2. Historisk utvikling av ulikhet
4.2 Gini-koeffisienten
Os estudantes de música eram bastante incentivados a participar das atividades de Canto Coral programadas pelo Festival. Tradicionalmente conhecida por ser um seleiro de belas vozes, excelentes regentes e conceituados corais, Minas Gerais se projetava por meio dos Corais Ars Nova e Madrigal Renascentista, que conquistaram prêmios em vários concursos internacionais e ganharam o reconhecimento público. Com a decisão do Festival de Inverno de divulgar a música do século XX e valorizar a música contemporânea brasileira, em 1971, foi apresentada a Missa Orbis Factor, in memoriam de Mário de Andrade, de Aylton Escobar no encerramento do V Festival de Inverno. A obra havia sido 3ª colocada e premiada pelo público no II Festival de Música da Guanabara (1970) na categoria Música de Câmara.
A estreia dessa obra, que teve a indicação de Eladio, marcou o início de um período de encomendas do Festival de Inverno que eram executadas no seu encerramento. Para Paoliello, grande parte das transformações ocorridas nessa fase do Festival deve-se à Eladio Pérez- González. “A apresentação da Missa de Schubert foi considerada por Eladio um fato “desnecessário no contexto do Festival. Segundo o intérprete, nós não tínhamos absolutamente nada a acrescentar ao nome, à gloria de Schubert, mas podíamos fazer muita coisa pelos compositores contemporâneos”.23
Para o ano seguinte, foi feita a encomenda ao jovem compositor José Antônio Almeida Prado, que se encontrava em Paris por ocasião de uma bolsa de estudos em função de um primeiro prêmio no I Festival de Música da Guanabara (1969) com a obra Pequenos Funerais
Cantantes. Almeida Prado escreveu então o Ritual da Palavra, uma obra para coro, barítono solista e grupo de instrumentos, que foi apresentada na Igreja de São Francisco de Assis, sob a regência de Carlos Alberto Pinto Fonseca, com enorme sucesso.
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A cada encomenda buscavam-se recursos para o pagamento ao compositor que podiam vir de fontes diversas. Para a obra de Almeida Prado, foi necessário contar com a participação do Coro do VI Festival, recorda Berenice: “Eu me lembro muito bem que eu
23 PAOLIELLO, Guilherme. A circulação da linguagem musical: o caso da Fundação de Educação Artística
(FEA-MG). 224f. 2007. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, 2007. p.106.
24 A obra Pequenos Funerais Cantantes, para barítono, soprano, coro e orquestra, teve a participação de Eladio e
Maria Lúcia Godoy. Almeida Prado não assistiu a estreia do Ritual da Palavra em Ouro Preto, mas em 1974, quando reapresentada no Festival Música Nova e com o mesmo intérprete. LOVAGLIO, Vânia. Eladio Pérez- González: um militante da música contemporânea brasileira. 129f. 2002. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de História, Universidade Federal de Uberlândia, 2002. p.59.
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falei: nós vamos ter que cobrar dos alunos. Cada aluno pagou para receber a partitura do coro, nós juntamos o dinheiro e mandamos pra ele”.25
Antes de darmos prosseguimento ao período de encomendas, registramos um trecho do relatório do VII Festival de Inverno (gestão do prof. José Eduardo da Fonseca como Diretor Executivo do Conselho de Extensão) que é bastante significativo para a época. O autor comenta a participação do Coral Ars Nova da UFMG na Abertura do Festival, cantando a obra Exultate Deo de Alessandro Scarlatti no Teatro Municipal, e do Coro dos Alunos do Festival apresentando o Kyrie Eleison de Lindembergue Cardoso no seu encerramento, no Auditório da Escola Técnica Federal. Ao citar dois compositores de épocas distintas – Scarlatti (italiano do século XVII) e Lindembergue Cardoso (baiano de 30 anos) – e diferentes contextos culturais – o Teatro Municipal de Ouro Preto (o primeiro no gênero a ser construído na América Latina, em 1770) e o Auditório da Escola Técnica Federal (inaugurado às vésperas do Festival) – o autor pretende traduzir o espírito do certame: “[...] que procura reunir, em um mês, as mais diversas tendências artísticas de todo o mundo”. Ainda que o evento tenha “a preocupação constante de promover o que é brasileiro, em primeiro lugar”, o objetivo final é levar ao maior número de pessoas, participantes ou não do Festival, informações culturais da melhor qualidade possível.26
Sem dúvida, esta foi uma das últimas oportunidades que o público teve de ouvir obras de épocas tão distantes no Festival, pois nos anos seguintes, a área de Música concentrou o foco de sua programação na música contemporânea, dando ênfase à música brasileira e latino- americana.
O ano de 1974 propiciou a comemoração dos 300 Anos do Ciclo do Ouro e do Diamante (a 1ª expedição de Fernão Dias Paes pelo interior mineiro teve início em 1674), momento inicial de uma colonização no centro do País e fundamental para a constituição do fértil período denominado Barroco Mineiro. Naquele ano, o VIII Festival de Inverno fez encomendas a dois compositores, Mário Ficarelli e Bruno Kiefer. Ficarelli escreveu Sombra –
uma parábola, uma obra para barítono, grupo instrumental, coro e figurantes, que estreou sob a regência de Afrânio Lacerda, com o patrocínio do Museu Lasar Segal. Bruno Kiefer compôs
Três poemas para voz grave, clarineta e piano, dedicada ao trio recém-formado por Eladio, Walter Alves de Souza e Berenice Menegale, que conseguiu o patrocínio da obra por meio da
25 Ibid., p.60. Não existe nenhum documento que informe a respeito de obra encomendada em 1973. 26 Relatório do VII Festival de Inverno de Ouro Preto. Organização e texto de Manoel Marcos Guimarães.
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firma A Aubaud de BH. Durante o Festival de Inverno, o trio fez ainda a estreia de duas obras – Dança de Lindembergue Cardoso (1978) e Ciclo Lorca de Ricardo Tacuchian (1979).27
Para o ano de 1975, foram feitas encomendas a dois compositores santistas – Gilberto Mendes e Roberto Martins – que estrearam no encerramento do IX Festival de Inverno. Gilberto Mendes escreveu Motetos à feição de Lobo de Mesquita, para canto, oboé, violoncelo e cravo, que obteve o patrocínio da Cultura Artística de Minas Gerais, e Roberto Martins compôs Súplice – quando veniam et apparebo ante faciem Dei? para barítono, coro, percussão e fita magnética, que foi patrocinada pela Prefeitura de Santos.
Segundo Eladio, a encomenda era feita ao compositor e este possuía total liberdade para escolher o tipo de obra e os instrumentos com os quais desejava trabalhar.
Não se estipulava nada, nem instrumentação, nem texto, nem o tipo de obra. Simplesmente se dizia: (...) você sabe que não temos orquestra, que podemos contar com tais e tais instrumentos e mais nada.28
Em 1975, o Festival de Inverno iniciou uma abertura para a música latino-americana e convidou quatro compositores: Joaquin Orellana (Guatemala), Lourival Silvestre (MG), Lindemberque Cardoso (BA), Eduardo Bértola (Argentina). Confirmando essa fase de expansão de horizontes, a área de Música reafirma seus objetivos: “[...] oferecer possibilidades de contato com a criação musical contemporânea por meio de análise de obras, experiências com materiais sonoros, participação na montagem de composições e integrar os músicos de diversas áreas em atividades de difusão da música brasileira contemporânea”.29
A vinda de Eduardo Bértola ao IX Festival foi marcada por expectativas de ambos os lados: “[...] pienso que aunque no sea tan especializado como el de Piriapolis, se puede hacer uma tarea bastante profunda porque el tiempo es mucho mayor (...)”.30
27 Por mais de uma década, o trio manteve suas atividades contando em seu repertório com obras de destacados
compositores – Fernando Cerqueira, Gil Nuno Vaz, Leonardo Sá, Antônio Jardim e Ramón Barce – sendo suas estreias realizadas nos principais eventos de música contemporânea do País: Panorama da Música Brasileira Atual do Rio de Janeiro, Bienal de Música Brasileira Contemporânea do Rio de Janeiro, Festival Música Nova de Santos, Ciclo de Música Contemporânea de BH e outros. LOVAGLIO, Vânia. Eladio Pérez-González: um militante da música contemporânea brasileira. 129f. 2002. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de História, Universidade Federal de Uberlândia, 2002. p. 60.
Considerado um dos jovens representantes da nova música argentina, Bértola compôs durante o Festival a obra
28 LOVAGLIO, Vânia. Eladio Pérez-González: um militante da música contemporânea brasileira. 129f. 2002.
Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de História, Universidade Federal de Uberlândia, 2002. p.61.
29 Rascunho datilografado da programação.
30 Carta-resposta de Bértola ao convite de Eladio, encontrada nos arquivos da FEA. Os Cursos Latino-
americanos de Música Contemporânea iniciados em 1971, sob a coordenação geral de Coriún Aharonián, foram realizados de forma itinerante por diversas cidades da América Latina, inclusive no Brasil, e representaram um importante local de discussão para compositores, intérpretes, educadores, musicólogos e estudantes.
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Trópicos (para flauta, clarineta e violino), baseada em choques de timbres, provocados em registros e dinâmicas diferentes, dentro de um fluir contínuo não melódico. A obra foi executada por Odete Ernest Dias, Walter Alves de Souza e Orellana, também conhecido como excelente violinista.
Quanto à presença de Orellana, Gilberto Mendes divulgou em artigo que, “[...] o principal nome da nova música da Guatemala, também compôs durante o Festival a obra
Primitiva Grande”, que foi apresentada em 1ª audição mundial pelos seus alunos e sob sua regência).31 Sobre essa nova fase do Festival de Inverno, Gilberto Mendes menciona que, em 1975 “[...] foi dado um grande destaque à música latino-americana, a exemplo do que estamos fazendo em Santos, desde 1969, em nosso Festival Música Nova. E do Brasil, destaque à sua música mais nova”. Afora o clima de cooperação existente entre os compositores no Festival, Gilberto salienta a “[...] necessidade de uma frente comum latino-americana, para firmar e fazer conhecida a sua nova música, sobretudo, entre nós mesmos, americanos”.32
A vinda consecutiva de compositores e intérpretes latino-americanos ao Festival – Bértola, Orellana, Rufo Herrera, León Biriotti, Dante Grela, Eladio, Amílcar Rodriguez e Beatriz Román –, fortaleceu o período de valorização da música contemporânea brasileira e latino-americana e tornou a área de Música cada vez mais afinada com os movimentos culturais existentes em outras partes da América Latina.
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Além das encomendas, de uma programação cada vez mais dedicada à música contemporânea brasileira e de um número crescente de obras compostas durante o Festival, a Coordenação se empenhava em divulgar obras até então inéditas no Brasil ou em Minas Gerais. Para o encerramento do X Festival foi preparada a montagem da ópera El Retablo de
Maese Pedro do compositor espanhol Manuel de Falla, em comemoração ao centenário de seu nascimento.
34 Apresentada pela primeira vez no Brasil, a ópera de marionetes foi
conduzida pelos integrantes do Grupo Giramundo – Teatro de Bonecos – sob a direção de Álvaro Apocalypse, com direção vocal de Eladio e regência do maestro Sérgio Magnani, ficando a montagem do libreto a cargo dos participantes do curso de Literatura da UFMG.35
31 Gilberto Mendes, jornal ainda não identificado, sem data. 32 Ibid.
33 A questão será amplamente abordada na introdução do segundo capítulo.
34 Ópera baseada em um episódio de Dom Quixote, escrita para ser interpretada por marionetes, estreou em Paris
em 1923, na casa da Princesa de Polignac, que a havia encomendado ao compositor. Cf. OSBORNE, Charles. Dicionário de Ópera. Tradução de Júlio Castañon Guimarães. (Verbetes brasileiros de Marcus Góes). Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1987. p.139.
35 A parte musical (coro, solistas e orquestra) foi realizada pelos alunos e professores do Curso de Música. Uma
equipe do Curso de Literatura cuidou do libreto da ópera que contou também com a participação de alunos do Festival para a Oficina de Teatro de Bonecos. Estado de Minas, BH, 29 de julho de 1976.
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Também em 1976, foram apresentadas em 1ª audição mundial as obras Anjos
Xipófagos (duas flautas) e Tráfego (piano) de Eduardo Bértola, Seis aspectos de Ouro Preto (para flautas) de Lindembergue Cardoso, escrita durante o Festival, Natureza morta (flautas, oboé, piano e sax) do mesmo compositor e O amor é um som (soprano e grupo instrumental) de Ernst Mahle, além da estreia estadual de sua ópera infantil Maroquinhas fru-fru.36
Uma das preocupações da coordenadora de Música era conseguir apoio financeiro para o oferecimento de bolsas aos estudantes, aliada ao desenvolvimento desses jovens nas suas áreas específicas. Berenice estimulava a formação de grupos de câmara visando futuras oportunidades para a vida profissional. Em carta dirigida ao Sr. Manoel Diégues Júnior, da Funarte, Berenice Menegale relata as diversas formas de incentivo que o Festival tem procurado oferecer aos estudantes e cita a colaboração do Goethe Institut quanto à bolsa de estudos na Alemanha para o aluno que mais se destacar.37
Berenice divulga também a política de encomendas adotada pelo Festival (patrocinadas por entidades particulares e órgãos municipais e estaduais) e menciona a possibilidade de três compositores serem convidados pelo próximo Festival – Edino Krieger (através do Coral de Monlevade), Estércio Márquez Cunha (Superintendência da Cultura do Estado de Goiás) e a Luiz Szarán, do Paraguai. Efetivamente, foi este quem recebeu a encomendada do X Festival.
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Ainda em sua carta, Berenice ressalta que o Festival tem proporcionado a numerosos jovens músicos de todo o País “[...] um trabalho intensivo, sob a orientação de excelentes professores” e solicita a Funarte o patrocínio de uma excursão por algumas cidades brasileiras para os grupos mais preparados, oferecendo assim a oportunidade de um exercício profissional que justifique seu esforço e persistência. Considerando a hipótese de a Funarte acolher a ideia, a coordenadora comunicou aos professores do Festival a sua proposta e Szarán encontrava-se radicado em Roma quando compôs
Añesú, obra para barítono e grupo instrumental, estreada em 1976, sob a regência de Afrânio Lacerda. A obra foi dedicada a Eladio que, por sua vez, conseguiu o patrocínio por meio da Firma Vênus S.A. de Assunção.
36 A 1ª audição da ópera foi feita em São Paulo no mesmo ano (1976) sob a regência do compositor e contou
com a participação do barítono Eladio no elenco e na preparação vocal dos cantores. A ópera foi também apresentada em BH e em várias cidades brasileiras, dentre elas Uberlândia, por meio do Projeto de Extensão coordenado por nós, junto ao Departamento de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Uberlândia.
37 Carta assinada por Berenice Menegale, dirigida ao Sr. Manoel Diégues Júnior, da Funarte, com data de 1 de
junho de 1976, Belo Horizonte.
38 No ano anterior, Szarán participou do Festival como aluno por meio de uma bolsa de estudos recomendada por
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sugeriu que fosse dada prioridade ao trabalho de música de câmara para instrumentistas e cantores.39
Sempre atenta ao futuro profissional do jovem músico brasileiro, a coordenadora de Música se movimentava em busca de recursos para oferecer bolsas de estudos aos alunos estrangeiros, firmava apoio com instituições para cartas de recomendação para bolsas no exterior e incentivava a formação de grupos de câmara. Nesse sentido, é notável o esforço empreendido por Berenice Menegale para que o Festival de Inverno cumprisse a sua função educacional e pudesse se tornar um espaço gerador de oportunidades artísticas e profissionais.
Em reconhecimento a sua dedicação, citamos o exemplo de dois ex-alunos do Festival de Inverno de Ouro Preto que, incentivados por ele, construíram sua carreira e tornando-se profissionais de atuação internacional. O violoncelista Márcio Carneiro veio estudar com Iberê Gomes Grosso (1969, 1970 e1971) e recebeu uma carta de recomendação para uma bolsa de estudos na Alemanha por meio do Deutscher Akademischer Austauschienst – DAAD, Serviço de Intercâmbio Acadêmico, pelo seu excelente desenvolvimento artístico.
A experiência de participar do Festival de Inverno foi marcante na vida de Márcio Carneiro e, de certa maneira, determinou os rumos de sua profissão como músico. Sendo muito jovem, tinha dúvidas quanto à carreira de músico e à realidade pouco promissora para o artista no Brasil.40 Além da chance de conviver com colegas de sua geração que vinham de vários lugares do Brasil com os mesmos objetivos e da beleza barroca de Ouro Preto (principalmente ao entardecer), chamou a atenção do violoncelista a organização do Festival, com uma programação de altíssimo nível, “coordenada por uma pessoa carismática como Berenice Menegale”. Márcio Carneiro é enfático ao recordar que o nível de seriedade e comprometimento que havia no Festival não deixava nada a desejar aos melhores festivais de música realizados no mundo.41
Outro caso é o da pianista argentina Mirta Herrera que participou do Festival no mesmo período que Márcio Carneiro por meio de bolsa de estudos recomendada pelo pianista Eduardo Hazan. Mirta e Márcio tornaram-se amigos e, mesmo morando em países diferentes, tiveram a oportunidade de fazer música na Europa e, de uns anos para cá, no Brasil. Os
39 Carta de Berenice Menegale ao Sr. Manoel Diegues Jr., encontrada nos arquivos da FEA.
40 Entrevista com Márcio Carneiro, BH, 16 de setembro de 2006. A sua ida para a Alemanha se concretizou em
março de 1972. No ano seguinte conseguiu uma segunda bolsa e depois uma terceira e acabou fixando-se por lá. Márcio Carneiro é professor de violoncelo da Universidade de Detmold, fundada em 1945 por um grupo de músicos e, hoje, é uma das mais importantes da Alemanha. Detmold foi uma das poucas cidades alemãs que escapou da destruição da 2ª Guerra Mundial.
41 Ibid. O violoncelista é sempre convidado a participar de festivais e master-class pela Europa, Japão, Coréia e
outros locais. Márcio lembra que em julho de 1970 houve um incêndio na FEA e em agosto foi realizado um concerto para arrecadar fundos para a reconstrução da escola.
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músicos formaram um trio com o violinista alemão Götz Hartmann e duas vezes ao ano vêm a Belo Horizonte participar da Semana de Música de Câmara, promovida pela FEA. Segundo os músicos, esta é uma excelente oportunidade para os jovens praticarem a música de conjunto. Diferentemente da Europa e Estados Unidos, onde os instrumentistas desenvolvem grande experiência com a música de câmara, ficando a desejar em relação ao estudo de obras solistas, no Brasil, a situação é inversa, falta aos nossos instrumentistas a vivência do repertório camerístico.42
A vinda de Mirta Herrera e Márcio Carneiro ao Brasil, particularmente a Belo Horizonte, é motivada, em primeira instância, por uma profunda admiração pela pessoa de Berenice Menegale, em reconhecimento às suas atividades artístico-culturais e pedagógicas como pianista e diretora da FEA e, em seguida, pelo interesse em contribuírem para o sucesso do projeto, que envolve professores e alunos de várias escolas de música da cidade e região.43
Voltando ao período de encomendas, em 1977, Lindembergue Cardoso escreveu a obra Memória I, para coro e orquestra para o encerramento do XI Festival de Inverno44 e, em 1978, a encomenda foi feita ao compositor Marco Antônio Guimarães que escreveu Iauti-
mirim, lendas tupis, obra para cantor-narrador, coro e instrumentos, estreada no XII Festival de Inverno, cujo patrocínio partiu do Escritório de Advocacia Waldemar Donaudio e Waldir Montroni de São Paulo45
À exceção dos outros anos, o XI Festival de Inverno não aconteceu integralmente na cidade de Ouro Preto. Como a área de Música fora deslocada para Belo Horizonte, os cursos foram realizados no Conservatório de Música e os concertos se dividiram entre o auditório desta Escola e o Instituto de Educação. A comemoração dos 10 anos do Festival de Inverno representava uma vitória para todos os grupos envolvidos. No entanto, a sua continuidade em Ouro Preto estava ameaçada devido a uma série de dificuldades, como a falta de pessoal de apoio, falta de estrutura para acomodação de professores e alunos e problemas gerados com o grande afluxo de turistas na cidade. A situação reclamava uma saída e a solução encontrada para o momento foi radical.
Afrânio Lacerda foi o regente responsável pela 1ª audição de ambas.
Para o reitor da UFMG, prof. Eduardo Cisalpino, a universidade mineira deveria aproveitar o ano de 1977, quando completaria seu 50º aniversário, para uma revisão total do
42Entrevista com Mirta Herrera, Buenos Aires, 02 de maio de 2006.
43 A Semana de Música de Câmara foi implantada pela FEA em março de 2004 e, até o momento (março de
2009), encontra-se na décima edição.
44 Não existe documento ou menção por parte de Berenice ou Eladio a respeito do patrocínio desta obra.
45 Este foi o terceiro patrocínio conquistado com o apoio de Eladio: o primeiro se deu por meio do Museu Lasar
Segal, para a obra de Ficarelli, e o segundo por meio da Secretaria de Cultura de Santos, para obra de Roberto Martins.
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seu programa que, certamente, iria sofrer mudanças profundas. Após reunião do Conselho de Extensão, o reitor anunciava que “[...] o XI Festival de Inverno será bastante diferente dos até agora realizados, cujo esquema (...) não se adapta mais à realidade cultural do Estado e nem atende às necessidades da Universidade”.46
Após uma década, a UFMG se dava conta de que o Festival de Inverno representava, além de conquistas e reconhecimento público, uma conjunção de problemas e, por isso, demandava uma pausa a busca de soluções. Diante da proporção que o evento tomou, transpondo os limites iniciais de um projeto de extensão universitária, havia a necessidade de uma reorganização e de uma logística capazes de enfrentar os problemas estruturais em Ouro Preto. A falta de acomodação para professores e alunos, o número insuficiente de