7.4 Hybrid Planning and Control
7.4.1 Mission: Global Navigation and Local Operation with OA
Uma ferramenta ou artefato ao serem construídos pelos projetistas não recebem o status de instrumentos. Para Rabardel (2002) desde a criação dos artefatos pelos construtores, estes já possuem um status social que vai além do que o sujeito concedeu ao associá-lo à sua ação. Rabardel diz que muitas vezes os artefatos são utilizados aquém das suas propriedades e seu potencial não é realmente explorado como um todo. O artefato é estabelecido no(s) uso(s) que o sujeito efetua dele. Folcher e Rabardel (2007, p. 213) ressaltam que um novo artefato não se transforma em um órgão funcional, mas é uma potencialidade que prevê “a construção de uma articulação com a atividade do(s) sujeito(s)”.
Rabardel (2002) e Folcher e Rabardel (2007) usam o termo instrumento para designar o artefato em situação inscrita em uso, em uma relação de ação do sujeito como um meio da ação. Eles veem o instrumento como uma unidade mista composta por dois elementos. O primeiro é artefato, material ou simbólico, construído pelo sujeito ou por outros sujeitos. O segundo, para os esquemas de utilização, é produto de uma construção autônoma e própria do sujeito ou de uma apropriação de esquemas de utilização já formados.
De maneira sintética, será especificado o conceito de esquema de utilização que o sujeito desenvolve em sua ação, que Rabardel (2002) e Folcher e Rabardel (2007) dividem em três categorias: esquemas de uso (EU), esquemas de ação instrumentada (EAI) e esquemas de ação coletiva instrumentada (EACI).
a) EU: equivalem às atividades relativas ao nível das propriedades e características particulares do artefato;
b) EAI: equivalem às atividades que vão além do que é prescrito nos EU, ou seja, agrupam as características do EU e tem os artefatos como forma de realização da atividade;
c) EACI: equivalem ao uso simultâneo ou combinado de um instrumento em situação de atividades comuns e coletivas.
Nesses esquemas de utilização, Rabardel (2002) mostra que o artefato é, a princípio, elaborado de acordo com as ações do sujeito e aos seus esquemas que são, progressivamente, adaptados às características dos objetos e às restrições das situações deparadas. Então, tem-se esquemas mais ou menos adaptados e mais ou menos eficazes. Bittar (2011), também embasada por Rabardel (2002), afirma, referente à noção central da abordagem instrumental (os esquemas desenvolvidos pelos sujeitos durante seu agir), que “os esquemas de uso são relativos às tarefas ligadas diretamente ao artefato, tais como ligar o computador, localizar os aplicativos, e colocar atalhos na tela” (BITTAR, 2011, p. 161). Já os esquemas de ação instrumentada possuem ligação direta ao objeto da ação e esses esquemas de ação instrumentada constituem técnicas que possibilitam sanar de maneira eficiente certas tarefas, de forma evolutiva. Um exemplo dado por Bittar sobre isso é o uso de um editor de texto, “então ao aprender a
usar as ferramentas do aplicativo para realizar a tarefa (o objetivo da ação do sujeito), este estará desenvolvendo um esquema de ação instrumentada” (BITTAR, 2011, p. 161). Ao se referir a esses esquemas, Bittar (2011) lembra que, se em um momento um sujeito se encontra no esquema de ação instrumentada, em um momento posterior pode transformar-se em esquema de uso para o mesmo sujeito.
Rabardel (2002) e Folcher e Rabardel (2007), embasados pelas concepções vygotskyanas, propõem que três orientações sejam consideradas na atividade mediada pelos instrumentos:
a) em direção ao objeto da atividade, pode ser diferenciada em duas formas: as mediações visam a aquisição de conhecimento do objeto como principal meta (um exemplo, um filme educativo disponível na internet, após
baixado, assistido e avaliado, pode ser visto e se decidir por mantê-lo ou descartá-lo ou, até mesmo, encontrar outro22) seguida de mediações que visam a
ação sobre o objeto, em que há transformação, gestão, regulação etc. (o conjunto dos comandos do computador que possibilita a manipulação, a edição ou exclusão do filme é um exemplo).
b) em direção aos outros sujeitos, as atividades podem ser coletivas e individuais e são compostas de mediações interpessoais, de acordo com o conhecimento da outra pessoa, o que influencia a ação do sujeito (como exemplo, o filme educativo baixado na internet possibilita relações com os alunos diferentes daquelas que os filmes alugados em locadoras proporcionavam. Hoje, o aluno participa da exibição do filme, examina-o, além de ter o olhar dirigido do professor sobre o aluno, numa mediação interpessoal). c) em direção a si mesmo, em sua atividade ele se conhece, se gere e ele mesmo se transforma. As mediações são reflexivas, o que significa que é sua própria relação consigo mesmo, mediada pelo instrumento (utilizando ainda como exemplo o filme educativo, em que o professor utiliza a internet para baixá-lo e, dependendo da qualidade do filme ou até mesmo do teor, seleciona ou elimina os filmes).
Rabardel (2002) e Folcher e Rabardel (2007) afirmam que o homem faz parte de realidades heterogêneas e todo instrumento estabelece potencialmente um mediador para essas três direções, “que podem estar co-presentes no interior de cada atividade instrumental” (FOLCHER; RABARDEL, 2007, p. 213). A atividade mediada pelo instrumento proposta por Folcher e Rabardel (2007) pode ser visualizada na figura 7.
22 Esse exemplo foi extraído do texto produzido pela instrução ao sósia por uma das professoras
Figura 7 – Atividade mediada pelo instrumento
Fonte: Folcher e Rabardel (2007, p. 212)
Na figura 7 as flechas pontilhadas mostram as três orientações da mediação pelos instrumentos (em direção ao objeto da atividade, em direção aos outros sujeitos e, enfim, em direção a si mesmo). A flecha pontilhada que vai dos outros sujeitos para o objeto da atividade não está mediada pelo instrumento, ou seja, trata-se de uma relação entre os outros sujeitos e o objeto da atividade, sem que se perpasse o instrumento. Já as flechas contínuas representam as relações não mediadas pelo instrumento.
2.4 As duas dimensões da gênese instrumental: instrumentalização e