar, lutar é sempre atual! Embora a força desigual aponte para derrotas objetivas, mas elas nunca são definitivas, por isso é importante enfrentar as conseqüências. Se a derrota é material, a vitória é moral e no crescimento das consciências.

A vantagem na luta não está nos armamentos, mas naqueles que suportam os sacrifícios e os sofrimentos. Aí está a diferença! A técnica nunca vencerá a crença de que o ser humano é o elemento principal. De nada vale o poder do capital, se a força humana não marcar presença.

Por isto a luta é uma herança, de ações, idéias e esperanças. Quem luta agora assume o lugar de alguém que foi embora. Partiu contrariado, arrancado das fileiras, foi enviado à frente para agitar bandeiras. Para assinalar onde devemos chegar, sem nos desviar.

Assim na vida (se formos muito ativos), após a morte seguiremos vivos, apenas mudaremos de fileira, para testemunhar a história inteira.

Lutar sempre é o alimento da consciência! Encher-se de desobediência é a ordem e o conteúdo! Não esquecer do estudo; com ele firmamos a ideologia. Cuidar também da utopia, da alegria e da beleza! Amar e cultivar a natureza, ela nos ensina o valor da gentileza.

Cartas de amor Nº 116

À SUTILEZA

Sempre que agimos de forma astuta e com destreza, lançamos mão da sutileza. Ela é a ciência que nos ajuda a utilizar melhor a inteligência.

Mas como tudo tem dois lados, ela pode ser usada com gestos delicados ou para constranger e deixar alguém embaraçado. Pode servir de alerta e também de precauções. No fundo, a sutileza sempre esconde segundas intenções.

Foi o que vimos esta semana, quando no mundo todo foi notícia a Cúria Romana. Por ter o Papa falecido, o fato deixou o mundo comovido.

Fiéis de todas as religiões fizeram a peregrinação, por respeito ou devoção, demonstraram que a sociedade não se divide entre ateus, muçulmanos e cristãos. A fratura que separa a sociedade continua sendo a desigualdade.

A mídia, principalmente brasileira e norte americana, aproveitaram durante esta semana, para fazer um longo comercial. Tomaram em suas mãos o funeral e deram a ele um sentido de vitória, dizendo que: “Este foi um Papa que mudou a história”.

De fato foi uma referência, mas tenhamos um pouco de paciência. Da forma como foi apresentado, teria ele derrubado, todos os governos socialistas e restabelecido, no Leste Europeu, a ordem capitalista.

Com certeza o Papa não era socialista, nem tampouco foi um ideólogo marxista. Restringiu o crescimento das pastorais pela ótica progressista, nomeou bispo e cardeais conservadores, manteve os dogmas restritos ao velho conteúdo e a rigidez da ordem sobre tudo.

A sutileza da mídia capitalista foi pintá-lo como anti-comunista. Como se a ação de um homem só tivesse o poder de fazer virar pó, toda a trajetória socialista.

O que está ocorrendo é que o império está perdendo a guerra contra os muçulmanos, por isso precisa novos planos e aproveitou-se do momento comovente, para fortalecer a divisão entre Ocidente e Oriente. Como a dizer: se lá tem a força do islamismo, aqui temos o cristianismo.

É a diretriz do capital, fazer crer que há uma guerra entre o bem o mal. Mostrando que no mundo há os bons e os terroristas. Os bons estão do lado dos cristãos, os maus com os muçulmanos e socialistas.

Não destacaram que o Papa se colocou contra todo tipo de violência e com veemência, contestou guerras e defendeu bandeiras libertárias. Insistiu com precisão na realização da reforma agrária. Esteve em Cuba cumprindo seu papel e concordou com o governo de Fidel.

O império com toda a sutileza, mostrou o Papa despido de riquezas, amigo e ídolo da juventude. Basta querer a paz e a alegria, esquecer os direitos e as garantias, deixar de lado a rebeldia e conter-se das bravas atitudes.

Induz ainda ao sacrifício enquanto a crise passa, prestar atenção agora na fumaça que sairá da chaminé do Vaticano. Se for preta, o consenso está distante; se for branca tudo será como antes, o capital combaterá o mal, encravado no coração de socialistas e muçulmanos.

De nossa parte sutileza, é usar também da esperteza e aproveitar tudo como lição. Continuar este momento de unidade, sem separar raças, credos ou entidades, e irmos juntos para a revolução.

Cartas de Amor Nº 117

In document Den grønne retorikk (sider 103-133)