• No results found

Alternative investeringer

In document Den grønne retorikk (sider 133-140)

Há dias em que os raios do sol já nascem quentes. Desmancham o orvalho caído em cada flor; despertam o pássaro cantador e a vida toda se move de repente. Sinal que a noite foi embora e o dia inteiro teremos agora, para sonhar e lutar intensamente.

Jornadas são assim, tem início e fim. O que anima, a sempre recomeçar, é que nunca partimos do mesmo lugar. Sempre estamos um degrau acima, como em uma rima que empreende uma canção, como a raiz cortando o chão, que não duvida da própria direção.

Há jornadas que terminam empate; ninguém vence o combate. Há outras de duro cansaço, em que se avança só um passo. Há jornadas de trabalho nas fazendas e canaviais, que parecem não terminar mais.

Há jornadas na cozinha, na casa de farinha, no escritório, no laboratório, nas salas de aulas cercadas como jaulas. Na igreja onde se deixa na bandeja, a recompensa pelas ofensas e pecados, o dízimo do trabalho suado.

No ônibus exprimidos, nos empregos demitidos, no velório da matança de crianças. Frente ao espelho onde se ajeita a trança para a entrevista; no transporte como motorista levando a produção cheia de exploração.

Jornada da luz cortada. Da torneira sem água e o prato sem comida. Onde a ferida recebeu outra pancada. Onde o aluguel venceu, um parente morreu, o vizinho se exaltou. Jornada onde desabou como recompensa, sobre a cabeça uma infinidade de ofensas.

Jornada nos acampamentos, sem notícias, sem acontecimentos, nem a polícia foi ameaçar. Jornadas que teimam em não passar emendam a noite com o dia; jornadas sem sabedoria que só ensinam a esperar.

Jornada de prisão política, onde a lei se tornou crítica, valendo-se até das entrelinhas. Onde a força mesquinha do poder judiciário impôs o seu receituário.

Jornadas de lutas, greves e marchas, onde se escracha o patrão e o governante. Ali se vê mais confiantes as lideranças; onde se canta e dança sobre as grandes vitórias. Onde se experimenta a glória e se ensaia os passos da mudança.

Jornadas onde a força se acumula, onde se emula a militância. Jornadas de grande importância que ligam as várias gerações. Que integram multidões em torno de algum objetivo. Jornadas onde cada ser vivo, se move e aparece, como se dissesse: não há mais tempo para ser cativo!

Jornadas de descanso onde o ser se torna manso e volta para si. Se põe a refletir sobre os hábitos que pratica. Onde se explica para a própria consciência. Faz a transferência da intenção para a atitude. Onde os valores e as virtudes se tornam referências.

Há jornadas que não dão em nada e há aquelas de grande serventia. Importa é pensar que cada dia é importante para cada geração. O tempo em que vivemos é de conspiração, precisamos agir por caminhos ilegais. Aproveitar cada fresta que aparece dentro da conjuntura para avançar de forma mais segura; porque, as oportunidades voltam, mas o tempo, este não volta mais.

Jornada é mais que um dia, tem causas e conseqüências, é onde forjamos a experiência de nossa existência, esta compõe a nossa identidade deixada de presente para os nossos descendentes, que levarão em frente à história da humanidade.

Cartas de Amor Nº 118 À AGROECOLOGIA

A agricultura é uma antiga profissão, onde se aprendeu com as mãos a cuidar da vida, a produzir comida e a cultivar a natureza. Descobriu-se o valor da gentileza convivendo com as árvores da floresta, por isso as colheitas eram diárias, não havia as classes proprietárias e tudo seguia em grande festa.

Mas um dia surgiu a propriedade. Um sujeito daquela sociedade se excedeu. Como se armasse uma barraca, foi na mata e voltou com quatro estacas, marcou o espaço e disse: isso é meu!

Os que viram tal façanha, acreditaram e igualmente o gesto repetiram, e entre si a terra dividiram.

No início a própria natureza equilibrada, produzia os frutos sem precisar de nada, alimentava o povo inteiro. Os predadores, se tratava com carinho, não eram insetos nem doenças, mas uma quantidade imensa, de animais, peixes e passarinhos.

Um dia as árvores já cansadas de tanto serem exploradas e pisoteadas em suas raízes, sem querer entraram em crise e diminuíram os rendimentos. Os homens, ao invés de adubá-las e melhorá-las, passaram a derrubá-las e a queimá-las; plantaram outras diferentes para garantir o seu sustento.

O fogo virou instrumento de trabalho, lambendo as folhas, os caules e os galhos, fazendo a limpeza do terreno. Matava os insetos mais pequenos e espantava os maiores do lugar. E assim se deixou de preservar até que a selva se acabou, então mais tarde se inventou o veneno para o fogo auxiliar.

Na atualidade as mãos que tinham utilidade ficaram desempregadas. Não querem mais pegar na enxada, nem alisar a aba do chapéu. Os olhos se voltam para o céu, somente para ver o avião pulverizar. A lua já não tem mais serventia, a técnica impõe a sua sabedoria, envenenando a terra a água, o ar...

Agroecologia não é uma técnica diferente de produzir alimento é uma mudança profunda no comportamento que muda a vida do agricultor.O respeito é o maior valor, o cuidado acompanha o planejamento, mostrando que se pode ter o alimento, deixando de ser destruidor.

A agroecologia é contra o capital que explora, devasta e vai embora. É um nível de consciência universal, convida o ser humano a ser cordial, amigo da fauna e da flora.

A agroecologia é a volta da alegria, o combate a nostalgia e a decepção. As espécies equilibram a convivência, e o ser humano com sua inteligência, deste meio tira a sua produção.

Agricultura e ecologia são partes altamente combinadas. Enquanto a segunda estuda a interdependência dos organismos vivos, a primeira cuida do cultivo, onde as mãos são muito utilizadas.

Enfim a agroecologia não uma teimosia da pequena agricultura. É uma forma de tornar mais segura a vida e o cultivo dos valores. É o modelo dos trabalhadores, que se insurge contra o agronegócio, que usa pesticidas, para matar a vida, para ficar no ócio.

A agroecologia é um princípio moderno, tão necessário quanto o leite materno para a sequência das futuras gerações. Quem quiser ter vivos os seus descendentes, terá que cuidar daqui pra frente, da terra, da água, das plantas, insetos, animais, dos pássaros, da alegria e das canções.

Cartas de Amor Nº 119

In document Den grønne retorikk (sider 133-140)