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8. Diskusjon av teorier for sammenhengen mellom ulikhet og vekst

9.3 Modell med forskjellige tidsperioder

Em 1980 houve a primeira interrupção do Festival de Inverno (seguida de outra em 1984). Por meio de nota em jornal, a UFMG comunicou ao público a não realização do XIV Festival de Inverno de Ouro Preto, promoção de extensão universitária que vinha mantendo há treze anos. Segundo Paoliello, “[...] o motivo teria sido as ingerências da FUNARTE em relação ao conteúdo do Festival. Em protesto, os coordenadores resolveram não realizar o evento naquele ano, marcando sua resistência ao dirigismo ideológico daquele órgão do governo federal”.139

Para o ano de 1980 estavam previstas atividades na área de Música envolvendo as comunidades local e regional: a Oficina Multimédia com o compositor Rufo Herrera, uma Oficina Coral, reunindo todos os corais e regentes da região, que seriam treinados diariamente para ampliar sua capacidade de ação e uma Oficina de Teatro orientada pelo diretor João das Neves que atenderia os grupos de teatro da região. Estas foram realizadas no ano seguinte.140

Junto à decepção provocada pela notícia do cancelamento do Festival – “Berenice prefere acreditar numa pausa do Festival de Inverno do que em sua morte”, a situação trouxe alguns desconfortos para a coordenadora que tinha o hábito de escrever anualmente aos compositores de várias partes do Brasil solicitando o envio de partituras para o Festival. Foi feita também a encomenda de uma obra à compositora Maria Helena da Rosa Fernandes que, imaginava Berenice, àquela altura deveria estar pronta.141 Outro constrangimento era desmarcar compromissos assumidos com diversos profissionais, alguns deles residentes no estrangeiro. A alternativa encontrada pela coordenadora foi manter a vinda do violonista Betho Davezac, da França e do compositor argentino Dante Grela a Belo Horizonte. “Não vou desconvidá-los. Vou ter que inventar qualquer curso para eles aqui em Belo Horizonte”, comunicava Berenice.142

139 PAOLIELLO, Guilherme. A circulação da linguagem musical: o caso da Fundação de Educação Artística.

224f. 2007. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, 2007, p.117.

140 Estado de Minas, 15 de maio de 1980. Segundo nos informou Eladio, antes de participar do Festival de

Diamantina, João das Neves havia dado um curso para atores em Montes Claros a convite do cantor. João das Neves e Rufo Herrera se conheceram na Bahia na década de 1970 e realizaram o primeiro trabalho profissional na peça O último carro (de sua autoria), em 1976-1977, cuja trilha sonora foi feita por Rufo Herrera. João das Neves também fez a direção cênica na cantata multimeios Continente Zero Hora, de Rufo Herrera. Esta obra foi encomendada pela FEA para a comemoração de seus 20 anos de fundação (1963-1983) e apresentada em BH nos dias 25 e 26 de junho de 1983, no Teatro Francisco Nunes, sob a regência de Afrânio Lacerda.

141 Estado de Minas, 15 de maio de 1980. 142 Ibid.

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Retomado no ano seguinte, no período de 1981 a 1985 o Festival de Inverno passou a ser realizado na cidade de Diamantina.143 Uma vez anunciado que Diamantina seria a sede do XIV Festival de Inverno, o jornal Estado de Minas tentava encontrar explicações para o silêncio que pairava no ar a três meses de sua realização. A mudança do cargo de reitor da UFMG seria uma hipótese, uma vez que o primeiro “não se achava em condições de oferecer colaboração às outras entidades culturais”, exigindo do novo dirigente uma atitude firme para cuidar do importante evento. Como era de se supor, “dificilmente será exeqüível programar para valer todas as atividades de costume (...)”.144 Por outro lado, aguardava-se para aquele ano um evento que fizesse jus às comemorações do sesquicentenário da Vila Diamantina e que o início do Festival pudesse coincidir com o 4 de junho, data comemorativa da instalação do município. “De acordo com o decreto estadual que oficializou a mencionada comemoração, a sede do governo será simbolicamente transferida para Diamantina, em expressivo coroamento das atividades comemorativas.145

A participação dos professores, Lindembergue Cardoso, Rufo Herrera, Willy Corrêa de Oliveira, Odette Ernest Dias, Eladio Pérez-González no XIV Festival, representou um novo um incentivo à produção musical. Foram compostas três obras para solistas, coro e orquestra – Carinhinho a Diamantina de Lindembergue Cardoso (sobre poema-roteiro de Eladio), O que se diz sim e o que se diz não, ópera da Oficina de composição de Willy Corrêa e Cena 1 do Continente Zero Hora de Rufo Herrera. Ainda em 1981, foi executada uma obra latino-americana – Las presencias: “Jeromita Linares” de Carlos Guastavino, para violão e quarteto de cordas (possível estreia nacional) e uma obra do século XVIII – Antífona Regina

Coeli Laetari (1779) de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquista, para solistas, coro e orquestra.146

Graças ao especial trabalho da orquestra-laboratório, sua excepcional dedicação durante todo o mês, foi possível a realização das obras acima citadas, registrou a coordenadora. “Seus componentes demonstraram possuir uma compreensão exata da função que lhes coube: de possibilitar o estudo e a apresentação em público de um grande número de

143 Do XIV ao XVII, o Festival foi realizado em Diamantina. Em 1986 e 1987, o XVIII e o XIX Festivais de

Inverno aconteceram em São João del-Rey.

144 O Estado de Minas, 1 de abril de 1981. Segundo consta no programa do Festival, o reitor da UFMG era o

professor José Henrique Santos.

145 Ibid.

146 Boletim nº 4: concerto de participantes do XIV Festival de Inverno de Diamantina. Divulgados ainda o

Seminário sobre Patrimônio Cultural de Diamantina: sua preservação e valorização, Sessão de cinema (um longa e um curta), Espetáculo Internacional de Dança e Sarau.

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obras e de estimular o trabalho dos compositores – profissionais e estudantes – sob a orientação do maestro Jorge Salim”.147

Considerando o êxito completo da realização do Festival de Inverno em Diamantina, era grande o desejo da comunidade de repetir a experiência vitoriosa no próximo ano. O acontecimento agradou a todos os setores da sociedade local. Além da Câmara Municipal, os diversos estabelecimentos de ensino (das escolas de primeiro grau às faculdades), a Associação Comercial e o Clube dos Diretores Lojistas reconhecem os “benefícios mediatos, imponderáveis, mas significativos” da feliz iniciativa de levarem o Festival de Inverno para Diamantina. “O ambiente mudou na cidade”.148

A expectativa era dar continuidade às atividades realizadas no ano anterior, incentivando e valorizando o aspecto cultural local que precisava ser multiplicado. Segundo Paoliello, “[...] a direção adotou um discurso que manifestava os objetivos de ‘centrar as atenções na gente e na cultura do Jequitinhonha’ (...). Assim, em 1982 (décimo quinto Festival), investe-se novamente num grupo de oficinas que centralizam a questão da criação musical”.149

Fora a Oficina Livre de Musicalização com Lindembergue Cardoso e o Festival Mirim com José Adolfo Moura, foram oferecidas oficinas de composição e interpretação, subdivididas em três tópicos. O compositor Jaceguay Lins dirigiu o curso de técnicas de estruturação e análise; Lindembergue Cardoso o de pesquisa de fontes e instrumentação aplicada à criação musical e Adolfo Reisin (argentino radicado na França) o de improvisação e recursos de integração na composição musical. Na oficina de interpretação, Jaceguay Lins ministrou dois cursos – orquestra-laboratório e técnicas de regência coral e introdução ao repertório coral contemporâneo, enquanto Beatriz Román ministrou prática de execução e repertório para pequenos grupos e solistas. Havia também uma novidade com relação aos alunos: eles poderiam atuar como monitores, sejam visitantes ou moradores.

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A apresentação de um sarau com música romântica do século XIX, realizado pela professora-flautista Odette Ernest Dias, estava na eminência de se transformar em gravação sob os auspícios de uma entidade artística dos Estados Unidos. A revelação de talentos em

147 Boletim nº 48. Foram também divulgadas atividades de Teatro de Bonecos, apresentação de bandas de música

de Diamantina e a Festa do Divino.

148 Boletim nº48.

149 PAOLIELLO, Guilherme. A circulação da linguagem musical: o caso da Fundação de Educação Artística.

224f. 2007. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, 2007. p.117.

150 Nos boletins de divulgação do XVII Festival aparecem os nomes dos monitores Eduardo José Guimarães

Álvares (Coral do Festival), Carlos Villavicencio (assistente do regente Adolfo Reisin). O nome de Berenice Menegale aparece no folder na parte de assessoria.

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artes cênicas e o consequente fortalecimento da área na região eram uma questão importante para a comunidade diamantinense, que acreditava estar “[...] contribuindo para que se reviva a antiga tradição do Teatro Santa Isabel, que precisa ser restaurado”.151

FIGURA 02

Programa do XV Festival de Inverno de Diamantina (1982)

Assim, sob o título Diamantina recebe inscrições para o Festival, o jornal O Estado de Minas divulgava a decisão da UFMG de manter o Festival de Inverno na cidade histórica, mediante “[...] as manifestações de apoio de toda a comunidade local [e] em decorrência dos resultados alcançados no ano passado em todos os cursos promovidos pelos organizadores”.152

151 Boletim nº48 do XIV Festival de Inverno.

A Associação Comercial e Industrial de Diamantina mobilizou-se em várias frentes: ofereceu seu espaço para servir de central de inscrições para os cursos de música, artes plásticas, teatro, dança, literatura brasileira, história do Brasil, história de Minas Gerais e fotografia, e para o funcionamento do Centro de Exposições de Artesanato, enquanto sua diretoria se encarregava de conseguir a hospedagem para os professores (aproximadamente 50). Percebe-se, portanto, a instalação de um clima de entusiasmo e cooperação por parte da comunidade diamantinense e dos organizadores do Festival.

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Dentre algumas primeiras audições, podem ser citadas as 3 Miniaturas, para flautas e

Seresta, para orquestra de Carlos Villavicencio; Reveião 999, música incidental para atores, coro e orquestra, Ideofonia I, para clarineta, violoncelo e piano de Rufo Herrera e Densidades, para pianos de Eduardo Seincman, além de possíveis estreias nacionais ou locais de Jamary Oliveira, Jorge Antunes, Penderecki, Stravinsky, Debussy, Bartók e outros.